Alexandre III da (20/21 de julho de – 10 de junho de ), comumente conhecido como Alexandre, o Grande ou Alexandre Magno (), foi rei (basileu) do reino grego antigo da Macedônia e um membro da dinastia argéada. Nascido em Pela em , o jovem príncipe sucedeu a seu pai, o rei , no trono com vinte anos de idade. Ele passou a maior parte de seus anos no poder em uma série de campanhas militares sem precedentes através da Ásia e nordeste da África. Até os trinta anos havia criado um dos maiores impérios do mundo antigo, que se estendia da Grécia para o Egito e ao noroeste da Índia. Morreu invicto em batalhas e é considerado um dos comandantes militares mais bem-sucedidos da história.
Durante sua juventude, Alexandre foi orientado pelo filósofo Aristóteles até os 16 anos. Depois que Filipe foi assassinado em , Alexandre sucedeu a seu pai no trono e herdou um reino forte e um exército experiente. Havia sido premiado com o generalato da Grécia e usou essa autoridade para lançar o projeto pan-helênico de seu pai liderando os gregos na conquista da Pérsia. Em , invadiu o Império Aquemênida, governando a Ásia Menor, e começou uma série de campanhas que durou dez anos. Quebrou o poder da Pérsia em uma série de batalhas decisivas, mais notavelmente as batalhas de Isso e Gaugamela. Em seguida, derrubou o rei persa e conquistou a Pérsia em sua totalidade. Nesse ponto, seu império se estendia do mar Adriático ao rio Indo.
Buscando alcançar os "confins do mundo e do Grande Mar Exterior", invadiu a Índia em , mas foi forçado a voltar pela demanda de suas tropas. Alexandre morreu na Babilônia em , a cidade que planejava estabelecer como sua capital, sem executar uma série de campanhas planejadas que teria começado com uma invasão da Arábia. Nos anos seguintes à sua morte, uma série de guerras civis rasgou seu império em pedaços, resultando em vários estados governados pelos diádocos, sobreviventes e herdeiros generais de Alexandre.
Seu legado inclui a difusão cultural que suas conquistas geraram, como o greco-budismo. Fundou cerca de vinte cidades que levavam o seu nome, principalmente Alexandria, no Egito. Seus assentamentos de colonos gregos e a propagação resultante da cultura grega no leste resultou em uma nova civilização helenística, aspectos que ainda eram evidentes nas tradições do Império Bizantino em meados do e a presença de oradores gregos na região central e noroeste da Anatólia até à década de 1920. Alexandre tornou-se lendário como um herói clássico no molde de Aquiles, aparecendo com destaque na história e mito grego e culturas não gregas. Tornou-se a medida contra a qual os líderes militares se compararam, e academias militares em todo o mundo ainda ensinam suas táticas. É muitas vezes classificado entre as pessoas mais influentes do mundo em todos os tempos, junto com seu professor Aristóteles.
Começo da vida Linhagem e infância miniaturadaimagem|esquerda|Alexandre Magno, quando jovem.Busto do período helenísticoMuseu Britânico
Alexandre nasceu na cidade de Pela, capital do Reino da Macedônia, no sexto dia do mês hecatombeu do antigo calendário grego, o que provavelmente corresponde a 20 de julho de , apesar da data exata ainda não ser sabida com certeza. Era filho do rei e de sua quarta esposa, Olímpia, filha do rei . Apesar de Filipe ter sete ou oito esposas, Olímpia foi sua esposa principal por muito tempo, provavelmente devido ao fato dela ter sido aquela que lhe deu um filho homem.
Muitas lendas envolvem o nascimento e infância de Alexandre. De acordo com o biógrafo grego Plutarco, Olímpia, na noite da consumação do seu casamento com Filipe, sonhou que seu útero fora atingido por um raio. É dito que Filipe, em um sonho um tempo após o casamento, viu-se segurando o útero de sua esposa marcando-o com um selo gravado com uma imagem de leão. Plutarco deu várias interpretações a este sonho: talvez que Olímpia estivesse grávida antes do casamento, indicado pelo selo gravado em seu útero; ou que Alexandre fosse filho do deus Zeus. Analistas antigos dizem que uma ambiciosa Olímpia pode ter propagado a história da origem divina de Alexandre ou talvez ela dispensasse essa sugestão como ímpia.
