Design no Brasil se refere à prática empírica das atividades de design no Brasil. O termo “desenho industrial” está em uso corrente no Brasil pelo menos desde 1850, quando a disciplina correspondente a esse nome passou a ser ministrada no curso noturno da Academia Imperial de Belas Artes. Em meados do século XIX, o Brasil estava começando a se modernizar, algumas indústrias estavam se instalando e tornava-se necessária a formação de mão-de-obra capacitada para essas atividades. O que demonstra uma tendência para uma formação mais técnica, além da artística.
Origens miniaturadaimagem|Boulevard da ESDI Entre 1954 e 1967, a Unilabor, uma fábrica de móveis modernos de São Paulo, também atuou como consolidadora do design no Brasil. Geraldo de Barros, um de seus colaboradores, era o responsável pelo desenho dos móveis. Apesar de não se autodemoninar designer, seu trabalho já configurava a prática de design. Em 1958, o próprio Geraldo de Barros, junto de Rubens Martins, Walter Macedo e Alexandre Wollner fundariam a Forminform, um dos primeiros escritórios voltados para a criação de marcas e design gráfico no Brasil. Diante disso, o design no Brasil tem seu inicio documentado nos anos de 1960, com a abertura de escritórios, busca por criações de marcas com identidades nacionais em conjunto com a industrialização tardia e a criação de escolas que desenvolviam estudos na área.
O Forminform se tornou um importante centro de difusão de conhecimento e também de formação de novos designers. A atuação Wollner na Forniform, junto com o posterior membro do grupo Karl Heinz Bergmiller, levariam a subsequente criação da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), em 1963, no Rio de Janeiro. Sua inauguração permitiu traçar o estatuto profissional do designer no Brasil e que se tornou um marco histórico neste campo. Nessa época, surge uma consciência do design enquanto conceito, profissão e ideologia. Esta nova perspectiva desenha um design de origem modernista, associado ao processo de institucionalização de vanguardas artísticas históricas, que ocorreu entre 1930 e 1960.
Nesse período, surgiram também os primeiros cursos em faculdades, nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, e a primeira associação de profissionais de design — a Associação Brasileira de Desenhistas Industriais (ABDI), que mais tarde é filiada ao Conselho Internacional das Organizações de Design Industrial (ICSID), por recomendação de Misha Black, o arquiteto e designer presidente da ICSID, que visitou o Brasil em maio de 1963, após participação em um seminário na Argentina. Já nas décadas de 1970 e 1980, o estímulo às exportações criou um terreno fértil para a expansão do design no país. A indústria começou a se interessar pelo assunto e surgiram, assim, os primeiros núcleos de apoio à inserção do tema no setor produtivo. O setor de design passou a ser ampliado: multiplicaram os escritórios e departamentos internos voltados para o design nas indústrias. Na mesma época, surgiram projetos de regulamentação da profissão.
A primeira entidade de classe apareceu em 1987 no Rio Grande do Sul, a Associação dos Profissionais em Design do Rio Grande do Sul (APDesign). Ela seria seguida pela Associação dos Designers Gráficos (ADG, 1989), a Associação dos Designers de Produto (ADP) e a Associação Brasileira de Empresas de Design (ABEDesign), ambas de 2003. Em 2009 foi criada a ProDesign.pr - Associação para o Design do Paraná.
Em 1995, por iniciativa do então Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, foi criado o Programa Brasileiro do Design (PBD) com o objetivo de estabelecer um conjunto de ações indutoras da modernização industrial e tecnológica, por meio da inserção do design no processo produtivo das empresas. A partir de 2000, a percepção da importância e a cultura do design passaram a ser mais disseminados na sociedade em geral.
Contexto histórico Século XIX e XX na Europa No início do século XIX, estava em curso, na Europa, o processo crescente de desenvolvimento da indústria, ao mesmo tempo em que iniciavam-se os primeiros debates e movimentos de questionamento relacionados ao mundo industrial que surgia. O primeiro movimento de oposição, o Arts & Crafts, surgiu em Londres e foi idealizado e liderado por John Ruskin e William Morris. O Arts & Crafts caracterizou-se fundamentalmente por propor uma divisão da arte em arte pura e arte aplicada. Na mesma época, os objetos industrialmente produzidos eram denominados como arte decorativa e industrial. Sendo assim, pregavam a volta do sistema artesanal como forma de produção e manutenção da autenticidade do produto em série. Tal movimento não ganhou força porque ia contra a demanda por inovação, aumento e diversificação da produção industrial.
Após o Arts & Crafts, o Art Nouveau ascendeu em Glasgow, no final do século XIX, e foi aderido em diversas cidades da Europa. No mesmo período, ocorreram movimentos migratórios da população do campo para as cidades, o que foi determinante para o crescimento dos empregos no setor terciário e o aumento da classe média europeia. O Art Nouveau se desenvolveu em um contexto de descobertas das ciências da biologia, botânica e fisiologia, onde os designers voltados para a natureza passaram a se expressar com formas orgânicas e não cristalinas, sensuais e não intelectuais.
Esse movimento tinha como objetivo a articulação entre arte e indústria, função e forma, utilidade e ornamento. Deste modo, visava integrar arte, lógica industrial e sociedade de massas, porém, sempre questionando alguns princípios básicos da produção em série, como por exemplo, o emprego de materiais baratos e o design de baixa qualidade. O estilo buscava reposicionar a importância da beleza, colocando-a ao alcance de todos, como indicam a arquitetura, o mobiliário, os objetos e ilustrações realizados por profissionais deste movimento.
