The Mayhem Ball foi a oitava turnê da cantora e compositora norte-americana Lady Gaga, em apoio ao seu oitavo álbum de estúdio, Mayhem (2025). A turnê teve início em 16 de julho de 2025, em Paradise, Estados Unidos, sucedendo os 9 shows especiais "The Art of Personal Chaos", marcados antes da estreia oficial da turnê, que se encerrou em 13 de abril de 2026, em Nova Iorque, EUA.

A turnê recebeu ampla aclamação da crítica especializada, sendo descrita por veículos como The Guardian, The Independent e The Standard como uma das produções mais ambiciosas da música pop contemporânea. As apresentações foram elogiadas por sua estética visual, inovação artística e força performática de Gaga, com diversas publicações atribuindo avaliações máximas ao espetáculo.

Antecedentes e anúncio Em uma entrevista para a revista Vogue em setembro de 2024, Gaga explicou que durante a The Chromatica Ball, foi a primeira vez em muito tempo que conseguiu se apresentar ao vivo sem sentir dor. Ela fazia referência à fratura em seu quadril que sofreu em 2013, durante a The Born This Way Ball, que posteriormente resultou em fibromialgia e a forçou a cancelar o Joanne World Tour no início de 2018.

Mais tarde, em uma entrevista para a Elle em janeiro de 2025, a cantora afirmou que sua forma de encarar as turnês mudou depois da The Chromatica Ball e declarou:

"Agora, sair em turnê tem mais a ver comigo como ser humano. E isso torna a experiência no palco ainda mais poderosa, porque, quando chego lá, tenho feito outras coisas em que posso pensar. Eu me conecto com o público como pessoas reais, porque vivi uma vida real."

Em 20 de novembro de 2024, Gaga anunciou em suas redes sociais dois shows no Coachella, um dos maiores festivais de música do mundo. Os shows, marcados para 11 e 18 de abril de 2025 na Califórnia, EUA, dariam início à promoção do álbum Mayhem antes da turnê The Mayhem Ball. Em fevereiro e março de 2025, Gaga anunciou shows especiais que ocorrerão após o Coachella para continuar a promoção do álbum Mayhem ainda antes da turnê The Mayhem Ball: Mayhem on The Beach (Rio de Janeiro, Brasil), Viva la Mayhem (Cidade do México, México) e Lion City Mayhem (Cingapura).

Em 26 de março de 2025, Gaga anunciou a The Mayhem Ball propriamente dita, por meio de suas redes sociais, revelando uma primeira etapa com 32 datas em cidades da América do Norte e da Europa, como Las Vegas, Nova Iorque, Miami, Londres, Paris e Berlim. Em 08 de abril de 2025, 3 shows em estádios de cidades da Austrália foram anunciados, expandindo a turnê para mais um continente. Uma semana depois, foram anunciados segundos shows em Melbourne e Sydney, respectivamente, devido à alta demanda. Em 22 de abril de 2025, foram anunciados três shows em São Francisco e quatro shows em Inglewood. Em 9 de junho de 2025, cinco shows em estádios no Japão foram anunciados para janeiro de 2026. Um mês depois, um show adicional em Tóquio foi anunciado devido à alta demanda. Em 9 de setembro de 2025, foram anunciadas datas adicionais na América do Norte, programadas para ocorrer entre fevereiro e abril de 2026.

Produção Direção criativa A turnê foi concebida como uma produção teatral dividida em atos, produzida por Gaga e Michael Polansky, e dirigida pela cantora e por Ben Dalgleish (da companhia Human Person). A direção criativa ficou a cargo de Gaga, Polansky, Human Person e Parris Goebel, que também atuou como coreógrafa. O design de produção e a cenografia ficaram a cargo de Jason Ardizzone-West e Es Devlin. Sobre a turnê e sua decisão de optar pela maioria dos shows em arenas em vez de estádios, a cantora declarou:"Eu não planejava sair em turnê este ano após meus shows em Singapura, mas a resposta incrível ao novo álbum me inspirou a continuar. Escolhemos arenas desta vez para que eu tenha a oportunidade de controlar os detalhes do show de uma forma que simplesmente não é possível em estádios — e, sinceramente, mal posso esperar. Este espetáculo foi concebido para ser uma experiência teatral e eletrizante, trazendo Mayhem à vida exatamente como eu imagino. A Mayhem Ball está oficialmente a caminho. Vejo vocês em breve, monsters."

