Alfur (), também registrada como Alfuru (), foi uma localidade e centro regional do Hejaz, pertencente às dependências de Medina e situada na rota em direção a Meca. Grande e fértil, era conhecida pela abundância de água e palmeiras e constituía a sede de uma extensa jurisdição agrícola que compreendia numerosas aldeias e localidades. Alfur esteve associada a diversas tradições sobre Maomé, que teria visitado a região, orado em suas mesquitas e concedido propriedades no local. Posteriormente, membros da família de Abedalá ibne Azobair possuíram e desenvolveram fontes em Alfur, onde Urua ibne Azobair morreu e foi sepultado em 94 A.H. (712–713).

Geografia

Iacute Alhamaui descreveu Alfur como uma aldeia das dependências de Medina, situada à esquerda de , na rota para Meca. Segundo o geógrafo, distava oito (ca. 180 quilômetros) de Medina, embora outra estimativa estabelecesse a distância em quatro dias de viagem. A aldeia possuía púlpito, palmeiras e água abundante e era descrita como grande e fértil, com propriedades pertencentes a coraixitas, ançares e muzainaítas. Almuraici encontrava-se a cerca de uma hora de viagem. Alfur constituía também o centro de uma região mais extensa. Iacute comparou-a a uma cora, formada por diversas aldeias e dotada de púlpitos e mesquitas. Citando Ibne Alfaqui, afirmou que era a maior das regiões agrícolas dependentes de Medina e que nela se encontravam a residência do governador e uma mesquita na qual Maomé teria orado. Mencionou ainda duas fontes, e , às quais uma tradição atribuía a irrigação de vinte mil palmeiras. Albacri, que registrou o nome como Alfuru (al-Furuʿ), considerou Alfur uma das mais importantes jurisdições de Medina. Segundo sua descrição, a região de e suas dependências estavam subordinadas a Alfur. A autoridade sediada na localidade administrava uma jurisdição que compreendia doze púlpitos, situados na própria Alfur, no estreito de Alfur, em , , , , Aljufa, Alarje, , Alabuá, Cudaide, Usfã e . Albacri também mencionou as fontes de e , afirmando que irrigavam mais de vinte mil palmeiras.

História

As fontes islâmicas associam Alfur a diversas passagens de Maomé. Albacri registrou que havia na região mesquitas relacionadas a ele, que teria permanecido ali em diferentes ocasiões, e que concedeu propriedades em Alfur a membros dos guifaritas e aslamitas. Uma tradição preservada pelo geógrafo afirma ainda que Maomé se hospedou no lugar onde posteriormente foi construída uma mesquita no estreito de Alfur e ali realizou uma oração. Albacri relata que, durante a Hégira, Asma binte Abi Becre teria visto palmeiras em Alfur quando emigrava de Meca. Posteriormente, seu filho Abedalá ibne Azobair adquiriu propriedades na localidade e desenvolveu ali a fonte de Alfaria e a de Açaname. Seu irmão Urua ibne Azobair desenvolveu as fontes de Anade e Ascar, enquanto Hâmeza ibne Abedalá ibne Azobair esteve associado às fontes de e . Urua morreu em Alfur e foi sepultado no local em 94 A.H. (712–713). Iacute preservou ainda uma tradição segundo a qual Alfur teria sido a primeira aldeia a fornecer tâmaras a Ismael e sua mãe, Agar, em Meca.

Bibliografia

Categoria:Localidades da Arábia Saudita Categoria:Medina (região)