Porto Alegre () é a capital do estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Com uma área de quase 500 km², encontra-se sobre um terreno diversificado, com morros, baixadas e um grande lago: o Guaíba. Está a km da capital nacional, Brasília.

A cidade foi constituída a partir da chegada de casais açorianos em meados do . No contou com o influxo de muitos imigrantes alemães e italianos, recebendo também espanhóis, africanos, poloneses e libaneses. Desenvolveu-se com rapidez e hoje abriga quase 1,4 milhão de habitantes dentro dos limites municipais e mais de 4 milhões na Região Metropolitana, a quinta mais populosa do Brasil e a maior concentração urbana da Região Sul.

Recebeu numerosos prêmios e títulos assinalando-a como uma das cidades mais ricas do mundo, com uma alta qualidade de vida (na média), alto nível de alfabetização, baixa taxa de desemprego, e como uma das melhores capitais brasileiras para morar, trabalhar, fazer negócios, estudar e se divertir. Além disso, Porto Alegre é um polo regional de atração de migrantes em busca de melhores condições e oportunidades e tem uma infraestrutura em vários aspectos superior às demais capitais do Brasil. Ganhou destaque internacional através da instituição do Orçamento Participativo, sediou as primeiras edições do Fórum Social Mundial e foi escolhida como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Também tem uma cultura ampla e diversificada, contando com duas das principais universidades brasileiras (UFRGS e a PUCRS), tem intensa atividade em todas as áreas das artes, esportes e ciências, muitas vezes com projeção nacional, além de possuir ricas tradições folclóricas, um significativo patrimônio histórico em edificações centenárias e numerosos museus.

Por outro lado, Porto Alegre é uma cidade muito desigual, apresentando zonas bem estruturadas e com elevados indicadores socioeconômicos, mas também tem outras extremamente precarizadas e com populações vulneráveis e desassistidas, especialmente nas periferias. A população de baixa renda de modo geral, e também as mulheres, os negros, indígenas e minorias, foram historicamente e continuam discriminados, têm representação política desproporcional, menos oportunidades, menos acesso aos bens de consumo, aos serviços e às vantagens da plena cidadania. A cidade enfrenta muitos outros desafios, entre eles sérios problemas ambientais, elevados índices de criminalidade, declínio na qualidade da educação escolar pública, uma situação de crise crônica no sistema de saúde, progressiva erosão nas estruturas de governança democrática, e em 2024 era a sexta cidade brasileira com mais alto custo de vida e estava entre as 163 mais caras do mundo.

História

Origens A região do atual município de Porto Alegre já era habitada pelo homem 11 mil anos atrás. Por volta do ano 1000, os povos indígenas tapuias que habitavam a região foram expulsos para o interior do continente devido à chegada de povos do tronco linguístico tupi provenientes da Amazônia. No , quando chegaram os primeiros europeus à região, a mesma era habitada por um desses povos do tronco tupi, os carijós. Os carijós viriam a ser escravizados pelos colonos de origem portuguesa de São Vicente.Bueno, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo: Ática, 2003. p. 19.

Porto Alegre estabeleceu-se como cidade somente no . Até então, o território do Rio Grande do Sul ainda pertencia legalmente aos espanhóis devido ao Tratado de Tordesilhas (1494), mas, desde o , os portugueses já começavam a dirigir esforços para a sua conquista e foram progressivamente penetrando no território pelo nordeste, chegando através do Caminho dos Conventos (uma extensão da Estrada Real) à região da Vacaria dos Pinhais, e dali descendo para Viamão. A penetração foi realizada por bandeirantes que vinham em busca de escravos índios e por tropeiros que caçavam os grandes rebanhos de gado bovino, mulas e cavalos que viviam livres no estado. Mais tarde, os tropeiros passaram a se radicar no sul, transformando-se em estancieiros e solicitando a concessão de sesmarias. A primeira delas foi outorgada em 1732 a Manuel Gonçalves Ribeiro na Parada das Conchas, onde hoje é Viamão. Outra via de penetração foi através do litoral, fundando-se, em 1737, uma fortaleza onde hoje é Rio Grande, com o objetivo dar assistência à Colônia do Sacramento, no Uruguai.Da Costa, Eimar Bones (ed). História Ilustrada do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Já Editores, 1998. pp. 17; 44; 54-59 thumb|esquerda|A antiga Matriz e o Palácio do Governador, os dois primeiros edifícios importantes da cidade, erguidos a partir da década de 1770. Aquarela de Herrmann Wendroth, c. 1851

