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A Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Artes da Universidade Nacional de Engenharia (FAUA-UNI), localizada no distrito de Rímac, em Lima, Peru, foi projetada pelo arquiteto italiano Mario Bianco entre 1951 e 1953 e inaugurada em 1954. Considerada uma das principais obras da arquitetura moderna peruana, a faculdade foi um dos primeiros edifícios construídos no novo campus da Universidade Nacional de Engenharia e desempenhou papel fundamental na formação de arquitetos no país.

Desenvolvida em um período marcado pela modernização urbana de Lima e pela consolidação dos princípios da arquitetura moderna no Peru, a FAUA-UNI incorporou conceitos como planta livre, racionalidade construtiva, flexibilidade espacial e integração entre interior e exterior. Sua organização espacial, associada à clareza estrutural e à valorização dos espaços coletivos, tornou-se uma referência para a arquitetura e para o ensino superior peruano.

Além de sua relevância acadêmica, o edifício representa um importante testemunho da atuação de Mario Bianco na América Latina e de sua contribuição para a difusão da arquitetura moderna no contexto peruano. Ao longo de sua trajetória, a faculdade passou por adaptações e ampliações para atender às novas demandas institucionais, mantendo, entretanto, os princípios arquitetônicos que definiram sua concepção original.

História

Contexto Histórico

A construção da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Artes da Universidade Nacional de Engenharia ocorreu em um período de profundas transformações urbanas e institucionais no Peru. Durante as décadas de 1940 e 1950, Lima passou por um acelerado processo de expansão urbana, acompanhado pela modernização de suas instituições de ensino e pela crescente valorização das disciplinas técnicas e projetuais.

Nesse contexto, a Universidade Nacional de Engenharia iniciou a implantação de um novo campus no distrito de Rímac, buscando ampliar sua infraestrutura acadêmica e consolidar a formação de profissionais capazes de atuar nos desafios urbanos do país. Paralelamente, arquitetos e intelectuais peruanos passaram a defender a incorporação dos princípios da arquitetura moderna , alinhando-se aos debates internacionais sobre funcionalidade, racionalidade construtiva e planejamento urbano.

A criação da nova sede da Faculdade de Arquitetura insere-se nesse cenário de renovação institucional e arquitetônica. O edifício projetado por Mario Bianco tornou-se um dos primeiros exemplares da arquitetura moderna construídos no novo campus da universidade, representando uma nova forma de compreender o ensino e a prática arquitetônica no Peru.

Projeto e Construção

O projeto da Faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional de Engenharia (1954) foi desenvolvido no contexto da implantação do novo campus universitário de Lima e das discussões sobre a renovação do ensino de arquitetura no Peru. A proposta surgiu a partir dos esforços liderados por Fernando Belaúnde Terry, então diretor do Departamento de Arquitetura da universidade, que defendia a modernização da formação acadêmica e a aproximação com os debates arquitetônicos internacionais.

Para o desenvolvimento do edifício foi escolhido o arquiteto italiano Mario Bianco, que havia chegado ao Peru em 1947 e já participava ativamente do cenário arquitetônico local. Formado pelo Politécnico de Turim, Bianco trouxe influências do racionalismo italiano e dos princípios da arquitetura moderna europeia, adaptando-os às condições sociais, culturais e climáticas peruanas.

Construída entre 1951 e 1953 e inaugurada em 1954, a faculdade foi concebida não apenas como um espaço para abrigar atividades acadêmicas, mas também como um instrumento pedagógico capaz de expressar os valores da arquitetura moderna por meio de sua organização espacial, estrutura e relação com o campus.

A clareza funcional do programa, a utilização do concreto armado e a valorização dos espaços coletivos demonstram a intenção de criar um ambiente que estimulasse a convivência, a experimentação e o aprendizado, aspectos fundamentais para a formação dos futuros arquitetos.

Arquitetura

Organização Espacial

A organização espacial da Faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional de Engenharia baseia-se em uma planta em forma de “T”, considerada um dos elementos mais característicos do projeto de Mario Bianco. Essa configuração distribui o programa acadêmico em dois eixos principais, permitindo uma clara separação entre os espaços de ensino, circulação e convivência.

A barra horizontal concentra salas de aula, ateliês e ambientes destinados às atividades pedagógicas, enquanto a barra vertical organiza os espaços de acesso e os setores coletivos da faculdade. Essa disposição favorece a orientação dos usuários e estabelece uma hierarquia espacial que contribui para a leitura e o funcionamento do edifício.

Além de responder às necessidades funcionais da instituição, a organização em planta demonstra a influência dos princípios da arquitetura moderna, que buscavam conciliar eficiência, racionalidade e flexibilidade espacial.

Implantação

A implantação da Faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional de Engenharia foi concebida como parte do novo campus universitário desenvolvido no distrito de Rímac. O edifício ocupa uma posição estratégica dentro do conjunto, relacionando-se diretamente com os espaços livres e com os percursos de circulação do campus.

