Hermann Karl Hesse (Calw, 2 de julho de 1877 — Montagnola, 9 de agosto de 1962) foi um escritor e pintor alemão. Em 1923, ele se naturalizou suíço. Em 1946, recebeu o Prêmio Goethe. Logo depois, recebeu o Nobel de Literatura "por seus escritos inspirados que, enquanto crescem em audácia e penetração, exemplificam os ideais humanitários clássicos e as altas qualidades de estilo".

Biografia thumb|Museu Hermann Hesse, Gaienhofen Nascido em uma família muito religiosa, filho de pais missionários protestantes (pietistas, como é típico da Suábia) que pregaram o cristianismo na Índia. Estudou no seminário de Maulbron em 1891, mas não seguiu a carreira de pastor, como era a vontade de seus pais. Embora fosse um estudante modelo, ele foi incapaz de se adaptar e saiu menos de um ano depois. Como ele explicaria mais tarde:Tendo recusado a religião cristã, ainda adolescente, rompeu com a família e emigrou para a Suíça, em 1912, trabalhando como livreiro e operário. Acumula, então, uma sólida cultura autodidata e resolve dedicar-se à literatura.

Hesse publicou o seu primeiro livro, uma coleção de poemas, em 1899. Permaneceu no ramo de livrarias até 1904, quando se tornou escritor "freelancer" e publicou o seu primeiro romance, Peter Camenzind, sobre um escritor falido. O romance foi um sucesso. Hesse retornou ao tema da busca interna e externa de um artista em Gertrud (1910) e Rosshalde (1914). Uma visita à Índia, nesses anos, foi mais tarde refletida em Siddhartha (1922), um romance poético, ambientado na Índia, na época do Buda, sobre a busca pela iluminação.

Travou contacto com a espiritualidade oriental, a partir de uma viagem à Índia, em 1911, e com a psicologia analítica, por meio de um discípulo de Carl Gustav Jung, em decorrência de uma crise emocional causada pela eclosão da Primeira Guerra Mundial. Estas duas influências seriam decisivas no posterior desenvolvimento da sua obra.

Em 1946, recebeu o Prêmio Goethe e, passados alguns meses, o Nobel de Literatura "por seus escritos inspirados que, enquanto crescem em audácia e penetração, exemplificam os ideais humanitários clássicos e as altas qualidades de estilo".

Faleceu em 9 de agosto de 1962 e foi sepultado no cemitério de San Abbondio em Montagnola, perto de Lugano, onde Hugo Ball também foi enterrado.

Principais temas Hesse foi um autor popular e influente no mundo de língua alemã. A fama mundial só veio mais tarde. Seu primeiro grande romance, Peter Camenzind, foi recebido com entusiasmo por jovens alemães que desejavam um modo de vida diferente e mais "natural" numa época de grande progresso econômico e tecnológico no país. Demian teve uma influência forte e duradoura sobre a geração que voltou da Primeira Guerra Mundial para casa. Similarmente, O Jogo das Contas de Vidro, com seu disciplinado mundo intelectual de Castalia e os poderes de mediação e humanidade, cativou os alemães que ansiavam por uma nova ordem no caos de uma nação dilacerada após a derrota na Segunda Guerra Mundial.

Na década de 1950, a popularidade de Hesse começou a diminuir, enquanto críticos e intelectuais da literatura voltavam sua atenção para outros temas. esquerda|miniaturadaimagem|Hermann Hesse em 1927. Na época da morte de Hesse, em 1962, suas obras ainda eram relativamente pouco lidas apesar de seu status como laureado com o Prêmio Nobel. A situação mudou em meados da década de 1960, quando as obras de Hesse subitamente se tornaram best-sellers nos Estados Unidos. Isso foi atribuído à sua associação com temas populares do movimento da contracultura de 1960. Em particular, o tema da busca da iluminação de Sidarta, Viagem ao Oriente, Narciso e Goldmund ressoou entre aqueles que defendiam os ideais da contracultura. As sequências de "teatro mágico" em O Lobo da Estepe foram interpretadas por alguns como alucinações induzidas por drogas, embora não haja evidências de que Hesse tenha tomado drogas psicodélicas ou recomendado seu uso. Em grande parte, o sucesso de Hesse nos Estados Unidos pode ser atribuído aos textos entusiasmados de duas influentes figuras da contracultura: Colin Wilson e Timothy Leary. Dos Estados Unidos, o renascimento de Hesse se espalhou para outras partes do mundo, inclusive o Brasil, e até mesmo de volta à Alemanha: mais de 800 000 cópias foram vendidas no mundo de língua alemã, em 1972-1973. Em apenas alguns anos, Hesse tornou-se o autor europeu mais lido e traduzido do século XX. Hesse foi especialmente popular entre leitores jovens, uma tendência que continua até hoje.Informações obtidas no verbete em língua inglesa sobre Hesse.

O jogo das contas de vidro foi o último romance de Hesse. Durante os últimos 20 anos de sua vida, Hesse escreveu muitos contos (principalmente lembranças de sua infância) e poemas (frequentemente tendo a natureza como tema). Hesse escreveu também ensaios irônicos sobre sua alienação de escrever (por exemplo, as autobiografias simuladas: História da vida resumidamente dita e Aus den Briefwechsel eines Dichters) e passou muito tempo desenvolvendo o seu interesse por aquarelas, cujas reproduções enviava em postais aos amigos. miniaturadaimagem|Estátua de Hermann Hesse em Calw, Alemanha Hesse também se ocupou com o fluxo constante de cartas que recebeu como resultado do Prêmio Nobel, e com uma nova geração de leitores alemães que se reviam no seu trabalho. Num ensaio, Hesse reflete ironicamente sobre sua falha ao longo da vida para adquirir um talento para a ociosidade, especulando-se que sua correspondência média diária foi superior a 150 páginas.

