miniaturadaimagem Jussara Queiroz de Medeiros (Jucurutu, 4 de janeiro de 1956) é uma diretora de cinema, roteirista e produtora brasileira, considerada uma das pioneiras do audiovisual no Rio Grande do Norte. Destacou-se no cenário do cinema engajado e no documentarismo social das décadas de 1970 e 1980, caracterizando-se por uma produção cinematográfica de forte densidade ética, voltada à denúncia de desigualdades e à valorização da organização comunitária no Brasil.

Biografia

Nascida no lugarejo de Jurucutu (atual Jucurutu), no Rio Grande do Norte, e demonstrou desde cedo um profundo interesse pelo cinema, influenciada pelo fato de seu pai ser proprietário de um cinema local. Mudou-se ainda na infância com a família para a capital Natal, onde viveu até os 18 anos. Em 1974, transferiu-se para o estado do Rio de Janeiro.Sua paixão a levou a buscar uma formação em cinema, e ela se mudou para o Rio de Janeiro, onde cursou cinema na Universidade Federal Fluminense (UFF), graduando-se em Jornalismo (1980) e em Cinema (1982).

Durante a sua passagem pela UFF, teve uma militância ativa na preservação e continuidade do curso de Cinema, integrando movimentos estudantis que impediram a extinção da graduação e ajudando a conquistar os primeiros equipamentos técnicos do departamento. Paralelamente, atuou intensamente no movimento cineclubista fluminense entre 1975 e 1980 (como na Sala-Escura e nos cineclubes do Diretório de Comunicação e do Curso de Cinema da UFF), além de atuar como monitora de fotografia.

A partir de 1978, expandiu suas atividades para a esfera profissional, realizando a direção e edição de programas didáticos em vídeo, atuando na coordenação de projetos da Embrafilme (como o "Espaços Culturais Cinematográficos" em Recife) e trabalhando na produção de programas televisivos dedicados ao cinema para a TV Educativa. Como montadora e assistente de montagem, colaborou com grandes nomes do cinema nacional, como Nelson Pereira dos Santos (no episódio O Ladrão do longa Insônia), Murilo Salles (em Nunca Fomos Tão Felizes) e Sérgio Rezende (em O Sonho Não Acabou).

Como diretora independente, estreou realizando curtas experimentais em Super-8 e 16mm. Em 1983, alcançou grande reconhecimento com o documentário de média-metragem Acredito Que o Mundo Será Melhor, focado nos conflitos de terra rurais na Paraíba e nas lutas por moradia na Região Metropolitana do Recife, trazendo forte influência da Teologia da Libertação com depoimentos de Dom Hélder Câmara e Dom José Maria Pires. O filme recebeu o prestigiado prêmio Margarida de Prata, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e foi premiado internacionalmente na Alemanha.

Entre 1987 e 1993, dedicou-se à produção de seu projeto mais ambicioso: o longa-metragem de ficção A Árvore de Marcação. Inspirado no livro "Crianças em Ação", do padre Reginaldo Veloso, o filme, que teve gravações iniciadas em 1987 e concluídas em 1993 com o apoio da emissora ZDF da Alemanha, narra a história de Jocélia, uma jovem estudante de Direito que reencontra sua infância em Marcação, um vilarejo na zona canavieira da Paraíba, onde as crianças trabalham nos canaviais desde cedo. O filme aborda questões sociais e a luta por direitos das crianças.

Rodado com escassos recursos financeiros e sob forte hostilidade de poderes políticos locais na região de Rio Tinto, o filme foi amplamente elogiado pela crítica (recebendo textos de intelectuais como Frei Betto) e circulou por festivais internacionais de cinema latino-americano nos Estados Unidos e na Argentina.

Na década de 1990, devido a problemas de saúde, interrompe a sua carreira. No ano 2000, foi homenageada com a Mostra Retrospectiva Jussara Queiróz: um olhar poético no 33º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Em 2007, a história de Jussara foi contada no documentário "O Voo Silencioso do Jucurutu" realizado por Paulo Laguardia. Além disso, o projeto Goiamum Audiovisual dedicou parte de sua programação à cineasta, proporcionando ao público a oportunidade de conhecer sua obra. Em 2012, a Prefeitura do Natal lhe concedeu a Medalha de Honra ao Mérito Nísia Floresta. Em 2025, Jussara Queiroz foi homenageada na 8ª Edição do Curta Caicó. Ao lado da atriz Tânia Maria e Múcia Teixeira, foi considerada um dos nomes fundamentais para a consolidação da cena regional.