Depois da assinatura do Tratado de Madrid (1750), o rei de Portugal determinou que fosse reunido um grupo de 4 000 casais dos Açores para povoar o sul, mas efetivamente foram transportados apenas cerca de mil casais, que se espalharam pelo litoral entre Osório e Rio Grande, e um pouco pelo interior. Cerca de 500 pessoas se fixaram em 1752 à beira do Lago Guaíba, no chamado Porto de Viamão, o primeiro nome da futura Porto Alegre. Os conflitos locais entre portugueses e espanhóis, porém, não foram contidos pelo tratado. Rio Grande foi invadida por espanhóis em 1763, a população portuguesa fugiu e o governo da Capitania do Rio Grande de São Pedro se mudou às pressas para Viamão. O Porto de Viamão foi elevado a freguesia, com o nome de Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais, em 26 de março de 1772, hoje estabelecida como data oficial da fundação da cidade. Em vista da sua melhor situação geográfica e estratégica, em 25 de julho de 1773 o governador da Capitania, Marcelino de Figueiredo, determinou a transferência da capital de Viamão para lá, quando a freguesia já tinha cerca de 1 500 habitantes.Da Costa, pp. 60; 65; 73"Origens" . Página da Secretaria Municipal de Turismo. Acesso 18 set 2010

Com a paz entre Portugal e Espanha conseguida no Tratado de Santo Ildefonso (1777), a posse da terra foi regularizada e começou-se a organizar a administração. Foi erguido o Palácio de Barro, primeira sede de governo, um cemitério, uma prisão, um pequeno teatro e a Igreja Matriz. Ruas foram calçadas, foi criado um serviço postal, o comércio começou a florescer, a atividade do porto se intensificou e a pequena urbe assumiu suas funções definitivamente como capital da Capitania, crescendo rapidamente. Em 1798 tinha 3 000 habitantes e, em 1814, já possuía 6 000.Da Costa, pp. 81; 85-91De Macedo, Francisco Riopardense. Porto Alegre: Origem e Crescimento. Porto Alegre: Prefeitura Municipal, 1999. pp. 73-76

Século XIX thumb|esquerda|Porto Alegre em 1852 por Herrmann Rudolf Wendroth thumb|esquerda|Antiga Alfândega de Porto Alegre, Recepção a Dom Pedro II. Foto: Luíz Terragno, 1865.

Em 27 de agosto de 1808 a freguesia foi elevada à categoria de vila, verificando-se a instalação a 11 de dezembro de 1810. Em 16 de dezembro de 1812 Porto Alegre tornou-se sede da Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, recém-criada, e cabeça da comarca de São Pedro do Rio Grande e Santa Catarina. Em 1814 o novo governador, Dom Diogo de Sousa, obteve a concessão de uma grande sesmaria ao norte, com o fim expresso de estimular a agricultura local. Com o crescimento de cidades próximas como Rio Pardo e Santo Antônio da Patrulha, e em vista de sua privilegiada situação geográfica, na confluência das duas maiores rotas de navegação interna - a do rio Jacuí e a da Lagoa dos Patos - Porto Alegre começava a se tornar o maior centro comercial da região. A frota permanente que frequentava o porto nessa altura contava com cerca de cem navios. Uma alfândega já havia sido criada em 1800, mas só foi instalada em 1804. Também se iniciavam exportações de trigo e charque. Em 1816 se haviam comerciado 400 mil alqueires de trigo para Lisboa, e em 1818 se venderam mais de 120 mil arrobas de charque, produto que logo assumiria a dianteira na economia local.De Macedo, pp. 77-92