No dia que Alexandre nasceu, Filipe estava preparando um cerco à cidade de Potideia, na península de Calcídica. No mesmo dia, Filipe recebeu notícias que o seu general Parménio tinha derrotado os exércitos combinados da Ilíria e da Peônia, e também que seu cavalo havia vencido uma competição nos Jogos Olímpicos. Também é dito que, neste dia, o Templo de Ártemis, em Éfeso, uma das sete maravilhas do mundo antigo, havia sido queimado. Isso levou Hegésias de Magnésia a dizer que o incêndio tinha ocorrido porque Ártemis estava longe, testemunhando o nascimento de Alexandre. Tais lendas podem ter surgido após Alexandre ter se tornado rei e possivelmente foram instigadas pelo próprio para mostrar que era um super-humano e destinado à grandeza desde sua concepção.
Nos seus primeiros anos de vida Alexandre foi criado por uma enfermeira, Lanice, irmã do futuro general Clito. Mais adiante na sua infância, Alexandre foi tutorado pelo rígido Leônidas de Epiro, um parente de sua mãe, e por Lisímaco, um general de Filipe. Alexandre foi criado como todos os jovens nobres macedônios, aprendendo a lutar, a ler, a tocar lira, a cavalgar e a caçar.
miniaturadaimagem|Aristóteles ensinando Alexandre.Por Jean Leon Gerome Ferris Quando Alexandre tinha dez anos de idade um comerciante da Tessália trouxe um cavalo a Filipe, que procurou vender por treze talentos. O cavalo se recusava a ser montado e Filipe o dispensou. Alexandre, contudo, percebendo que o cavalo parecia ter medo da própria sombra, afirmou que poderia domar o animal, o que posteriormente conseguiu. Plutarco afirmou que Filipe ficou exacerbado pela coragem e ambição do filho, o beijou firmemente e declarou: "Meu filho, você deve encontrar um reino grande o suficiente para a sua ambição. A Macedônia é pequena demais para você". Ele acabou comprando o cavalo para o garoto. Alexandre deu ao animal o nome Bucéfalo, que significa "cabeça de boi". Bucéfalo tornou-se o cavalo principal de Alexandre, acompanhando-o até suas campanhas na Índia. Quando o animal morreu (devido à idade avançada, de acordo com Plutarco, aos 30 anos), nomeou uma cidade com seu nome, Bucéfala.
Adolescência e educação Quando Alexandre tinha treze anos, Filipe começou a buscar um tutor para seu filho e considerou acadêmicos como Isócrates e Espeusipo, sendo que este último queria o cargo. No final, Filipe escolheu Aristóteles e lhe ofereceu o Templo das Ninfas em Mieza para ser usado como sala de aula. Em retorno por educar seu filho, Filipe concordou em reconstruir a cidade natal de Aristóteles, Estagira, que o próprio Filipe havia destruído. Ele a repovoaria, libertaria seus cidadãos que haviam sido escravizados e perdoaria os que estavam no exílio.
Mieza era como um colégio interno para Alexandre e os filhos de outros nobres macedônios que o acompanharam, como Ptolemeu, Heféstio e Cassandro. Muitos destes outros estudantes acabaram se tornando amigos de Alexandre e mais tarde se tornariam generais em seu exército. Aristóteles ensinou a Alexandre e seus companheiros sobre medicina, filosofia, moral, religião, lógica e arte. Sob sua tutela, Alexandre desenvolveu muito interesse pelo autor Homero, em particular com a obra Ilíada; Aristóteles lhe deu uma cópia deste livro, que Alexandre levava em suas campanhas.
Herdeiro do trono Regência e ascensão da Macedônia
miniaturadaimagem|esquerda|, pai de Alexandre.Gliptoteca Ny Carlsberg, Copenhague
Aos 16 anos de idade a educação de Alexandre sob Aristóteles acabou. Filipe então foi para a guerra contra Bizâncio, deixando Alexandre como regente do seu reino e herdeiro aparente. Na ausência de Filipe, os medos trácios se revoltaram contra a Macedônia. Alexandre respondeu rápido, expulsando-os dos seus territórios. Ele recolonizou a região com gregos e fundou uma cidade chamada Alexandrópolis.
