A Região do Algarve ou simplesmente o Algarve é uma região e sub-região portuguesa situada no sul do país. Está composta pela mesma sub-região, 16 municípios e 67 freguesias, sendo a cidade de Faro a cidade administrativa.Tem uma extensão total de km2, habitantes em 2024 e uma densidade populacional de 96 habitantes por km2. Limitada a norte com a região do Alentejo, a leste com a região espanhola da Andaluzia e a sul e a oeste com o oceano Atlântico.

É constítuída pelos seguintes 16 municípios:

Albufeira, Alcoutim, Aljezur, Castro Marim, Faro, Lagoa, Lagos, Loulé, Monchique, Olhão, Portimão, São Brás de Alportel, Silves, Tavira, Vila do Bispo e Vila Real de Santo António

Registou em 2024 um produto interno bruto de cerca de 14 milhões de euros, posicionando-se em 6.° lugar entre as regiões portuguesas e representando cerca de 4% da economia nacional. Em termos de produto interno bruto per capita, registou euros, ocupando o 2.° lugar entre as 9 regiões portuguesas.

Através da Lei n.º 75/2013, que aprovou a reforma administrativa na Assembleia da República, a região foi formalmente instituída, estabelecendo o seu território como Comunidade Intermunicipal do Algarve. O território integra a área de atuação da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve ou também designada como CCDR-ALG, estatuto este regulado pelo Decreto-Lei n.º 36/2023.

O Algarve transformou-se numa das regiões portuguesas com maior número de residentes estrangeiros, oriundos principalmente de outros países europeus. Em 2018, 69 mil dos habitantes não eram portugueses, tendo sido os cidadãos oriundos de França, Itália e Suécia os que mais cresceram naquele ano. Os cidadãos de nacionalidade britânica continuam a ser os mais representativos entre a população estrangeira residente no Algarve.

Etimologia Na época romana a região era denominada Cinético (Cyneticum) devido ao nome do povo indo-europeu nativo, os cinetes ou cônio (cynetes ou conii em latim).

O topónimo Algarve (pronúncia [aɫˈɡaɾv(ɨ)) tem origem na expressão árabe الغرب (al-Gharb) que significa "o oeste", "o ocidente". De facto, a expressão completa era Gharb al-Andalus (Gharb al-Ândalus) nome atribuído ao actual Algarve e ao Baixo Alentejo durante o domínio muçulmano, significando "Andaluz Ocidental", pois era a parte ocidental da Andaluzia mourisca.

História Época pré-romana miniaturadaimagem|150px|left|Menir de Padrão, na Raposeira. Datado do Quarto , é o mais bem preservado monumento megalítico no Barlavento algarvio miniaturadaimagem|150px|left|Ex-voto de liga de cobre representando um touro, encontrado em Ferragudo (séc. V - IV a. C). A data da sua criação coincide com o período de domínio dos cónios

Existem registos arqueológicos de povoamento humano no Algarve, como é o caso da Estação arqueológica de Vale Boi, que datam de há mais de 30 mil anos. Como era habitual na altura em questão, tais povoações tinham um carácter nómada. Posteriormente, com o advento da agricultura e o surgimento de um estilo de vida mais sedentário, assentamentos fixos proliferaram em várias partes da região algarvia, sendo o povoamento calcolítico de Alcalar, que atingiu dimensões consideráveis, um dos mais notáveis e bem preservados exemplos de tais sociedades. Do neolítico e calcolítico sobrevivem ainda diversos monumentos megalíticos na forma de menires, cromeleques e antas, como a Anta das Pedras Altas, a mais bem preservada em território algarvio.

Na época pré-romana a região era habitada pelos cónios, também conhecidos por cúneos ou cinetes,AAVV. (1963). "Algarve" in Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Lisboa: Editorial Verbo. um povo (formado por várias tribos) cuja filiação linguística e étnica ainda é alvo de debate, com alguns historiadores e arqueólogos a afiliá-los aos celtas, outros aos iberos, e ainda outros aos povos anatólicos. São mencionados por vários historiadores e autores da antiguidade, como Estrabão, Avieno e Apiano, que os situavam em áreas geográficas que hoje conformam o Algarve, o sul do Alentejo e inclusivamente a zona costeira do Rossilhão, na Catalunha. A localização de tais assentamentos levou alguns historiadores a supor que os cónios faziam parte dos povos do mar, cuja movimentação iniciou-se no 1º milénio a.C.. Esse antigo território dos cónios ia da foz do rio Mira à foz do Guadiana, pelo litoral, e da foz do rio Mira passando pela área das nascentes do rio Sado e pelas ribeiras de Terges e de Cobres até à confluência desta última com o Guadiana e descendo pela margem direita ou oeste desse rio novamente até à sua foz, pelo interior, abrangendo assim toda a área da Serra do Caldeirão (também denominada Serra de Mu) e seu planalto. miniaturadaimagem|Povos ibéricos pré-romanos - línguas indo-europeias Segundo José Hermano Saraiva, os conii ou cynetes (cónios, em latim, ou cinetes, em grego), conforme atestam os topónimos Conímbriga e Coina, haviam-se deslocado para o sul por conta da pressão exercida por outros povos e, como os lusitanos, eram celtas. Ainda segundo alguns autores, é possível que os cónios e a sua cultura abrangessem uma vasta área, já que semelhanças em etnónimos, como é o caso da tribo dos Ikonioi, da Gália, ou do topónimo Conimbriga, em Condeixa-a-Nova, assim como a raíz indo-europeia (ku-no, de extracto indo-europeu, significa 'cume' ou 'pico') do idioma falado e escrito pelos cónios, apontam para uma extensa proliferação, que ia da actual França a diversas partes da Península Ibérica. Existem também historiadores que, devido a similitudes linguísticas, colocam a origem dos cónios na Anatólia, possivelmente aparentados com os lídios. O território deste povo situava-se muito próximo de uma antiga civilização nativa da Península Ibérica, a de Tartessos (que se desenvolveu no oeste da atual Andaluzia), na bacia do rio Guadalquivir (antigo Betis). Devido a isso, os cónios foram muito influenciados por esta antiga cultura ou fizeram mesmo parte dessa civilização. Além disso, é possível que fossem relacionados com os tartessos, embora alguns autores da Antiguidade clássica, tal como Estrabão e Plínio, o Velho, neguem isso. Porém, Estrabão refere que a região do Algarve tinha fortes ligações comerciais com os tartessos. Também foram influenciados pelas civilizações mediterrânicas, nomeadamente a grega, romana, cartaginesa, das quais restaram muitos vestígios na região. Durante este período desenvolveu-se a economia da região, com instalação de trabalhos metalúrgicos e a exploração de várias minas. Eram um dos povos culturalmente mais avançados do atual território de Portugal e mesmo da Península Ibérica de então, pois já tinham conhecimento da linguagem escrita, tendo mesmo criado e desenvolvido uma escrita própria, a escrita do sudoeste, que também pode ser designada escrita cónia.

