This Horrid Practice: The Myth and Reality of Traditional Maori Cannibalism ("Esta prática horrível: o mito e a realidade do canibalismo tradicional maori", em tradução livre) é um livro de não-ficção de 2008 do historiador neozelandês Paul Moon. O livro é uma pesquisa abrangente da história do canibalismo humano entre os maoris da Nova Zelândia, de uma perspectiva europeia. Foi o primeiro estudo publicado sobre o canibalismo Māori.

O título do livro foi extraído do diário do Capitão James Cook, de 16 de janeiro de 1770, que, ao descrever atos de canibalismo maori, declarou: "embora dificilmente sejam necessárias evidências mais fortes dessa prática horrível prevalecente entre os habitantes desta costa, temos ainda mais evidências para dar".John Byron, Samuel Wallis, Philip Carteret, James Cook, Joseph Banks (1785, 3d ed.). An account of the voyages undertaken by the order of His present Majesty for making discoveries in the southern hemisphere, vol. 3 (London) p. 295.

Conteúdo Em cinco seções, Paul Moon descreve: a perspectiva europeia sobre o canibalismo em geral durante os séculos XVIII e XIX; as evidências disponíveis a partir de observações europeias sobre o canibalismo maori; a estrutura do canibalismo e sua compreensão dentro da sociedade maori; o esforço deliberado feito por missionários e oficiais britânicos para abolir o canibalismo; e as abordagens revisionistas sobre o canibalismo feitas nos séculos XX e XXI (com foco particular no livro de Gananath Obeyesekere de 2005, Cannibal Talk: The Man-Eating Myth and Human Sacrifice in the South Seas).

Segundo Moon, o canibalismo maori era comum na Nova Zelândia até meados de 1800, mas foi amplamente ignorado nos livros de história. Sendo parte de uma sociedade particularmente violenta, o canibalismo durou várias centenas de anos até a década de 1830, com a persistência de alguns casos isolados. A prática generalizada de canibalismo não era uma questão alimentar, ocorrendo como parte de uma fúria pós-batalha. Os inimigos eram capturados e mortos depois da batalha, ou eram mortos por causa de uma pequena transgressão. O infanticídio era amplamente praticado porque as tribos queriam que os homens fossem guerreiros e as mães praticavam infanticídio feminino para canibalismo; os métodos comuns eram matar suas filhas sufocando-as ou enfiando um dedo no tecido mole do crânio para matá-las imediatamente. Uma das razões para o canibalismo era a humilhação dos adversários, comendo-os e os transformando em excremento.

Publicação posterior Pouco depois do livro ser publicado, ele foi destaque em vários noticiários e no programa de televisão neozelandês 60 Minutes. A publicação de This Horrid Practice foi controversa devido à determinação do livro de que o canibalismo era comum entre os maoris da Nova Zelândia até meados do século XIX. O canibalismo maori é um tema sensível na Nova Zelândia, e Moon antecipou que o livro seria recebido negativamente por alguns.

O livro motivou uma queixa anónima mas formal à Comissão de Direitos Humanos da Nova Zelândia, argumentando que "descreve toda a sociedade maori como violenta e perigosa. Esta é uma visão claramente racista, afirmando que todo um grupo étnico tem estas características". Uma das críticas de Moon, Margaret Mutu, reconheceu que o canibalismo era generalizado em toda a Nova Zelândia, mas argumentou que Moon, como um pākehā (pessoa não-maori), "não entendia a história do canibalismo e era 'muito, muito difícil para um pakeha acertar nessas coisas'".

Moon respondeu afirmando que Mutu tinha "condenado-me e anunciado à comunicação social que eu não compreendia a história do canibalismo, embora ela admitisse não ter lido sequer uma única frase do livro". Moon também acusou os seus críticos de tentativa de censura e de insultos. Ele comentou:O que me surpreende é que os críticos que dizem que eu não entendo os mecanismos dessa prática muitas vezes nem leram o livro. Eles também não têm provas do contrário. Ainda que não gostem do conteúdo, não podem negar fatos históricos. E tentar censurar este livro é negar o passado.Referindo-se ao livro, o Dr. Rawiri Taonui, o primeiro professor de Estudos Indígenas da Nova Zelândia, diz sobre o autor: "Ele não olhou para nenhuma evidência da língua maori, nada do Tribunal de Terras Maori. Ele deixa tudo isso de lado e tira uma conclusão gigantesca sobre a sociedade maori pré-europeia que se baseia na visão de alguns europeus".

Ver também

Antropofagia Canibalismo Sacrifício humano

Referências

Categoria:Livros da Penguin Books