Esta é uma lista de subgêneros do visual kei, um movimento musical japonês (geralmente de rock, heavy metal e punk rock) caracterizado pelo destaque a estética e expressão artística utilizando visuais elaborados e muitas vezes aparência andrógina. No auge do movimento, nos anos 1990, subgêneros começaram a aparecer.
Criadas e categorizadas pelos fãs e mídia ao longo dos anos após uma forma de expressão comum surgir na cena, há vertentes de existência consensual (como Oshare kei e Kote kei), enquanto outras são pouco mencionadas ou negadas por alguns. Da mesma forma, a definição exata dos subgêneros e as bandas que se encaixam é relativa e as opiniões variam substancialmente, tendo padrões diferentes entre fontes japonesas e não-japonesas. Além disso, os músicos podem apenas lançar um trabalho específico com a temática de um subgênero ou se encaixar em certo subgênero apenas em determinada época da sua carreira. Subgêneros não devem ser confundidos com a moda que os artistas utilizam, como por exemplo Gótico Lolita e Decora. Este artigo busca listar a maior quantidade possível de subgêneros, desde que reconhecidos por múltiplas fontes, também explicando quando são invalidados por outras.
Angura kei é um movimento japonês contra a invasão cultural americana, ocidentalização e comercialismo do Japão, que começou no Japão pós-guerra. Com isso, ele aborda aspectos do Japão mais tradicional e da era Showa.
Tendo a definição ampla de "contracultura", "underground" e "retrô", o subgênero Angura kei costuma ser dado a artistas com diversas expressões de contracultura diferentes, como Mucc, Merry, Kagrra, e Kiryu. As duas primeiras também são frequentemente incluídas no subgênero Misshitsu kei, descrito como "bizarro e antissistema" e no Eroguro kei (erótico e grotesco). Já as duas últimas, concentradas nos elementos da cultura ancestral japonesa como kimonos e instrumentos tradicionais, representam o subgênero Wafuu kei. Algumas fontes categorizam o Angura kei somente em artistas da definição Wafuu. Enquanto isso, grupos como o Mucc e o Merry seriam classificados como Eroguro kei. Artistas Shironuri kei também tem bastante relação com o Angura kei. Por conta dessa definição vaga e que engloba bandas com conceitos muito diferentes, o website vkgy desencoraja a utilização de Angura kei como subgênero.
Art kei As bandas Art kei (アート系) carregam uma conceitual imagem artística, descrita como "delicada, madura e intelectual", com alusão ao feminino e muitas vezes de arte surrealista. Seus visuais (incluindo capas de álbuns e relacionados) apresentam paletas de cores em tons pastéis ou não muito saturadas; elementos naturais como plantas e penas; espaços aconchegantes ou naturais. As roupas podem exibir tecidos fluídos, penteados inventivos e acessórios de cabeça. Os gêneros musicais também são característicos. Artistas art kei tocam principalmente jazz e suas variantes e indie rock. Essa musicalidade carrega serenidade, técnicas, instrumentos acústicos, vocais densos porém delicados, com letras intelectuais.
A história do subgênero começa em meados de 2005, durante os anos finais da banda Fatima, ano que também surgiu a banda Sugar. O vocalista da Fatima fundou a banda Moran, e foram surgindo outros artistas como 9Goats Black Out, amber gris e cocklobin. Todavia, até 2010 todos eles já haviam se separado, fazendo o período de 2008 a 2010 o mais ativo da vertente. Foi quando seu nome começou a ser sugerido, e teve o reconhecimento do pesquisador Visual Doctor Noru em 2019. Bandas atuais de Art kei incluem Umbrella e Fukuro (formada pelo ex vocalista do Dadaroma).
Cosplay kei O cosplay kei (コスプレ系) se refere a bandas que se firmemente se fantasiam como personagens, não necessariamente já existentes, criando um conto de fadas. Fantasias recorrentes entre os artistas incluem tokusatsu, mascotes e animais, contos de fadas, sentai, piratas e Halloween.
