O Cineclube Coxiponés é um cineclube brasileiro pertencente a Universidade Federal de Mato Grosso. Fundado em 21 de janeiro de 1977 pela professora Therezinha de Jesus Arruda e pelo jornalista Gabriel Papazian, atualmente é um aparelho de cultura vinculado à Coordenação de Cultura e Vivência da Pró-reitoria de Cultura, Extensão e Vivência (PROCEV) da UFMT, sendo o mais antigo do estado e um dos mais longevos do Brasil.
Em quase cinquenta anos de existência, o Cineclube Coxiponés atua de modo contínuo em ações cineclubistas e de preservação da memória audiovisual regional, brasileira e latino americana. O espaço realiza semanalmente atividades de exibição, formando públicos e promovendo o acesso da população local a obras que dificilmente participam de circuitos comerciais de exibição. Além disso, o Cineclube realiza atividades de formação e pesquisa por meio de cursos, oficinas, bate-papos, seminários e publicações.
Dentre as atividades de difusão, destaca-se a Mostra de Audiovisual Universitário e Independente da América Latina (MAUAL) realizada pelo Cineclube há mais de vinte anos. A MAUAL vem se consolidando como a principal vitrine para a produção audiovisual universitária e independente de Mato Grosso, com projeção crescente no cenário de mostras e festivais brasileiros e latino-americanos. O acervo da MAUAL congrega um importante grupo de filmes de curta duração de MT, de outros estados do Brasil e de diversos países latino-americanos, com mais de 1.000 curtas catalogados.
Com a criação do bacharelado em Cinema e Audiovisual, em 2018, e do Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM), em 2020 na UFMT, o Cineclube vem se fortalecendo por meio de parcerias com pesquisadores, docentes e discentes, promovendo a integração entre ensino, pesquisa e extensão. A partir de 2022, o Cineclube tem atuado diretamente na produção de publicações científicas, por meio do seu projeto editorial que conta com duas coletâneas de textos investigativos sobre o "Cinema e Audiovisual em Mato Grosso" (Vol. 1 - 2022; Vol. 2 - 2023).
Desde 2018, o Cineclube Coxiponés integra a Rede Cineclubista de Mato Grosso (REC-MT), que reúne agentes de preservação, difusão, pesquisa e realização audiovisual. Em 2023, por meio de sua supervisora, o Cineclube Coxiponés se vincula à Associação Brasileira de Preservação Audiovisual ABPA e à Rede Universitária de Acervos Audiovisuais RUAAv. O espaço também mantém contato com instituições parceiras como a Cinemateca Brasileira, o Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (MISC) e o Núcleo de Documentação e Informação Histórica Regional da UFMT (NDHIR), por meio de trocas de experiências, consultorias, recuperação e transferência de acervos. História Anos 1970 Em 21 de janeiro de 1977, o então reitor da UFMT Gabriel Novis Neves assinou a portaria de criação do Cineclube Coxiponés, cuja fundação foi realizada pela professora Therezinha de Jesus Arruda e pelo jornalista Gabriel Papazian. Seu nome foi atribuído em homenagem a um dos subgrupos da etnia Bororo. Povo de luta e resistência, os coxiponés habitavam a região onde hoje é o bairro de São Gonçalo, às margens do rio Cuiabá. Em 1979, entraram em cena a professora Marília Beatriz de Figueiredo Leite e dois universitários que se tornaram os principais cineclubistas à frente do Coxiponés: Epaminondas de Carvalho Filho e Clóvis Rezende Matos. A presença desses jovens colaboradores era uma forma de oxigenar as ideias e se aproximar dos estudantes, estimulando o debate com a comunidade universitária.
Com a vigilância cerrada dos militares aos cineclubes na década de 1970, o Coxiponés buscou apoio de embaixadas para realizar mostras de filmes, como alternativa viável nos anos de chumbo. À época, um desafio que estimulava a equipe envolvia a ousada missão de exibir filmes de países que constituíam a chamada “cortina de ferro”, principalmente títulos da União Soviética. A estratégia para trazer as cópias em 35mm e 16mm envolvia rotas alternativas, passando pelo México e pelo Panamá, até chegar em Cuiabá, onde eram retirados no posto da Polícia Federal.