A peça central do palco é uma estrutura semelhante a um coliseu ou a uma ópera, onde se apresentam Gaga, a banda e vinte e dois bailarinos. A partir dela se estende uma passarela em forma de pêndulo que avança em direção ao público e muda de aparência ao longo do espetáculo conforme a canção. A cantora e Goebel trabalharam em estreita colaboração durante o desenvolvimento, trocando referências visuais e ideias para construir uma narrativa de inspiração operística que fundia dança, teatro e música. Goebel descreveu o processo como "altamente produzido", com ambas as artistas focadas em criar um universo próprio que equilibrasse o espetáculo com a profundidade emocional. Da mesma forma, destacou que sua colaboração com Gaga buscou combinar coreografias novas com sequências reinterpretadas de apresentações anteriores, para alcançar o que definiu como um "equilíbrio entre honrar seu legado e mostrar algo novo". Juntas, conceberam o espetáculo como uma experiência imersiva que retomava elementos do teatro e da ópera, destinada a representar a transformação e o caos característicos do universo de Mayhem.

Em uma entrevista à Variety, Goebel contou que a sequência inicial foi concebida como "uma ópera teatral que estabelecesse de imediato a magnitude do espetáculo". Ela explicou que imaginou Gaga com vestidos colossais que acabaram evoluindo para um figurino semelhante a uma jaula com bailarinos em seu interior, o que classificou como um momento "realmente inovador e impactante". Também revelou que reimaginou "Paparazzi" como "uma interpretação lenta e emocional", na qual Gaga emerge de uma caixa de areia que representa uma tumba e utiliza uma capa fluida para simbolizar "sua elevação e o reencontro com suas asas". Sobre a interpretação de "Poker Face", afirmou que:

"Eu ficava pensando em que tipo de elementos visuais poderiam ser familiares e com os quais as pessoas se identificassem. Tentamos a ideia do tabuleiro de xadrez com músicas diferentes, até que eu pensei: 'Espera, é perfeito para 'Poker Face' '. Fez sentido, então começamos a desenvolver a história dessa tensão entre ela e uma versão diferente de si mesma. Todo mundo sabe jogar xadrez, e conectar isso à narrativa emocional dela foi realmente impactante."

Em uma entrevista à Rolling Stone, Gaga descreveu a estrutura conceitual do espetáculo como "um sonho gótico" vinculado a temas com os quais ela havia "lutado toda [sua] vida". Também acrescentou que, durante os últimos ensaios, incorporou uma versão redesenhada de "Shallow" e afirmou que quis levar a canção para sua própria estética porque "ela não tem meu estilo característico". Polansky apontou o desafio logístico que implicava transportá-la até o palco secundário, o que resultou no conceito da góndola utilizado na apresentação. Gaga classificou a ideia de cantar "Shallow" sobre uma embarcação como "tão camp" e "o desafio perfeito".

Design dos figurinos 200px|esquerda|thumb|Gaga sobre o vestido vermelho de vários níveis desenhado por Jet Sets. Os figurinos de The Mayhem Ball ampliaram a estética introduzida durante The Art of Personal Chaos e continuaram a exploração de Gaga sobre a dualidade entre a escuridão e a pureza. A cantora trabalhou junto aos estilistas Natali Germanotta, Hunter Clem e ao duo Hardstyle, constituído por Peri Rosenzweig e Nick Royal, para criar uma sequência de trajes góticos e operáticos ao longo dos quatro atos, que combinavam iconografia, silhuetas esculturais e estruturas metálicas. Os desenhos foram confeccionados sob medida por Sam Lewis, Athena Lawton, Manuel Albarran, Dilara Findikoglu, Francesco Risso (para Marni) e Matières Fécales, com peças adicionais de Seth Pratt, Gyouree Kim e Louis Verdad, e acessórios de Chrome Hearts e Yaz XL. O calçado incluiu trabalhos com incrustações de cristais realizados por Disco Daddy Studio, modelos de Stuart Weitzman e botas de Steve Madden com modificações artesanais da designer Lacey Dalimonte.

