A história de pessoas LGBTQ (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e queer) na Tailândia tem início há milhares de anos. Conceitos de identidade de gênero e orientação sexual foi influenciado pelas tradições indígenas e budistas do país.
Alguns budistas acreditam que ser LGBTQ+ pode ser um punimento trazido por vidas passadas. No século XX, as pessoas LGBTQ receberam regulamentações legais mais rigorosas sobre suas orientações sexuais, com as restrições sendo aos poucos amenizadas no início do século XXI. Entretanto, o ativismo em prol da população LGBTQ tem se desenvolvido lentamente devido à falta de interesse do governo Tailandês.
Ancestral A homossexualidade foi documentada na Tailândia desde o período Ayutthaya (1351–1767). Murais de templos anteriores à era Rattanakosin (1782–1932) foram encontrados, retratando relações entre pessoas do mesmo sexo, tanto homens quanto mulheres. ‘Samutthakhot Kham Chan’ (สมุทรโฆษคำฉันท์), literatura tailandesa da época de Ayutthaya, menciona relações lésbicas entre as concubinas que viviam no palácio real. No poema, o autor descreve as concubinas dormindo juntas, algumas com os seios à mostra, outras se abraçando enquanto dormem.
A lei real em Borommatrailokkanat, Reinado do Rei, estipula que se as concubinas agirem ou se tratarem como amantes, serão açoitadas 50 vezes.
A noção de kathoey O termo tailandês kathoey refere-se a uma identidade de gênero distinta de masculino e feminino, sendo, em vez disso, algo intermediário ou um terceiro gênero. É frequentemente usado por pessoas que também podem se identificar com os termos mulher trans, intersexo ou homem gay afeminado, e representa uma mistura de "sexo físico e psicológico, comportamentos de gênero e sexualidade". Estudos sugerem que "uma categoria kathoey hermafrodita idealizada" foi provavelmente inspirada e moldada por mitos de criação tailandeses e pela mitologia hindu-budista. É também semelhante ao termo páli "pandaka". Essa figura mítica kathoey combina traços masculinos e femininos em igual medida e continua a influenciar as ideias tailandesas modernas sobre gênero e erotismo.
Rama I-VIII Príncipe Kraisorn O príncipe Kraisorn, filho do rei Rama I, tinha seu próprio grupo teatral composto exclusivamente por homens. Era conhecido por seu luxo, com o príncipe Kraisorn fornecendo roupas e joias caras a todos os atores. Esses atores se vestiam como mulheres durante as apresentações e, com o apoio do príncipe Kraisorn, também se vestiam de mulher em ocasiões públicas como o festival Loi Krathong.
De acordo com o memorando, Khun Thong (ขุนทอง) e Yaem (แย้ม) eram dois atores que o Príncipe Kraisorn mais adorava e que recebiam mais apoio do que os demais. O Príncipe Kraisorn nunca tentou esconder sua sexualidade e suas preferências. Ele passava a maior parte do tempo com esses atores sem qualquer pudor e geralmente pernoitava com eles em suas casas, não em seu palácio, o que era muito incomum para sua posição como príncipe. Esse comportamento incomum do Príncipe Kraisorn levou à investigação, na qual os atores confessaram ter praticado atos sexuais.
Início do século XX Com a transição da Tailândia de uma monarquia absoluta para uma monarquia constitucional em 1932, os conceitos "tradicionais" de gênero foram impostos pelo Estado como forma de estabelecer a ordem social e propagar uma cultura nacional. Apresentado como um esforço de "modernização", o Estado imitou o movimento da classe média vitoriana na Europa, numa tentativa de retratar a Tailândia como uma "nação civilizada". Parte desse esforço consistiu na imposição de papéis de gênero doutrinados e noções de orientação sexual por meio de instituições estatais como as forças armadas, a polícia e o sistema educacional. O desvio desses conceitos "modernos" de identidade e comportamento sexual e de gênero seria visto como um desvio da moralidade, da virtude e da nacionalidade tailandesa. Esses esforços estatais transformaram entendimentos anteriormente flexíveis e diversos de identidade sexual e de gênero em entendimentos significativamente mais rígidos, de maneiras que influenciaram a cultura tailandesa pelas décadas seguintes.
Princesa Yuangkaeo Sirorot miniaturadaimagem|Princesa Yuangkaeo com as concubinas Em 1956, relacionamentos homossexuais eram comuns entre as criadas que trabalhavam e viviam no palácio real. A princesa Yuangkaeo Sirorot () teve um relacionamento com Mom Rajawongse Wongthep (หม่อมราชวงศ์วงศ์เทพ), mas Mom Rajawongse Wongthep já tinha uma amante na época, também uma mulher, chamada Lady Hun. Por ciúmes, Lady Hun espalhou um boato falso dizendo que a princesa Yuangkaeo estava tão apaixonada por Mom Rajawongse Wongthep que deu a ela todas as joias que recebeu da rainha. Após a rainha ouvir o rumor, ela exilou a princesa Yuangkaeo em Chiang Mai como punição. Humilhada, a princesa Yuangkaeo decidiu consultar a princesa Buachum, sua amiga em Chiang Mai. Naquela noite, depois que a princesa Buachum adormeceu, querendo provar sua inocência, a princesa Yuangkaeo pulou do topo do palácio. Ela morreu mais tarde no hospital, aos 19 anos.
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