O nome veio do slogan "super banda de cosplay", da principal banda do subgênero, Psycho le Cému. Todavia, a Da'vid shito:aL é a mais primordial. Há também Mix Speaker's Inc; o alter-ego da Nightmare Sendai Kamotsu; a banda que tem um baterista-urso BabyKingdom; e os personagens de Halloween da Leetspeak Monsters. Em determinado momento, Aikaryu e D utilizaram tema de piratas, a segunda utiliza principalmente o tema de vampiro.
Eroguro kei Ero guro é uma forma de arte e expressão japonesa surgida no ínicio do século 20, definida por algo que é erótico (ero) e grotesco (guro) ao mesmo tempo, abordando temas considerados bizarros e chocantes como violência, perversão sexual e decadência. O Cifra Club descreveu que suas roupas podem ir de simples como ternos à elaboradas de forma agressiva, com cicatrizes na maquiagem por exemplo. Bandas que são consensualmente categorizadas como Eroguro kei são a precursora cali≠gari, Merry e The Gallo. Os primeiros anos do Dir en grey também recebem a categorização, levando em conta que em 1999, o videoclipe de "Zan" foi apresentado no programa de televisão Music Station e fez a emissora receber muitas reclamações da audiência chocada com seu conteúdo violento.
No entanto, esse subgênero do visual kei não é reconhecido no Japão. Ocidental, o vkgy não o considera um subgênero por motivos similares ao Angura kei: é "uma definição vaga" que incorpora "temas que foram evocados por centenas de bandas", mencionando que tais artistas se encaixariam então no Misshitsu kei, Showa kayou kei, Kote kei, entre outros. Gara do Merry contou que utiliza a temática eroguro por ser "uma imagem dos períodos Taisho e Showa", que é a definição do Showa kayou kei.
Ídolos visual kei são apresentados por vários artistas e portais, porém sua validade é negada por muitos. Em um meio termo, alguns citam como um "potencial subgênero".
Os ídolos japoneses se envolvem com a cena visual kei desde os primórdios. Esse alinhamento ocorre de todas as formas; ídolos que se intitulam visual kei; bandas que se intitulam ídolos; ídolos que são intitulados pelos fãs e mídia; ídolos produzidos por artistas visual kei; ídolos que simplesmente se inspiram na estética visual kei. Há bandas essencialmente visual kei que foram por vezes comercializadas como ídolos pela mídia, como Buck-Tick e Shazna. Sistemas utilizados pelos ídolos também foram propagados na cena visual kei, como os chekis.
Natalie assegurou o grupo Mistress como ídolos visual kei. O grupo GE'LMINATii se auto-intitula visual kei, e o portal Visunavi as descreveu como tal: "uma fusão entre visual kei e ídolos". Elas são produzidas por músicos como Kazuya (Fanatic Crisis) e Ken (D-Shade). O mesmo portal conversou com o grupo Mercuro sobre suas afinidades com o visual kei, mas não o intitulou como ídolos visual kei. Outros portais afirmaram grupos como Lyric Holic Opera Company e Underbeasty como ídolos visual kei. A Oricon notou como a banda SuG assemelhava-se a ídolos e sugeriu o termo; essa alusão vem de uma cultura presente no subgênero Kirakira kei.
Iryou kei No Iryou kei (医療系), os artistas empregam uma atmosfera hospitalar de maneira grotesca, fazendo uso elementos como bandagens, tapa-olhos, curativos, luvas, jalecos e uniformes de médicos e enfermeiros, quase sempre manchados de sangue.
A banda mais representativa do subgênero é LuLu, que chamava suas apresentações ao vivo de "exames" e suas músicas de "prescrições". Outras bandas incluem La'Mule, +Isolation, ZXS, Sex-Android e Mercuro. Muitos outros artistas adotaram de forma passageira o conceito do Iryou kei, como Raphael, Malice Mizer, Merry go Round, hide, entre outros.
