Coarazuphium lundi é uma espécie de besouro (coleóptero) troglóbio da família dos carabídeos (Carabidae) e do gênero Coarazuphium. É endêmica do Brasil e conhecida apenas em duas cavernas localizadas no município de Prudente de Morais, em Minas Gerais. Descrita em 2020, pertence ao gênero Coarazuphium, um grupo de besouros especializados em ambientes subterrâneos e caracterizados por diversas adaptações à vida cavernícola. Em C. lundi, essas adaptações incluem olhos reduzidos, achatados e despigmentados, além de outros caracteres diagnósticos que a distinguem das espécies congêneres.

A espécie ocorre exclusivamente em cavernas desenvolvidas em rochas calcárias do bioma Cerrado, na sub-bacia do Alto São Francisco. Seu habitat conhecido restringe-se a um único maciço cárstico, onde foi registrada nas cavidades denominadas Gruta 06L e Caverna 20L. O único exemplar utilizado na descrição original foi encontrado em zona afótica, próximo a um depósito de guano de morcegos. Apesar de sua condição troglóbia, aspectos fundamentais de sua história natural, incluindo alimentação, reprodução, comportamento e tamanho populacional, permanecem desconhecidos.

Devido à distribuição extremamente restrita e ao declínio contínuo da qualidade de seu habitat, C. lundi foi avaliada como Em Perigo (EN) pelo Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE). As principais ameaças identificadas incluem a mineração, a expansão urbana, o desmatamento associado à agricultura e à pecuária e outras alterações ambientais que afetam os ecossistemas subterrâneos da região. Embora uma das cavernas de ocorrência possua elevada relevância espeleológica, a espécie não é conhecida em unidades de conservação oficialmente reconhecidas.

Taxonomia

Coarazuphium lundi é uma espécie de besouro (coleóptero) da família dos carabídeos, pertencente à subfamília dos driptíneos, à tribo dos e ao gênero Coarazuphium. Foi descrita oficialmente em 2020 por Thais Giovannini Pellegrini, Letícia Maria Vieira, Robson de Almeida Zampaulo, Diego de Medeiros Bento, Paulo César Reis Venâncio, Priscila Emanuela de Souza e Rodrigo Lopes Ferreira. O gênero foi proposto por Gnaspini et al. em 1998 para acomodar espécies cavernícolas que compartilham características como olhos reduzidos, despigmentação, alongamento das pernas e antenas, além de modificações na morfologia cefálica e antenal. Esses caracteres são considerados adaptações troglomórficas associadas à vida subterrânea.

Morfologia

Coarazuphium lundi apresenta características morfológicas que a distinguem das demais espécies conhecidas do gênero. Entre seus principais caracteres diagnósticos estão os élitros com lados quase paralelos e largura máxima na metade posterior, margem apical truncada e não sinuosa, além da presença de um conjunto característico de cerdas na cápsula cefálica, incluindo um par de cerdas supraorbitais anteriores, um par de cerdas pós-oculares, um par de cerdas supraorbitais posteriores, um par de cerdas occipitais e um par adicional de cerdas supranumerárias posteriores. Os machos possuem o parâmero direito largo e não estiliforme. Assim como os demais representantes subterrâneos do gênero, a espécie apresenta adaptações associadas à vida cavernícola. Entre os troglomorfismos registrados destacam-se os olhos reduzidos, achatados e despigmentados, características frequentemente observadas em organismos especializados em ambientes subterrâneos permanentes.

Distribuição e habitat

A espécie é endêmica do Brasil, sendo conhecida apenas no município de Prudente de Morais, em Minas Gerais. Sua ocorrência foi registrada em duas cavernas, denominadas Gruta 06L e Caverna 20L, ambas inseridas em um mesmo maciço calcário da região. A área de ocorrência situa-se no bioma Cerrado, estando associada à sub-bacia do Alto São Francisco. Os registros conhecidos concentram-se em ambientes subterrâneos desenvolvidos em rochas calcárias, característicos das paisagens cársticas do centro de Minas Gerais. A extensão de ocorrência da espécie foi estimada em oito quilômetros quadrados, enquanto a área de ocupação foi calculada em 32 quilômetros quadrados. Ambas as estimativas foram baseadas na extensão do maciço calcário onde as cavernas se encontram inseridas.

Ecologia

Coarazuphium lundi é uma espécie troglóbia associada a ambientes subterrâneos permanentes. As informações disponíveis sobre sua história natural permanecem escassas. O único espécime utilizado na descrição da espécie foi encontrado na porção final de uma caverna, em zona afótica, próximo a um depósito de guano do morcego-vampiro-comum (Desmodus rotundus). O local de coleta apresentava substrato constituído por sedimento fino e extremamente seco. Não existem informações disponíveis sobre alimentação, reprodução, ciclo de vida, comportamento ou estrutura populacional da espécie. Também não foram registrados dados sobre deslocamentos migratórios, sendo a espécie considerada não migratória.

Conservação

Coarazuphium lundi foi avaliada em 2024 como Em Perigo (EN), sendo a avaliação publicada em 2025 pelo Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE). A espécie foi enquadrada nos critérios B1ab(iii)+B2ab(iii) da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), em razão de sua distribuição extremamente restrita, ocorrência em apenas duas cavernas conhecidas e declínio continuado da qualidade de seu habitat. A principal ameaça identificada para a espécie é a mineração, atividade utilizada como referência para a definição das duas localizações consideradas na avaliação de risco. Também foram registradas pressões decorrentes da expansão urbana, do desmatamento associado à agricultura e à pecuária, bem como da implantação de plantações florestais. Essas atividades contribuem para a degradação dos ambientes superficiais e subterrâneos dos quais a espécie depende. Embora parte considerável do entorno das cavernas esteja submetida a impactos antrópicos, uma das cavidades com ocorrência conhecida da espécie encontra-se classificada como de máxima relevância espeleológica, condição que impõe restrições legais à sua supressão ou impacto direto. Apesar disso, a região não está inserida em unidades de conservação oficialmente reconhecidas. A tendência populacional da espécie é desconhecida e não existem estimativas disponíveis sobre o tamanho de suas populações.

Notas

Ligações externas

Documentos sobre Coarazuphium lundi na Biodiversity Heritage Library

Categoria:Coarazuphium Categoria:Espécies descritas em 2020 Categoria:Carabídeos endêmicos do Brasil Categoria:Carabídeos de Minas Gerais