A Seleção Uruguaia de Futebol representa o Uruguai nas competições de futebol da CONMEBOL e FIFA. É gerida pela Asociación Uruguaya de Fútbol, a AUF.

É conhecida como A Celeste desde seu primeiro triunfo em Montevidéu, em 15 de agosto de 1910 por 3 a 1, na primeira partida em que utilizou sua camiseta celeste, adotada como emblema nacional em reconhecimento ao triunfo que pouco antes havia conseguido o River uruguaio ante o poderoso Alumni portenho por 2 a 1 com essas mesmas cores.

Foi a primeira seleção, junto à Argentina, a jogar uma partida internacional fora das Ilhas Britânicas, em 20 de julho de 1902 em Montevidéu quando acabou sendo goleada pela Argentina por 6 a 0. Em 1903 veio a primeira vitória, numa revanche por 3 a 2.

É a seleção mais laureada do futebol, num total de 19 títulos oficiais, tendo vencido as primeiras competições oficiais de alcance mundial - os torneios olímpicos de futebol de 1924 e 1928 - que lhe deram o apelido de Celeste Olímpica - e a primeira Copa do Mundo, da qual foi o país-sede. Também venceu a edição de 1950, no Brasil, derrotando os donos da casa no episódio conhecido como Maracanazo. O Uruguai também é o recordista de títulos da Copa América, sendo a última em 2011 - foram 15 títulos, incluindo aí a primeira edição do torneio, realizada em 1916. É uma das grandes seleções do futebol mundial, sendo uma das oito campeãs mundiais e destas uma das seis que tem mais de um título, sendo bicampeã da Copa do Mundo e considerada tetracampeã mundial - e por isso ostenta quatro estrelas em seu escudo - já que os 2 dois torneios olímpicos conquistados antes da Copa de 1930 eram acreditados como "campeonatos mundiais" também pela FIFA. Até a Copa do Mundo de 2026, o Uruguai já havia se classificado para 13 edições da Copa do Mundo (1930, 1950, 1954, 1962, 1966, 1970, 1974, 1986, 1990, 2002, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026), o que faz dela a terceira Seleção da América do Sul com mais participações em copas do mundo, atrás somente do Brasil e da Argentina.

É o menor país em termos de população a conquistar a Copa do Mundo, registrando cerca de 1,75 milhão de habitantes quando venceu o torneio em 1930. No último censo, realizado em 2011, a população do país constava em cerca de 3,4 milhões de habitantes. Apenas seis países membros da FIFA com população atualmente menor a do Uruguai já se classificaram ao torneio: Irlanda do Norte (três vezes), Eslovênia (duas vezes), País de Gales, Jamaica, Trinidad e Tobago, Cabo Verde, Islândia e Curaçao. Depois de 1950 o Uruguai foi quarto lugar na Suíça em 1954. O Uruguai ficou fora da copa de 1958, mas disputou as edições de 1962, 1966, 1970 e 1974, sendo semifinalista em 1970, no México, quando perdeu contra o Brasil. Participou ainda das copas de 1986, 1990 e 2002 quando passou por fases de pouco prestigio em mundiais, porém foi semifinalista em 2010.

História 1900 a 1929: O início thumb|right|240x240px|Seleção Uruguaia de 1903 em um amistoso contra a Argentina. Historicamente o futebol tem sido um elemento fundamental no que se refere à aproximação da nacionalidade uruguaia e à projeção internacional da imagem do Uruguai como país, no começo do século XX.

A Seleção Uruguaia brilhava nos gramados da América do Sul, a equipe conquistou sua primeira Copa América em 1916 em solo argentino após empatar 0 a 0 contra os donos da casa. Um ano depois conquistaria o bicampeonato, dessa vez em casa, jogando no Parque central o Uruguai goleou seleções como Chile e Brasil ganhando por 4 a 0 dos brasileiros e faturando o título na final com gol de Héctor Scarone ganhando da Argentina por 1 a 0 na final. Em 1919 perdeu a final para o Brasil por 1 a 0, mas um ano depois conquistaria o tri, novamente em cima dos argentinos porém massacrou o Brasil por 6 a 0 sendo esta sua maior vitória sobre a seleção Brasileira em todos os tempos.Como a Copa América era disputada de ano em ano até 1929 o Uruguai já tinha sido hexa, vencendo inclusive as edições que sediou o torneio.