Prêmios e Reconhecimentos

Melhor Direção e Fotografia no II Festival de Curtas e Média-Metragem de Niterói (1983) por Fora de Ordem. Prêmio Margarida de Prata concedido pela CNBB (1983) por Acredito Que o Mundo Será Melhor. Melhor Roteiro no I Rio-Cine Festival (1985) por Acredito Que o Mundo Será Melhor. Melhor Filme do Terceiro Mundo no 43° Festival Internacional de Cinema de Mannheim-Heidelberg, Alemanha (1986) por Acredito Que o Mundo Será Melhor. Melhor Trilha Sonora e Menção Especial no 18° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (1985) por Um Caso de Vida ou Morte. Prêmio CONCINE (1986 e 1987) por Um Caso de Vida ou Morte e Um Certo Meio Ambiente. Menção Honrosa no 26° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (1993) por A Árvore de Marcação. Menção Honrosa da Organização Católica Internacional do Cinema (OCIC) (1994) por A Árvore de Marcação. Homenageada Especial com Mostra Retrospectiva no 33° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2000). Homenageada Especial como "Mulheres que representam a força do audiovisual potiguar" no 8° Curta Caicó (2025).

Filmografia

Como Diretora / Roteirista

1978 - Zé Ninguém Por Enquanto (Curta-metragem, 16mm, PB) – Direção, roteiro e montagem 1978 - Vacas e Bois (Curta-metragem, 16mm, cor) – Co-direção e montagem 1978 - Liberdade para o D.C.E. (Curta-metragem, 16mm) – Direção 1978 - Um Filme é um Filme (Curta-metragem, 16mm) – Co-direção e montagem 1980 - Não Tem que Ter Título (Ficção, 16mm, inacabado) – Direção e roteiro 1981 - Fora de Ordem (Curta-metragem, 16mm, cor) – Direção, co-roteiro e montagem 1983 - Acredito Que o Mundo Será Melhor (Média-metragem, 16mm, cor) – Direção e co-montagem 1985 - Um Caso de Vida ou Morte (Média-metragem, 16mm, cor) – Co-direção e co-roteiro 1986 - Um Certo Meio Ambiente (Média-metragem, 16mm, cor) – Direção, roteiro e montagem 1993 - A Árvore de Marcação (Longa-metragem, 16mm, cor) – Direção e co-roteiro

Outras Funções Técnicas

1979 - Zoonistia (Curta-metragem) – Montagem 1979 - De Mãos Dadas (Documentário) – Fotografia adicional 1980 - Preto no Branco (Curta-metragem) – Montagem 1980 - De Mixto para Caicó (Curta-metragem de Augusto Ribeiro Jr.) – Montagem 1980 - Boi de Prata (Longa-metragem de Augusto Ribeiro Jr.) – Assistência de montagem 1980 - Insônia (Longa-metragem de Nelson Pereira dos Santos; episódio "O Ladrão") – Assistência de montagem 1981 - I Cinex (Documentário de Tizuka Yamasaki) – Produção 1981 - Missão Artística Francesa (Média-metragem de Gustavo Dahl) – Produção 1981 - O Sonho Não Acabou (Longa-metragem de Sérgio Rezende) – Assistência de montagem 1981 - O Trem (Curta-metragem de Flávio Chaves) – Montagem 1982 - A Gruta dos Três Poderes (Filme de Marcelo Mega) – Montagem 1982 - Nunca Fomos Tão Felizes (Longa-metragem de Murilo Salles) – Assistência de montagem 1983 - As Meninas do Catete (Filme de Maria Nelli Costa Neves) – Direção de produção 1983 - Bar Natal (Filme de Wilson Paraná) – Montagem

Ver também Cinema do Brasil

Ligações externas

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