"Don't Tell Me" é uma canção gravada pela cantora estadunidense Madonna para o seu oitavo álbum de estúdio, Music (2000). Foi escrita pela própria intérprete juntamente com Mirwais Ahmadzaï e Joe Henry, sendo produzida pelos primeiros. O seu lançamento ocorreu em 21 de novembro de 2000, através da gravadora Warner Bros. Records, como o segundo single do disco. Derivada do country pop com elementos de música eletrônica, "Don't Tell Me" fala sobre uma pessoa com atitude.
"Don't Tell Me" foi bem recebida pelos críticos de música, que a mencionou como um dos destaques do álbum e elogiou o desempenho vocal emotivo da cantora. Comercialmente, o single obteve um desempenho positivo, atingindo as dez primeiras posições dos mercados musicais de países como Austrália, Espanha, Finlândia e Reino Unido. Nos Estados Unidos, atingiu a quarta colocação da Billboard Hot 100. Além disso, alcançou o cume do periódico genérico da Billboard, a Hot Dance Club Songs, feito que se repetiu nas tabelas de países como Canadá, Itália e Nova Zelândia. Até 2009, o single havia vendido mais de 4.500 milhões de unidades em todo o globo.
O videoclipe acompanhante esteve a cargo de Jean-Baptiste Mondino e mostra Madonna vestida de vaqueira andando em uma esteira automatizada em frente a uma tela de projeção, com cowboys dançando e montando cavalos no fundo. O clipe recebeu duas indicações no MTV Video Music Awards de 2001, enquanto também foi indicado ao Grammy Awards. A música foi interpretada pela artista durante as digressões internacionais Drowned World Tour (2001) e Re-Invention Tour (2004), bem como em um mashup com "We Can't Stop" (2013), de Miley Cyrus, quando Madonna fez uma aparição especial na série MTV Unplugged, onde Cyrus estava se apresentando.
Antecedentes Após o sucesso crítico e comercial de seu sétimo álbum de estúdio, Ray of Light (1998), Madonna pretendia embarcar em uma turnê no outono de 1999, mas devido ao atraso das gravações de seu filme, The Next Best Thing (2000), a digressão foi cancelada. A cantora também engravidou de seu filho Rocco, de seu relacionamento com o diretor Guy Ritchie. Querendo se distrair do frenesi da mídia, Madonna concentrou-se no desenvolvimento de seu oitavo álbum de estúdio, Music. Durante o desenvolvimento do material para a obra, a musicista Trabalhou com o DJ e produtor francês Mirwais Ahmadzaï, descrevendo-o como composto por "funk e música eletrônica combinada com folk futurista. Muitas guitarras jangly e letras melancólicas".
Após o grande sucesso do primeiro single, "Music", "Don't Tell Me" foi escolhido como segundo single do álbum e lançado em 21 de novembro de 2000, pela Maverick Records. Vários remixes para a música foram criados por Thunderpuss, Richard "Humpty" Vission e Tracy Young. A Warner Bros. Records lançou várias versões em CD, cassete, maxi, maxi, single de 12" e single de 7". O Thunderpuss Club Mix tinha uma inspiração mais house, com sintetizadores em espiral e efeitos de teclados. As batidas filtradas e os riffs de teclado aprimorados do Radio Mix da Humpty Vission deram à voz de Madonna um efeito "subaquático", enquanto o remix de Young apresentou um colapso de violino e elementos sonoros que lembram o hit de 1979, "Heart of Glass", de Blondie. José F. Promis do AllMusic, elogiou os remixes por 'transformar a faixa country-em um dance incrível e extravagante.
