Karine Ogunté, nome artístico de Karine Lima Chaves (Fortaleza, 10 de julho de 1991), é uma atriz, produtora cinematográfica, cineasta, roteirista, diretora de arte e produtora cultural brasileira.
Sua trajetória compreende trabalhos no teatro, no cinema independente, na gestão cultural, na formação de atores e na organização de festivais e mostras audiovisuais. Tornou-se conhecida no cinema por interpretar Madalena no longa-metragem Como Vivem os Bravos, trabalho pelo qual recebeu o Prêmio Macuquinho Dourado de Melhor Atriz em Longa-Metragem no 8.º Festcine - Festival de Cinema de Pinhais.
Também foi produtora e primeira assistente de direção de Como Vivem os Bravos e atuou como produtora executiva, diretora de arte e atriz no longa-metragem Na Mão do Palhaço.
Início da trajetória
Karine iniciou sua atuação em atividades culturais antes de ingressar profissionalmente no teatro e no cinema. Entre 2009 e 2014, trabalhou na assistência de produção de edições do Festival do Audiovisual Universitário - Noia, da Semana de Arte do José Walter e de projetos culturais e educativos realizados em Fortaleza e em municípios do interior do Ceará.
Em 2013, integrou o espetáculo Cidade Sem Nome, dirigido por Paula Yemanjá e posteriormente apresentado na vigésima edição do Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga. Entre abril e novembro de 2014 participou de três montagens teatrais, promovidas pela Inquieta Companhia de Teatros em parceria com a Vila das Artes.
Atuou em Entre e participou de sua dramaturgia coletiva. A montagem foi coordenada por Andrei Bessa e reuniu no elenco Lukas Nóbrega, Maurileni Moreira, Rodrigo Ferrera e Wellington Fonseka. Em 2016, a peça integrou a Mostra Outros Olhares do XII Festival de Teatro de Fortaleza, sendo apresentado na Vila das Artes.
Teatro
Após Cidade Sem Nome e Entre, Karine participou de montagens, performances e experimentos acadêmicos realizados no IFCE e na Universidade Federal do Ceará.
Em 2016, atuou no espetáculo Restos, realizado em espaço não convencional, e na performance Corre entre seu corpo águas silenciosas e turbulentas. No ano seguinte, participou de Do Nada, Nada Virá, com direção de Fran Teixeira, de Nessa multidão caminhando a esmo e de uma adaptação de O Berço do Herói, de Dias Gomes, também relacionada à obra Roque Santeiro.
Em 2017, atuou na cena Catástrofe, baseada na obra de Samuel Beckett e dirigida por Iure Goés.
Em 2018, participou do experimento cênico Pugna Fêmea, desenvolvido na disciplina Técnica da Encenação do IFCE. Também integrou a performance Pequenas Partículas de uma Tempestade Gigante, de Silva Moura, e apresentou o solo performático Manifesto Artístico. No mesmo período, adaptou e dirigiu uma montagem de O Rei da Vela, de Oswald de Andrade.
Em 2019, participou da performance Corpo que Cai e do experimento teatral Mar Negro - Um Rito Ancestral. Posteriormente, apresentou um projeto homônimo ao Festival Cultura Dendicasa.
Santas Almas da Barragem
Entre 2019 e 2020, Karine codirigiu, produziu e atuou em Santas Almas da Barragem. A montagem estreou em dezembro de 2019 no Teatro Dragão do Mar e abordou a memória dos sertanejos confinados no Campo do Patu durante a seca de 1932, em Senador Pompeu, e a devoção popular desenvolvida em torno das Santas Almas da Barragem.
O espetáculo foi inspirado na dissertação de mestrado de Aterlane Martins, no texto Curral Grande, de Marcos Barbosa, e em pesquisas de campo realizadas em Senador Pompeu. A direção foi compartilhada por Karine, Thyago Câmara e Katiely Passos. Karine também integrou a produção com Milena Fernandes e Wendel Veneroso e participou do elenco.
A realização envolveu o IFCE, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, a Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza, a Secretaria da Cultura do Ceará, o Laboratório de Práticas Culturais Tradicionais Miraira e outras instituições culturais.
Cinema
Primeiros trabalhos
Karine estreou no cinema em 2015 como atriz no curta-metragem Entre a Pele e o Abismo, dirigido por Glauber Paiva Filho.
Em 2017, ingressou na produção cinematográfica de longas-metragens como produtora associada na fase de pós-produção de Onde Nascem os Bravos, dirigido por Daniell Abrew. Também participou da finalização da obra na assistência de sonoplastia e efeitos sonoros.
Ainda em 2017, dirigiu, produziu e atuou no curta-metragem Se Vira, no qual também assinou o roteiro com Leandro Chavez e a direção de fotografia. Produzido com um telefone celular, o filme acompanha Elisa, jovem que enfrenta uma gravidez inesperada e a pressão para realizar um aborto.
Se Vira foi selecionado para o Filmaê - Festival de Cinema Móvel e exibido no Espaço Cultural Renato Russo, em Brasília.
Em 2018, atuou no curta-metragem Afã, dirigido por Camilo Vidal, e em A Lenda do Cortabunda, docuficção na qual também trabalhou na assistência de produção.