Anos 1980 miniaturadaimagem|246x246px|Cinema Circulante - Epaminondas de Carvalho e Clóvis Matos Na década de 1980, sob supervisão de Clóvis Matos, agora servidor concursado da UFMT, as atividades do Cineclube passaram a se diversificar, seguindo o que estava estabelecido no seu estatuto. O Coxiponés passou a produzir filmes no formato Super 8, a partir de oficinas de produção oferecidas à época. Também foi um período em que a equipe do Coxiponés se aventurou por precárias estradas do interior de Mato Grosso para projetar filmes em praças públicas e outros espaços alternativos, dando início ao projeto Cinema Circulante.
Anos 1990 Em 1992, o Coxiponés passa a ser dirigido pelo cineasta Luiz Borges, servidor técnico da UFMT. Era um período de crise para o cinema brasileiro. O presidente Fernando Collor havia extinguido a Embrafilme, o que dificultou sobremaneira a aquisição de títulos para exibição em 16mm. A programação era centrada, principalmente, na cinematografia alemã, devido ao apoio do Instituto Goethe e contratos com a Poli Filmes, distribuidora com a qual o Coxiponés trabalhava. Nesse período, a equipe era formada por Epaminondas Carvalho Filho, Ana Paula Duarte, Sofia Amiden, Eliete Alves (Lica) e apoio técnico de Sebastião Palma e do professor Mário Amiden, além de contar com estagiários.
Nesse período, além do trabalho com difusão e produção de filmes, o Coxiponés passou a investir também na preservação da memória do cinema em Mato Grosso. O interesse de Luiz Borges pela história do cinema mato-grossense levou a UFMT a adquirir o acervo da Família Papazian (filmes e fotografias que traçam um retrato da sociedade cuiabana da primeira metade do século XX). A aquisição de outros filmes históricos sobre Mato Grosso e a necessidade de condições de preservação estimulou a luta por uma sede própria. Infelizmente, um incêndio atingiu metade das fotografias do acervo Papazian, quando ainda estavam armazenadas no prédio da reitoria, nos anos de 1990. Com a demora na construção de um local adequado para o acervo, os filmes de Lázaro Papazian foram levados, antes do acidente, para a Cinemateca Brasileira e escaparam do fogo. Em meados da década de 2000 o acervo fotográfico de Lázaro Papazian foi repassado ao Museu de Imagem e Som de Cuiabá (MISC). Em 2023, ele retornou à UFMT e se encontra abrigado no Núcleo de Documentação e Informação Histórica Regional (NDHIR).
Ainda no período em que esteve à frente do Cineclube Coxiponés, Luiz Borges e sua equipe iniciaram, em 1993, a produção de uma mostra de filmes brasileiros. Tudo começou com uma retrospectiva do cinema mato-grossense. O evento aconteceu no auditório da Escola Técnica Federal de Mato Grosso com a exibição dos filmes "Alma do Brasil", de Líbero Luxardo; "Caramujo-Flor", de Joel Pizzini; e "Olhos, Espelho, Luz", experiência cinematográfica fruto de um curso intitulado Núcleo de Cinema, ocorrido em Cuiabá, em 1991. Após essa retrospectiva, veio uma mostra de curtas metragens paulistanos exibida em 35mm. Animado com a recepção do público, Luiz Borges e equipe criaram o projeto da Mostra Brasileira de Cinema e Vídeo de Cuiabá, que saiu do papel graças a um convênio entre a UFMT, governo estadual, prefeitura de Cuiabá, Federação das Indústrias de MT e Sebrae com patrocínio da Kodak. Durante suas quatro primeiras edições, a Mostra foi realizada pelo Cineclube Coxiponés, transformando-se, depois, no Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá.