Gravação e composição Madonna co-escreveu e co-produziu "Don't Tell Me" com Ahmadzaï, e seu ex-cunhado Joe Henry Henry que é creditado como compositor adicional. Henry havia escrito uma música estilo tango intitulada "Stop", que apresentava o saxofonista de jazz, Ornette Coleman e Henry, cantando nos vocais "inspirados em Tom Waits"; acabou por ser incluído no oitavo álbum de estúdio deste último, Scar (2001). Depois que Henry apresentou a demo de "Stop" para sua esposa Melanie, irmã de Madonna, ela enviou a faixa para Madonna. A cantora gostou da demo e se sentiu atraída pelas letras da música e o "sentimento de desafio, a atitude dela", mas não gostou muito do tom musical original, pois não estava ornando com as demais sonoridades do álbum Music. Madonna trabalhou com Ahmadzaï e mudou o arranjo original das cordas para uma instrumentação de violão e teclado. Ela gravou no estúdio de Ahmadzaï, acompanhada por uma guitarra Martin D-28, à qual Ahmadzaï adicionou um efeito de gagueira. Madonna preferiu o efeito sonoro à melodia final. Ahmadzaï também tocou violão e teclados na faixa. Mark "Spike" Stent mixou a música e Michel Colombier tocou as cordas.
De acordo com as partituras publicadas pelo Musicnotes.com, "Don't Tell Me" é definido na fórmula de compasso do tempo comum, com um ritmo moderado de 100 batidas por minuto. É composto na clave de Ré maior com vocais do cantora que vão desde a oitava inferior de Sol3 para nota maior de Lá4. A música segue uma sequência básica de D–Am–C–G como sua progressão de acordes. Ben Greenbank, da Sputnikmusic, descreveu a faixa como a "reunião do country pop com o dance" com batidas de trip hop, acompanhadas por riffs de violão. Chuck Arnold, da Billboard, descreveu "Don't Tell Me" como uma faixa "trip-hop vibrante". A música começa com um riff de guitarra "arrancado" em uma batida irregular de pausa/recomeço, com os arpejos remanescentes da música country. Cada quarta batida é seguida por um pequeno silêncio que acaba se formando no refrão.
Rikky Rooksby, autor do livro The Complete Guide to the Music of Madonna, descreveu a sonoridade da música como o encontro do "eletrônico com o country rock" baseada em uma única sequência de quatro acordes, disfarçada pela mixagem. Ele descobriu que os vocais expressivos de Madonna eram duplos. As cordas apareceram no final com os sons repetidos continuando e finalmente desaparecendo. Segundo a autora Carol Vernallis, as paradas contraditórias do violão, intercaladas com os sons eletrônicos digitais, fizeram a música parecer "autêntica" ao retratar o gênero de música country-Wester. Quando perguntado sobre as diferenças entre sua demo e a música de Madonna, Henry apontou que era o ritmo que as diferenciavam. Liricamente, Madonna pede que seu amante na música pare de controlar suas ações e sentimentos; ela compara a letra com a obra de Frank Sinatra. Ela evoca imagens não naturais através da letra cantando "Diga à cama para não se deitar / Como a boca aberta de um túmulo, sim / Não me olhe / Como um bezerro de joelhos".