Já em nível internacional, o Uruguai começou a brilhar, ao alcançar as medalhas douradas nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928. A Seleção Uruguaia deslumbrou na Europa com suas apresentações olímpicas e conquistou a admiração e o respeito do universo esportivo, colocando o futebol sul-americano no mais alto plano de consideração numa época em que o dito continente era ainda ignorado no mapa internacional do futebol. Durante 76 anos o Uruguai foi o único país sul-americano a ocupar o máximo posto olímpico, honra atualmente compartilhada com a Argentina (bicampeã em Atenas 2004 e Pequim 2008) e o Brasil (bicampeão na Rio 2016 e Tóquio 2020).

A FIFA entende a Seleção Uruguaia como tetracampeã mundial, reconhecendo os dois Jogos Olímpicos organizados pela entidade antes desta criar a Copa do Mundo e por isso o emblema uruguaio ostenta orgulhosamente as quatro estrelas.

1930-1970: Era de ouro

Copa do mundo de 1930

miniaturadaimagem|305x305px|O time que derrotou a Argentina na final da Copa do Mundo da FIFA de 1930. O Uruguai, como bicampeão olímpico, foi escolhido para celebrar o primeiro Mundial de Futebol em 1930. Para isto construíram o Estádio Centenário em homenagem aos 100 anos da independência do Uruguai. A celeste caiu no grupo 3, junto com Peru e Romênia. Venceu o 1º jogo contra o Peru por 1 a 0 com gol de Héctor Castro. Já na segunda partida aplicou uma goleada de 4 a 0 contra a Romênia, com gols de Dorado, Scarone, Peregrino Anselmo e Cea.

Nas semifinais enfrentou a Iugoslávia e aplicou uma goleada avassaladora de 6 a 1; com três gols de Cea, dois de Anselmo e um de Iriarte. Na final, enfrentou a Argentina. 93 mil pessoas viram a Celeste vencer os vizinhos por 4 a 2, com gols de Dorado, Cea, Iriarte e Castro tornando a Celeste a primeira campeã mundial de futebol.

Desse transcendental triunfo o escritor Juán Sasturain disse: "Os uruguaios levaram sempre consigo a glória e a desgraça de ter sido; os argentinos, por anos, a soberba maldição de crer-se o que nunca puderam demonstrar que foram".

Hepta e Octa da Copa América e o boicote às Copas de 1934 e 1938 Quatro anos depois da euforia de ter ganho a primeira Copa do Mundo, o Uruguai recusou-se a participar da Copa de 1934 em represália ao boicote europeu na edição anterior. Já em 1935, na Copa América sediada no Peru o Uruguai novamente venceu e conquistou o hepta em cima dos vizinhos argentinos.

Na Copa do Mundo FIFA de 1938, Jules Rimet, o criador da competição, convenceu a FIFA a sediar a competição na França, sua terra natal. Por isso, muitos países americanos, incluindo Argentina (a sede provável se o evento fosse na América do Sul), Colômbia, Costa Rica, El Salvador, México, Guiana Holandesa, Uruguai e os Estados Unidos desistiram ou se recusaram a entrar.

Em 1942, a Copa América voltou a ser realizada no Uruguai. A celeste conquistou o octacampeonato da competição após vencer a Argentina novamente. Até ali, já haviam acontecido 11 finais entre Uruguai e Argentina, sendo que o Uruguai conquistou oito dessas disputas.

Copa do Mundo de 1950 - Uruguai bicampeão do mundo e o "Maracanazo" 329x329px|thumb|right|O Uruguai posando antes da partida decisiva contra o Brasil em 1950. Em pé, da esquerda para a direita, estão Varela, o técnico López, Tejera, dois membros da delegação, Gambetta, Matías González, Máspoli, Rodríguez Andrade e outro membro da delegação; agachados, entre outros dois delegados, estão Ghiggia, Julio Pérez, Míguez, Schiaffino e Morán.

Alguns anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a FIFA resolveu escolher o Brasil como sede da edição de 1950.

Apesar dos títulos da Copa América e do Mundial de 1930, o Uruguai já não exibia a mesma força do período anterior à guerra e chegou desacreditado à Copa de 1950.

A Celeste Olímpica iniciou no Grupo 4 junto com a Bolívia e aplicou uma das maiores goleadas em Copas do Mundo; 8 a 0 nos bolivianos. Destaque para Míguez, que marcou 3 vezes.

