A eleição presidencial polaca de 2020 teve seu primeiro turno sido realizado em para eleger o presidente da Polônia. Como nenhum candidato obteve mais de 50% dos votos válidos, um segundo turno ocorreu em entre os candidatos mais votados: o atual presidente em exercício Andrzej Duda e Rafał Trzaskowski, candidato filiado ao partido oposicionista Plataforma Cívica (PO). Inicialmente programada para maio, a votação foi adiada por conta da pandemia de COVID-19. Ao todo, onze candidaturas foram habilitadas pela Comissão Nacional Eleitoral.

Duda era candidato à reeleição, oficialmente como independente, mas aliado à Direita Unida, coalizão política liderada pelo partido governista Lei e Justiça (PiS). Trzaskowski, prefeito de Varsóvia, foi escolhido candidato pela PO após a desistência de Małgorzata Kidawa-Błońska. Duda foi reeleito para um segundo mandato consecutivo após obter 51,03% dos votos válidos contra 48.97% de Trzaskowski.

Sistema eleitoral O presidente da Polônia é eleito de forma direta em um sistema de dois turnos. Como Chefe de Estado, é o comandante-em-chefe das Forças Armadas, representa o país internamente e externamente, ratifica acordos internacionais, nomeia os membros do governo e promulga as leis. O presidente goza do direito de vetar uma lei aprovada pelo Parlamento, que só pode derrubar o veto com o apoio de três quintos dos membros do Sejm (Câmara Baixa). Também lhe cabe dissolver o Parlamento em certas ocasiões.

O mandato presidencial é de cinco anos, facultada uma reeleição consecutiva. De acordo com as disposições da Constituição, o presidente deve ser eleito pela maioria absoluta dos votos válidos. Se nenhum candidato conseguir ultrapassar esse limiar no primeiro turno, realiza-se um segundo turno com os dois candidatos mais votados. O primeiro mandato de Duda se encerra em 6 de agosto de 2020, quando o presidente eleito toma posse diante da Assembleia Nacional, em sessão conjunta do Sejm e do Senado.

Como critérios de elegibilidade, o candidato deve ser um cidadão polonês, ter pelo menos 35 anos de idade no dia do primeiro turno da eleição e ter coletado pelo menos 100 mil assinaturas de eleitores até a meia-noite de 10 de junho de 2020. Inicialmente, o primeiro turno ocorreria em 10 de maio. No entanto, a data foi transferida para 28 de junho diante da pandemia de COVID-19.

Candidatos oficiais A Comissão Nacional Eleitoral certificou como elegíveis os seguintes candidatos:

Principais Candidato, idade e partido político Cargos Detalhes Robert Biedroń()Primavera 80px|Robert Biedroń Líder do PrimaveraMembro do Parlamento EuropeuPrefeito de Słupsk Em janeiro de 2020, Biedroń teve sua candidatura oficializada pela aliança Lewica, que reúne os maiores partidos de esquerda do país. Os líderes da aliança afirmaram que a escolha deu-se por conta de seu apoio aos direitos das mulheres, Estado de Direito e separação entre Estado e religião. Abertamente homossexual, Biedroń manifestou-se favoravelmente aos direitos LGBT e ao enfrentamento do aquecimento global. Krzysztof Bosak()Movimento Nacional 80px|Krzysztof Bosak Membro do SejmVice-presidente do Movimento Nacional Bosak venceu as primárias presidenciais da Confederação pela Liberdade e Independência com 51,9% dos votos dos delegados. Eurocético, Bosak identifica-se com o conservadorismo nacional, divulgando em sua plataforma causas socialmente conservadoras, inclusive o apoio a protestos contra os direitos LGBT, bem como a crença de que o partido do presidente Duda não era suficientemente de direita. Andrzej Duda()IndependenteAliança com a Direita Unida 80px|Andrzej Duda Presidente da PolôniaMembro do Parlamento EuropeuMembro do Sejm Duda foi eleito presidente no segundo turno de 2015, derrotando o incumbente Bronisław Komorowski com 51,5% dos votos. Oficialmente independente em virtude do cargo exercido, sua candidatura à reeleição recebeu o apoio da aliança Direita Unida, que inclui o partido Lei e Justiça. Um político conservador, Duda chegou a registrar 72% de aprovação em fevereiro de 2018, mas o apoio diminuiu com a proximidade da eleição – ainda que manteve a liderança das intenções de votos para o primeiro turno. Szymon Hołownia()Independente 80px|Szymon Hołownia Não ocupou nenhum cargo público Celebridade midiática, Hołownia foi um dos apresentadores da versão polonesa de Got Talent. Hołownia apresentou sua candidatura como independente, com seu manifesto enfatizando a segurança nacional, proteção ambiental, solidariedade e atividade dos governos locais. Outrossim, afirmou não querer ser associado a nenhuma das correntes políticas (esquerda, direita ou outra), assumindo que acordos e objetivos comuns possam ser encontrados com representantes de todas as visões. Rafał Trzaskowski()Plataforma Cívica 80px|Rafał Trzaskowski Prefeito de VarsóviaMinistro da Administração e Digitalização Trzaskowski ingressou na disputa de última hora, em maio de 2020, substituindo a candidata Małgorzata Kidawa-Błońska, que chegou a somar menos de 10% de apoio nas pesquisas. Em seis dias, Trzaskowski reuniu as 100 mil assinaturas necessárias, oficializando sua candidatura que, de acordo com o Financial Times, impediu que a eleição se transformasse na "coroação de Duda." De matriz liberal em um partido centrista, Trzaskowski declarou apoio à União Europeia e aos direitos LGBT. Władysław Kosiniak-Kamysz()Partido Popular 80px|Władysław Kosiniak-Kamysz Líder do Partido PopularMinistro do Trabalho e Política SocialMembro do Sejm Kosiniak-Kamysz anunciou sua candidatura presidencial em dezembro de 2019. Kosiniak-Kamysz apoiou as políticas sociais do partido governista, uma reforma constitucional e uma reforma judicial. Foi o líder de seu partido nas eleições legislativas de 2019, quando a agremiação garantiu 8,5% dos votos para o Sejm.

