O USS Wilkes-Barre foi um cruzador rápido operado pela Marinha dos Estados Unidos e a vigésima quinta embarcação da Classe Cleveland. Sua construção começou em dezembro de 1942 na New York Shipbuilding Corporation e foi lançado ao mar em dezembro de 1943, sendo comissionado na frota estadunidense em julho do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal de doze canhões de 152 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de mais de catorze mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 32 nós.
O Wilkes-Barre entrou em serviço no final da Segunda Guerra Mundial e foi encarregado da escolta de porta-aviões lutando na Guerra do Pacífico. Sua primeira ação nessa função foi uma grande incursão no Mar da China Meridional em que várias possessões japonesas na área foram atacadas. Imediatamente em seguida o navio envolveu-se em operações de suporte à Batalha de Iwo Jima e Batalha de Okinawa, incluindo a proteção antiaérea dos porta-aviões e também bombardeios litorâneos. Por fim, participou de ataques aéreos e bombardeios litorâneos no arquipélago japonês.
A guerra terminou em agosto de 1945 e o Wilkes-Barre permaneceu no Japão com o objetivo de fazer parte das forças iniciais de ocupação. Ele voltou para casa no início de 1946 e pelo ano seguinte ocupou-se principalmente de exercícios de treinamento de rotina ao longo da Costa Leste dos Estados Unidos, porém chegou a realizar um cruzeiro diplomático pela Europa. O navio foi descomissionado em outubro de 1947 e deixado inativado na Frota de Reserva do Atlântico até maio de 1972, quando foi deliberadamente afundado no litoral da Flórida em testes de armamentos.
Características
thumb|240px|esquerda|Desenho da Classe Cleveland O projeto dos cruzadores rápidos da Classe Cleveland começou a ser desenvolvido no final da década de 1930. O deslocamento de navios do tipo na época ficava limitado a 8,1 mil toneladas pelos termos do Segundo Tratado Naval de Londres de 1930. Entretanto, após o início da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939, o Reino Unido anunciou que iria suspender o tratado pela duração do conflito, uma decisão rapidamente seguida pelos Estados Unidos. Este, apesar de ainda neutro, reconheceu que sua entrada na guerra era provável e que a necessidade urgente de mais navios impedia um projeto totalmente novo, assim a Classe Cleveland teve seu projeto muito baseado na predecessora Classe Brooklyn. A principal diferença foi a remoção de uma torre de artilharia tripla de armas de 152 milímetros em favor de uma torre dupla de 127 milímetros.
O Wilkes-Barre tinha 185,95 metros de comprimento de fora a fora, boca de 20,22 metros e calado de 7,47 metros. Seu deslocamento padrão era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por quatro caldeiras Babcock & Wilcox que queimavam óleo combustível proporcionando o vapor para quatro conjuntos de turbinas a vapor General Electric, cada uma girando uma hélice. A potência indicada era de 102 mil cavalos-vapor (75 mil quilowatts), suficiente para levar o navio a uma velocidade máxima de 32,5 nós (60,2 quilômetros por hora). Sua tripulação era composta por oficiais e marinheiros.
Sua bateria principal era formada por doze canhões Marco 16 calibre 47 de 152 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas na linha central do navio, duas na proa e duas na popa, em ambos os casos com uma torre sobreposta à outra. A bateria secundária tinha doze canhões de duplo propósito calibre 38 de 127 milímetros em seis torres de artilharia duplas. Duas ficavam na linha central à proa e à ré da superestrutura, enquanto as outras quatro ficavam nas laterais da superestrutura, duas de cada lado. A bateria antiaérea tinha 28 canhões Bofors de 40 milímetros em quatro montagens quádruplas e seis montagens duplas, mais dez canhões Oerlikon de 20 milímetros todos em montagens individuais.