Recepção no Brasil e em Portugal A primeira obra de Hermann Hesse traduzida para o português foi Der Steppenwolf (O lobo da estepe) em 1935, no Brasil, tradução de Augusto de Souza, pela editora Cultura brasileira. Nas décadas de 1960 e 1970 tornou-se um dos autores estrangeiros mais lidos no Brasil. Em Portugal, a primeira tradução foi Klein und Wagner (Ele e o Outro), assinada por Manuela de Sousa Marques, em 1952, pela Guimarães editores.

Bibliografia de Hermann Hesse

+RomancesTítulo OriginalTítulo no BrasilTradutorAno de lançamentoEditora01Peter CamenzindPeter CamenzindClaudia Abeling1903Brasiliense, Todavia02Unterm RadMenino prodígio ou Debaixo das rodas Alvaro Cabral1905Record, Civilização Brasileira03GertrudGertrudMario da Silva1910Civilização Brasileira, Record04KnulpKnulp, Knulp : três histórias da vida de um andarilho ou Knulp: três episódios de sua vidaEgle Malheiros; Julia Bussius1915Record, Todavia, Civilização Brasileira05Demian ou Sinclairs notizbuchDemian ou O caderno de SinclairIvo Barroso; Marija Cesar Mendes Bezerra1917Civilização Brasileira(1), Record, BestBolso06SiddharthaSidarta Herbert Caro1922Civilização Brasileira, Opera Mundi, Record, BestBolso, Folha de S.Paulo07Der SteppenwolfO Lobo da Estepe Ivo Barroso1927Civilização Brasileira, Record, BestBolso08Narziss und GoldmundNarciso e Goldmund Myriam Moraes Spiritus1930Record, Brasiliense09Das GlasperlenspielO Jogo das Contas de VidroAbranches Viotti e Flávio Vieira de Souza1943Record, BestBolso10FabulierbuchO livro das fábulasÃlvaro Cabral1935Civilização Brasileira, Record11Die MorgenlandfahrtViagem ao OrienteLeda Maria Goncalves Maia1958Civilização Brasileira, Record

+Coletânea de contosTítulo OriginalTítulo no BrasilTradutorAno de lançamentoEditora01Diesseits, cinco contosEste lado da vidaAlvaro Cabral1907 Civilização Brasileira, Record02ErzaehlungenVivências: trechos escolhidosLya Luft1907Record03Nachbarn, cinco contos1908 04Umwege, contos1912 05MaerchenSonho de uma flauta e outros contosAngelina Peralva1919Record06Weg nach Innen, quatro contos1931 07Kleine WeltPequeno mundo Álvaro Cabral1933Civilização Brasileira, Record08Mein GlaubeMinha féLuiza L. Leite Ribeiro1952Record09Kleine freudenPequenas alegriasLya Luft1977Record10Wer lieben kann, ist glücklichQuem pode amar é felizLuiz Montez2008 no Brasil Record

+PoesiaTítulo OriginalTítulo no BrasilTradutorAno de lançamentoEditora01Unterwegs, poesias1911 02Musik des Einsamen, poesias1915 03Piktors VerwandlungenTransformaçõesLya Luft1922Record03Trost der Nacht, poesias1923 04Mit der Reife wird man immer jüngerCom a maturidade fica-se mais jovemRoberto Rodrigues1952Record05Stuffen. a usgewàhlte gedicheAndares: antologia poéticaGeir Campos1975 (no Brasil)Nova Fronteira06Glück: Betrachtungen und GedichteFelicidadeLya Luft1973Record

+Não-FicçãoTítulo OriginalTítulo no BrasilTradutorAno de lançamentoEditora 01Besuch aus Indien (Visitor from India)—philosophy(1913) 02 Blick ins Chaos (A Glimpse into Chaos)—essays(1920) 03 Wandering—notes and sketches ou WanderungCaminhada Ildiko Maria Javor(1920)Record04If the War Goes On—essays(1971) 05Lekture fur minuten—essaysPara ler e guardar ou Para ler e pensarBelchior Cornelio da Silva(1971) Record05 Autobiographical Writings (including "A Guest at the Spa")—collection of prose piecesMinha vidaAffonso Blacheyre(1972) Artenova

+BiografiaTítulo OriginalTítulo no BrasilTradutorAno de lançamentoEditora 01Bocaccio1904 02Franz von AssisiFrancisco de AssisKristina Michahelles1904 Record03EigensinnObstinação, escritos autobiográficosBelchior Cornelio da Silva1919Record04Kindheit des zauberersA infância do magoSamuel Titan Jr1945José Olympio

+OutrosTítulo OriginalTítulo no BrasilTradutorAno de lançamentoEditora01Canções românticas1898 02Eine Stunde hinter Mitternacht1899 03Aus Indien191304RosshaldeRosshalde Alvaro Cabral1914Civilização Brasileira, Record05Blick ins Chaos, Aufsätze1920 06Klingsors letzter SommerO Último Verão de Klingsor Pinheiro de Lemos1920 Record07Betrachtungen1928 08Krisis, diário 1928 09Neue Gedichte1937 10Dank an Goethe1946 11Der Europäer, considerações1946 12Krieg und FriedenSobre a guerra e a pazLya Luft1946Record 131957 Obras Compiladas, 7 volumes1952 14Beschwörungen, prosa tardia1955 15Correspondência com Romain Rolland16ContosAngelina Peralva1969 no BrasilCivilização Brasileira17O homem de muitos livros18Die kunst des muessigangsA arte dos ociososPaul Schenetzer e Mathilde Latja1973 Record

Ligações externas

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