thumb|Ilha de São Paulo A expressão "os esquecidos da Ilha de São Paulo", ou "os esquecidos da Ilha Saint-Paul", remete ao caso de um grupo de seis homens e uma mulher grávida que foram abandonados, em 1930, na Ilha de São Paulo, que faz parte das Terras Austrais e Antárticas Francesas, no sul do oceano Índico, enquanto estavam encarregados, pela empresa "La Langouste française", de manter a ilha e suas instalações.
Contexto Em 1929, a sociedade « La Langouste française », de propriedade dos irmãos Bossière, armadores de Le Havre,. desembarcou na Ilha de São Paulo cerca de trinta europeus contratados em Concarneau e arredores para realizar uma campanha de pesca de lagostas durante a temporada de verão. Ao final dessa campanha, o navio Austral, da empresa, veio buscar o pessoal para levá-lo de volta à França. No entanto, sete pessoas ficaram na ilha a fim de garantir a guarda e a conservação do equipamento durante o inverno austral: Julien Le Huludut (de Concarneau), Victor e Louise Le Brunou (que estava grávida), Pierre Quillivic (de Plouhinec), Louis Herlédan (de Riec-sur-Belon), Manuel Puloch (de Trégunc) e François Ramamongi (um jovem malgaxe).
Abandono na ilha Alfred Caillé, o administrador da empresa, havia prometido enviar-lhes um barco de abastecimento dentro de dois ou três meses após a partida da embarcação de nome "Austral". Para tanto, pediu que permanecessem na ilha durante o inverno. Louise Le Brunou deu à luz, no final de março, uma menina, a quem chamaram de Paule por causa do nome da ilha. Infelizmente, o bebê viveu apenas dois meses e foi enterrado dentro de um caixote de conservas, que lhe serviu de caixão. Depois, devido à falta de alimentos frescos e ao consumo excessivo de conservas, as pessoas começaram a sentir um mal-estar que acabaram por identificar, graças ao livro de remédios que lhes havia sido deixado, como escorbuto. Louis Herlédan relata: «Pernas inchadas, cheias de líquido amarelado, que tentamos eliminar por incisão». O primeiro a ser levado pela doença foi Manuel Puloch, seguido por François Ramamongi e Victor Le Brunou. Pierre Quillivic, por sua vez, chegou a deixar a ilha em uma canoa, em meio a um mar tempestuoso; os sobreviventes, contudo, nunca mais o viram. Quando o barco Île Saint-Paul finalmente atracou na ilha, nove meses depois, apenas três das sete pessoas do grupo inicial haviam sobrevivido: Julien Le Huludut, Louise Le Brunou e Louis Herlédan.
Consequências legais Seguiu-se um processo na França, movido pelas vítimas e por seus familiares. A causa dos esquecidos da Ilha de São Paulo foi defendida por César Campinchi até 1936. Mais tarde, ele se tornou ministro da Marinha.
A sociedade «La Langouste française » foi considerada culpada e condenada ao pagamento de diversas indenizações às vítimas e aos familiares, mas recorreu da decisão. Em 1937, o acórdão do recurso confirmou a responsabilidade da empresa, mas, após a sua falência, as vítimas acabaram por não receber qualquer indenização.
Legado e impacto cultural Uma associação, « Faire vivre le souvenir des oubliés de l'île Saint-Paul », perpetua a memória dos esquecidos de Saint-Paul.
A história é mencionada na história em quadrinhos Journey to the Islands of Desolation, de Emmanuel Lepage, publicada em 2011.
Duas placas comemorativas foram afixadas em 2015: uma na ilha de São Paulo e outra em Concarneau, onde uma praça leva o nome de "Praça dos Esquecidos de São Paulo".
Também em 2015, foi emitido um selo postal.
Um documentário, O terceiro mundo de Robert Genoud, evoca as TAAF e a história dos esquecidos de São Paulo.
Leituras adicionais
"L'expérience de la mer , les oubliés de l'île St Paul" de Ramon Brunelière, https://www.histoire-genealogie.com/Les-Oublies-de-l-ile-St-Paul
Categoria:Concarneau Categoria:1930 na França