Os dois movimentos tinham como tema principal a associação entre arte, artesanato e indústria, que viriam a ser os pilares da Bauhaus. Nascida em 1919, em Weimar, a escola de design, artes plásticas e arquitetura de vanguarda influenciou a concepção do que é design em todo o mundo. Seu fundador, Walter Gropius, afirmou que a instituição possuía o objetivo de "[…] restabelecer a harmonia entre as diferentes atividades de arte, entre todas as disciplinas artesanais e artísticas, e torná-las inteiramente solidárias de uma concepção de construir". A proposta pedagógica da escola era a união entre arte e indústria, estética e vida cotidiana, modernidade e funcionalidade, na qual buscava formar profissionais capazes de empreender uma verdadeira mudança social por meio da arte.
Apesar de ter encerrado suas atividades apenas 14 anos depois – por conta da Segunda Guerra Mundial –, a Bauhaus foi um marco cultural para o design que continuou a reverberar com o fim da guerra, onde houve a necessidade de reerguer a identidade nacional alemã. Como consequência, surge a Hochschule fur Gestaltung (Escola Superior da Forma), mais conhecida como Escola de Ulm ou HfG-Ulm. Fundada nos anos 50, buscou rever os ideais da Bauhaus sob a perspectiva da sociedade decididamente industrial do pós-guerra. Século XIX e XX no Brasil Nos anos de formação da indústria nacional, na fase muitas vezes vista como a da indústria manufatureira – ou seja, onde a produção era basicamente manual, a qual é, muitas vezes, confundida com o artesanato –, que se inicia no começo do século XIX, o termo design ou desenho industrial não se aplicava comumente aos planejadores dos produtos e dos objetos gráficos. Até ao final dos anos 1940, a terminologia ficava sempre sobreposta a ideia de artes aplicadas e artes industriais. Neste período, alguns autores apontam Eliseu Visconti como o pai do desenho industrial no Brasil, além de precursor do Art Nouveau no país.
Já no século XX, após a Primeira Guerra Mundial e a fundação da Bauhaus, são lançadas as bases modernas brasileiras da profissão de designer, permitindo um maior desenvolvimento desse setor na sociedade. Tal movimento coincide com os anos em que o modernismo se afirma no Brasil e o crescimento urbano provoca novas necessidades de comunicação. Com a industrialização crescente, também as preocupações com o projeto e a produção em série tornam-se mais constantes.
Já no início na década de 1960, a fundação da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) no Rio de Janeiro representa a ação do estado que, admitindo a ideia de um design brasileiro, cria condições para a formação superior de profissionais qualificados para atender uma indústria em expansão. A partir do ensino, a ideologia do design brasileiro se estabeleceu, tendo como matriz ideológica o pensamento da Escola de Ulm, que foi o modelo no qual a ESDI se fundamentou para elaborar seu curso de design.
Pós-guerra, industrialização e consolidação Em função de seu histórico econômico praticamente limitado apenas à importação de produtos estrangeiros do setor primário – tais como minérios e borracha –, o Brasil possuiu, até a Segunda Guerra Mundial, pouca expansão ou investimento em sua capacidade produtiva. No entanto, a partir de 1930 iniciaram-se – ainda que de maneira não muito planejada –, os primeiros esforços consistentes de se implementar alguma estrutura industrial com o objetivo de eliminar gradativamente o atraso histórico do Brasil em relação aos países industrializados.
O modelo de desenvolvimento adotado baseava-se na ideia de um Estado forte aliado a uma política de substituição de importações. Isso se deu justamente porque as restrições às importações ocorridas durante a Segunda Guerra chamaram a atenção para a vulnerabilidade da economia brasileira. Constatou-se que o “atraso histórico” do Brasil vinha de uma incapacidade da indústria nacional em atender às necessidades de um mercado consumidor em formação.
Nesse contexto, os estudos sobre Teoria Econômica foram estimulados, dada a demanda global de reconstrução das economias. Dentro desses estudos, o conceito de desenvolvimento econômico trata das transformações culturais que ocorrem no processo de desenvolvimento de uma nação. Assim, o Plano de Metas, ferramenta de planejamento do governo de Juscelino Kubitschek, alimentou um processo de industrialização que também contou com a implementação de diversos cursos técnicos e superiores. Seu objetivo era dotar o país de uma infra e superestrutura industrial e modificar sua conjuntura econômica de forma interligada com as questões sociais e políticas.
Então, no discurso inaugural do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1958, inicialmente pensado para ser um museu-escola, o presidente JK afirma que uma civilização técnico-industrial que não crescesse vinculada a uma intensa atividade artística, estaria ameaçada a descara. O impacto da industrialização sobre as atividades artesanais de conteúdo artístico, só pode ser compensado por um cultivo de valores estéticos capazes de educar a mão do tecnólogo e do operário, preservando características de singularidade e beleza que de outro modo se perderiam.
Nesse sentido, a construção de um Brasil desenvolvido se daria, para mais da industrialização, pelo design como ferramenta impulsionadora do desenvolvimento econômico. Uma vez que a natureza da economia é cíclica, o que mantém o “equilíbrio” são as inovações – pelas quais os designers seriam responsáveis, além da criação e valorização de uma estética nacional. Afinal, o design pode cumprir um importante papel para com a economia, olhando para as questões de produção e consumo em prol de contribuir para a geração de riquezas.
Escolas Instituto de Arte Contemporânea (IAC) e Escola Técnica de Criação (ETC)