O cinturão principal de blindagem do Wilkes-Barre tinha uma espessura que variava de 89 a 127 milímetros, com a seção mais espessa ficando à meia-nau, onde protegia os depósitos de munição e as salas de máquinas. Seu convés blindado tinha 51 milímetros de espessura. As torres de artilharia principais eram protegidas com uma frente de 170 milímetros e laterais e teto de 76 milímetros, ficando em cima de barbetas com 152 milímetros. Sua torre de comando tinha laterais de 127 milímetros.
História O batimento de quilha do Wilkes-Barre ocorreu em 14 de dezembro de 1942 nos estaleiros da New York Shipbuilding Corporation em Camden, em Nova Jérsei. Foi lançado ao mar em 24 de dezembro de 1943 e comissionado na frota estadunidense em 1º de julho de 1944. O navio em seguida partiu para seu cruzeiro de testes, primeiro na Baía de Chesapeake e depois no Oceano Atlântico, navegando para o sul até o Golfo de Pária em Trindade, nas Índias Ocidentais Britânicas. Retornou por fim para a Filadélfia, na Pensilvânia. O cruzador partiu para o Oceano Pacífico em 23 de outubro, atravessou o Canal do Panamá quatro dias depois, navegou até San Diego, na Califórnia, e então seguiu no dia 10 de novembro para Pearl Harbor, no Havaí. Chegou uma semana depois e participou de exercícios de treinamento na área até o início de dezembro.
Mar da China Meridional thumb|240px|O Wilkes-Barre em 10 de julho de 1944 O Wilkes-Barre deixou Pearl Harbor em 14 de dezembro para se juntar ao resto da frota, que na época estava em Ulithi, nas Ilhas Carolinas. Ao chegar foi designado para a Divisão de Cruzadores 17, parte da Força Tarefa 38, também conhecida como Força Tarefa de Porta-Aviões Rápidos, na época designada para a Terceira Frota. O navio durante esse período ficou subordinado ao Grupo de Tarefas 38.2, centrado nos porta-aviões , e . A unidade também tinha os couraçados e , os cruzadores rápidos , e , mais vinte contratorpedeiros.
A frota partiu em 30 de dezembro para realizar uma surtida no Mar da China Meridional. Os porta-aviões lançaram uma série de ataques aéreos contra alvos japoneses em Formosa e no sul das Ilhas Ryūkyū com o objetivo de neutralizar campos de pouso que poderiam interferir com a iminente invasão de Luzon, nas Filipinas. Em seguida a força tarefa foi atacar posições inimigas na própria Luzon. Mais ataques contra Formosa ocorreram em 9 de janeiro de 1945 e os navios então foram dar cobertura para o flanco da força que estava realizando a invasão do Golfo de Lingayen a fim de bloquear quaisquer possíveis ataques das Marinha Imperial Japonesa.
Relatórios de navios japoneses próximos da Baía de Cam Ranh, na Indochina Francesa, em 12 de janeiro fizeram o comando estadunidense destacar a Divisão de Cruzadores 17, mais o New Jersey e Wisconsin com contratorpedeiros, para formarem o Grupo de Tarefas 34.5. Foram enviados à procura das embarcações japonesas, porém os hidroaviões Vought OS2U Kingfisher dos cruzadores não encontraram alvos, assim os navios voltaram no dia seguinte para a Força Tarefa 38. O Wilkes-Barre e o resto da frota enfrentaram clima ruim nos dias 13 e 14 de janeiro, paralisando temporariamente as operações ofensivas. Os porta-aviões retomaram seus ataques contra alvos na China no dia 15, passando para Formosa em 21 de janeiro e finalizando com ataques contra Okinawa no dia seguinte. A Força Tarefa 38 voltou para Ulithi, chegando em 26 de janeiro para reparos e reabastecimento. O comando da unidade passou para a Quinta Frota e assim ela passou a se chamar Força Tarefa 58.
