Tratamento do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade consiste em opções que são práticas baseadas em evidências com eficácia terapêutica estabelecida para o TDAH. As abordagens avaliadas para o manejo dos sintomas do TDAH incluem tratamento farmacológico aprovado pela FDA e outros agentes farmacêuticos, abordagens psicológicas ou comportamentais, abordagens combinadas farmacológicas e comportamentais, treinamento cognitivo, retroalimentação neurológica, neuroestimulação, exercício físico, nutrição e suplementos, medicina integrativa, apoio aos pais e intervenções escolares. Com base em duas revisões sistemáticas da literatura de 2024, medicamentos aprovados pela FDA e, em menor grau, intervenções psicossociais demonstraram melhorar os sintomas centrais do TDAH em comparação com grupos de controle (por exemplo, placebo).

A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda diferentes paradigmas de tratamento dependendo da idade da pessoa a ser tratada. Para crianças de 4 a 5 anos, a AAP recomenda intervenções comportamentais administradas pelos pais e/ou professores, baseadas em evidências, como tratamento de primeira linha, com a adição de metilfenidato caso persistam distúrbios funcionais de moderados a graves. Para crianças de 6 a 11 anos, recomenda-se o uso de medicação em combinação com terapia comportamental, sendo que a evidência para medicamentos estimulantes é mais robusta do que para outras classes. Para adolescentes de 12 a 17 anos, recomenda-se o uso de medicação juntamente com intervenções psicossociais. A imagem clínica do TDAH pode ser corrigida se as intervenções de reabilitação forem iniciadas desde a primeira infância, quando as capacidades compensatórias do cérebro são grandes e um estereótipo patológico persistente ainda não se formou. Se os sintomas persistirem em uma idade posterior, à medida que a criança cresce, os defeitos no desenvolvimento de funções cerebrais superiores e os problemas comportamentais se agravam, levando posteriormente a dificuldades na escolaridade.

Há uma série de medicamentos estimulantes e não estimulantes indicados para o tratamento do TDAH. Os medicamentos estimulantes mais comumente usados incluem metilfenidato (Ritalin, Concerta), dexmetilfenidato (Focalin, Focalin XR), Serdexmetilfenidato/dexmetilfenidato (Azstarys), sais mistos de anfetamina (Adderall, Mydayis), dextroanfetamina (Dexedrine, ProCentra), dextrometanfetamina (Desoxyn) e lisdexanfetamina (Vyvanse). Os medicamentos não estimulantes com indicação específica para o TDAH incluem atomoxetina (Strattera), viloxazina (Qelbree), guanfacina (Intuniv) e clonidina (Kapvay). Outros medicamentos que podem ser prescritos fora da indicação incluem bupropiona (Wellbutrin), antidepressivos tricíclicos, inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina ou inibidores da monoamina oxidase. Medicamentos estimulantes e não estimulantes são igualmente eficazes no tratamento dos sintomas do TDAH. A presença de transtornos comórbidos (coocorrentes) pode tornar a busca pelo tratamento e diagnóstico adequado muito mais complicada, dispendiosa e demorada. Por isso, recomenda-se avaliar e tratar simultaneamente quaisquer transtornos comórbidos.

Psicossocial Existem diversas abordagens psicoterapêuticas empregadas por psicólogos e psiquiatras; a escolhida depende do paciente e dos sintomas apresentados por este. As abordagens incluem psicoterapia, terapia cognitivo-comportamental, grupos de apoio, treinamento para pais, meditação e treinamento de habilidades sociais. Em uma revisão de 2019, foi avaliada a eficácia do treinamento de habilidades sociais em crianças de 5 a 18 anos. Na época, havia poucas evidências para apoiar ou refutar esse tipo de treinamento para o tratamento do TDAH nessa faixa etária.

Pais e sala de aula Melhorar o ambiente doméstico e escolar pode aprimorar o comportamento das crianças com TDAH. Os pais de crianças com TDAH frequentemente apresentam déficits semelhantes e, portanto, podem não ser capazes de ajudar adequadamente a criança com suas dificuldades.Kazdin, Alan E. Parent management training: treatment for oppositional, aggressive, and antisocial behavior in children and adolescents. Oxford University Press, 2005 Melhorar a compreensão dos pais sobre o comportamento da criança e ensiná-los estratégias para aprimorar o funcionamento, a comunicação e desencorajar comportamentos indesejados tem efeito mensurável nas crianças com TDAH. As diferentes intervenções educacionais para os pais são coletivamente chamadas de Treinamento para manejo parental. Técnicas incluem condicionamento operante: uma aplicação consistente de recompensas por atingir metas e por bom comportamento (reforço positivo) e punições, como time-out ou revogação de privilégios por não atingir metas ou por comportamento inadequado. A gestão em sala de aula é semelhante ao treinamento para manejo parental; os educadores aprendem sobre o TDAH e técnicas para melhorar o comportamento aplicadas ao ambiente escolar. As estratégias utilizadas incluem maior estruturação das atividades em sala, feedback diário e economia de fichas. Para que a economia de fichas beneficie os estudantes com TDAH, toda a equipe deve ser consistente na recompensa dos mesmos comportamentos. Além disso, o estabelecimento de rotinas na sala de aula ajudará a garantir que os estudantes com TDAH permaneçam focados durante o dia.

