Barão Geraldo é um distrito do município brasileiro de Campinas, no interior do estado de São Paulo, que surgiu nos anos 1920 a partir da Estação Barão Geraldo do Ramal Funilense da antiga Estrada de Ferro Sorocabana e por isso tem esse nome.

O distrito é hoje famoso por sediar a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que centraliza um dos maiores polos de alta tecnologia do Estado, o CIATEC 2 formado por universidades como a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (além da própria Unicamp) e faculdades como a Facamp; centros de pesquisa estatais como o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, o CNPEM (Centro Nacional de Pesquisas e Estudos e Materiais) onde está o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron; centros hospitalares de pesquisa médica como o Hospital de Clínicas da Unicamp, a Sociedade Brasileira de Pesquisa e Assistência para Reabilitação Craniofacial e o Centro Infantil e de Pesquisas Boldrini, que já é uma referência mundial no tratamento do câncer infantil; além de grandes indústrias ligadas ao ramo de alta tecnologia, notadamente nos ramos de informática (HP, IBM) e de telecomunicações (Lucent, Motorola e Siemens).

História Origem das terras Fazenda Rio das Pedras 400px|thumb|Casarão da Fazenda Rio das Pedras. Ainda há controvérsias em relação aos primeiros proprietários das terras. Historiadores como Melo Pupo e Jolumá Brito informaram que, em 1799, foi registrada a última sesmaria da região de Campinas, doada pelo Conselho Ultramarino para o futuro brigadeiro Luís António de Sousa Queirós e para seu irmão Francisco Antônio de Souza Queiroz, que ali instalou o engenho Nossa Senhora do Carmo do Morro Alto, que ia de Campinas ao atual município de Cosmópolis, entre o Ribeirão Quilombo e a antiga estrada dos Goiases (atual Rodovia Campinas-Mogi-Mirim). Porém, nas memórias sobre seu pai, Amélia Rezende Martins conta a história passada de geração a geração em sua família de que as terras da fazenda Morro Grande (antigo nome da Santa Genebra), contíguas às terras da Rio das Pedras/Morro Alto, foram compradas por Francisco de Barros Cardoso por volta de 1660 por "uma faca, um ponche e 19$500 réis" e depois revendidas pela viúva Cardoso aos irmãos Souza Queiroz.

Com a morte dos irmãos Souza Queiroz (Luiz Antônio, Francisco e Marco Antônio), as terras e bens foram herdadas por seus filhos e pelo coronel Francisco Inácio de Sousa Queirós, que era o morgado da família, e casado com sua prima, filha de Luis Antônio, Francisca Miquelina de Sousa Queiroz, com quem teve quatro filhos. Após sua morte em 1830, iniciou-se intensa disputa pela guarda de suas duas filhas que sobreviveram: Genebra Miquelina e Isabel Augusta. Até que Ilídia Mafalda (então condessa de Valença) acertou o casamento de Isabel Augusta com o juiz Albino José Barbosa de Oliveira, futuro presidente do Superior Tribunal de Justiça e Conselheiro do Império, em 1847, e de Genebra com seu filho, o capitão Luis Ribeiro de Souza Resende, em 1849. Ao contrário do que dizem, Fazenda nunca pertenceu ao Barão Geraldo de Resende.

Ao contrário da fazenda Santa Genebra, que manteve sua integridade durante algum tempo, aos poucos as terras da fazenda Rio das Pedras foram sendo vendidas de maneira a formar vários dos bairros que compõem o atual distrito de Barão Geraldo. A fazenda foi adquirida por João Adhemar de Almeida Prado, que tentou revitalizar as culturas do café e da cana-de-açúcar, sem muito sucesso devido aos gastos de sua intensa vida social. Recebeu visitantes ilustres tais como o presidente Juscelino Kubitschek, Zeferino Vaz, Abreu Sodré, Carvalho Pinto, Castelo Branco, o rei da Noruega e a rainha Elizabeth II da Inglaterra.