Estrabão descreve o Algarve como estando dividido em diversas áreas naturais: a parte setentrional, agreste e com terrenos elevados, enquanto que a faixa costeira meridional era muito mais plana, estando ali situada a maioria das cidades. Descreveu igualmente as árvores presentes na região, as matas e os pomares, e refere que já se praticava a pesca e a salga do peixe, de grande importância comercial. Deu uma especial importância ao promontório de Sagres, que considerou como o fim da Europa e de todo o mundo civilizado.

Época romana thumbnail|direita|Templo romano de Milreu, em Estói Antes da integração definitiva dos cónios no Império Romano, durante o período que vai de cerca de a , estes encontravam-se sob forte influência romana mas gozavam de elevado grau de autonomia. Devido, em parte, ao relacionamento favorável com os romanos, os cónios haviam tido alguns conflitos com os lusitanos que, sob a liderança de Cauceno (Kaukenos), o chefe lusitano anterior a Viriato, tinham conquistado durante algum tempo o seu território, incluindo a capital, Conistorgis (de localização ainda desconhecida, num monte a norte de Ossonoba, atual Faro, ou talvez Castro Marim) no ano Devido a esse conflito com os lusitanos, por um lado, e por outro devido à influência cultural das civilizações mediterrânicas, ao contrário de muitos dos povos pré-romanos de Portugal, foram aliados dos romanos durante algum tempo e não seus adversários, diferindo da atitude de outros povos tais como os lusitanos, os célticos e os galaicos, que foram fortes opositores à conquista romana.

Apesar disso, um pouco mais tarde, no contexto das guerras lusitânicas, no ano , os cónios revoltaram-se contra os romanos, juntamente com os túrdulos da Betúria (também denominados betures), mas foram derrotados por Fábio Máximo Serviliano, procônsul romano, e integrados definitivamente no Império Romano. thumbnail|esquerda|Centro de processamento de peixe romano na Praia da Luz, Lagos Nos séculos que se seguiram, a população nativa (cónios) foi fortemente romanizada, adotando o latim como língua, e integrada em termos culturais, políticos e económicos na civilização romana e no seu império. O Algarve, então denominado Cyneticum (Cinético), fez parte do Império Romano, integrado primeiro na província da Hispânia Ulterior e, mais tarde, na província da Lusitânia, durante mais de 600 anos, desde cerca de até ao ano , ostentando cidades relevantes tais como Baesuris (atual Castro Marim), Balsa (próxima de Tavira), Ossonoba (atual Faro), Cilpes (atual Silves), Lacobriga (atual Lagos) e Myrtilis (atual Mértola)) pois, nessa época, também pertencia ao Cyneticum.

Durante a época romana, teve um desenvolvimento cultural e económico significativo (agricultura, pesca e transformação), baseado principalmente na sua forte produção agrícola. Nessa época, a região exportava principalmente azeite e garum (um condimento feito a partir de peixe), produtos muito apreciados no Império Romano. A sua localização geográfica também era importante em termos de apoio às rotas de navegação marítima entre os portos romanos do mar Mediterrâneo e os do oceano Atlântico, na Hispânia, Gália e Britânia.thumbnail|direita|Mosaicos romanos no Cerro da Vila, em Vilamoura Os rios Guadiana (Anas) e Arade (Aradus) serviam de rotas de navegação fluvial de contato com o interior e continuariam a sê-lo durante muitos séculos. Também, em termos de localização geográfica, foi importante o facto da região estar logo a oeste da Bética (que corresponde, em grande parte, ao território da atual Andaluzia), uma das províncias cultural e economicamente mais desenvolvidas da Hispânia e do Império Romano (região de origem de importantes figuras tais como o erudito e filósofo Séneca, o agrónomo Columela e dos imperadores Trajano e Adriano).

Todos estes factores contribuíram para a prosperidade do Algarve durante muitos séculos. Em termos culturais, a época romana também assistiu à difusão do cristianismo na Hispânia, incluindo a Lusitânia e atual Algarve a partir de meados do , mas seria a partir do IV, com a publicação do Édito de Milão, no ano pelo imperador Constantino (que concedia liberdade de culto aos cristãos), que o cristianismo se difundiria mais e ganharia importância significativa na região com a conversão de muita da população nativa, embora as religiões animistas ou pagãs tenham permanecido durante mais alguns séculos.

Reino Visigótico