Iwo Jima e Okinawa
thumb|240px|esquerda|O Wilkes-Barre operando próximo de Okinawa em julho de 1945 O Wilkes-Barre e o resto da Divisão de Cruzadores 17 foram transferidos para o Grupo de Tarefas 58.3, comandada pelo contra-almirante Frederick C. Sherman. Esta unidade na época também tinha os porta-aviões e , o porta-aviões rápido , os couraçados New Jersey e , o cruzador de batalha , os cruzadores rápidos Astoria e Pasadena, mais catorze contratorpedeiros. A composição da unidade mudou no decorrer dos dois meses seguintes de operações enquanto embarcações eram alternadas para passarem por reparos ou manutenção. A frota fez uma surtida entre 16 e 18 de fevereiro para realizar ataques aéreos contra Tóquio. Estes tinham a intenção de distrair a atenção japonesa para longe da invasão de Iwo Jima. A frota em seguida navegou para o sul a fim de dar apoio direto para a invasão, no caminho lançando ataques aéreos contra as vizinhas Chichijima e Hahajima. O ataque anfíbio contra Iwo Jima começou em 19 de fevereiro. O Wilkes-Barre foi destacado da escolta dos porta-aviões por dois dias com o objetivo de proporcionar suporte de artilharia para os fuzileiros navais em terra. Seus disparos foram direcionados por seus Kingfisher e o cruzador foi creditado pela destruição de várias posições defensivas inimigas e depósitos de munição. Seus disparos também interromperam uma tentativa de contra-ataque dos defensores japoneses.
O navio voltou em 23 de fevereiro para o Grupo de Tarefas 58.3, partindo dois dias depois com o resto da frota para mais ataques em Tóquio, seguidos em 1º de março por uma incursão em Okinawa. As embarcações então retornaram para Ulithi a fim de reabastecerem. A frota permaneceu no local entre os dias 5 e 14. O Wilkes-Barre participou de exercícios de treinamento junto com outros navios, designados como Força Tarefa 59, entre 14 e 15 de março, retornando então para o Grupo de Tarefas 58.3. Os porta-aviões partiram três dias depois para mais uma surtida no Japão, tendo como alvo a ilha de Kyūshū. O Wilkes-Barre abateu no dia seguinte um bombardeiro de mergulho Yokosuka D4Y. Os japoneses mesmo assim conseguiram acertar o porta-aviões duas vezes, infligindo danos sérios e forçando o Grupo de Tarefas 58.3 a temporariamente paralisar suas ações ofensivas a fim de dar cobertura para o recuo do danificado Franklin.
O Grupo de Tarefas 58.3 retomou os ataques em 23 de março, tendo como alvo Okinawa pelo decorrer do dia seguinte em preparação para a iminente invasão. O Wilkes-Barre lançou um de seus Kingfisher para resgatar dois pilotos que tinham sido abatidos próximos de Minamidaitō. O navio e o resto da Divisão de Cruzadores 17 bombardearam um campo de pouso japonês em Minamidaitō em 27 de março. A frota seguiu para o norte dois dias depois com o objetivo de fazer mais ataques em Kyūshū. O Wilkes-Barre de novo usou um de seus Kingfisher para resgatar dois pilotos do Bunker Hill cujas aeronaves tinham sido abatidas próximas de Yakushima durante os ataques. Os desembarques em Okinawa começaram em 1º de abril e a Força Tarefa 58 continuou dando suporte para a operação, realizando ataques aéreos contra campos de pouso na região, incluindo em Kyūshū, Shikoku e no sul de Honshū. Os japoneses lançaram grandes ataques aéreos em resposta, com grande ênfase em táticas kamikaze. Os artilheiros antiaéreos do Wilkes-Barre reivindicaram terem abatido três caças Mitsubishi A6M Zero e um bombardeiro de mergulho Aichi D3A em 11 de abril, mais crédito parcial por outros dois Zero.
thumb|250px|Feridos do Bunker Hill sendo transferidos para o Wilkes-Barre em 11 de maio de 1945