A Cultura do Reino Unido é influenciada pela rica herança histórica coletiva de suas nações constituintes; sua religiosidade historicamente cristã, sua interação com as culturas do restante da Europa, as tradições de Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda e o amplo legado cultural deixado pelo Império Britânico. Embora a cultura britânica seja uma entidade distinta, as culturas individuais de Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte são diversas e têm vários graus de sobreposição e distinção.

A literatura britânica é particularmente apreciada e reverenciada em todo o globo, sendo de forte influência para diversas outras culturas da anglofonia. O romance moderno desenvolveu-se na Grã-Bretanha, e dramaturgos, poetas e autores estão entre suas figuras culturais mais proeminentes. O dramaturgo William Shakespeare é um dos escritores mais famosos do mundo; também muito célebres são as irmãs Brontë (Charlotte, Emily e Anne), Agatha Christie, C.S. Lewis, Jane Austen, Mary Shelley, Arthur C. Clarke, George Orwell, Charles Dickens, H.G. Wells, Sir Arthur Conan Doyle, Geoffrey Chaucer, J. K. Rowling , Douglas Adams e J. R. R. Tolkien. Nos poetas destacam-se Robert Burns, Thomas Hardy, John Milton, Alfred Tennyson, Rudyard Kipling, Dylan Thomas, Percy Bysshe Shelley, Lord Byron, John Keats, William Blake e William Wordsworth. A Grã-Bretanha também fez contribuições notáveis para a música, cinema, artes plásticas, arquitetura e televisão. O Reino Unido - mais precisamente a Inglaterra - é igualmente berço da Igreja da Inglaterra, sua denominação cristã oficial e igreja-mãe da Comunhão Anglicana, a terceira maior denominação cristã do mundo.

A Grã-Bretanha abriga em seu solo diversas das universidades mais antigas do mundo, onde foram alcançadas relevantes contribuições para a filosofia e ciência do mundo ocidental e foram local de formação de inúmeros cientistas e pesquisadores proeminentes. No campo da tecnologia, destaca-se a Revolução Industrial que teve um efeito profundo na realidade socioeconômica e cultural familiar do mundo. Como resultado da influência significativa do Império Britânico ao longo dos séculos XIX e XX, a cultura britânica expandiu-se nas línguas, leis, culturas e instituições de suas antigas colônias, a maioria das quais permanecem como membros da Comunidade das Nações. Um subconjunto desses Estados forma a Anglosfera e estão entre os aliados políticos mais próximos do Reino Unido. As colônias e domínios britânicos influenciaram a cultura britânica por sua vez, particularmente a culinária britânica. O esporte desempenha um importante papel na cultura britânica, e vários esportes se originaram no país, incluindo críquete, futebol e rugby.

Desde o século XVIII, o Reino Unido tem figurado como uma "superpotência cultural" enquanto sua capital, Londres, é vista como uma capital cultural mundial. Em 2013, uma pesquisa de opinião global realizada pela BBC confirmou o Reino Unido como o terceiro país de melhor avaliação no mundo (atrás apenas da Alemanha e do Canadá).

Linguagem

thumb|right|230px|A Bíblia do Rei Jaime simboliza a consolidação do protestantismo durante o reinado de Jaime VI e I. Sua posterior difusão pelas colônias inglesas acarretou na expansão da Anglosfera. Falada pela primeira vez na Inglaterra anglo-saxã, a língua inglesa é a língua oficial de facto do Reino Unido, sendo falada em monolíngue por cerca de 95% da população britânica. Sete outras línguas são reconhecidas pelo governo britânico através da Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias: galês, gaélico escocês, escocês, córnico, irlandês, escocês de Ulster e a Língua de sinais britânica.

