A Estação Ferroviária de Porto Novo é um conjunto de edificações da Rede Ferroviária S.A., no município de Além Paraíba, em Minas Gerais. Foi tombada como patrimônio edificado pela Prefeitura Municipal.

História Além Paraíba foi uma das primeiras cidades ferroviárias do país. Em 1855, a Companhia da Estrada de Ferro Dom Pedro II tinha como ponto inicial o Rio de Janeiro e implementou um ponto final na localidade de Porto Novo do Cunha, hoje Além Paraíba. Construída em uma área de várzea, foi inaugurada em 1871 como parte da posterior Estrada de Ferro Central do Brasil. Hoje a região é o centro comercial de Além Paraíba.Carvalho, Maria Cecília de Alvarenga. Memória social e patrimônio ferroviário em Além Paraíba. Dissertação (Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Belo Horizonte, 2010.

O conjunto arquitetônico da Estação Ferroviária de Porto Novo engloba três blocos edificados principais, todos alinhados aos trilhos da ferrovia. O bloco mais à frente é a estação em si e abriga ainda os antigos armazéns. Atrás da estação, há dois blocos com hotel de passageiros e dos funcionários, restaurante, administração e almoxarifado.

Várias indústrias se instalaram nos arredores da estação por facilidade de transporte de materiais a serem recebidos e de mercadorias a serem enviadas, tais como fábrica de tecido e de papel. Considerando o fluxo de passageiros e de mercadorias e o comércio ambulante instalado nos arredores, era a região mais dinâmica do município.

Atualmente, o conjunto é de propriedade da União e encontra-se em arruinamento. A Estrada de Ferro Dom Pedro II A estação teve origem na expansão da Estrada de Ferro Dom Pedro II, cujos estatutos foram aprovados pelo decreto nº 1.599, de 9 de maio de 1855, e que partia da cidade do Rio de Janeiro e foi uma das primeiras e mais importantes ferrovias do Império do Brasil. A ferrovia alcançou Porto Novo do Cunha — atual Além Paraíba — em 1871, e, já no início do período republicano, a companhia passou a ser denominada Estrada de Ferro Central do Brasil, a partir de 1890. A linha consolidou a ligação ferroviária entre a então Corte, no Rio de Janeiro, e o interior fluminense e mineiro.

Entroncamento ferroviário Porto Novo do Cunha consolidou-se como importante ponto de articulação ferroviária: ali a linha da antiga Dom Pedro II encontrava-se com a Estrada de Ferro Leopoldina, cujo primeiro trecho, em direção a Leopoldina, foi inaugurado em 8 de outubro de 1874 e reunia três estações: São José, no quilômetro 3, Pântano (atual Fernando Lobo), no quilômetro 12, e Volta Grande, no quilômetro 27. Essa condição de entroncamento, somada ao intenso movimento de cargas e passageiros, fez de Além Paraíba uma das primeiras e mais dinâmicas cidades ferroviárias do país. Foi a partir de Porto Novo do Cunha que a Leopoldina iniciou sua expansão pela Zona da Mata de Minas Gerais.

Patrimônio e memória O conjunto de Porto Novo, ao lado das demais estações de Além Paraíba, é objeto de estudos sobre a memória social e o patrimônio ferroviário do município, que ressaltam o papel da ferrovia em sua formação urbana e econômica. Implantado em área de várzea junto aos trilhos, o conjunto de edificações estruturou o núcleo que viria a se tornar o centro comercial do município. Embora protegido como patrimônio edificado em âmbito municipal, o conjunto — atualmente pertencente à União — enfrenta avançado processo de deterioração, situação que ilustra os desafios de preservação do patrimônio ferroviário brasileiro. O abandono contrasta com o valor histórico do conjunto, testemunho material do auge ferroviário vivido pela região entre os séculos XIX e XX.

Categoria:Patrimônios culturais Categoria:Além Paraíba Categoria:Estações ferroviárias de Minas Gerais