Em 1822 a vila ganhou foro de cidade. A partir de então chegaram os primeiros imigrantes alemães, instalando restaurantes, pensões, pequenas manufaturas, olarias, alambiques e diversos estabelecimentos comerciais. Como a situação econômica da Capitania não ia bem, pressionada por pesados impostos e negligenciada pelo governo imperial, em 1835 estalou em Porto Alegre a Revolução Farroupilha. Tomada em 1836 pelas tropas imperiais, a partir de então a cidade sofreu três longos cercos até o ano de 1838, sendo o mais duradouro e contínuo já registrado numa cidade brasileira. Foi a resistência a esses cercos que fez D. Pedro II dar à cidade o título de "Leal e Valerosa". Apesar do inchaço populacional daqueles tempos, a malha urbana só voltou a crescer em 1845, após o fim da revolução e com a derrubada das muralhas que cercavam a cidade.De Macedo, pp. 92-93; 101-106Baptista, Maria Teresa Paes Barreto. José Lutzenberger no Rio Grande do Sul: Arquitetura, Ensino, Pintura (1920-1951). Porto Alegre: PUC-RS, 2007. pp. 8-9

No período de 1865 a 1870 a Guerra do Paraguai transformou a capital gaúcha na cidade mais próxima do teatro de operações. A cidade recebeu dinheiro do governo central, além de serviço telegráfico, novos estaleiros, quartéis e melhorias na área portuária. Em 1872 as primeiras linhas de bonde entraram em circulação. Construiu-se a Usina do Gasômetro (1874) para geração de energia e implantou-se uma rede de esgotos (1899), enquanto os bairros da cidade se expandiam.Baptista, pp. 9-10De Macedo, pp. 111-112; 119-123 Na segunda metade do século, enfim a cultura local pôde receber mais atenção, construindo-se um grande teatro, o Theatro São Pedro, e surgindo os primeiros literatos, educadores, músicos e pintores locais de expressão, como Antônio Vale Caldre Fião, Hilário Ribeiro, Luciana de Abreu, Pedro Weingärtner, Apolinário Porto-Alegre, Joaquim Mendanha e Carlos von Koseritz. Fundou-se a Sociedade Parthenon Litterario, formada pela flor da intelectualidade gaúcha, e em 1875 foi realizado o primeiro salão de artes.Corte Real, Antônio. Subsídios para a História da Música no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Movimento, 1984Damasceno, Athos. Artes Plásticas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Globo, 1971

Século XX thumb|Abertura da Avenida Borges de Medeiros e construção do Viaduto Otávio Rocha, no início do .

Na virada do século XX Porto Alegre passou a ser imaginada pelos governos positivistas do estado e do município como o cartão de visitas do Rio Grande do Sul, e por isso a cidade deveria transmitir uma impressão de ordem e progresso. À testa da Intendência estava José Montaury, que iniciou um enorme programa de obras urbanísticas e construção de suntuosas edificações para repartições públicas, bancos e empresas comerciais, enquanto o centro da cidade começava a ser "higienizado", reorganizado e modernizado colocando-se abaixo a herança arquitetônica colonial e expulsando a população pobre e negra para as periferias. Montaury permaneceu no governo municipal por 27 anos, sucedido por Otávio Rocha e Alberto Bins, que em linhas gerais mantiveram a orientação. A fim de melhor controlar o processo de desenvolvimento, o município atraiu para si a responsabilidade sobre muitos serviços públicos, como o fornecimento de água encanada, iluminação, limpeza urbana, transporte, educação, policiamento, saneamento e assistência social, em um volume que ultrapassava em muito o hábito da época e superava o que faziam na mesma altura São Paulo e Rio de Janeiro. Contudo, o crescimento do funcionalismo público e a quantidade de obras demandaram recursos além das capacidades de arrecadação, e foram contraídos grandes empréstimos.Bakos, Margaret. "Marcas do positivismo no governo municipal de Porto Alegre". In: Revista de Estudos Avançados, 1998 (12): 213-225 thumb|left|O Museu Júlio de Castilhos thumb|left|Pavilhões da Exposição do Centenário Farroupilha