A disposição dos volumes favorece a criação de áreas abertas e espaços de convivência, permitindo que a arquitetura dialogue com o ambiente universitário e contribua para a integração entre estudantes, professores e visitantes.

Essa preocupação com a articulação entre edifício e espaço aberto reflete princípios amplamente difundidos pela arquitetura moderna, que buscava superar a separação rígida entre construção e cidade, valorizando a continuidade espacial e a experiência dos usuários.

Estrutura e Materiais

A Faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional de Engenharia foi construída em concreto armado, sistema estrutural amplamente utilizado pela arquitetura moderna em razão de sua versatilidade e capacidade de vencer maiores vãos. A adoção dessa tecnologia permitiu uma organização espacial mais flexível, reduzindo a dependência de paredes portantes e favorecendo a adaptação dos ambientes às necessidades acadêmicas ao longo do tempo.

A clareza estrutural constitui uma das características mais marcantes do projeto de Mario Bianco. Em vez de ocultar os elementos construtivos, o edifício evidencia sua lógica estrutural por meio da organização dos espaços e da expressão dos materiais empregados.

Além do concreto armado, a obra utiliza vidro, madeira e elementos de vedação que contribuem para a iluminação natural e para a integração visual entre os ambientes internos e externos. Essa combinação de materiais reforça os princípios de funcionalidade, racionalidade e simplicidade defendidos pela arquitetura moderna da época.

Relação Entre Interior e Exterior

A relação entre interior e exterior constitui um dos princípios fundamentais da concepção arquitetônica da Faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional de Engenharia. O projeto foi desenvolvido de forma a estabelecer uma integração contínua entre os espaços construídos e as áreas abertas do campus, favorecendo a circulação dos usuários e a percepção do conjunto arquitetônico.

A presença de galerias, áreas de convivência e amplas aberturas contribui para a entrada de iluminação natural e para a ventilação dos ambientes internos. Essas estratégias não apenas melhoram as condições de conforto ambiental, mas também reforçam a sensação de continuidade espacial característica da arquitetura moderna.

Além de atender às necessidades funcionais da instituição, a integração entre interior e exterior estimula a convivência acadêmica e transforma os espaços de circulação em áreas de encontro e permanência, ampliando a experiência dos usuários para além das salas de aula.

Transformações Posteriores

Ao longo de mais de sete décadas de funcionamento, a Faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional de Engenharia passou por adaptações e transformações destinadas a atender às novas demandas acadêmicas e institucionais. Apesar dessas mudanças, a configuração geral do edifício e seus princípios arquitetônicos fundamentais foram preservados, permitindo a continuidade da proposta concebida por Mario Bianco.

As transformações ocorridas ao longo do tempo refletem tanto o crescimento da universidade quanto a necessidade de atualização dos espaços destinados ao ensino, à pesquisa e às atividades complementares. Dessa forma, a faculdade passou a incorporar novos programas e tecnologias sem perder sua relevância como patrimônio da arquitetura moderna peruana.

Biblioteca

Entre as alterações mais significativas ocorridas na faculdade destaca-se a reorganização de sua biblioteca. Originalmente instalada no edifício principal, a Biblioteca Luis Miró Quesada Garland desempenhou papel fundamental na formação acadêmica dos estudantes de arquitetura, reunindo acervos especializados e servindo como espaço de estudo e pesquisa.

Com o crescimento da instituição e a ampliação de suas atividades, a biblioteca passou por mudanças de localização e estrutura, adequando-se às novas necessidades da comunidade universitária. Apesar dessas transformações, sua importância para o ensino e para a preservação da produção intelectual da faculdade permanece significativa.

Ampliações e Adaptações

Além das modificações relacionadas à biblioteca, a faculdade passou por processos de ampliação e atualização de suas instalações ao longo das últimas décadas. Novos espaços destinados à pesquisa, à fabricação digital e às atividades acadêmicas complementares foram incorporados ao conjunto, buscando responder às transformações do ensino de arquitetura contemporâneo.

Entre essas iniciativas destaca-se a incorporação de laboratórios e ambientes voltados ao desenvolvimento tecnológico, ampliando as possibilidades de ensino e experimentação dentro da instituição. Essas adaptações demonstram a capacidade do edifício de acomodar novas demandas sem comprometer as características essenciais de sua concepção original.

Situação Atual

Atualmente, a Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Artes da Universidade Nacional de Engenharia continua desempenhando papel importante na formação de arquitetos e urbanistas no Peru. Além das atividades de graduação, a instituição desenvolve projetos de pesquisa, extensão e inovação, mantendo sua relevância no cenário acadêmico nacional. Ao longo de mais de sete décadas de uso, o edifício preservou grande parte das características arquitetônicas concebidas por Mario Bianco. Essa permanência reforça sua importância não apenas como equipamento educacional, mas também como um importante edifício da arquitetura moderna peruana do século XX.