Como Vivem os Bravos
Em 2020, Karine interpretou Madalena, conhecida como a Caçadora, em Como Vivem os Bravos. O longa foi realizado predominantemente em Palmácia, com a participação de moradores do município no elenco e em diferentes setores da produção. Antes das filmagens, Karine desenvolveu atividades de formação e aproximação com os habitantes da cidade. Moradores cederam casas para a instalação dos cenários, contribuíram com alimentação e participaram direta e indiretamente das gravações. A experiência contribuiu para a criação do Palmacine - Festival de Cinema de Palmácia, voltado à difusão e à premiação de produções audiovisuais. A pré-estreia ocorreu em 18 de fevereiro de 2020, no Cineteatro São Luiz, em Fortaleza. O filme possui 88 minutos e foi divulgado como uma produção do gênero nordestern, vertente regional inspirada no western.
Karine recebeu o Prêmio Macuquinho Dourado de Melhor Atriz em Longa-Metragem no 8.º Festcine - Festival de Cinema de Pinhais, realizado no Paraná.
Na Mão do Palhaço
Em 2024, atuou como Silvia no longa-metragem Na Mão do Palhaço. Além da atuação, assinou a produção executiva com Paulo Benevides e foi responsável pela direção de arte.
A obra foi apresentada em agosto de 2024 no 22.º Noia - Festival do Audiovisual Universitário, no Cineteatro São Luiz. A narrativa aborda tráfico de órgãos e de pessoas, exploração sexual, trabalho escravo e organizações criminosas.
Produção cultural
Karine fundou a Ogunté Arte Cultural Produções, empresa dedicada à realização e à difusão de projetos de cinema, teatro, música e dança. A produtora adota como uma de suas diretrizes o incentivo ao protagonismo feminino e à participação de mulheres nas equipes artísticas e técnicas.
Além da atividade cinematográfica e teatral, participou da organização de atividades formativas, mostras e festivais. Esteve entre as idealizadoras e produtoras do Palmacine - Festival de Cinema de Palmácia e atuou na curadoria do Cine Ibiapina - Festival de Cinema da Serra da Ibiapaba.
Também ministrou ou orientou cursos de interpretação para teatro e cinema nos municípios de Palmácia e Caridade e participou de projetos culturais realizados em diferentes cidades do Ceará.
Filmografia
O símbolo ✓ indica que Karine Ogunté exerceu a função correspondente. A coluna “Produção” abrange produção, produção associada, produção executiva e assistência de produção.
Ano Título Formato Direção Produção Roteiro Atuação Personagem e outras funções Referências 2015 Entre a Pele e o Abismo Curta-metragem — — — ✓ Atriz; direção de Glauber Paiva Filho 2017 Onde Nascem os Bravos Longa-metragem — ✓ — ✓ Produção associada na pós-produção; assistência de sonoplastia e efeitos sonoros na finalização 2017 Se Vira Curta-metragem ✓ ✓ ✓ ✓ Corroteiro e direção de fotografia 2018 Afã Curta-metragem — — — ✓ Atriz; direção de Camilo Vidal 2018 A Lenda do Corta-Bunda Curta-metragem — ✓ — ✓ Atriz e assistente de produção; direção de Camilo Vidal 2020 Como Vivem os Bravos Longa-metragem — ✓ — ✓ Madalena, conhecida como a Caçadora; primeira assistente de direção 2024 Na Mão do Palhaço Longa-metragem — ✓ — ✓ Silvia; produção executiva e direção de arte
Teatro e performance
O símbolo ✓ indica a função exercida por Karine Ogunté. Em “Texto”, estão incluídas dramaturgia, adaptação e colaboração textual.
Ano Espetáculo ou performance Direção Produção Texto Atuação Informações Referências 2013–2014 Cidade Sem Nome — — — ✓ Teatro do Theatro José de Alencar; direção de Paula Yemanjá 2014–2015 Entre — — ✓ ✓ Dramaturgia coletiva 2016 Restos — — — ✓ Experimento apresentado em espaço não convencional 2016 Corre entre seu corpo águas silenciosas e turbulentas — — — ✓ Performance de si 2017 De Nada, Nada Virá — — — ✓ Trabalho baseado em Bertolt Brecht; direção de Fran Teixeira 2017 Nessa multidão caminhando a esmo — — — ✓ Montagem no IFCE 2017 O Berço do Herói ou Roque Santeiro — — — ✓ Adaptação da obra de Dias Gomes 2017 Catástrofe — — — ✓ Cena de Samuel Beckett, dirigida por Iure Goés 2018 Pugna Fêmea — — — ✓ Experimento de Encenação no IFCE 2018 Pequenas Partículas de uma Tempestade Gigante — — — ✓ Performance de Silva Moura 2018 Manifesto Artístico — — — ✓ Solo performático 2018 O Rei da Vela ✓ — ✓ — Adaptação e direção da obra de Oswald de Andrade 2019 Corpo que Cai — — — ✓ Ator Performer no IFCE 2019 Mar Negro — Um Rito Ancestral — — — ✓ Experimento Técnica da Encenação 2019–2020 Santas Almas da Barragem ✓ ✓ — ✓ Codireção, produção e atuação
Prêmios e indicações
Ano Obra Evento Categoria Resultado Referências 2020 Como Vivem os Bravos 8.º Festcine - Festival de Cinema de Pinhais Melhor Atriz em Longa-Metragem Venceu - Prêmio Macuquinho Dourado
Ligações externas
Karine Ogunté no The Movie Database Karine Ogunté no Mapa Cultural do Ceará Ogunté Arte Cultural Produções Karine Ogunté no Rotten Tomatoes
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