Ji Yun (em chinês: 紀昀, pinyin: Jǐ Yún;According to the Wang Li Character Dictionary of Ancient Chinese the character 紀 is given the Middle Chinese fanqie pronunciation 居里切, resulting in an expected Mandarin reading of jǐ. However, the character, when used to mean 'records; annals' has been read as jì (Mandarin Tone 4) since the 20th century, with jǐ (Mandarin Tone 3) given as an obsolete literary reading. As a surname, the old reading Jǐ continues to be used. 1724–1805), também conhecido como Ji Xiaolan (紀曉嵐, Jǐ Xiǎolán) ou Ji Chunfan (紀春帆, Jǐ Chūnfān) foi um bibliotecário-chefe imperial, filósofo, político e escritor chinês. Um estudioso influente da dinastia Qing na China, foi mais conhecido por ter sido o editor-chefe da compilação Biblioteca Imperial de Manuscritos (Siku Quanshu, 四庫全書), a maior antologia da história na China, e autor do Catálogo de Anotações que dela faz parte, na qual fez sinopses e avaliações de mais de 10.000 obras para um cânone ortodoxo da civilização chinesa.
Além de ocupar vários cargos importantes, também se tornou uma personalidade renomada por seu humor e muitas anedotas que foram registradas sobre ele, provavelmente muitas delas fictícias. Ji Yun deixou, além do mais, um livro intitulado Anotações no Estúdio Yuewei (閱微草堂筆記), em que investiga e atesta relatos sobrenaturais, como fenômenos de poltergeist e assombração de espíritos-raposas, possessão e escrita de espíritos que acreditava serem verídicos, e outro livro chamado Wenda Gong Yiji (紀文達公遺集; Coletânea do Lorde Wenda, ou seja, de Ji Yun), que foi editado por gerações posteriores. Ele foi frequentemente mencionado junto a Yuan Mei como o "Nan Yuan Bei Ji" (em chinês: 南袁北紀; literalmente "Yuan do sul e Ji do norte").
Biografia Ji Yun nasceu no condado de Xian, na província de Zhili (atual Hebei). Quando ele era jovem, ele era considerado inteligente. Seu pai, Ji Rongsu, era ministro civil e arqueólogo.
Carreira Em 1747, Ji Yun alcançou destaque intelectual após ganhar a mais alta distinção nos exames provinciais. Por volta dessa época, aos seus 23 anos de idade, já tinha também reputação como escritor e era conhecida sua busca por renome literário. Vários anos depois, em 1754, obteve o grau de jinshi, após o que ingressou na Academia Hanlin (onde mais tarde desempenharia o grau de orador).
Em 1762, foi designado comissário de educação em Fujian, cargo que assumiu até que precisou interromper em 1764, após a morte de seu pai. Tornou-se prefeito de Duyunfu em Guizhou em 1768, mas o Imperador o manteve na capital Pequim por considerar seus dotes literários como de melhor serventia.
A carreira de Ji Yun, entretanto, não foi tranquila. Em 1768, tornou-se cúmplice num caso de suborno depois de avisar um cunhado sobre a gravidade das acusações pendentes contra ele, crime pelo qual foi banido para Dihua, no recém-conquistado Turquestão Oriental (Urumchi, predecessor da província de Xinjiang).
Em seu retorno de Xinjiang, Ji foi recebido pelo imperador Qianlong em 1771, quando o governante estava retornando de Jehol para Pequim, e ele recebeu ordens de escrever um poema sobre o retorno dos mongóis de Turgut das margens do Volga. A versão de Ji da inspiradora história do retorno dos exilados mongóis, mais tarde celebrada em inglês pelo poeta Thomas de Quincey (1785-1859) em seu épico Revolta dos Tártaros, encantou o imperador, por quem ele se tornou um poeta laureado não oficial e teve seu cargo de compilador restaurado. O trabalho de compilar o Siku Quanshu foi sua recompensa.
Um ano depois, Ji Yun foi perdoado de sua sentença e, em sua viagem de volta em 1771, ele escreveu um relato de viagem destilado em 160 poemas intitulado Xinjiang zalu (新疆杂录; Versos variados sobre Xinjiang). Esta continua a ser uma das fontes mais úteis em chinês sobre a vida na província de Xinjiang no final do século XVIII.
Por seu trabalho, Ji Yun recebeu ao longo dos anos diversas honras em promoções, presentes e privilégios de isenção por erros editoriais. Tornou-se bibliotecário da grande biblioteca Wenyuan Ge após ela ter sido erguida no palácio em 1776, até 1788, quando o posto foi extinto. Foi nomeado presidente do gabinete de Censura de 1785 a 1787, e de 1791 a 1796; além de presidente do Comitê de Guerra no primeiro ano do reinado do Imperador Jiaqing (1796); também foi presidente do Comitê de Cerimônias (1787-1791; 1797-1805). Recebeu honras especiais no seu aniversário de 80 anos. Em 1805, foi nomeado Grande Secretário assistente, mas faleceu dias depois.
Durante seus últimos anos, Ji Yun tornara-se um dos três grandes escritores de contos estranhos na dinastia Qing (os outros dois foram Pu Songling e Yuan Mei). O gênero do estranho era relacionado aos seguintes subgêneros de contos clássicos: zhiguai (relatos do estranho), chuanqi (histórias de maravilhas) e biji (anotações aleatórias).