Anos 2000 Nas comemorações de 25 anos de sua criação, em 2002, o Cineclube Coxiponés realizou a primeira Mostra Nacional de Vídeos Universitários, que futuramente viria a se chamar MAUAL - Mostra de Audiovisual Universitário e Independente da América Latina, coordenada por Sérgio Brito e José Amilcar Bertholini (Zunga, supervisor à época). Nascia, então, a oportunidade de jovens talentos universitários projetarem na tela grande suas próprias produções, muitas delas gestadas em sala de aula e que raramente eram apreciadas por um público mais amplo. miniaturadaimagem|251x251px|Museu Cineclube Coxiponés Em 2006, sob a coordenação do professor Moacir Francisco Barros, o acervo passa a ser digitalizado e armazenado em DVD e formatos digitais. Um ano depois, Moacir tornou-se coordenador do Coxiponés, atuando no cargo por 10 anos.
Anos 2010 A década de 2010 foi um período em que o Coxiponés investiu na participação em editais de estímulo a programas e projetos de extensão, o que permitiu a ampliação de suas ações. O programa de extensão “Cinematografando” nasceu dessas articulações, com recursos do PROEXT e contando com a colaboração do professor do Departamento de Comunicação Social, Diego Baraldi e da produtora cultural e colaboradora do Cineclube, Caroline Araújo.
O Coxiponés também participou do Circuito em Construção, evento que reuniu cineclubes do Brasil inteiro no Rio de Janeiro para discutir formas de sustentabilidade cineclubista. O evento foi importante para aproximar o Coxiponés da cena cineclubista brasileira que efervesceu entre 2008 e 2012, com a expansão do número de cineclubes no país. Em 2017, o Coxiponés contou com a supervisão do produtor cultural da UFMT, Luzo Reis, que manteve as sessões regulares semanais: a Sessão Coxiponés, às quintas-feiras e a sessão Cine Cochilão, às quartas-feiras. Neste mesmo ano, o Cineclube Coxiponés, com o apoio da Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Vivência, também programou atividades especiais para comemorar os 40 anos de cineclubismo na UFMT. Fizeram parte dessa programação uma exposição no Museu de Arte e Cultura Popular da UFMT, lançamentos de filmes, oficinas audiovisuais e a Mostra Latitude de Filmes Mato-Grossenses.
A partir de 2018, sob supervisão do professor Diego Baraldi, o Cineclube Coxiponés investiu na regularidade das sessões de cinema (realizadas em diferentes dias da semana), quase sempre seguidas de conversas entre os participantes. Com a criação do Curso de Cinema e Audiovisual da UFMT, o Coxiponés passa a abrigar, no período matutino, aulas de diferentes disciplinas do curso, intensificando a parceria que já existia com os Cursos de Comunicação Social da UFMT, em especial com o de Radialismo. Após itinerâncias e oficinas de cineclubismo realizadas nos campus Barra do Garças, Rondonópolis e Sinop da UFMT, e de uma articulação com diferentes agentes e instituições que trabalham com audiovisual no Estado, foi realizado, durante a MAUAL 2018, um encontro que resultou na criação da Rede Cineclubista de Mato Grosso, programa que reúne agentes e iniciativas dedicadas a atividades de ativismo, difusão, debate, ensino, pesquisa, crítica, acervo e realização audiovisual.
Anos 2020 Com a pandemia de Covid-19, em 2020, a equipe do Coxiponés se viu forçada a adaptar suas ações para o ambiente virtual. A programação destacou a recuperação e difusão da memória do audiovisual mato-grossense iniciado em anos anteriores. A ação “Temporada de Filmes Online” ampliou a visibilidade para obras produzidas no Estado nos últimos 40 anos, fazendo circular mais de 80 títulos entre curtas, médias e longas-metragens. A iniciativa foi uma parceria entre o Coxiponés, realizadores, o Cine Teatro Cuiabá e a Rede Cineclubista de Mato Grosso. A programação foi compartilhada no blog do Cineclube na Plataforma Cultura e Vivência da UFMT e nas redes sociais do Cineclube e do Cine Teatro Cuiabá.
O momento da pandemia foi preponderante para o lançamento de outra atividade do Cineclube Coxiponés: a série “Cine Comentário Sonoro”, com publicação de comentários de autores e autoras sobrepostos ao conteúdo de imagem e som de curtas-metragens. Pelo menos 35 episódios foram publicados nesse formato.