Língua espanhola () ou castelhana () é uma idioma românico da família das línguas indo-europeias que evoluiu do latim vulgar falado na Península Ibérica da Europa. Atualmente, é uma língua global com cerca de 500 milhões de falantes nativos, principalmente nas Américas e na Espanha, e cerca de 600 milhões quando se incluem falantes de segunda língua. É a língua oficial de 20 países, bem como uma das seis línguas oficiais das Nações Unidas. É a segunda língua nativa mais falada, depois do mandarim; a quarta língua mais falada, depois do inglês, do mandarim e do hindustani (hindi-urdu); e a língua românica mais falada do mundo. O país com a maior população de falantes nativos é o México.

O espanhol faz parte do grupo linguístico ibero-românico, no qual a língua também é conhecida como castelhano. O grupo evoluiu de vários dialetos do latim vulgar na Península Ibérica após o colapso do Império Romano do Ocidente no século V. Os textos latinos mais antigos com vestígios de espanhol vêm do centro-norte da Península Ibérica no século IX e o primeiro uso escrito sistemático da língua ocorreu em Toledo, uma cidade proeminente do Reino de Castela, no século XIII. O colonialismo espanhol no início do período moderno estimulou a introdução da língua em locais ultramarinos, principalmente nas Américas.

Como língua românica, o espanhol é descendente do latim. Cerca de 75% do vocabulário espanhol moderno é de origem latina, incluindo empréstimos latinos do grego antigo. Juntamente com o inglês e o francês, é também uma das línguas estrangeiras mais ensinadas em todo o mundoSpanish in the World , Language Magazine, 18 de novembro de 2019. e está bem representado nas ciências humanas e sociais. O espanhol é também a terceira língua mais usada na Internet em número de utilizadores, depois do inglês e do chinês, e a segunda língua mais usada em número de sítios Web, depois do inglês.

O espanhol é usado como língua oficial por muitas organizações internacionais, como Nações Unidas, Mercado Comum do Sul, União Europeia, Organização dos Estados Americanos, Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, União Africana, entre outras.

Etimologia O termo castellano está relacionado a Castela (Castilla ou arcaicamente Castiella), o reino onde a língua era originalmente falada. O nome Castela, por sua vez, é geralmente considerado derivado de castillo - castelo. Na Idade Média, a língua falada em Castela era genericamente chamada de romance e, mais tarde, também de lengua vulgar. Mais tarde no período, ganhou especificação geográfica como romance castellano (romanz castellano, romanz de Castiella), lenguaje de Castiella e, em última análise, simplesmente como castellano (substantivo). Diferentes etimologias foram sugeridas para o termo español (espanhol). Segundo a Real Academia Espanhola (RAE), español deriva da palavra occitana espaignol, que, por sua vez, deriva do latim vulgar *hispaniolus ("da Hispânia"). Hispânia era o nome romano para toda a Península Ibérica.

História thumb|esquerda|Mapa cronológico mostrando o desenvolvimento das línguas da Península Ibérica, entre as quais o espanhol.

A língua espanhola é o idioma da Espanha, e da maioria dos países da América (exceto Brasil, Belize, Haiti, Guianas, EUA, Canadá e várias ilhas caribenhas), reconhecido nas Filipinas, na Ásia, e da Guiné Equatorial, na África. Conta com cerca de duzentos e cinquenta milhões de falantes. Também é chamada de «castelhano», nome da comunidade linguística (Castela) que lhe deu origem nos tempos medievais. Na Espanha, também são falados o catalão, o asturiano, o aragonês e o galego (idiomas de tronco românico), e o basco, uma língua cujas origens ainda são estudadas.

Na formação do espanhol, podem-se distinguir três períodos: o medieval ou espanhol antigo (dos séculos X ao XV), o espanhol moderno (entre os séculos XVI e XVII), e o contemporâneo, que vai da fundação da Real Academia Espanhola até a nossos dias.

Apesar de ser um idioma falado em regiões tão distantes, a ortografia e as normas gramaticais asseguram a integridade da língua, daí a colaboração entre diversas Academias da Língua de Espanha e dos países americanos, no intuito de preservar esta unidade. Espanha elaborou o primeiro método unitário de ensino do idioma que é difundido por todo o mundo através do Instituto Cervantes.

Latim vulgar Como disse Menéndez Pidal: «a base do idioma é o latim popular, propagado na Espanha a partir do final do século III a.C. até se impor às línguas ibéricas». Entre os séculos III e VI, a língua que evoluía em Espanha assimilou germanismos através do latim falado por povos bárbaros romanizados que invadiram a Península. Com o domínio muçulmano de oito séculos, a influência do árabe — idioma dos conquistadores berberes — foi decisiva na configuração das línguas ibéricas, entre as quais se incluem o espanhol e o português.

Glosas medievais O nome da língua procede da terra dos castelos, Castela. A esta época, pertencem as Glosas Silenses e as Emilianenses, do século X, anotações em romance dos textos latinos no Monastério de Yuso (San Millán de la Cogolla), centro medieval de cultura, mas a mais antiga referência ao idioma vem do Cartulário de Valpuesta, nos primeiros anos do século IX.

O primeiro passo para converter o castelhano em língua oficial do reino de Castela e Leão foi dado por Afonso X. Foi ele que mandou compor em romance, e não em latim, as grandes obras históricas, astronômicas e legais. O castelhano era a língua de documentos notários e da Bíblia, traduzida sob as ordens de Afonso X. Graças ao Caminho de Santiago, entraram na língua escassos galicismos, que foram propagados por ação dos trovadores da poesia cortesã e provençal.

