foi um diretor de cinema e roteirista japonês que dirigiu o primeiro filme sonoro de sucesso do Japão, Madamu to nyōbō, de 1931. Seus filmes são principalmente associados ao gênero shōshimin-eiga (lit. "drama de pessoas comuns"). Suas obras mais notáveis incluem Entotsu no mieru basho, Ōsaka no yado, Takekurabe e Kiiroi Karasu.

Biografia Gosho nasceu em 24 de janeiro de 1902, em Kanda, Tóquio, filho do comerciante Heisuke Gosho e da amante gueixa de seu pai. Aos cinco anos de idade, após a morte do filho mais velho de Heisuke, Gosho deixou sua mãe para ser o sucessor do negócio atacadista de seu pai. Ele estudou administração na Universidade Keio, graduando-se em 1923.

Através da estreita relação de seu pai com o diretor de cinema Yasujirō Shimazu, Gosho conseguiu ingressar nos estúdios Shochiku e trabalhou como assistente de direção de Shimazu. Em 1925, Gosho estreou como diretor com o filme Nantō no haru. Seus filmes da década de 1920 são hoje considerados perdidos.

O primeiro sucesso notável de Gosho, e o primeiro longa-metragem sonoro do Japão, foi a comédia de 1931, Madamu to nyōbō, que gira em torno de um escritor distraído por uma banda de jazz que toca ao lado. Nomeando The Marriage Circle, de Ernst Lubitsch, e A Woman of Paris, de Charles Chaplin, como as maiores influências estrangeiras na na elaboração do longa, a obra de Gosho oscilou entre a comédia e o drama, às vezes misturando os dois, o que rendeu a seus filmes a reputação de fazer o espectador "rir e chorar ao mesmo tempo". Outras marcas registradas de Gosho foram seu estilo de edição rápido e sua repetida dependência de fontes literárias para seus roteiros, prncipalmaente das obras dos escritores japoneses Yūzō Yamamoto e Ichiyō Higuchi. Juntamente com Shirō Toyoda, Gosho foi um dos primeiros diretores a adaptar para o cinema as obras do movimento junbungaku ("literatura pura"), que se opunha à literatura "popular" em favor da literatura "séria" e de um manejo mais complexo de seus assuntos. Um exemplo proeminente é Koi no hana saku Izu no odoriko (1933), uma adaptação bem-sucedida da história homônima de Yasunari Kawabata, sobre o amor não realizado entre um estudante e uma jovem camponesa. Dos 36 filmes que o diretor realizadou na década de 1930, pouco mais de meia dúzia sobreviveram até os dias de hoje.

Acreditando firmemente no humanismo, Gosho tentou reduzir o conteúdo militarista em seus filmes de guerra e mostrou solidariedade aos colegas de trabalho demitidos durante a greve dos estúdios Toho em 1948. Em 1950 ele fundou a produtora independente Studio Eight junto com Shirō Toyoda e outros ex-funcionários do estúdio. A primeira produção do Studio Eight foi o drama Wakaregumo, de Gosho, de 1951, sobre uma jovem infeliz de Tóquio que sentia felicidade em trabalhar como assistente de um médico rural. Suas obras mais conhecidas desta época são o drama de casamento e realismo social, Entotsu no mieru basho (1953), que foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Berlim, e Kiiroi Karasu (1957), que narra a luta de um pai problemático ao se relacionar com o seu filho, que recebeu o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro em 1958. Embora seus filmes tenham adquirido um tom mais sombrio em meados da década de 1950, como em Ōsaka no yado, onde é retratado um grupo de residentes de Osaka lutando contra um ambiente materialista desenfreado, ele permaneceu fiel aos seus ideais pessoais de "tolerância, compromisso e racionalidade".

Gosho também foi um dos primeiros grandes diretores japoneses a trabalhar extensivamente para a televisão como roteirista. Devido às rápidas mudanças na indústria cinematográfica da época, o trabalho de Gosho na década de 1960 alternava principalmente entre o melodrama e o shomin-geki. Filmes notáveis desta época incluem Ryōju (1961), baseado na novela de Yasushi Inoue sobre um casal adúltero, Osorezan no onna (1965), que narra a vida de uma jovem prostituta vítima de superstições, e Utage (1967), uma história de amor tendo como pano de fundo o Incidente de 26 de fevereiro de 1936 ocorrido no Japão. Seu último longa-metragem como diretor foi o filme de marionetes Meiji haru aki (1968).

Entre 1964 e 1980, Gosho atuou como presidente da Guilda dos Diretores do Japão. Embora tenha trabalhado repetidamente com atrizes e atores internacionalmente conhecidos, como Kinuyo Tanaka, poucos de seus filmes foram comercializados no Ocidente. Entre 1989–1990, uma retrospectiva de seu trabalho foi realizada pela Sociedade Japonesa de Manhattan e pelo Museu de Arte Moderna de Nova York.

Gosho também escreveu poemas haiku e atuou como diretor da Associação Japonesa de Arte Haiku.

Filmografia selecionada AnoTítulo em japonêsRomaji1930愛慾の記Aiyoku no ki1931マダムと女房Madamu to nyōbō1933恋の花咲く 伊豆の踊子Koi no hana saku Izu no odoriko1934生きとし生けるものIkitoshi ikeru mono1935人生のお荷物Jinsei no onimotsu花婿の寝言Hanamuko no negoto花籠の歌Hanakago no uta1936朧夜の女Oboroyo no onna新道前篇Shindō zenhen新道 後篇良太の巻Shindō kōhen1940木石Bokuseki1942新雪Shinsetsu1947今ひとたびのIma hitotabi no1951わかれ雲Wakaregumo1953煙突の見える場所Entotsu no mieru basho1954大阪の宿Ōsaka no yado愛と死の谷間Ai to shi no tanima鶏はふたたび鳴くNiwatori wa futatabi naku1955たけくらべTakekurabe1956ある夜ふたたびAru yo futatabi1957黄色いからすKiiroi karasu挽歌Banka1958蟻の街のマリアAri no machi no Maria1961猟銃Ryōju雲がちぎれる時Kumo ga chigireru toki1962かあちゃん結婚しろよKaachan kekkon shiroyo1965恐山の女Osorezan no onna1966かあちゃんと11人の子どもKaachan to jūichinin no kodomo1967宴Utage1968女と味噌汁Onna to Misoshiru明治春秋Meiji haru aki

Bibliografia

Ligações externas

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