220px|thumb|Vestígios do Fórum de Augusto, em Roma. 220px|thumb|Gênova em 1493.
A origem das cidades, em geral, remete a períodos da Antiguidade, sendo que as primeiras cidades teriam surgido entre quinze a cinco mil anos, dependendo das diversas interpretações sobre o que delimita exatamente um antigo assentamento permanente e uma cidade. As primeiras verdadeiras cidades são por vezes consideradas grandes assentamentos permanentes nos quais os seus habitantes não são mais simplesmente fazendeiros da área que cerca o assentamento, mas passaram a trabalhar em ocupações mais especializadas na cidade, onde o comércio, o estoque da produção agrícola e o poder foram centralizados. Sociedades que vivem em cidades são frequentemente chamadas de civilizações. O ramo da história direcionada ao estudo da natureza histórica das cidades e do processo de urbanização é a história urbana.
Fatores essenciais para o desenvolvimento das cidades
A criação de assentamentos permanentes foi possível, segundo diversos especialistas em geografia e história urbana, graças ao domínio da agricultura e da domesticação de animais para pecuária, movimento conhecido como revolução neolítica, que ocorreu aproximadamente há entre e anos, sendo que as primeiras vilas neolíticas surgiram há aproximadamente anos. A população de algumas delas teria eventualmente passado a crescer em áreas urbanas cada vez maiores.
Seja em uma vila neolítica ou em uma metrópole contemporânea, a criação de assentamentos permanentes, e a expansão territorial e populacional destas, necessitariam avanços tecnológicos, organização social e um local adequado para instalação. Todos os três fatores estão firmemente associados entre si.
Tecnologia Indivíduos e grupos do neolítico aprenderam a cultivar alimentos e a domesticar animais. Também criaram ferramentas que os auxiliavam nas tarefas do dia a dia, como arados, por exemplo, que, juntamente com os animais domesticados, ajudavam estas pessoas a cultivar uma dada área. Isto fez com que várias comunidades neolíticas passassem a produzir mais alimentos do que eles necessitavam. Como consequência, várias pessoas que anteriormente eram agricultores passaram a trabalhar - e especializar-se - em outras áreas.
Algumas passaram a produzir roupas. Outros passaram a produzir armas e ferramentas. Estas últimas requerem metais, que são encontrados em minas, onde outras pessoas passaram a trabalhar. Avanços tecnológicos influenciaram bastante o desenvolvimento de cidades ao longo da história. Grandes avanços tecnológicos durante a Revolução Industrial permitiram a criação de grandes fábricas e ferrovias, que geravam empregos e atraíam grande quantidade de pessoas do campo para as cidades onde as fábricas estavam localizadas. Trens, automóveis e outros meios de transporte facilitaram o transporte entre um ponto a outro de uma cidade, bem como entre diversas cidades entre si.
Organização social Em qualquer comunidade, certos padrões de comportamento precisam ser cumpridos para o bem-estar e a manutenção da paz e da ordem. Uma pessoa respeitava outros membros da comunidade e esperava em troca ser respeitado. A organização social de povos neolíticos era simples. Cada família cultivava seu alimento e fabricava suas roupas e ferramentas. Líderes em geral não existiam, ou possuíam pouco poder na comunidade. Os homens ajudavam a combater o inimigo caso fossem atacados. Todos decidiam a punição que devia ser aplicada a um membro que infringia uma regra da comunidade.
Avanços tecnológicos permitiram que cada vez mais pessoas deixassem de trabalhar na agricultura. Estas pessoas passaram a trabalhar em outras áreas, especializando-se nelas, como artesãos, costureiros, ferreiros e mineiros. Eles trocavam seus produtos entre si, e com fazendeiros em troca de alimentos, originando assim o comércio. Posteriormente, isto levaria à criação do dinheiro. Eventualmente, pessoas de uma dada vila começaram a comerciar com outras vilas. Outras pessoas tornaram-se soldados, administradores públicos e líderes políticos e religiosos.
