Juan Pablo Bohoslavsky é um jurista argentino. Entre 2014 e 2020 exerceu o mandato de Especialista Independente sobre Dívida Externa e Direitos Humanos do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Bohoslavsky é graduado em Direito pela Universidade Nacional de Comahue (Argentina) e doutor em Direito pela Universidade de Salamanca (Espanha). Ele foi um Hauser Global Fellow da Universidade de Nova Iorque (Estados Unidos) e pesquisador de pós-doutorado no Max Planck for Comparative Public Law and International Law (Heidelberg, Alemanha).

Bohoslavsky produziu ampla literatura acadêmica em inglês e espanhol sobre dívida externa e sobre cooperação entre atores econômicos e do sistema de justiça com regimes autoritários na América do Sul em países como Argentina, Brasil e Chile. miniaturadaimagem|Juan Pablo Bohoslavsky e outros no painel de lançamento do livro "Cuentas Pendientes", na Biblioteca do Escritório das Nações Unidas em Geneva - UNOG (Abril de 2014) Em 2013, organizou, juntamente com Marcelo Torelly, o dossiê Cooperação Econômica com a Ditadura Brasileira, publicado pela Revista Anistia Política e Justiça de Transição (nº 10). Em 2016 foi o organizador de uma edição especial do Yale Journal of International Law (vol. 43) em parceria com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Para além de suas publicações como acadêmico e especialista independente, Bohoslavsky também contribui regularmente com veículos de imprensa da Argentina e do mundo. No ano de 2013 publicou juntamente com o jornalista Horácio Verbitski o livro "Cuentas Pendientes" (Sigla XXI), eleito um dos melhores livros do ano na Argentina.

Atuação como especialista independente da ONU Em seus seis ano como especialista indepentnede das Nações Unidas para dívida externa e direitos humanos Bohoslavsky fez avançar o debate entorno de temas chave como a especial vulnerabilidade das mulheres nos processos de reforma voltados à austeridade fiscal, o pagamento de empréstimos secretos por países em desenvolvimento e a regulação dos paraísos fiscais.

Bohoslavsky realizou missões oficias a diversos países durante seu mandato, incluindo Bolívia, China, Mongólia e Ucrânia.

Em fevereiro de 2018 o governo do Brasil, então presidido por Michel Temer, retirou o convite para que Bohoslavsky fizesse uma visita ao país, gerando reações da sociedade civil organizada. Bohoslavsky foi especialmente crítico as medidas de austeridade fiscal e a reforma trabalhista aprovada durante o governo Temer e, juntamente com Inês Virgínia Prado Soares e Marcelo Torelly, apontou a necessidade de aumentar os mecanismos de responsabilização de atores corporativos por violações contra os direitos humanos no Brasil citando casos como a tragédia de Mariana e cooperação de empresas com a ditadura militar.

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