Luís de la Penha (1581, Évora, Portugal - 29 de novembro de 1626, Évora, Portugal), foi um ocultista português executado na fogueira, pelo crime de feitiçaria, pela Inquisição Portuguesa.Portugal, Torre do Tombo, Tribunal do Santo Ofício (F), Inquisição de Évora (SF), processo de Luís de La Penha (código de referência: PT/TT/TSO-IE/021/8179-1). É considerado o mais famoso dos bruxos que viveram em Portugal.

Biografia Conhecido artesão de Évora, Luís de la Penha era filho de Gregório de la Penha, latoeiro castelhano, natural de Torrelobatón, em Valladolid, e de Maria Mendes, natural de Évora, sendo ambos cristãos-velhos, apesar de postumamente ser referido como de origem "mourisca". Casado com Catarina Carvalha, natural da vila alentejana de Mourão, à época do seu primeiro aprisionamento, vivia há doze anos separado, tendo desse matrimónio nascido apenas um filho que faleceu ainda criança, não tendo mais descendência.

Em 1617, a sua atividade profissional como adivinho e curandeiro já era célebre, sendo inúmeras as histórias onde, supostamente, celebrava cerimónias mágicas e realizava invocações e pactos com Satanás por dinheiro. Consequentemente, nesse mesmo ano, foi denunciado por várias testemunhas, tornando-se numa pessoa de interesse para a Inquisição Portuguesa. miniaturadaimagem|Assinatura de Luís de la PenhaA 7 de dezembro de 1617 foi preso, tendo sido apreendidos na sua posse um livro de quiromancia, vários documentos escritos pela sua mão com orações e encantamentos e um caderno de registo da sua atividade. A 3 de março de 1618, foi levado para interrogatório, mas negou qualquer crime. Após tortura, Luís de la Penha confessou ao inquisidor Manuel do Vale de Moura ter compactuado com o Diabo, que lhe surgiu ora em forma de uma mulher negra ora de um homem, e o demónio Asmodeu (também referido como Armodeu), após ter realizado um pacto de sangue e professado algumas palavras para firmar o tratado demoníaco. Em troca, o ocultista referiu que tinha recebido a habilidade de curar os enfermos e de encantar as mulheres, sendo a sua oração "Ensalmo do Asno" a mais poderosa.Francisco Bilou: Luís de la Penha: bruxo, vidente e curandeiro na Évora de Seiscentos, Boletim do Arquivo Distrital de Évora, Nº 2 | Janeiro de 2015, pp. 32-47 miniaturadaimagem|Antigo Palácio da Inquisição de ÉvoraApresentando arrependimento pelos seus atos, Luís de la Penha foi poupado da pena de morte, sendo no entanto os seus bens confiscados e ele confinado à prisão após ser castigado publicamente num Auto-de-fé realizado em Évora, que contou com a presença extraordinária do rei D. Filipe III de Portugal (IV de Espanha) e da rainha D. Isabel, a 19 de maio de 1619. Dois anos depois, em 1621, foi liberto da sua pena, com despacho autorizado pelo bispo e Inquisidor Geral D. Fernando Martins de Mascarenhas, sob o acordo e a promessa de que lhe seria imediatamente aplicada a pena de morte caso este repetisse os mesmos atos de bruxaria. miniaturadaimagem|Local onde se realizavam os Autos-de-Fé na Praça do Giraldo, Évora Em 1624, várias denúncias chegaram uma vez mais ao Tribunal do Santo Ofício de Évora de que, após a sua libertação, sem posses, propriedades ou outro meio de subsistência, Luís de la Penha rapidamente tinha retomado a sua antiga profissão, e em março de 1625, foi novamente preso após ter atendido um cliente que desejava encontrar um tesouro por meio de encantamentos e rituais mágicos. Devido à pena anterior e ao acordo realizado durante o seu perdão, a Inquisição foi célere na sua decisão de sentenciar por relapsia Luís de la Penha à pena de morte pelo crime de bruxaria.

No auto-de-fé de 29 de novembro de 1626, realizado na Praça do Giraldo, em Évora, sob a alçada do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição Portuguesa, foi realizado um sermão pelo padre Manuel Fagundes, um reputado membro da Companhia de Jesus, que seria impresso e publicado posteriormente, e foram penitenciados 64 homens e 65 mulheres, num total de 129 pessoas entre os 20 e os 90 anos de idade. De entre os sentenciados, o ocultista Luís de la Penha foi o único condenado à morte por ser considerado um "herege relapso", sendo garrotado e queimado na fogueira.

Homenagens e Legado Durante o período da caça às bruxas, sete pessoas foram executadas à morte por feitiçaria ou bruxaria em Portugal e 800 julgadas pelo mesmo crime pela Inquisição Portuguesa, sendo a grande maioria cristãos novos, cripto-judeus ou mulheres.Ankarloo, Bengt & Henningsen, Gustav (red.), Skrifter. Bd 13, Häxornas Europa 1400-1700 : historiska och antropologiska studier, Nerenius & Santérus, Stockholm, 1987 Outros homens portugueses acusados de serem bruxos e sentenciados pelo Santo Ofício, para além de Luís de la Penha, foram Pedro Gonçalves de Abreu (1653), Bartolomeu Martins (1683), Francisco Luís (1690) e Manuel Inácio (1706) que viram os seus bens confiscados e foram presos ou condenados às galés.

Em outubro de 2016, situado entre a fonte da Praça do Giraldo e a Igreja de Santo Antão, onde se realizaram diversos autos-de-fé, foi inaugurado um monumento em homenagem às vítimas da Inquisição Portuguesa, da autoria do escultor João Sotero, pela ocasião dos 480 anos da data em que foi lida na Sé de Évora a bula papal que autorizava a instalação e o funcionamento em Portugal do Tribunal do Santo Ofício.

Referências

Categoria:Nascidos em 1581 Categoria:Portugueses do século XVII Categoria:Pessoas executadas por acusação de bruxaria Categoria:Mortos em 1626 Categoria:Pessoas executadas por Portugal Categoria:Naturais de Évora Categoria:Julgamentos por bruxaria em Portugal