thumb|direita|250px|Donald Trump em cerimônia de recepção aos líderes do G7 na 51ª Cúpula do G7, em Alberta, Canadá, em junho de 2025. Em seu segundo mandato presidencial, Donald Trump têm centrado sua política externa em reforçar as políticas de segurança interna dos Estados Unidos através de um controle maior do governo federal sobre o fluxo migratório regional, vigilância centralizada das fronteiras terrestres e marítimas do país e combate ao terrorismo. Desde sua campanha presidencial em 2023 e 2024, Trump já realizava discursos públicos alegando o influxo de imigrantes ilegais durante a Administração Biden como um dos fatores principais para os desafios econômicos enfrentados pela população estadunidense nos anos recentes. Esta retórica ganhou amplo apoiou de setores mais conservadores da sociedade estadunidense que cobravam a Administração Biden da recuperação econômica prometida por ele durante sua campanha presidencial de 2020.

Na fase da campanha presidencial, Trump defendeu que o envolvimento dos Estados Unidos em conflitos armados ao redor do mundo era prejudicial à economia e à sociedade estadunidense de uma forma geral. Desta forma, Trump se comprometeu a reduzir substancialmente o envio de tropas e suprimentos bélicos a nações aliadas dos Estados Unidos envolvidas em conflitos correntes, como a Ucrânia e Israel. Em diversas entrevistas e comunicados oficiais durante a fase da campanha presidencial no decorrer de 2024, Trump afirmou que "solucionaria rapidamente" o conflito russo-ucraniano e acusou sistematicamente Joe Biden e Kamala Harris de ter interesses pessoais em manter os Estados Unidos no conflito. Ainda pautado no slogan político de seu primeiro mandato, Make America Great Again, Trump reforçou continuamente que iria restaurar os Estados Unidos ao seu lugar de protagonismo em questões de governança global mesmo que isso custasse relações diplomáticas com outras nações, como os países vizinhos Canadá e México.

História Nomeações de gabinete

+ Equipe de Política externa da Administração Trump (2025–) Imagem Nome Cargo Formação Histórico 100px|Marco Rubio Marco Rubio 40px|Secretário de Estado Direito Senador pela Flórida 100px|Pete Hegseth Pete Hegseth 40px|Secretário de Defesa Ciência política Major dos Estados Unidos 100px|Tulsi Gabbard Tulsi Gabbard 40pxDiretora de Inteligência Nacional Administração Representante do Havaí 100px|John Ratcliffe John Ratcliffe 40pxDiretor da Agência Central de Inteligência Relações internacionais Diretor de Inteligência Nacional 100px|Dorothy Shea Dorothy Shea 40px|Representante Permanenteàs Nações Unidas Ciências Embaixadora no Líbano 100px|Jamieson Greer Jamieson Greer 40px|Representante do Comércio Direito Capitão da Força Aérea dos Estados Unidos 100px|Todd Lyons Todd Lyons 40px|Diretor de Imigração e Controle de Aduanas Direito Capitão da Força Aérea dos Estados Unidos

Américas Canadá

thumb|direita|250px|Trump recebe o Primeiro-ministro do Canadá Mark Carney no Salão Oval da Casa Branca, em maio de 2025. Carney havia sido recentemente eleito ao cargo após a renúncia de Justin Trudeau em meio à escalada de uma crise comercial entre os dois países. Desde a sua campanha presidencial de 2024, Trump mantinha um tom crítico com o governo do então Primeiro-ministro canadense Justin Trudeau, alegando por repetidas vezes que o país estaria se beneficiando do comércio com os Estados Unidos. Em outubro de 2024, Trump declarou uma proposta de taxar produtos industriais do Canadá como forma de incentivar a produção interna dos Estados Unidos. Após sua vitória eleitoral, Trump retomou a proposta, detalhando que iria taxar produtos canadenses em cerca de 25%, gerando uma forte tensão com o governo do país vizinho. Na mesma ocasião, Trump descreveu o Canadá como "um estado americano" e Trudeau como "seu governador estadual".

Em janeiro de 2025, dias após sua posse presidencial, Trump voltou a criticar o Canadá, citando sua pretensão em "anexar economicamente" o país junto a diversas outras medidas expansionistas, como "assumir o controle" do Canal do Panamá e "anexar a Groenlândia". Em resposta, Trudeau afirmou preocupação com os comentários e disse que seria necessário reforçar a política de segurança das reservas minerais canadenses. Por sua vez, o governo dinamarquês reiterou por meio de uma nota oficial breve que a Groenlândia integra formalmente o Reino da Dinamarca e "não está à venda".

Em 4 de março de 2025, Trump oficializou sua taxação de 25% sobre todas importações do Canadá, icluindo taxas de 10% para combustíveis fósseis. A Casa Branca publicou uma nota oficial informando que a medida tinha como finalidade reduzir o déficit comercial estadunidense e compelir o governo canadense a investir mais fortemente na sua política de fronteiras. Segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, a política de tarifas de Trump iria reduzir o tráfico de produtos farmacêuticos e a entrada de imigrantes ilegais na fronteira canadense. Em reação, Justin Trudeau aplicou uma taxação de 25% sobre produtos oriundos dos Estados Unidos e criticou a medida de Trump como "danosa para ambos os países". Em 5 de março, o governo canadense protocolou um relatório junto à Organização Mundial do Comércio, classificando as tarifas estadunidenses como "injustificáveis" e "uma violação de acordos comerciais internacionais". A missão permanente do Canadá na organização declarou que esta seria a primeira medida formal de resolução da guerra comercial entre os dois países.