Análise da crítica thumb|upright|"Don't Tell Me" foi comparado aos trabalhos da cantora estadunidense Sheryl Crow No geral, "Don't Tell Me" recebeu críticas positivas de críticos de música, que citaram a música como um dos destaques do álbum e elogiaram os vocais de Madonna. Stephen Thomas Erlewine, do AllMusic, fez uma crítica positiva a canção, descrevendo-o como um "intrincado, sensual e atordoante psicopata". Jim Farber, do Daily News, sentiu que "[a música] cruza o eletrônico atualizado com o blues americano radiante através de um gancho de guitarra que soa algo como o 'Sweet Home Alabama' do Lynyrd Skynyrd". Ele também acreditava que as imagens conjuradas na música são predominantemente americanas. Um revisor da NME considerou "Don't Tell Me" um "violão totalmente country, hackeado, sobre faixas de batidas afiadas", comparando a sonoridade apresentada por Madonna a apresentada por Sheryl Crow. Danny Eccleston, do Q, também viu semelhanças com Crow, chamando a faixa de "primo mais próximo da música das paisagens sonoras de Ray of Light", além de apontar seu "final magistral – como um ritmo de zumbidos insetóides e estilo ARP flexível". Justin Harp, da Digital Spy, sentiu que "as comparações [com Sheryl Crow] realmente fizeram um desserviço a uma faixa que se destaca como particularmente única no enorme catálogo de hits de Madonna". Louis Virtel, de TheBacklot.com, colocou "Don't Tell Me" no número 25 de sua lista das "100 Maiores Canções de Madonna"; ele elogiou a cantora por "invocar alguns experimentos verdadeiros de música country" e o chamou de "momento inconfundível no rádio do início dos anos 2000". Samuel R. Murrian, do Parade, escreveu que "a personalidade rebelde e desafiadora de Madonna que amamos está a todo vapor nessa música extremamente inteligente e contagiosa". Ao classificar os singles de Madonna em homenagem aos seus 60 anos, Jude Rogers, do The Guardian, colocou a faixa no número 32, chamando-a de "brilhantemente estranha" e elogiando a sua pegada. Jon O'Brien, da revista Paste, elogiou a produção da faixa e acreditava que ela era um "destaque imediato" no álbum. A mistura dos riffs de guitarra, as batidas fraturadas e o arranjo de cordas de Colombier foram todos listados como um "final elegíaco". Pensamentos semelhantes foram compartilhados por Matthew Jacobs, do The Huffington Post, que o classificou no número 21 de sua lista "O ranking definitivo de singles de Madonna".
Em sua crítica ao álbum Music, Sal Cinquemani, da revista Slant, sentiu que Madonna revelou mais de sua alma na faixa. Cinquemani opinou ainda que "Don't Tell Me" era considerado um acompanhamento "improvável" para "Music", por sua "estrutura atípica e letras peculiares [...] [que] tornaram um sucesso improvável. Mas um sucesso é exatamente o que foi [...]", premiando a faixa com um B+. Larry Flick, da Billboard, chamou "Don't Tell Me" de uma "jóia pensativa, muitas vezes poética", que apresenta "uma das entregas vocais mais emocionantes de Madonna". Em agosto de 2018, a Billboard o escolheu como o 20º maior single da cantora; "uma mistura de letras poeticamente descentralizadas. um efeito de gagueira sem salto de CD e esse riff de guitarra barulhento, ["Don't Tell Me"] acabaria uma bagunça para muitos artistas. Mas para Madonna, ela conseguiu mais um top cinco no Hot 100". O autor Alejandro L. Madrid sentiu que a música tinha elementos da música Nortec. Steven Humphrey, do The Portland Mercury, saudou-a como "uma ótima música. (Talvez a última ótima música da carreira de [Madonna]?)". Uma combinação gaguejante de trip-hop e música caipiresca, o cântico emotivo de Madonna expressa perfeitamente desejo de uma garota dizendo ao namorado para parar de controlar como ela se sente". Chuck Arnold, da Entertainment Weekly, listou "Don't Tell Me" como o 28º melhor single de Madonna, escrevendo que "com seu violão, batida country e trip-stop, ['Don't Tell Me'] é bem-sucedido contra as probabilidades". para o Gay Star News, Joe Morgan escreveu: "As letras não fazem muito sentido, mas isso não importa. Este é um pop eletrônico country único". Para Richard Labeau, do Medium, 'esta fascinante mescla de country e dance está entre as músicas mais exclusivas de sua carreira'. Uma crítica negativa veio de Cynthia Fuchs, do PopMatters, que escreveu que a música "é outra quase falha, com atitude admirável, mas, bem, letras risíveis".
Videoclipe Histórico e sinopse 230px|thumb|direita|Cena inical do vídeo de "Don't Tell Me", Madonnna aparece caminhando por uma aparente estrada deserta, que posteriormente acaba por se revelar uma projeção em um cenário de estilo drive-in e que Madonna está na verdade andando em uma esteira.