No País de Gales, todos os alunos do ensino público devem ser ensinados por meio do galês ou estudá-lo como uma língua adicional até os 16 anos e o Ato da Língua Galesa de 1993 e o Ato do Governo do País de Gales de 1998 estabelecem que as línguas galesa e inglesa devem ser tratadas igualmente no setor público, na medida do razoável e praticável. Irlandeses e escoceses de Ulster desfrutam de uso limitado ao lado do inglês na Irlanda do Norte, principalmente em traduções encomendadas publicamente. O Ato do da Língua Gaélica, aprovado pelo Parlamento Escocês em 2005, reconhece o gaélico como língua oficial da Escócia e exige a criação de um plano nacional para o gaélico para fornecer orientação estratégica para o desenvolvimento da língua gaélica. O idioma córnico é uma língua revivida que se extinguiu originalmente na Cornualha no final do século XVIII. thumb|left|220px|Trecho do poema épico Beowulf em inglês antigo Sotaques regionais Dialetos e sotaques regionais variam muito entre os quatro países do Reino Unido, bem como dentro dos próprios países. Isso é parcialmente o resultado da longa história de imigração para o Reino Unido, por exemplo, os dialetos do norte da Inglaterra contêm muitas palavras com raízes no Nórdico antigo. O inglês escocês, o inglês galês e o hiberno-irlandês são variedades da língua inglesa distintas do inglês comum e das línguas nativas desses países. A pronúncia Received Pronunciation é o sotaque padrão na Inglaterra e no País de Gales, enquanto na Escócia o inglês padrão escocês é considerado um dialeto distinto. Embora esses sotaques tenham um alto prestígio social, desde a década de 1960 uma maior permissividade em relação às variedades regionais do inglês tomou conta da educação.

A grande variedade de sotaques britânicos é frequentemente observada, com regiões próximas muitas vezes tendo dialetos e sotaques altamente distintos, por exemplo, existem grandes diferenças entre os dialetos Scouse e Mancunian, apesar de Liverpool e Manchester distarem apenas 56 quilômetros. O inglês dialetal é frequentemente encontrado na literatura, por exemplo, o romance Wuthering Heights, de Emily Brontë contém o dialeto de Yorkshire.

Artes Literatura

O Reino Unido herdou as tradições literárias da Inglaterra, Escócia e País de Gales. Estas incluem a literatura Arturiana e suas origens galesas, a literatura do inglês antigo com influência nórdica, as obras dos autores ingleses Geoffrey Chaucer e William Shakespeare e obras escocesas como The Brus, de John Barbour.

O período do início do século XVIII da literatura britânica é conhecido como a Era Augusta e incluiu o desenvolvimento do romance. Robinson Crusoe (1719) e Moll Flanders (1722), de Daniel Defoe, são frequentemente vistos como os primeiros romances ingleses, porém o desenvolvimento do romance ocorreu em um contexto literário mais amplo que incluiu o surgimento de sátiras em prosa – que atingiram um ponto alto com a obra As Viagens de Gulliver. Também ligado à Era Augusta está o A Dictionary of the English Language, de Samuel Johnson. Publicado em 1755, era visto como o dicionário britânico proeminente até a conclusão do Oxford English Dictionary 150 anos mais tarde.

O período romântico subsequente mostrou um florescimento da poesia comparável ao da Renascença cerca de dois séculos antes e um renascimento do interesse pela literatura vernácula. Na Escócia, a poesia de Robert Burns reviveu o interesse pela literatura escocesa, e os poetas tecelões de Ulster foram influenciados pela literatura da Escócia. No País de Gales, o final do século XVIII viu o renascimento da tradição Eisteddfod, inspirada por Iolo Morganwg. O período também viu a publicação de A Vindication of the Rights of Woman (1792), de Mary Wollstonecraft, uma das primeiras obras da filosofia feminista.