Treinamento cognitivo Os treinamentos cognitivos podem ser realizados por diversos métodos, incluindo programas domiciliares ou baseados em hospitais. Um artigo de 2013 publicado por dois pesquisadores da Universidade de Oslo concluiu que o treinamento da memória de trabalho proporciona melhorias de curto prazo, mas que há evidências limitadas de que essas melhorias se sustentem ou se generalizem para aprimoramento da capacidade verbal, habilidades matemáticas, atenção ou decodificação de palavras. Um artigo de 2014 publicado por um grupo de pesquisadores da Universidade de Southampton apresentou os resultados de um estudo de meta-análise de 14 ensaios clínicos randomizados (ECR) recentemente publicados. Os autores concluíram que "são necessárias mais evidências de estudos bem-cegos antes que o treinamento cognitivo possa ser apoiado como tratamento de primeira linha para os sintomas centrais do TDAH". Uma meta-análise mais recente de 2023 de ECRs examinou a eficácia do treinamento cognitivo computadorizado (TCC) na redução dos sintomas do TDAH por meio de programas de computador. Além de encontrar melhorias de curto prazo na memória de trabalho, os autores encontraram alguma evidência de efeitos a longo prazo na memória de trabalho verbal. Contudo, os resultados foram limitados ao ambiente dos estudos, e os autores ressaltaram a necessidade de estratégias de intervenção mais direcionadas.

Medicamentos

Estimulantes Estimulantes são os medicamentos mais comumente prescritos para o TDAH. Os medicamentos estimulantes indicados para o tratamento do TDAH são metilfenidato (Ritalin, Concerta), dexmetilfenidato (Focalin, Focalin XR), Serdexmetilfenidato/dexmetilfenidato (Azstarys), sais mistos de anfetamina (Adderall, Mydayis), dextroanfetamina (Dexedrine), lisdexanfetamina (Vyvanse), e, em casos raros, dextrometanfetamina (Desoxyn). Produtos farmacêuticos de liberação controlada podem permitir a administração da medicação uma vez ao dia, pela manhã. Isso é especialmente útil para crianças que não gostam de tomar a medicação no meio do dia escolar. Vários métodos de liberação controlada são utilizados.

Os estimulantes utilizados para tratar o TDAH elevam as concentrações extracelulares dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina, o que aumenta a comunicação celular entre os neurônios que utilizam esses compostos. Os estimulantes aumentam a disponibilidade de dopamina sináptica, reduzem a hiperatividade, impulsividade e inatenção características dos pacientes com TDAH, e melhoram os comportamentos associados, incluindo o desempenho em tarefas, o rendimento acadêmico e a funcionalidade social.

Os benefícios terapêuticos devem-se aos efeitos noradrenérgicos no locus coeruleus e no córtex pré-frontal e aos efeitos dopaminérgicos na área tegmental ventral, núcleo accumbens e no córtex pré-frontal.

Os medicamentos estimulantes são considerados seguros quando utilizados sob supervisão médica. Contudo, existem preocupações de que a segurança a longo prazo desses fármacos não tenha sido adequadamente documentada, Além disso, há questões sociais e éticas relativas ao seu uso e dispensa. A FDA dos EUA adicionou advertências de caixa preta a alguns medicamentos para o TDAH, alertando que o abuso pode levar a episódios psicóticos, dependência psicológica e que depressão severa pode ocorrer durante a retirada do uso abusivo. Estudos mostram consistentemente que a maioria dos estudantes relata utilizar medicamentos estimulantes, legal ou ilegalmente, para melhorar o desempenho acadêmico, especificamente para aumentar a concentração, a organização e a capacidade de permanecer acordado por mais tempo e estudar. O abuso desta droga tornou sua prescrição muito mais meticulosa.

Estimulantes são alguns dos medicamentos mais eficazes disponíveis para o tratamento do TDAH. Sete diferentes formulações de estimulantes foram aprovadas pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) para o tratamento do TDAH: quatro formulações à base de anfetamina, duas formulações à base de metilfenidato e dextrometanfetamina hidrocloridrato. Atomoxetina, viloxazina, guanfacina e clonidina são os únicos medicamentos não controlados, não estimulantes e aprovados pela FDA para o tratamento do TDAH.

Ensaios clínicos de curto prazo demonstraram que os medicamentos são eficazes para o tratamento do TDAH, mas os ensaios geralmente utilizam critérios de exclusão, significando que o conhecimento sobre os medicamentos para o TDAH baseia-se em um pequeno subconjunto dos pacientes típicos vistos na prática clínica. Eles não têm demonstrado melhorar o desempenho escolar e faltam dados sobre a eficácia a longo prazo e a gravidade dos efeitos colaterais. Contudo, os estimulantes podem reduzir o risco de lesões não intencionais em crianças com TDAH.

Esta classe de medicamentos é geralmente considerada como uma unidade; contudo, eles afetam o cérebro de maneira diferente. Algumas investigações se dedicam a encontrar as semelhanças entre crianças que respondem a um medicamento específico. A resposta comportamental aos estimulantes em crianças é semelhante, independentemente de possuírem TDAH ou não.  

A medicação estimulante é um tratamento eficaz para o TDAH em adultos embora a taxa de resposta possa ser menor em adultos do que em crianças. Uma meta-análise revisão sistemática de 2025 de 113 ensaios clínicos randomizados demonstrou que os medicamentos estimulantes melhoraram significativamente os sintomas centrais do TDAH em adultos ao longo de um período de três meses, com boa aceitabilidade em comparação com outros tratamentos farmacológicos e não farmacológicos. Alguns médicos podem recomendar medicamentos antidepressivos como tratamento de primeira linha em vez dos estimulantes embora os antidepressivos apresentem tamanhos de efeito de tratamento muito menores do que a medicação estimulante.

Anfetamina