México Argentina

thumb|direita|250px|Trump em reunião bilateral com o Presidente da Argentina Javier Milei em Maryland, em fevereiro de 2025. Desde sua campanha eleitoral em 2023, o Presidente da Argentina Javier Milei têm mantido relações próximas com Donald Trump. Ainda na fase de sua campanha presidencial, Trump elogiou Milei e suas políticas econômicas que giram em torno de cortes de orçamento público e redução da máquina pública. Estas são pautas fortemente defendidas pelo alta escalão do Partido Republicano, o que levou Trump a aproximar-se de Milei e apoiar abertamente sua candidatura ao governo argentino. Em fevereiro de 2024, Milei declarou apoio à candidatura de Trump durante encontro com o político estadunidense na Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC), dizendo esperar vê-lo "como presidente-eleito" e apenas poucas horas após reunir-se oficialmente com Antony Blinken, Secretário de Estado da Administração Biden.

Em 14 de novembro de 2014, Milei viajou para Mar-a-Lago, a residência oficial de Trump na Flórida, para um jantar de gala com o então presidente-eleito e parte de seu futuro gabinete de governo. Apesar da informalidade da ocasião, o gesto de Milei o tornou o primeiro líder estrangeiro a reuniu-se com Trump desde sua vitória eleitoral contra Joe Biden semanas antes. Na ocasião da visita, Milei reuniu-se com o magnata Elon Musk para debater a construção do Departamento de Eficiência Governamental que, segundo analistas internacionais, teve inspiração direta nas políticas governamentais de Milei na Argentina. Milei declarou que aconselhou Musk a "desmantelar a burocracia" ao reduzir investimentos federais em várias áreas da sociedade e economia do país e reduzir significantemente o quadro de funcionários de agências federais estadunidenses.

Brasil

thumb|direita|250px|Trump recebe o Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Branca, em maio de 2026. Na ocasião, os dois líderes voltaram a negociar a redução de tarifas estadunidenses sobre produtos brasileiros em meio a uma crise diplomáticas entre os dois países. Em janeiro, na sequência de sua segunda posse presidencial. Trump afirmou que os Estados Unidos "não precisam do Brasil". Ao longo de sua campanha presidencial recente, Trump não fez menções diretas ao Brasil ou ao terceiro mandato do atual Presidente Lula da Silva. Como ex-presidente e candidato à Casa Branca, Trump preferiu focar em questões de interesse direto ao seu plano de recuperação econômica, como a política tarifária entre as duas nações e a crescente população de imigrantes brasileiros vivendo em território estadunidense. Durante seu primeiro mandato, Trump declarou abertamente seu apoio às políticas conservadoras implementadas por Jair Bolsonaro durante sua presidência e este, por sua vez, frequentemente considerou Trump e membros de sua equipe de governo como seus "aliados políticos". Entre 2019 e 2021, período coincidente dos mandatos presidenciais de ambos, Trump manteve um tom de alinhamento com a maior parte das propostas e projetos bilaterais brasileiros, mas manteve um tom crítico com relação às tarifas impostas pelo governo brasileiro a produtos estadunidenses, considerando-as "injustas".

Em novembro de 2024, poucos dias após a vitória de Trump nas eleições presidenciais, Lula da Silva afirmou que buscaria uma política de cooperação e "de respeito" entre as duas nações. Entretanto, as tensões envolvendo Elon Musk, um proeminente aliado de Trump, e o bloqueio da rede social X pelo Supremo Tribunal Federal em meados de 2024 levaram analistas internacionais a considerar com cautela a extensão do apoio mútuo entre os dois países durante o terceiro mandato presidencial de Lula. Em novembro de 2024, o clima de tensão percebido entre os dois governos foi amplificado pela troca de ofensas públicas entre a Primeira-dama Janja da Silva e o próprio Musk, quando este já havia sido anunciado por Trump como seu futuro Chefe de Eficiência Governamental.

Após assumir o cargo em janeiro de 2025, Trump deu início imediato à sua política de remoção de imigrantes em situação irregular, incluindo diversos brasileiros. Em 24 de janeiro, o Brasil recebeu o primeiro voo contendo imigrantes ilegais deportados pelos Estados Unidos. A imprensa brasileira e internacional chamou atenção para o caso devido especialmente às condições rígidas em que os imigrantes foram transportados para suas nações de origem, incluindo o uso de algemas. O Ministério das Relações Exteriores divulgou uma nota classificando a atitude como "degradante" e, nos dias seguintes, afirmou que exigiria a aplicação da lei estadunidense sob um escopo de "dignidade" e "respeito aos direitos humanos".

Ásia China

thumb|esquerda|250px|Desde sua campanha presidencial de 2024, Trump adotou uma postura de criticismo e ceticismo à política econômica chinesa. Na imagem, Trump e o Presidente da China Xi Jinping durante sua visita de Estado ao país, em maio de 2026. Trump encerrou seu primeiro mandato presidencial em 2021 com uma relação bilateral tensa e delicada com a China. Os dois países mantiveram uma forte disputa comercial entre 2018 e 2019 ocasionada pelo aumento de tarifas comerciais sobre produtos chineses. Segundo o governo Trump, tal medida seria uma forma de equilibrar a balança comercial "injusta" entre os dois países. Entretanto, a disputa foi concluída com um debatido acordo comercial que nunca chegou efetivamente a um cumprimento por parte das autoridades chinesas.

Pouco antes de sua segunda posse presidencial, Trump reuniu-se com o vice-presidente chinês Han Zheng que estava em Washington, D.C. como representante de Xi Jinping na cerimônia de posse. A presença de Han na ocasião foi interpretada por analistas internacionais como sinal do interesse chinês em fortalecer as relações entre os dois países após uma série de críticas públicas e ameaças de Trump sobre impor novas tarifas comerciais para conter a crescente influência chinesa no Sul Global.