O crescimento populacional das vilas neolíticas passou a obrigar a instalação de um governo central, que responsabilizava-se pelo fornecimento de certos serviços como defesa, comércio organizado e eventos religiosos, por exemplo. Gradualmente, o número de trabalhadores empregados diretamente pela administração da cidade cresceu. Atualmente, estes trabalhadores incluem prefeitos, conselheiros, planejadores urbanos, policiais, bombeiros, catadores de lixo e professores, entre outros.
Historicamente, duas tendências contribuíram para o crescimento populacional das cidades. Uma delas é a "urbanização" - o gradual crescimento da população em áreas urbanas. A outra é a migração, que pode ser do campo para a cidade ou de uma cidade para outra. Isto fez com que, gradualmente, diversas cidades passassem a diversificar-se culturalmente, em um processo de diversificação cultural, esta levando à difusão cultural e ao multiculturalismo. Atualmente, algumas cidades conhecidas pela sua grande população multicultural são Nova Iorque, Toronto, San Francisco, Los Angeles e Chicago.
Local adequado para instalação A geografia do local onde uma dada comunidade permanente está localizada também é importante. Aspectos geográficos incluem a geografia do terreno onde a comunidade será localizada, o clima da região, e a disponibilidade de água potável para consumo humano.
Nas vilas neolíticas e nas primeiras cidades, a fertilidade do solo era importante, para o cultivo de alimentos. A proximidade com outras fontes de alimentos tais como frutas silvestres e cardumes de peixes também ajudava. Chuva era importante para a irrigação de plantações, mas nem sempre indispensável, graças à tecnologia: os egípcios inventaram um sistema de irrigação, que coletava água diretamente do Rio Nilo. A proximidade de matérias-primas tais como minérios também era importante, mas não essencial.
As primeiras cidades desenvolveram-se primariamente em torno de corpos de água doce, tais como rios e/ou lagos. Antigas civilizações observaram que vales fluviais de clima quente apresentavam várias ótimas condições para a criação de um assentamento permanente. Estes rios incluem o Eufrates e o Tigre, no Oriente Médio, o Amarelo, na China, e o já mencionado Nilo.
A localização geográfica de várias cidades teve grande influência no decorrer da história. Atenas, por exemplo, resistiu bravamente a vários ataques de Esparta antes de ser definitivamente derrotada, porque estava localizada em uma península fortificada, de difícil acesso. Constantinopla tornou-se uma porta de acesso de grande importância entre o Ocidente e o Oriente, na Idade Média. Posteriormente, cidades que localizavam-se próximos à grandes corpos d' água, aliados à sua localização estratégica, tornaram-se grandes centros portuários. Algumas destas cidades incluem Atenas, Alexandria e Cartago durante a Idade Antiga; Gênova, Veneza e Lisboa durante o Renascimento; Boston, Nova Iorque e Southampton durante a Revolução Industrial; Montreal e Chicago na Idade Moderna, e, em tempos mais recentes, Rotterdam, Hong Kong, Cingapura e Shangai.
Algumas cidades devem sua existência graças à sua proximidade com meios de transportes tais como ferrovias, rodovias, portos e/ou aeroportos. Exemplos incluem Toronto e Chicago. Outras cresceram graças à proximidade de fontes de matéria-prima. Manchester tornou-se um grande pólo industrial no século XVIII graças à proximidade de minérios, e Pittsburgh cresceu drasticamente no século XIX, graças à proximidade de grandes reservas de ferro, tornando-se a capital mundial do aço.
