A Resposta Histórica é uma carta enviada em por José Augusto Prestes, então presidente do Club de Regatas Vasco da Gama, para a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos. Nela, Prestes declara que o clube não iria desfiliar seus doze atletas negros, operários e analfabetos, abrindo mão assim de sua inscrição na AMEA. A desfiliação foi uma condição estabelecida pela associação para a admissão e subsequente participação do Vasco nos campeonatos organizados pela AMEA.
No ano anterior, o Vasco da Gama havia conquistado de forma inconteste o Campeonato Carioca de 1923, vencendo 12 das 14 partidas (89,3% de aproveitamento). Em seu primeiro ano na elite carioca, a equipe cruzmaltina foi campeã com um elenco racialmente diverso, conhecido por Camisas Negras, sendo muitos jogadores negros e pardos, quase todos de origens suburbanas. À época, o futebol era tido como um esporte das elites.
Hoje, a carta e a posição assumidas pelo Vasco são tidas como um marco na luta contra o racismo no Brasil e no futebol.
Contexto A história da introdução do futebol no Brasil e no Rio de Janeiro, no final do século XIX e no início do século XX, é marcada por uma divisão racial e socioeconômica. Haviam pioneiros que eram abastados e traziam o jogo de suas viagens pela Europa, como Oscar Cox; e outros eram marinheiros europeus. A própria ideia de que o esporte teria sido introduzido e ensinado por Charles Miller é tida hoje como contestável a partir dessa visão de disputa racial e econômica. É importante frisar que a introdução do esporte ocorreu poucos anos após a Abolição da escravatura no Brasil e que, naturalmente, haveriam reflexos disso em toda a sociedade.
Até os anos de 1920, o esporte era considerado de elite e ligado a um ideário de modernidade europeia. O futebol carioca à época era dominado por times da Zona Sul da capital, notoriamente mais abastada, e era profundamente racista. Negros, pobres e analfabetos não eram bem-vindos no futebol profissionalizado, o que causava uma grande diferença técnica e de condição física em favor dos jogadores vindos das elites, que não precisavam se dedicar ao trabalho assalariado.
Apesar de outros clubes terem negros e pobres em seus planteis, o Vasco foi o primeiro a profissionalizar seus atletas com essas origens e o primeiro de um bairro pobre a ser campeão. A ascensão meteórica em 1922 e o título de 1923 vieram como um choque para os clubes da elite carioca, que até então não tinham tido sua hegemonia ameaçada. O escrete, que veio a ser conhecido como "Camisas Negras", era composto por operários, faxineiros, choferes e pintores, doze dos quais eram negros ou pardos.
A forma encontrada pelos clubes da elite para se defender foi criando a AMEA e exigindo do Vasco a exclusão de jogadores que "não se encaixavam na conduta esportiva requerida pelo campeonato", além de alegar a falta de um estádio, que seria construído quatro anos depois. Frente a isso, o então presidente do clube José Augusto Prestes enviou a carta endereçada à nova associação.
Ver também História do futebol do Brasil História do futebol do Rio de Janeiro História do Club de Regatas Vasco da Gama Campeonato Carioca de Futebol de 1923
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