Quando Filipe retornou, enviou Alexandre e uma pequena força de combate para subjugar uma revolta no sul da Trácia. Logo depois, durante uma campanha contra outros gregos na cidade de Perinto (atual Marmara Ereğlisi), Alexandre teria salvado a vida do seu pai. Enquanto isso, a cidade de Anfissa começou a trabalhar em terras que eram consagradas a Apolo, próximo de Delfos, um sacrilégio que deu a Filipe a oportunidade de mais uma vez interferir em assuntos gregos. Ainda ocupado na Trácia, ordenou a Alexandre que reunisse um exército para uma campanha no sul da Grécia. Preocupado que os estados gregos percebessem e interviessem, Alexandre fez parecer que se estava preparando para atacar a Ilíria. Nesse meio tempo, de fato, os ilírios invadiram a Macedônia, mas foram facilmente repelidos por Alexandre.
Filipe e seu exército se reuniram com Alexandre em , e juntos marcharam para Termópilas, onde derrotaram uma pequena mas obstinada resistência de homens de Tebas. Eles depois avançaram e ocuparam Elateia. Alguns dias depois marcharam sobre Atenas e Tebas. Os atenienses, liderados por Demóstenes, decidiram se aliar aos tebanos contra a Macedônia. Embaixadores atenienses e de Filipe tentaram ganhar o favor de Tebas, mas preferiram ficar do lado de Atenas. Filipe marchou então até Anfissa (ostensivamente agindo sobre o pedido do Anfictionia), capturando mercenários enviados por Demóstenes e aceitando a rendição desta cidade. Retornou então para Elateia, enviando uma oferta final de paz para Atenas e Tebas, mas foi rejeitado.
miniaturadaimagem|Alexandre.Estátua nos Museus Arqueológicos de Istambul
Enquanto Filipe marchava rumo a sul, seus oponentes o bloquearam próximo a Queroneia, na Beócia. Na subsequente batalha de Queroneia, Filipe comandou a ala direita dos exércitos macedônios e Alexandre ficou no flanco esquerdo, acompanhado de alguns dos melhores generais do reino. De acordo com fontes antigas, a luta foi intensa. Filipe recuou propositadamente, forçando os hoplitas atenienses a segui-lo, abrindo assim uma brecha em suas linhas. Alexandre então quebrou a formação do exército de Tebas, seguido pelos generais de Filipe. Com a coesão do inimigo quebrada, Filipe ordenou que suas tropas avançassem. Com os atenienses perdidos, os tebanos foram cercados e derrotados.
Depois da vitória em Queroneia, Filipe e Alexandre marcharam sem oposição pelo Peloponeso, sendo bem recebidos pelas cidades; contudo, quando se aproximaram de Esparta, foram recusados, mas decidiram não partir para a guerra. Em Corinto, Filipe estabeleceu a "Aliança Helênica" (moldada igualmente como a aliança antiPérsia durante as Guerras Greco-Persas), que incluía quase todas as cidades-estado gregas, excluindo Esparta. Filipe foi então proclamado hegemon (que pode ser traduzido como "Comandante Supremo") da Liga (conhecida pelos historiadores modernos como a Liga de Corinto), e anunciou seus planos de invadir o Império Persa.
Exílio e retorno Filipe se casou novamente quando retornou para Pela, desta vez com uma mulher chamada Cleópatra Eurídice, sobrinha do general Átalo. O casamento fez da posição de Alexandre como herdeiro menos segura já que qualquer filho homem que Eurídice e Filipe tivessem seria um macedônio puro, enquanto Alexandre era apenas meio macedônio (sua mãe, Olímpia, era de Epiro). Durante o banquete de casamento, Átalo ficou bêbado e começou a gritar pedindo aos deuses que aquela união produzisse um herdeiro legítimo.
Alexandre fugiu da Macedônia junto com a mãe, deixando-a com seu irmão, o rei Alexandre I de Epiro, em Dodona, capital dos molossos. Ele continuou fugindo até a Ilíria, onde foi aceito como convidado pelo rei local, apesar de tê-lo derrotado em batalha anos antes. Contudo, Filipe nunca teve a intenção de deserdar o seu político e militarmente treinado filho. Seis meses depois, com a mediação de Demarato, os dois fizeram as pazes e Alexandre retornou para casa.