Terapia de choque insulínico ou terapia do coma insulínico foi uma forma de tratamento psiquiátrico na qual pacientes recebiam injeções de altas doses de insulina repetidamente a fim de produzir comas diários ao longo de várias semanas.Neustatter WL (1948) Modern psychiatry in practice. London: 224. Foi introduzida em 1927 pelo psiquiatra austro-americano e amplamente utilizada nas décadas de 1940 e 1950, principalmente para tratar esquizofrenia, antes de cair em desuso e ser substituída por medicamentos antipsicóticos na década de 1960.

Foi um dos vários tratamentos físicos introduzidos na psiquiatria nas primeiras quatro décadas do século XX. Estes incluíam as terapias convulsivas (terapia com cardiazol/metrazol e eletroconvulsoterapia), a sonoterapia e a psicocirurgia. A terapia de coma insulínico e as terapias convulsivas são conhecidas coletivamente como terapias de choque.

Origem Em 1927, Sakel, que havia recentemente se formado em medicina em Viena e trabalhava em uma clínica psiquiátrica em Berlim, começou a utilizar baixas doses de insulina (insuficientes para induzir coma) no tratamento de dependentes químicos e pacientes psicóticos. Após um dos pacientes apresentar melhora da clareza mental depois de entrar acidentalmente em coma, Sakel concluiu que o tratamento poderia funcionar em pacientes com transtornos mentais.MJ Sakel (1956) The classical Sakel shock treatment: a reappraisal. In F. Marti-Ibanez et al. (eds.) The great physiodynamic therapies in psychiatry: an historical reappraisal. New York: 13-75. De volta a Viena, ele tratou pacientes esquizofrênicos com doses maiores de insulina para induzir deliberadamente o coma e, às vezes, convulsões. Sakel tornou seus resultados públicos em 1933, e seus métodos logo foram adotados por outros psiquiatras.

Joseph Wortis, após observar Sakel aplicar o método em 1935, introduziu a terapia nos Estados Unidos. Psiquiatras britânicos do visitaram Viena entre 1935 e 1936 e, em 1938, 31 hospitais na Inglaterra e no País de Gales possuíam unidades de tratamento com insulina. Em 1936, Sakel mudou-se para Nova York e promoveu o uso do tratamento de coma insulínico em hospitais psiquiátricos dos EUA. No final da década de 1940, a maioria dos hospitais psiquiátricos nos EUA utilizava o tratamento de choque insulínico.GL Jones (1948) Psychiatric shock therapy: current uses and practices. Williamsburg: p17.

Técnica miniaturadaimagem|Paciente submetido à prática no Hospital Lapinlahti, em Helsinque, na década de 1950 A terapia com coma insulínico era um tratamento intensivo que exigia pessoal treinado e uma unidade especializada. Os pacientes, quase invariavelmente diagnosticados com esquizofrenia, eram selecionados com base em um bom prognóstico e na resistência física para suportar um tratamento árduo. Normalmente, as injeções eram administradas seis dias por semana, durante cerca de dois meses.

A dose diária de insulina foi aumentada gradualmente para 100–150 unidades (1 unidade = 34,7 μg ) até que os comas fossem induzidos, momento em que a dose era estabilizada. Ocasionalmente, doses de até 450 unidades foram utilizadas. Após cerca de 50 ou 60 comas, ou antes, caso o psiquiatra considerasse que o benefício máximo havia sido alcançado, a dose de insulina era rapidamente reduzida antes da interrupção do tratamento.C Allen (1949) Modern discoveries in medical psychology. London: 219-220.

Após a injeção de insulina, os pacientes apresentavam vários sintomas de diminuição da glicose no sangue: rubor, palidez, sudorese, salivação, sonolência ou inquietação. Seguiam-se sonolência e coma se a dose fosse suficientemente alta. Cada coma durava até uma hora e era interrompido com administração intravenosa de glicose ou por sonda nasogástrica. Convulsões ocorriam antes ou durante o coma.WW Sargant and E Slater (1954) An introduction to the physical methods of treatment in psychiatry, 3rd edition. Edinburgh. Muitos pacientes se debatiam, rolavam, gemiam, tinham espasmos ou se contorciam.

Efeitos Alguns psiquiatras (incluindo Sakel) alegaram taxas de sucesso da terapia com coma insulínico superiores a 80% no tratamento da esquizofrenia. Outros argumentaram que ela apenas acelerava a remissão em pacientes que já estavam em remissão. O consenso da época situava-se em algum ponto intermediário, alegando uma taxa de sucesso de cerca de 50% em pacientes que estavam doentes havia menos de um ano (aproximadamente o dobro da taxa de remissão espontânea), sem influência sobre recaídas.

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