Vários trajes tomaram inspiração direta da alta costura histórica e de ícones da cultura pop. O vestido carmesim de abertura, desenhado por Samuel Lewis, Athena Lawton e William Ramseur, foi estruturado como uma jaula de aço de vários níveis construída por Jet Sets, e incorpora corsetaria elisabetana e tachas metálicas como homenagem ao design Lady Macbeth de Thierry Mugler de 1985, que simboliza a tensão entre o controle e o caos. Outro motivo destacado fazia referência ao vestido vermelho de renda da coleção Joan de Alexander McQueen (outono/inverno de 1998), que Gaga usou nos MTV Video Music Awards de 2009, como maneira de reinterpretar sua fama inicial dentro dos temas do sacrifício e do renascimento, e que evoca sutilmente a linguagem visual de seus primeiros videoclipes como "Bad Romance" (2009).

O figurino também retomou a imagética de "Paparazzi" (2009), com trajes de inspiração em armadura, muletas metálicas e uma capa ondulante que aludia aos motivos visuais do videoclipe original. Elementos das coleções It’s Only a Game (primavera/verão de 2005) e Scanners (outono/inverno de 2003) de McQueen também inspiraram atos posteriores, que combinaram motivos de tabuleiro de xadrez e alfaiataria surrealista com simbolismo psicológico. Outros desenhos evocaram os uniformes do Dangerous World Tour (1992) de Michael Jackson por meio de alfaiataria militar realizada por Louis Verdad, enquanto que uma capa com capuz inspirada em O Fantasma da Ópera (1986) encerrou o espetáculo para unir a moda com a narrativa teatral.

Ao longo da turnê, Gaga alternou entre trajes de couro preto, armaduras com espinhos e vestidos brancos com caudas iluminadas e luvas protéticas alongadas, ocasionalmente incorporando peças de arquivo, como sua jaqueta original de Born This Way (2011), desenhada por Thomas Knight. Diferentes meios especializados em moda, como Vogue, Variety, Vanity Fair, Cosmopolitan e W Magazine, destacaram a escala teatral e o "glamour gótico" do figurino ao apontar sua combinação de alta costura e arte performática, suas referências recorrentes a designers como McQueen e Mugler, e como cada conjunto "empurrava ainda mais os limites entre a moda e a atuação".

Enredo dos consertos

Um show típico de The Mayhem Ball tem duração aproximada de duas horas e meia e inclui 30 canções, com o número ao piano e a canção surpresa do encore variando em cada data. O espetáculo renova a narrativa e os elementos temáticos utilizados em The Art of Personal Chaos ao representar uma batalha interna entre a luz e a escuridão através de uma faceta angelical e sua contraparte mais sombria e gótica. Em uma entrevista à Rolling Stone, Gaga explicou que "Mayhem é o lado mais egocêntrico de mim", por isso decidiu começar o espetáculo com uma faceta de si mesma que "realmente detesto", enquanto uma versão "mais ingênua e juvenil" fica submersa em um "sonho profundo com o desejo de torturá-la para convertê-la em grandeza" à medida que ela cai em uma "mania gótica", o que gera o conflito central do espetáculo quando o plano de Mayhem "não sai como estava previsto". Antes do início, é projetado um prelúdio intitulado "Voices of Mayhem", com árias de ópera e mensagens enviadas pelos fãs, seguido de um vídeo de Gaga vestida com uma roupa elisabetana enquanto escreve uma carta com uma pena.