Outros Candidato, idade e partido político Cargos Candidato, idade e partido político Cargos Marek Jakubiak()Federação pela República 80px|Marek Jakubiak Presidente da Federação pela RepúblicaMembro do Sejm Mirosław Piotrowski()Movimento Europa Real 80px|Mirosław Piotrowski Presidente do Movimento Europa RealMembro do Parlamento Europeu Paweł Tanajno()Independente 80px|Paweł Tanajno Não ocupou nenhum cargo público Waldemar Witkowski()União Trabalhista 80px|Waldemar Witkowski Presidente da União Trabalhista Stanisław Józef Żółtek()Congresso da Nova Direita 80px|Stanisław Józef Żółtek Membro do Parlamento Europeu

Sondagens eleitorais Primeiro turno thumb|299x299px|Gráfico das intenções de votos para o primeiro turno

FonteDataNão sabeSe abstémOutros Duda Trzaskowski Biedroń Kosiniak-Kamysz Bosak Hołownia Boca de urna:IPSOS 21:00 UTC+2 28/06 - 1,6% 41,8% 30,4% 2,9% 2,6% 7,4% 13,3% IBRiS 25/06 - 1.0% 41,2% 30,7% 3,9% 4,1% 7,2% 12,0% StanPolityki.pl 25/06 - 1,69% 41,01% 31,89% 3,36% 3,56% 6,99% 11,50% Estymator 24–25/06 - 1,1% 42,7% 28,4% 3,6% 6,3% 7,6% 10,3% Kantar 24–25/06 8% - 40% 27% 3% 2% 7% 13% Pollster 24–25/06 - 1,30% 41,27% 30,30% 3,35% 5,81% 7,23% 10,74% PGB Opinium 23–25/06 - 0,7% 40,5% 29,7% 3,8% 7,0% 7,3% 11,0% IBRiS 24/06 6,6% 1,3% 41,1% 26,4% 4,9% 5,4% 4,6% 9,7% IPSOS 22–23/06 4% 1% 40% 27% 4% 5% 7% 10% Social Changes 19–23/06 - 2% 41% 29% 4% 4% 7% 13% Pollster 22/06 - 0,76% 41,38% 29,86% 2,93% 6,55% 7,34% 11,18% Maison & Partners 19–22/06 5.5% - 33,1% 28,2% 6,2% 3,4% 7,8% 15,8% IBRiS 20/06 4,7% 1,2% 41,0% 27,1% 4,2% 7,3% 5,6% 8,9% IBRiS 19–20/06 1,2% - 43,1% 27,4% 4,5% 7,5% 6,2% 10,1% United Survey 19/06 5,9% 0,2% 41,5% 28,3% 2,2% 8,0% 5,4% 8,6% Estymator 18–19/06 - 0,9% 44,6% 29,3% 2,1% 6,9% 7,3% 8,9% IBRiS 18/06 4,5% 1,3% 41,3% 28,2% 3,8% 8,3% 4,6% 8,1% Kantar 17–18/06 6% - 40% 32% 2% 3% 7% 10% Pollster 16–17/06 - 1,58% 40,82% 30,28% 3,28% 6,06% 6,24% 11,74% IPSOS 16–17/06 6% - 40% 30% 2% 4% 7% 10% Social Changes 12–16/06 - 2% 39% 28% 3% 6% 7% 15% Maison & Partners 12–15/06 5,0% - 37,0% 28,4% 4,0% 4,4% 6,3% 14,8% PGB Opinium 12–15/06 - - 40,5% 28,9% 3,8% 8,6% 7,3% 10,6% Estymator 12–13/06 - 0,5% 44,1% 28,3% 2,7% 6,6% 7,1% 10,7% IBRiS 12–13/06 3,6% - 40,7% 28,0% 3,0% 9,7% 7,1% 7,8% Pollster 9–10/05 - 1,51% 41,17% 28,14% 5,22% 4,99% 4,97% 14,00% Kantar 5–10/06 11% - 38% 27% 4% 6% 6% 8% Social Changes 5–9/06 - 1% 40% 29% 4% 4% 7% 15 IBRiS 5–6/06 5,2% 0,1% 42,7% 26,6% 3,4% 7,4% 6,9% 7,7% Estymator 3–4/06 - 0,4% 43,1% 25,3% 2,6% 6,8% 7,4% 14,4%3 de junho Votação do primeiro turno anunciada para 28 de junho. Início oficial da campanha CBOS 22/5–4/06 13,4% 0,8% 48,6% 16,2% 1,8% 4,3% 4,2% 10,7% Pollster 2–3/06 - 1% 40% 28% 4% 6% 7% 14% Social Changes 29/05-02/06 - 1% 41% 29% 5% 5% 6% 13%