Os médicos Eduardo e John Lane receberam, pouco depois, a doação de outra área da fazenda Rio das Pedras para a construção do Centro Médico de Campinas, na segunda parte do loteamento para a Cidade Universitária. Adhemar de Almeida Prado confiou a administração dos loteamentos a Nelson de Carvalho, que, entre seus projetos, idealizou parques ecológicos com a criação de lagos: um perto da sede da fazenda e outro entre o campus e a Cidade Universitária, de 60 mil metros quadrados e 2 metros de profundidade, em torno do qual se construiu o atual Parque Ecológico Hermógenes Leitão Filho.

O casarão e remanescentes florestais estão tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) desde 13 de novembro de 2003.Prefeitura Municipal de Campinas. Bens Tombados. Processo 012/01. Resolução n°. 043 de 13/11/2003. Conjunto Arquitetônico da Fazenda Rio das Pedras - Distrito de Barão Geraldo. Acesso em 6 de julho de 2015.

Fazenda Santa Genebra thumb|250px|right|Fazenda Santa Genebra em 1880 A Fazenda Morro Grande era parte da Sesmaria Nª Sª do Carmo do Rio das Pedras Por ocasião do falecimento de Francisco Ignácio de Souza Queiróz a Sesmaria foi dividida entre suas duas filhas: Isabel Augusta e Genebra de Souza Queiroz. Genebra recebeu a Fazenda Morro Grande e foi casada com seu primo, o capitão Luis Ribeiro de Souza Rezende. por determinação de sua tutora, a Marquesa de Valença. Com a morte de Genebra em 1863, Luis Ribeiro abandonou sua administração e a Marquesa de Valença mudou o nome da Fazenda para Santa Genebra e a deixou sendo administrada por um capataz, o escravo Toninho.

Somente em 1870, a pedido, a Marquesa de Valença passou a administração da Fazenda Santa Genebra para seu filho Geraldo Maria de Sousa Rezende que, em 1876 casou-se com a filha de Isabel Augusta , Maria Amélia e passou a administrá-la até seu falecimento em 1907.

Entre 1842 e 1843, de acordo com o botânico Correia de Melo, as terras da Fazenda Santa Genebra eram destinadas à cultura da cana-de-açúcar.Correio Popular, Campinas 200 anos, 14 de julho de 1974. In: RIBEIRO, Rita. Barão Geraldo – História e Evolução. Campinas: Editora do Autor, 2000. Nessa época, iniciaram-se as colheitas de café na região de Campinas, que se tornou, aos poucos, o maior centro produtor e exportador de café do país. Então, a partir de 1852 e pelos cinquenta anos seguintes, as terras foram sendo transformadas para o plantio de café. Em 1860, persistiam apenas 22 engenhos na região de Campinas, enquanto o número de fazendas de café chegava a 190.Correio Popular. Campinas 221 anos. "Do ciclo do açúcar à economia industrial". Campinas, 14 de julho de 1995. thumb|left|250px|Barão Geraldo de Resende, proprietário da Fazenda Santa Genebra Segundo conta sua filha Amélia em sua biografia de seu pai, após assumir a fazenda junto com o capataz escravo Toninho, Geraldo resolveu modernizar a Fazenda : alforriou os escravos em 1874, comprou as mais modernas máquinas agrícolas de café e empregou os primeiros imigrantes incluindo imigrantes alemães dando início à transição da escravidão para a mão de obra imigrante. Observa-se que, na medida em que os colonos europeus ingressam na vida agrícola de Campinas, o escravo vai desaparecendo, e, por volta de 1900, já não há mais estatística do número da população negra na cidade. A Fazenda Santa Genebra destacou-se, na época, pelo emprego da tecnologia na agricultura, tais como plantadoras americanas de tração animal, e grandes secadores industriais de café ainda desconhecidas no restante do Brasil.MARTINS, Amélia R., Barão Geraldo: Um idealista realizador,1949

Devido à forte administração do barão Geraldo, a fazenda Santa Genebra tornou-se modelo a partir de 1890, quando, no Club da Lavoura de Campinas, começaram as discussões para a criação de uma estrada de ferro que ligasse as terras ao norte da cidade, sendo cada vez mais visitada por agrônomos, cientistas e autoridades nacionais e estrangeiras e gerando fartos registros na imprensa, livros de visita da fazenda e fotos. Em 1896, esteve, na Santa Genebra, uma "Comissão Suíça" por solicitação do presidente da república, Manoel de Campos Salles que também esteve na Santa Genebra para inaugurar a Estrada de Ferro Funilense em 18 de setembro de 1899.

