Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva (Porto Alegre, 29 de junho de 1942 —) é uma educadora, professora, pesquisadora, conselheira de educação, ativista negra e referência no país na luta por uma educação antirracista. Em 2011, recebeu a Ordem Nacional do Mérito, no Grau de Cavaleiro, durante o Governo da ex-presidenta Dilma Rousseff. É professora sênior de Ensino- Aprendizagem - Relações Étnico-Raciais no Departamento de Teorias e Práticas Pedagógicas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Possui licenciatura em Letras e Francês (1964), mestrado (1979) e doutorado (1987) em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Cursou o seu pós-doutorado pela University Of South Africa, na África do Sul, em 1996. É Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 2024. Biografia
Família e primeiros anos Petronilha Gonçalves e Silva nasceu no bairro Colônia Africana, atualmente conhecido como Rio Branco, em Porto Alegre. É a filha única do pedreiro João Antônio, que faleceu quando ela ainda era criança, e da professora Regina, que morreu em 1999, aos 80 anos de idade. Desde criança, Petronilha manteve uma relação especial com a educação, devido à sua mãe, que era docente da rede pública estadual, e sempre incentivava a leitura e a abertura para novos conhecimentos para a filha.
Em 1953, após o primário, Regina foi aprovada para estudar no Instituto de Educação Flores da Cunha, prestigiosa instituição de Porto Alegre exclusiva para mulheres. Antes de começar seus estudos, foi convidada para participar da reunião de criação do novo colégio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Colégio de Aplicação. Nessa reunião, foi oferecida uma vaga para a sua filha na primeira turma do ginásio, onde estudou até seguir para a graduação.
Carreira acadêmica e profissional Depois de estudar no Colégio de Aplicação, ela saiu aos 18 anos para ingressar na Faculdade de Letras da UFRGS. Entrou no curso de Letras onde estudava línguas neolatinas — português, francês, espanhol e italiano. Contudo, houve uma reforma universitária no terceiro ano de graduação, na qual os graduandos deveriam escolher apenas um idioma para continuar os estudos, escolhendo por continuar aprendendo francês.
No terceiro ano de faculdade, começou a lecionar Português, no Ginásio Comercial Antão de Faria, localizado em Porto Alegre, assumindo também algumas turmas de Português no colégio particular Bom Jesus Sévigné, em Duque de Caxias. Durante a graduação, foi professora de francês para uma turma do Colégio de Aplicação, atuando na instituição durante onze anos. Em 1972, ela assumiu como professora horista no Ensino Superior, ministrava a disciplina de Língua Portuguesa: Habilidades de Linguagem Escrita, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde permaneceu no cargo até 1976. Também foi docente na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS), no curso de especialização em Supervisão Escolar, e iniciou o trabalho de orientadora de dissertações e teses, ministrando aulas na Pós-Graduação em Educação. Além dessas experiências de trabalho, Petronilha atuou em outras escolas, percorrendo um longo caminho na docência e colecionando experiências.GOMES, LUÍS. Petronilha: Educação que vem de berço e faz história. SUL21, 2020. Disponível em: https://sul21.com.br/8mz_areazero/2020/03/petronilha-educacao-que-vem-de-berco-e-faz-historia/ Acesso em 14 de setembro.
Em 2012, foi docente no Programa de Pós-Graduação em Educação e no Departamento de Metodologia do Ensino da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e, ao se aposentar, recebeu o título de Professora Emérita do Conselho Universitário da Universidade Federal de São Carlos.Deliberações da 190a Reunião Ordinária, realizada em 16/12/2011. [s.l: s.n.]. Disponível em: <https://www.soc.ufscar.br/consuni/2011/arquivos/190areuniao-ordinaria-16122011/deliberacoes_consuni190.pdf>. Acesso em: 14 set. 2022. Trabalha como pesquisadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB), da UFSCar, e atua em grupos do Movimento Negro. Petronilha é coordenadora do Grupo Gestor do Programa de Ações Afirmativas da UFSCar e também coordena o Grupo de Pesquisa Práticas Sociais e Processos Educativos da mesma instituição, juntamente com a professora Maria Waldenez de Oliveira.
Carreira na Educação No período de 2002 a 2006, por meio de sua nomeação pelo Movimento Negro, foi eleita conselheira da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação. Neste cargo, foi relatora do parecer que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.https://editalequidaderacial.ceert.org.br/pdf/diretrizes.pdf
Em 2006, Petronilha participou da fundação do programa que reserva vagas para estudantes de escola pública, para indígenas e para negros da UFSCar, quando assumiu a a coordenação.
Obras A professora Petronilha Gonçalves e Silva publicou vários trabalhos acadêmicos como tese, dissertação e artigos em periódicos. Dentre elas destacam-se:
“Educação e identidade dos negros trabalhadores rurais do Limoeiro” foi a tese publicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1987 e após dezoito anos de seu doutoramento, o documento serviu como documento para o reconhecimento da comunidade do Limoeiro como quilombo. Histórias de Operários Negros. EST, 987. O jogo das diferenças: o multiculturalismo e seus contextos com Luiz Alberto Oliveira Gonçalves. 1ª edição: 1998, 2ª edição: 2000; 3ª edição: 2001; 4ª edição: 2006 “Experiências étnico-culturais para a formação de professores” juntamente com Nilma Lino Gomes. 1ª edição: 2002, 2ª edição: 2006; 3ª edição; 2011; 4ª edição: Ebook 2018. Entre Brasil e África: Construindo Conhecimento e Militância. Primeira edição: Belo Horizonte: Mazza Edições Ltda., 2011. 176p. Segunda edição: Belo Horizonte: Mazza Edições Ltda., 2021. Ebook: 2216 KB. Resumo: Nesta obra a autora relata suas vivências, a formação escolar, vida profissional e acadêmica, e as militâncias sociais e políticas pelas quais lutou. O Pensamento Negro em Educação no Brasil - Expressões do Movimento Negro com Lucia Maria de Assunção Barbosa. 1ª edição: 1997; 2ª edição: Ebook 2023.
Homenagens Petronilha recebeu o título de Doutora Honoris Causa, pela Universidade Federal do ABC. Os membros do Consuni aprovaram a concessão do título no dia 20 de abril de 2021, em reconhecimento ao trabalho exemplar da professora na defesa da cultura, da diversidade, da mulher, do ensino público gratuito e de excelência, especialmente a inclusão e a não discriminação.Entrega de título de Doutora Honoris Causa à Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva. Disponível em: <https://m.youtube.com/watch?v=f1efUs2jw4I>. Acesso em: 14 set. 2022.MIAN, M. UFABC concede título de Doutora Honoris Causa à Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva no dia 14 de dezembro - Universidade Federal do ABC. Disponível em: <https://www.ufabc.edu.br/noticias/ufabc-concede-titulo-de-doutora-honoris-causa-a-petronilha-beatriz-goncalves-e-silva-no-dia-14-de-dezembro>. Acesso em: 14 set. 2022.Ato Decisório N° 196 - Conceder o título de doutora honoris causa à Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva - Universidade Federal do ABC. Disponível em: <https://www.ufabc.edu.br/administracao/conselhos/consuni/atos-decisorios/ato-decisorio-n-196-conceder-o-ti-tulo-de-doutora-honoris-causa-a-petronilha-beatriz-gonc-alves-e-silva>. Acesso em: 14 set. 2022.
Ver também
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