Ji Yun morreu em 1805, aos 81 anos. Foi canonizado como Wenda. Ele era um ávido fumante de tabaco, que era famoso por usar cachimbo. Foi um gourmet entusiasmado, com um gosto especial por carne de porco gordurosa e chá forte, e não gostava de alimentos básicos ricos em amido, como arroz, batata, trigo e milho. Ele amava as mulheres e teve muitas concubinas ao longo de sua vida. Conta-se que ele consumava com cinco mulheres diferentes todos os dias. Ele raramente andava em liteiras e preferia caminhar.
Conquistas
1747 - Classificado como graduado provincial número um () 1754 - Classificado como número um no exame do palácio () 1773 - Editor-chefe do Siku Quanshu, a maior coleção de livros da história chinesa 1796 - Ministro de Guerra () 1797 - Ministro do Pessoal ()
Obras Ji Yun era conhecido pela obra-prima de sua realização editorial do período Qing, Siku quanshu, chefiando a edição desta enorme obra juntamente com Lu Xixiong, em conformidade com um édito imperial emitido pelo Imperador Qianlong. Eles acessaram fontes da biblioteca palaciana; da enciclopédia Yongle; além de livros de colecionadores particulares, autoridades e outros documentos recebidos por ordens imperiais. Junto aos outros editores do projeto de compilação, Ji Yun empregava o método empírico de crítica literária, e profissionalmente buscava expurgar fraudes e textos espúrios do cânone literário chinês. Até hoje, seu Catálogo de Anotações, anexado ao compêndio, tem valor de consulta para sinólogos.
É característica a cautela acadêmica que Ji Yun demonstrou no projeto, por exemplo ao ter enumerado os antigos métodos de adivinhação, porém sem afirmar a favor deles, considerando-os meramente como práticas menores do Tao; o compêndio realizou a distinção moderna entre os campos da astronomia e matemática, separados daquele da astrologia e mântica meteorológica. Porém nas publicações posteriores das Notas Aleatórias, Ji Yun se demonstrava entusiasmado com as práticas de adivinhação e histórias sobrenaturais, e considerava possível a obtenção de resultados verdadeiros de auspícios. Também investigava a escrita de espíritos e outras produções, distinguindo eficiência de seus realizadores.
O estranho e sobrenatural Entre 1789 e 1798, Ji Yun publicou cinco coleções de contos sobrenaturais e, em 1800, os cinco volumes foram produzidos sob o título coletivo Yuewei Caotang Biji (閱微草堂筆記; "Notas do Estúdio Yuewei", em referência à morada siheyuan habitada por Ji Yun,Ma, Lan (2014). An Analysis of Beijing's Hutongs and Siheyuans: An Urban Tree Approach. The Pennsylvania State University. p. 26 ou traduzido literalmente de outra forma como Notas da Cabana de Palha para se Examinar o Sutil, dentre outros títulos). Ele continha mais de 1200 contos sobrenaturais, baseados em testemunho próprio ou de seus amigos e conhecidos. Reunindo histórias que havia lembrado ou registrado por anos, elas incluíam relatos sobre espíritos de mortos, espíritos-raposas, jornadas ao reino dos mortos, possessão demoníaca de pessoas e objetos, em meio a narrativas sobre reencarnação, retribuição, premonições e fenômenos do leito de morte. O conteúdo revela elementos de sua crença pessoal, em que anotações, opiniões e explicações em meio às narrativas evidenciam a convicção do filósofo por uma moralidade baseada em causa e efeito, e sobre a interconexão do universo e a proximidade do mundo espiritual e material. Ele tentava fazer uma "investigação de princípios", elaborando teorias e especulações gerais, a partir daquilo que os fenômenos espirituais apresentavam. miniaturadaimagem|280x280px|Figura sobrenatural no Álbum de Pinturas de Fantasmas (século XVIII) de Luo Ping Havia uma voga da chamada "conversas de fantasma e raposa" durante o reinado de Qianlong, a qual ocupava a atenção e escritos de diversos literatos como Ji Yun, que se dedicaram a narrativas de histórias estranhas. Entre todas as coletâneas da época, o livro de Ji Yun contém o maior número dessas narrativas. Ji Yun também foi influenciado pelo beletrismo, pois havia formado junto a outros amigos escritores um círculo literário em que realizaram encontros e trocas de poemas por anos, a partir de 1748. Seu gosto por histórias sobrenaturais também provinha de antepassados da família, principalmente de seu pai.
O livro de Ji Yun é usado como uma importante fonte que indica que um dos passatempos favoritos da elite era a prática da escrita de espíritos (fuji); nele, conta sobre mais de um especialista da prática, e afirma que seu pai podia distinguir se a entidade era um imortal ou um fantasma comum. Ele relata ter presenciado poemas proféticos de escrita de espíritos, e inclusive uma pintura que teria previsto uma cena que ele vivenciou posteriormente.
No auge do sobrenaturalismo, estava ocorrendo também um movimento contrário de antisuperstição que caracterizou o "Iluminismo" chinês do século XVIII: pensadores racionalistas como Qian Daxin e Hong Liangji pertenciam ao círculo Ji Yun, porém criticavam crenças e práticas sobrenaturais.