Segundo turno thumb|350px|Gráfico das intenções de votos para o primeiro turno

FonteDataNão sabeSe abstém Duda Trzaskowski Boca de urna: IPSOS LATE POLL 12–13/07 51,0% 49,0% – Boca de urna: IPSOS LATE POLL 12/07 50,8% 49,2% – Boca de urna: IPSOS 21:00 UTC+2 12/07 50,4% 49,6% –12 de julho Segundo turno Social Changes 8-10/07 47% 46% 7% IBRiS 9/07 45,7% 47,4% 6,9% CBOS 30/6-9/07 44,4% 44,6% 11,0% Kantar 8–9/07 45.9% 46,4% 7,7% Pollster 8–9/07 50,72% 49,28% - Indicator 8–9/07 45,9% 44,7% 9,4% CBOS 29/06-9/07 50,0% 38,0% 12% IBRiS 8/07 44,4% 45,3% 10,3% PGB Opinium 7–9/07 49,16% 50,84% - IPSOS 7–8/07 50% 47% 3% Kantar 3–8/07 44% 45% 11% Social Changes 3–7/07 47% 46% 7% IBRiS 4/07 48,7% 47,8% 3,5% United Surveys 4/07 46,8% 45,9% 7,4% IBRiS 4/07 45,9% 47,2% 6,9% PGB Opinium 2-4/07 49,62% 50,38% - Estymator 2-3/07 50,9% 49,1% - Kantar 2–3/07 46% 47% 7% IBRiS 1/07 49,0% 46,4% 4,6% Indicator 30/06-2/07 50,7% 49,3% - IPSOS 30/06-1/07 48% 49% 3% Pollster 30/06-1/07 51,14% 48,86% - Kantar 30/06 44% 45% 11% IBRiS 28/06 45,8% 48,1% 6,1% Indicator 28/06 50,9% 49,1% - Kantar 28/06 45,4% 44,7% 9,9%

Resultados miniaturadaimagem|Cartão de votação do primeiro turno

Com quase a totalidade dos votos apurados, a Comissão Eleitoral confirmou a realização de um segundo turno com Duda e Trzaskowski. Enquanto o presidente obteve 43,5%, Trzaskowski alcançou 30,3%. Durante o segundo turno, as pesquisas de opinião indicaram proximidade entre ambos os candidatos. As pesquisas boca de urna deram uma pequena vantagem para Duda, sem contudo ser possível determinar o desfecho da eleição. Duda declarou vitória, mas Trzaskowski afirmou que estava confiante de sua vitória quando os resultados fossem divulgados. No dia seguinte, em 13 de julho, a Comissão Eleitoral confirmou a reeleição de Duda, com 51% dos votos; Trzaskowski reconheceu a derrota logo depois.

Em 17 de julho, o Partido Plataforma Cívica, de Trzaskowski, contestou a validade da eleição junto à Suprema Corte, afirmando que houve irregularidades e uma cobertura desigual pela televisão estatal. Observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa afirmaram que a disputa foi "manchada" pela cobertura tendenciosa da televisão pública. No entanto, a alta corte julgou que o processo eleitoral era íntegro, afirmando que, apesar das dúvidas sobre a imparcialidade da cobertura da televisão estatal, esta não era a única fonte de mídia disponível para os eleitores, e que eles eram livres para escolher a qual mídia assistir.

+Resultados eleitorais após 100% das urnas apuradasCandidatoPartido políticoPrimeiro turnoSegundo turnoVotos%Votos%Andrzej DudaIndependente43.5051.03Rafał TrzaskowskiPlataforma Cívica30.4648.97Szymon HołowniaIndependente 13.87Krzysztof BosakMovimento Nacional 6.78Władysław Kosiniak-KamyszPartido Popular da Polónia 2.36Robert BiedrońPrimavera 2.22Stanisław Józef ŻółtekkCongresso da Nova Direita 0.23Marek JakubiakFederação pela República 0.17Paweł TanajnoIndependente 0.15Waldemar WitkowskiUnião Trabalhista 0.15Mirosław PiotrowskiMovimento Europa Real 0.11Total de votos válidos 100 100Participação eleitoral 64.51 68.18

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