Árabe Sob o domínio árabe, as comunidades hispânicas que conviviam com as comunidades judaica e árabe falavam moçárabe. Esta é a língua na qual foram escritos os primeiros poemas, as Jarchas, que conservam uma forma estrófica de clara origem semítica, a moasajas.

Em quase oito séculos de interação (711–1492), os povos falantes de Árabe deixaram, no espanhol, um abundante vocabulário de cerca de quatro mil termos. Com o tempo, alguns foram caindo em desuso, mas há muitas palavras de uso comum como tambor, adobe, alfombra, zanahoria, almohada e muitas outras, e a expressão ojalá, como no português «oxalá», que significa «queira Deus» (lit.: «queira Alá»). Cabe assinalar que penetrou, na gramática espanhola, a preposição árabe hatta (حتى), que se converteu na preposição espanhola hasta e na preposição portuguesa até.

Primeira gramática moderna europeia thumb|Sede do Instituto Cervantes em Madrid, na Espanha

A publicação da primeira autodenominada "gramática castelhana", escrita por Elio Antonio de Nebrija em 1492, ano do descobrimento da América pelos europeus, estabelece o marco inicial da segunda etapa de conformação e consolidação do idioma. O espanhol adquire grande quantidade de neologismos, pois o momento coincidiu com a expansão da Coroa de Castela que, pela força política, conseguiu consolidar seu dialeto como língua dominante. O espanhol é a língua dos documentos legais, da política externa e a que chega à América pela mão da grande empreitada realizada pela Coroa de Castela. Nesta mesma época, os judeus sefarditas foram expulsos de Castela e Aragão em 1492 e de Portugal em 1496, levando consigo a fala que daria lugar ao ladino, uma língua que, ouvida, parece espanhol.

Num primeiro momento, os realistas não mostraram interesse em difundir a língua espanhola na América e nas Filipinas, realizando-se a evangelização nas línguas nativas.

Na França, Itália e Inglaterra são editados gramáticas e dicionários para o ensino do espanhol, que ganha o status de língua diplomática até a primeira metade do século XVIII. O léxico incorporou palavras originárias de tantas línguas quantos contatos políticos possuía o Império: italianismos, galicismos e americanismos.

No ano 1713, fundou-se a Real Academia Espanhola. Como primeira tarefa, a Academia fixou as mudanças feitas pelos falantes do idioma, o que permitiu grande variedade de estilos literários: da liberdade das alterações sintáticas do barroco, no século XVII, às contribuições dos poetas da geração de 1927. Publica entre 1726 e 1739 os diversos tomos do "Dicionário da língua castelhana" e a sua primeira "Gramática da língua castelhana" em 1771.

No primeiro terço do século XX, apareceram novas modificações gramaticais que, ainda hoje, estão em processo de assentamento. Paralelamente, é contínua a criação de neologismos provenientes das inovações técnicas e dos avanços científicos.

No século XIX, os Estados Unidos adquirem a Luisiana de França e a Flórida de Espanha, e conquistam do México os territórios que actualmente formam o Arizona, Califórnia, Colorado, Nevada, Novo México, Texas, Utah e Wyoming. Desta forma, o espanhol passou a ser uma das línguas dos Estados Unidos, ainda que estas variedades primitivas só sobrevivam até o início do século XXI em Paróquia de St. Bernard e uma faixa que se estende do norte do Novo México ao sul de Colorado.

Depois da guerra hispano-americana de 1898, os Estados Unidos apoderaram-se também de Cuba, Porto Rico, Filipinas e Guam. No arquipélago asiático, os Estados Unidos impuseram um sistema de ensino para substituir o espanhol pelo inglês como veículo de comunicação dos filipinos.

No século XX, milhões de mexicanos, cubanos e porto-riquenhos emigraram para os Estados Unidos, convertendo-se na minoria mais numerosa do país: 34 207 000 pessoas, em novembro de 2001.

Distribuição geográfica

miniatura|upright=2|Países em número de falantes: miniatura|upright=2|Países do mundo onde o espanhol é estudado. Espanhol é a língua oficial de dezenove países da América, além da Espanha e Guiné Equatorial, e tem um certo grau de status oficial nas Filipinas, e no Saara Ocidental (país com reconhecimento internacional limitado),«El porvenir del español en el sahara occidental.» mas seus falantes são distribuídos nos cinco continentes. Na América, há cerca de 90% do número total de falantes de espanhol no mundo, cerca de 400 milhões de pessoas. Além de 19 países na Hispano-americanos, o espanhol é falado por uma parte significativa da população dos Estados Unidos, principalmente imigrantes recentes. Tanto na América Latina quanto nos Estados Unidos há um aumento significativo no número de falantes. Presidentes anteriores dos Estados Unidos conhecem bem a língua como Barack Obama que estudou e tem boa pronúncia na leitura.«Hijas de Obama estudian español.» El Universal. Consultado el 16 de octubre de 2016.

No ano 2000, a previsão era de que, somente nos Estados Unidos, o número de falantes de espanhol chegasse a 35 milhões e, naquele ano, o espanhol ultrapassou o inglês como a língua com mais falantes nativos no mundo ocidental. Em 2001, os falantes de espanhol eram aproximadamente 400 milhões de pessoas.