Vladika Pedro II Petrović-Njegoš (; Njeguši, 13 de novembro de 1813 – Cetinje, 31 de outubro de 1851), também conhecido simplesmente como Njegoš, foi o Príncipe-bispo de Montenegro de 1830 até sua morte em 1851. Foi também expoente poeta e filósofo cujas obras são amplamente consideradas algumas das mais importantes da literatura montenegrina e sérvia.

Nascido na aldeia de Njeguši, perto da então capital de Montenegro, Cetinje, era filho de e Tomislav Petrović-Njegoš e sua esposa Ivana Proroković. Foi educado em vários mosteiros sérvios e tornou-se o líder espiritual e político do país após a morte do seu tio Pedro I. Depois de eliminar toda a oposição interna inicial ao seu governo, concentrou-se na união dos clãs de Montenegro e no estabelecimento de um Estado centralizado.*;

. Ele introduziu a tributação regular, formou uma guarda pessoal e implementou uma série de novas leis para substituir aquelas elaboradas por seu antecessor muitos anos antes. As suas políticas fiscais revelaram-se extremamente impopulares entre os clãs de Montenegro e foram a causa de várias revoltas durante a sua vida.

thumb|left|Pedro II em trajes eclesiásticos O reinado de Pedro também foi definido pela constante luta política e militar contra o Império Otomano e pelas suas tentativas de expandir o território de Montenegro ao mesmo tempo que ganhava o reconhecimento incondicional da Sublime Porta. Ele foi um defensor da união e libertação do povo sérvios, disposto a ceder os seus direitos principescos em troca de uma união com a Sérvia e do seu reconhecimento como o líder religioso de todos os sérvios (semelhante a um patriarca moderno da Igreja Ortodoxa Sérvia).; . Embora a unificação entre os dois estados não tenha ocorrido durante a sua vida, ele lançou algumas das bases do iugoslavismo e introduziu conceitos políticos modernos em Montenegro. Venerado como poeta e filósofo, ele é bem conhecido por seu poema épico Gorski vijenac (A coroa da montanha), que é considerado uma obra-prima da literatura sérvia e de outras literaturas eslavas do sul, e a epopeia da Sérvia, Montenegro e Iugoslávia. Ele permaneceu influente na Sérvia e Montenegro, bem como nos países vizinhos.

Legado thumb|right|Uma cópia da primeira edição de Gorski vijenac (A coroa da montanha), 1847Njegoš é considerado um governante ambicioso e capaz, estimado durante e após sua vida. Ele é lembrado por ter lançado as bases para o moderno Estado montenegrino, bem como por ser um dos poetas eslavos do sul mais aclamados de sua época. Desde sua morte, Njegoš permaneceu um pai político e cultural sérvio. Durante o final do século XIX e início do século XX, diversas facções políticas (incluindo nacionalistas sérvios, iugoslavos e comunistas) se inspiraram em suas obras. Nas décadas após a morte de Njegoš, Gorski vijenac tornou-se a epopeia nacional montenegrina, reafirmando suas conexões com os mundos sérvio e cristão e celebrando a habilidade militar de seus guerreiros. Para os sérvios, o poema foi significativo porque evocava temas semelhantes aos épicos do Kosovo e os lembrava de sua solidariedade com Montenegro contra os turcos otomanos. Tal como muitos dos seus contemporâneos, Gavrilo Princip, o assassino do arquiduque Franz Ferdinand da Áustria, conhecia Gorski vijenac de cor. esquerda|miniaturadaimagem|Nota de 20 dinares sérvios (RSD), 2006. A influência de Njegoš é paralela à de Shakespeare no mundo anglófono e sua linguagem – embora arcaica – forneceu ao sérvio moderno diversas citações conhecidas. A epopeia tornou-se o texto básico de educação para montenegrinos e sérvios. Em Montenegro, é aprendida de cor e integrada à tradição oral. A imagem de Njegoš pode ser vista frequentemente em tabernas, escritórios, hospitais, nas moedas iugoslavas e sérvias e nas casas das pessoas em Montenegro e na Sérvia. Após a fundação da Iugoslávia no início do século XX, Njegoš foi declarado duas vezes poeta nacional da Iugoslávia, pelo governo real na década de 1920 e pelas autoridades comunistas após a Segunda Guerra Mundial. Em 1947, no centenário da publicação de Gorski vijenac, o governo promoveu Njegoš como poeta montenegrino, e não sérvio. A mudança na etnia de Njegoš pode ter estado relacionada com a política comunista de Fraternidade e unidade e a sua promoção de uma identidade étnica montenegrina (que os comunistas proclamaram distinta da dos sérvios em 1943). As obras de Njegoš, particularmente Gorski vijenac, têm sido fontes de identidade coletiva para sérvios, montenegrinos e iugoslavos. As obras de Njegoš foram retiradas dos currículos escolares na Bósnia e Herzegovina para não incitar tensões étnicas, dada a natureza divisiva de algumas das suas obras.

Em 2013, Njegoš foi canonizado regionalmente na eparquia ortodoxa sérvia de Montenegro e do Litoral como São Pedro de Lovćen, com seu dia festivo celebrado em 19 de maio (6 de maio de acordo com o calendário antigo). Em 2017, a primeira igreja dedicada a ele foi inaugurada em Bar.

Bibliografia

! colspan="3" style="background: #FBEC5D;" | Pedro II de MontenegroCasa de Petrović-Njegoš13 de novembro de 1813 – 31 de outubro de 1851 |- |width="30%" align="center" |Precedido porPedro I |width="40%" style="text-align: center;"|110pxPríncipe-bispo de Montenegro |width="30%" align="center"|Sucedido porDaniel II

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