Em 1902, a baronesa Maria Amélia adoeceu e foi levada para Paris , mas faleceu no mesmo ano. Além das quebras do café e da falência da estrada de ferro, a Santa Genebra começou a dar prejuízo. Nesse ano, o genro do barão, João Lopes de Assis Martins submeteu um projeto de transformação da Santa Genebra no "Núcleo Colonial Barão Geraldo" à Assembleia Legislativa de São Paulo, mas que não foi aprovado.

Em 1907, venceu a hipoteca do empréstimo de 500:000$000 (quinhentos contos de réis) feitos pelo Barão Geraldo de Resende para financiamento da estrada de ferro Funilense, e todos os seus bens, incluindo a fazenda, foram hipotecados. Como o governo se recusou a cobrir a hipoteca, o senador Luis Lins de Oliveira Vasconcelos cobriu a hipoteca e ficou com a fazenda Santa Genebra e Monjolinho e algumas outras propriedades do barão Geraldo, que faleceu na própria fazenda em 1 de outubro de 1907. Alguns dizem que foi por suicídio, mas sua família negou e até hoje não se sabe a verdade.

Lins de Vasconcelos tocou a fazenda empresarialmente até 1918 quando o coronel Cristiano Osório de Oliveira, comprou a fazenda para seu filho José Pedro de Oliveira, que havia se casado com Jandyra Pamplona em São João da Boa Vista. Em 1935, José Pedro de Oliveira faleceu de tuberculose deixando a Fazenda Santa Genebra para ser gerida por sua esposa Jandyra Pamplona de Oliveira e por vários administradores até seu falecimento em 1993. Segundo Ribeiro, em 1958 o administrador Ari de Salvo erradicou o café da fazenda, substituindo-o por algodão com contratos de arrendamento para diversas famílias de trabalhadores rurais, posteriormente substituído pela soja e cana-de-açúcar.

Em 1983, o administrador Salvo acertou a aplicação de inseticida nos algodoais da Fazenda Santa Genebra o que resultou num grande movimento de moradores ambientalistas ligados à Unicamp, contra a fumigação que atingia Barão Geraldo. O movimento foi liderado pelos professores Mohamed Habib, Hermógenes de Freitas Leitão Filho, Eduardo Guimarães (que chegou a se acorrentar a uma árvore em Campinas) conseguiu o fim da ação e obrigou a Fazenda a mudar de cultura. Esse movimento foi uma das origens da PROESP - Sociedade Protetora das Espécies e de diversos outros movimentos ambientalistas posteriores, inaugurando o início da ação dos novos moradores em Barão Geraldo.

Origem do distrito thumb|250px|Centro de Barão Geraldo. Foto do historiador Warney Smith - 1992 A história de Barão Geraldo contada pelos baronenses fundamenta-se em raízes culturais e ideais de autonomia de imigrantes e migrantes (vênetos, portugueses, libaneses e brasileiros vindos no "mesmo navio" para (ou da) "mesma fazenda" (onde se estabeleceram inicialmente)) da região campineira, no início do século XX, em busca de sua autonomia. A memória local enfatiza a origem de Barão Geraldo na chegada dessas famílias, no início do século XX, para trabalhar nas fazendas já com projetos de adquirir sua pequena propriedade de terra e, se possível, perto de alguma cidade, onde poderiam viabilizar a vida com sua famílias e talvez mesmo obter algum lucro com a "venda do excedente" na cidade. Porém foram bem poucos os que conseguiram trazer e guardar algum dinheiro para, a partir dos anos 1920, começarem a comprar lotes da Fazenda Rio das Pedras e instalarem-se em meio às piores condições de vida, caracterizando uma "luta pela autossuficiência" que tais trabalhadores e seus pais buscavam em relação aos grandes fazendeiros de café e cana-de-açúcar.SMITH, Warney, Barão Geraldo: História e Identidade Local. 2002