O cisto dentígero (também chamado de cisto folicular) é um cisto odontogênico do desenvolvimento, sendo considerado o cisto do desenvolvimento mais comum, e o segundo cisto odontogênico mais prevalente (atrás apenas do cisto radicular).
Sinais e sintomas O cisto dentígero é de crescimento lento e normalmente assintomático, a menos que se torne infectado secundariamente, gerando dor e edema local. Ele afeta dentes inclusos, causando atraso na erupção dentária. Entretanto, cistos de tamanho muito exuberante podem gerar sintomas importantes ao comprimir estruturas anatômicas adjacentes, como diplopia e obstrução nasal.
São normalmente únicos, mas cistos dentígeros bilaterais ou múltiplos podem ocorrer e estão associados a síndromes como a síndrome do nevo basocelular (síndrome de Gorlin-Goltz), mucopolissacaridose e displasia cleidocraniana.
A atual classificação da OMS extinguiu o cisto de erupção, passando a considerá-lo uma variante periférica (gengival) do cisto dentígero.
Aspectos radiográficos e histológicos alt=Radiografia panorâmica mostrando terceiro molar inferior direito (siso) impactado com cisto dentígero (seta).|miniaturadaimagem|385x385px|Radiografia panorâmica mostrando terceiro molar inferior direito (siso) impactado com cisto dentígero (seta). Radiograficamente, o cisto dentígero se apresenta como uma lesão radiolúcida bem delimitada unilocular, frequentemente com uma borda radiopaca esclerótica, ao redor da coroa de um dente incluso. Suspeita-se de um cisto dentígero quando o espaço do folículo dentário é maior que 5 mm.
Possui algumas variantes radiográficas:
Central: a mais comum, em que o cisto circunda a coroa do dente, partindo da junção amelocementária; Lateral: geralmente associada a terceiros molares inferiores mesioangulados parcialmente erupcionados, o cisto se desenvolve lateralmente à raiz e circunda parte da coroa; Circunferencial: o cisto recobre a coroa e se estende rumo à raiz, dando a impressão de que o dente emerge do cisto.
Histologicamente, o cisto dentígero é caracterizado por ser uma cavidade revestida por epitélio escamoso estratificado não queratinizado de 2-4 camadas, revestido por uma cápsula de tecido conjuntivo. Pode haver presença de células mucosas, células colunares ciliadas ou células adiposas no epitélio, ou até células sebáceas.
Causas Há algumas teorias de por que o cisto dentígero se forma:
Teoria intrafolicular: o cisto dentígero ocorre quando há acúmulo de fluido entre a coroa do dente e o epitélio do esmalte, dilatando o folículo, durante a formação da coroa; Teoria da hipoplasia do esmalte: sugere que o cisto se forma após a degeneração do retículo estrelado; Teoria de Main: o cisto dentígero é o resultado de uma pressão hidrostática exercida por um dente impactado no folículo, gerando a separação da coroa impactada do folículo.
Epidemiologia É o cisto odontogênico do desenvolvimento mais comum, e o segundo cisto odontogênico mais comum, representando 24% de todos os cistos bucomaxilofaciais. Afeta mais homens do que mulheres, e sua prevalência é maior na segunda e terceira décadas de vida. Afeta principalmente terceiros molares (dentes sisos) e caninos superiores.
Diagnóstico O cisto dentígero é associado a um dente impactado, e é diagnosticado frequentemente quando há erupção parcial ou atraso na erupção de um dente, e seu diagnóstico é clínico e radiográfico. Entretanto, recomenda-se o exame anatomopatológico para afastar a possibilidade de outras lesões. O cisto de erupção é de diagnóstico clínico.
O diagnóstico diferencial do cisto dentígero inclui:
Queratocisto odontogênico; Cisto primordial; Tumor odontogênico epitelial calcificante; Tumor odontogênico adenomatoide; Ameloblastoma unicístico; Ameloblastoma sólido unilocular; Fibroma ameloblástico; Odontoma; Cementoblastoma.
A história clínica do paciente é importante para o diagnóstico. Há relatos de casos na literatura demonstrando que a combinação de ciclosporina com bloqueadores de canal de cálcio (como nifedipino e anlodipino) originaram cistos dentígeros.
Prognóstico e tratamento O cisto de erupção tem excelente prognóstico e é autolimitante, e o cisto se rompe sozinho com a erupção do dente.
O cisto dentígero possui bom prognóstico em geral, com a recidiva sendo bastante rara, especialmente após a remoção total do cisto (enucleação) e extração do dente associado, que é considerado o tratamento de escolha para a lesão. Pode-se usar terapias mais conservadoras como a marsupialização para cistos cujo dente deseja-se manter, ou que possui tamanho grande e risco de fratura patológica da mandíbula.
Porém, é importante ressaltar que restos patológicos deixados no sítio durante a marsupialização podem originar um ameloblastoma, carcinoma escamoso ou carcinoma mucoepidermoide intraósseo a partir das células do epitélio do cisto dentígero depois de um longo período de inflamação crônica.
Referências
Categoria:Cistos odontogênicos