Kirakira kei
O é considerado um sucessor "mais maduro" do Osare kei. A onomatopeia Kirakira (キラキラ) significa "cintilante". Eles apresentam roupas brilhantes e com glitter, coloridas e produzidas, e tocam pop rock com sons eletrônicos como sintetizadores. É dito que o Kirakira kei surgiu por volta de 2010, quando a infantilidade das bandas Osare começou a desaparecer e grupos como An Cafe já possuíam fãs além do público do visual kei. O estilo começou a ficar menos amador e mais sofisticado: o elementos das músicas agora giram em torno de pop altamente polido e adições eletrônicas, os vocais se tornam mais sensatos e menos estridentes, e as roupas e a maquiagem carregam figurinos mais produzidos mais profissionalmente, customizados e reluzentes. Com apresentações voltadas á diversão do público, se assemelham a ídolos, e podem vender bastões e braceletes brilhantes para fãs.
SuG é considerada a vanguardista do Kirakira kei. Ela entrou em uma grande gravadora em 2010, no mesmo ano que outra representante da vertente, a ViViD. Outras bandas incluem BugLug, Shingeki no Awake, Unite e Royz.
Kote kei Kote kei (コテ系) ou kotevi kei (コテヴィ系) é o estilo com a aparência mais elaborada e chamativa. É considerado a subcategoria do visual kei clássico e oldschool. Nele, além das bandas clássicas de visual kei, principalmente em seus primeiros anos de carreira, há exemplos mais tardios como Phantasmagoria e Madeth gray'll.
No kote kei, há uma polarização de estilos: o branco e o preto . Enquanto o Shiro é mais descrito e citado, há fontes que negam a existência do Kuro como uma categoria individual; ele seria apenas o kote kei por si próprio.
Por exemplo, Luna Sea e L'Arc~en~Ciel foram descritos como o "branco" e Kuroyume como o "preto"; enquanto os primeiros anos do Kuroyume foram marcados pela sonoridade pesada, agressiva e visuais sombrios, Luna Sea e L'Arc~en~Ciel combinavam um visual mais sofisticado e suave com post-punk e linhas mais melodiosas.
Koteosa kei Koteosa kei (コテオサ系) ou apenas Koteosa é uma fusão entre o Osare e o Kote kei, sendo, em alguns casos, considerado uma evolução do Oshare kei. O subgênero surgiu por volta de 2005, quando diversas bandas populares da época não se encaixavam completamente em nenhum dos dois estilos, mas apresentavam elementos de ambos; não eram macabras e sérias o suficiente para serem Kote, mas também não chegavam a ter a vibração alegre e fofa característica do Osare. Essa mescla torna desafiadora a distinção das bandas que são Koteosa ou não — diversas também são categorizadas como Osare, como a LM.C.
Caracteristicamente, nesse estilo os músicos costumam utilizar peças de moda alternativa urbana como a de Shinjuku e Harajuku, entre elas roupas xadrez, listradas, de renda e em camadas, mescladas com elementos brilhantes, maquiagem chamativa e muitos acessórios. Também podem apresentar expressões e silhuetas atrevidas. O som do Koteosa combina as melodias cativantes do Osare com a base enérgica e agressiva do Kote, equilibrando sua acessibilidade pop com riffs de guitarra fortes e linhas de baixo marcantes, buscando o impacto na energia do público em apresentações ao vivo. Ressalta-se que há grupos com mais características Osare do que Kote e vice-versa.
Há inúmeros grupos classificados como Koteosa, principalmente os emergidos dos anos 2000 a 2010. Além da LM.C, há The Gazette, Nightmare, Vidoll, Alice Nine, 12012, Kagerou, etc.
Kurofuku kei significa roupas pretas em japonês. O subgênero Kurofuku kei (às vezes Kuro kei), é dado a bandas que utilizam vestimentas e maquiagem predominantemente na cor preta. O estilo é considerado menos excessivo comparado com outros subgêneros. As roupas incluem ternos, roupas de algodão e couro, calças justas, roupas de cima largas e redes, e acessórios como chokers e colares. O cabelo segue característico do visual kei, altos e armados, porém, em tons comuns como preto, marrom, loiro e raramente ruivo. Visivelmente, traz influência do gótico e seus rítmos musicais, como o post-punk. Também é muito marcado pelo beat rock, um gênero formentado por Boøwy.