Finalmente, outras cidades devem sua existência e/ou seu desenvolvimento primariamente graças ao seu clima e suas atrações naturais, que atraem tanto turistas como novos habitantes. Alguns exemplos são Los Angeles, Vancouver e o Rio de Janeiro.' História das cidades Pré-antiguidade
Durante a pré-história, os homens eram primariamente nômades, movimentando-se de uma região para outra constantemente, em busca de água e alimentos. Há entre a anos, várias civilizações começaram a dominar a técnica da agricultura e da pecuária.As civilizações que dominaram estas técnicas passaram a criar centros mais densamente habitados, como centros de comércio e defesa locais.Assim, as primeiras vilas apareceram - quase sempre em torno de rios e lagos, dado a necessidade de irrigação. A grande maioria dos habitantes de vilas neolíticas trabalhavam na agricultura e na criação de animais domésticos. Este processo foi mais acelerado na Mesopotâmia, onde as primeiras vilas neolíticas e áreas urbanas foram criadas.
Entre 8000 a.C e 3500 a.C, algumas destas vilas neolíticas haviam prosperado, tendo evoluído em pequenas áreas urbanas com alguns milhares de habitantes.
Egito
De acordo com Pinsky (1987) não há unanimidade para estabelecer os motivos pelos quais as primeiras sociedades organizaram cidades, visto que isso “decorre de uma série de circunstâncias sociais (...) complexas.” (PINSKY, 1987:42) Para o autor (apud BRAIDWOOD, 1985), existe uma hipótese de que há maior facilidade para o cultivo em vales e em encostas de montanhas e, como acontecia com a Síria e com a Palestina, outros elementos facilitavam ainda mais tal prática. Contudo, a realidade era diferente com as regiões onde formou-se o Egito e a Mesopotâmia, pois seus territórios sofriam com a falta de chuvas, tendo como único benefício as cheias de seus rios para fertilização que, no entanto, tornava-se também um problema quando não se conseguia controlar. O Egito, apesar de ter o solo fertilizado pelas cheias do Nilo, precisava conviver com os crocodilos que apareciam nos pântanos formados. Também seria necessário construir diques e reservatórios a fim de controlar e evitar encharcamento e/ou gretassão do solo. Na mesopotâmia as inundações eram muito mais fortes devido ao degelo das vertentes imprevisíveis. Nesse caso eram necessárias valas para que as águas vazassem e não inundassem desastrosamente a região. Ambas situações, dentre outras, combinavam fertilização, que possibilitava a agricultura, com acidentes, que exigiam organização e sistematização para evitar o pior, o que não acontecia nas outras regiões com plantio facilitado. Portanto, o cultivo possibilitou a urbanização, e as dificuldades, o desenvolvimento, sendo a base para o nascimento das primeiras civilizações.“A queda de chuva no vale do Nilo é quase nula, não ultrapassando os 100-200mm por ano no delta. Sem o Nilo, a agricultura no Egito seria inviável, excepto [sic], talvez, na costa mediterrânea. O Nilo é uma fonte de água mais regular e previsível do que qualquer outro dos grandes rios do mundo, cujos vales são utilizados para irrigação. Na Antiguidade, a sua cheia anual, entre junho e outubro, cobria a maior parte do terreno do vale e do delta e permitia, mediante uma gestão cuidadosa da água depositada, a obtenção de uma colheita.” (BAINES e MÁLEK, 1996:14)Conforme Cardoso (1987), no período Paleolítico foram encontrados instrumentos de sílex próximo às margens do Nilo, no Alto Egito. O deserto do Saara formou-se lentamente após a última glaciação das latitudes mais altas. Tal lento processo possibilitou a migração de povos ao vale do Nilo, o que explica serem as ferramentas encontradas semelhantes às demais descobertas no continente africano. Cardoso (1987) analisa o fato de que no ocidente do Delta foram encontrados vestígios de atividades agrícolas, onde desenvolveram-se povos agrupados com características sedentárias (cultura Fauym, aproximadamente 4500 a.C.) “plantando cereais e linho, fabricando cestas, tecidos, cerâmica grosseira, variados instrumentos de sílex e outras pedras.” (CARDOSO, 1987:45)
Antiguidade