O final das eras georgiana e vitoriana testemunhou um foco renovado no gênero do romance. Um tema-chave desses romances foi a crítica social. No início do período, Jane Austen satirizou o estilo de vida da nobreza, enquanto os romances posteriores de Charles Dickens costumavam usar humor e observações perspicazes para criticar a pobreza e a estratificação social. As três irmãs Brontë e George Eliot comentaram sobre o norte da Inglaterra e as Midlands, respectivamente, embora todas as quatro mulheres tenham escrito sob pseudônimos masculinos durante suas vidas, em parte para evitar críticas antifeministas. Apesar disso, autoras abertamente femininas alcançaram considerável sucesso no período, como os poemas predominantemente religiosos de Elizabeth Barrett Browning e Christina Rossetti.

Rudyard Kipling exemplifica a influência do Império Britânico na literatura britânica. Seus romances The Jungle Book e The Man Who Would Be King são ambos ambientados na Índia britânica, o poema If- evoca o conceito do "lábio superior rígido", enquanto The White Man's Burden demonstra uma perspectiva imperialista de supremacia branca. thumb|left|230px|O galês Roald Dahl é frequentemente classificado como o mais destacado autor infantil britânico. A Primeira Guerra Mundial deu origem a poetas e escritores de guerra britânicos como Wilfred Owen, Siegfried Sassoon e Rupert Brooke, que escreveram (muitas vezes paradoxalmente) sobre suas expectativas de guerra e suas experiências nas trincheiras. Inicialmente idealista e de tom patriótico, à medida que a guerra avançava, o tom do movimento tornou-se cada vez mais sombrio e pacifista. O início do século XX também foi marcado pela Renascença céltica que estimulou uma nova apreciação da literatura tradicional irlandesa, enquanto o renascimento escocês trouxe modernismo à literatura escocesa, bem como um interesse por novas tendências nas literaturas do gaélico escocês e escocês. O romance inglês evoluiu no século XX para uma variedade muito maior e continua sendo hoje um estilo literário inglês dominante.

A cena literária britânica contemporânea é marcada por prêmios como o Booker Prize, criado em 1969, e festivais como o Welsh Hay Festival, realizado desde 1988. O destaque da literatura infantil no Reino Unido foi demonstrado na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Verão de 2012, que possuíam uma sequência dedicada a personagens literários infantis proeminentes. Em 2003, a BBC realizou uma pesquisa intitulada The Big Read, a fim de definir o "romance mais amado da nação", com obras dos romancistas ingleses J. R. R. Tolkien, Jane Austen, Philip Pullman, Douglas Adams e J. K. Rowling. Mais de 75% dos britânicos leem pelo menos um livro anualmente. O Reino Unido também está entre os maiores editores de livros. Em 2017, seis empresas britânicas figuraram entre as maiores editoras de livros do mundo em termos de receita: Bloomsbury, Cambridge University Press, Informa, Oxford University Press, Pearson e RELX Group.

Música

Música erudita thumb|right|250px|O Festival de Birmingham foi o mais longevo festival de música clássica da história do país, realizado anualmente de 1784 a 1912. A música barroca britânica foi fortemente influenciada pelas tendências continentais. Isso é exemplificado por George Frideric Handel, um cidadão alemão naturalizado britânico cuja música coral influenciou o gosto britânico pelos dois séculos seguintes. Suas óperas também fizeram com que os britânicos se equiparassem à Itália como centro de efervescência operística. A música clássica atraiu muita atenção dos ingleses a partir de 1784 com a formação do Birmingham Triennial Music Festival, que foi o festival de música clássica mais duradouro do gênero até os últimos concertos em 1912. Além disso, o estabelecimento da Sociedade Filarmônica Real em 1813, Academia Real de Música em 1822 e a Academia Irlandesa de Música em 1848 apoiaram a profissionalização da música clássica britânica e a formação de novos compositores. A Sociedade Filarmônica foi uma forte apoiadora do alemão Felix Mendelssohn, um dos primeiros compositores românticos que também influenciou fortemente a música britânica. Na Irlanda, John Field introduziu o noturno e pode ter sido uma influência para Chopin e Liszt. thumb|left|250px|A Orquestra Sinfônica de Londres, fundada em 1904, é constantemente citada dentre as mais proeminentes e influentes do mundo.