No quadrangular final com Brasil, Suécia e Espanha, a celeste iniciou empatando com a Espanha por 2 a 2; gols de Ghiggia e Obdulio Varela. Já na segunda partida contra a Suécia, venceu por 3 a 2 a Seleção da Suécia com 2 gols de Míguez e um de Ghiggia. A última partida era contra a badalada Seleção Brasileira, que havia vencido as suas duas partidas no quadrangular com goleadas de 7 a 1 na Suécia e 6 a 1 na Espanha. o Uruguai precisaria vencer o Brasil por qualquer placar e o Brasil precisava apenas de um empate.

Na partida, o Brasil iniciou vencendo com gol de Friaça, mas o Uruguai empatou com Schiaffino e virou com Ghiggia. O silêncio tomou conta do Maracanã às 16 horas e 50 minutos do dia 16 de julho. Desolados, os quase 200 mil torcedores demoraram mais de meia hora para deixar o estádio. O time brasileiro fez trinta lances a gol (dezessete no primeiro tempo e treze no segundo). Os jogadores cometeram quase o dobro de faltas, um total de 21, contra apenas onze do Uruguai.

Jules Rimet não conseguiu entregar a taça e decidiu se retirar. Mas logo depois voltou e Obdulio Varela recebeu a taça. Rimet disse: "Estou feliz pela vitória que vocês acabam de conquistar. Cheia de mérito, sobretudo por ter sido inesperada. Com minhas felicitações".

Copa do Mundo de 1954 - Uruguai semifinalista

Quatro anos depois de conquistar o Bi, a celeste voltou a disputar uma Copa do Mundo, desta vez na Suíça. Pegou o Grupo 3 da Áustria, Tchecoslováquia e Escócia. Venceu a Tchecoslováquia por 2 a 0 e a Escócia por 7 a 0. Nas quartas enfrentou a Inglaterra e goleou por 4 a 2 passando para a semifinais para enfrentar a Hungria e acabou sendo goleada pelo mesmo placar que havia feito no jogo com a Inglaterra, 4 a 2.

Mais três títulos da Copa América Em 1956, a celeste voltou a conquistar um título e seria o 9º da Copa América, novamente em casa após vencer do Chile. Na Copa do Mundo FIFA de 1958, o Uruguai não se classificou. Já um ano depois em 1959 na Copa América do Equador, venceu novamente os Argentinos por 5 a 0 e levou o 10º título. Até o momento o Uruguai era o maior campeão do torneio.

Copa do Mundo de 1970 - Uruguai semifinalista O Uruguai iniciou a competição no México no Grupo 2 junto com Itália, Suécia e Israel. Venceu Israel por 2 a 0 na primeira partida com gols de Maneiro e Mujica. Na segunda partida empatou por 0 a 0 com a Itália e na terceira perdeu para a Suécia por 1 a 0. Mesmo assim se classificou em 2º do grupo. Nas quartas enfrentou a antiga União Soviética e venceu por 1 a 0 com gol de Espárrago na prorrogação.

Nas semifinais enfrentaria o Brasil, considerado por muitos uma das melhores seleções que já existiu. Assim o Brasil continuou em Guadalajara, local do jogo da semifinal, e o Uruguai teve que viajar até a cidade. O Brasil de Pelé, Rivelino e Jairzinho venceu o Uruguai por 3 a 1 de virada após o Uruguai iniciar vencendo com gol de Cubilla. Ainda na disputa do 3º lugar, já abalados a celeste perdeu para a Alemanha Ocidental por 1 a 0.

1970-2010: Ostracismo

Três Copas Américas, Mundialito, Jogos Pan-americanos e um Uruguai adormecido em Copas Depois de 1970, o Uruguai ficou 10 anos sem ganhar nenhum título, tabu que foi quebrado em 1980 após a celeste conquistar o Mundialito vencendo o Brasil na final por 2 a 1. O Mundialito foi o campeonato mundial de seleções de futebol campeãs do mundo organizado pela FIFA cada 50 anos e sediado o primeiro no Uruguai. Waldemar Victorino foi o artilheiro da competição com 3 gols e Rubén Paz, o melhor jogador. Três anos depois o Uruguai conquistaria a Copa América em cima do Brasil vencendo a primeira partida por 2 a 0 e empatando a segunda.

4 anos depois conquistaria o bicampeonato, em cima do Chile vencendo por 1 a 0. o Uruguai conquistaria o seu 14º título em 1995, em casa, após empatar com o Brasil em 1 a 1 no tempo normal e vencer por 5 a 3 nas penalidades.