miniaturadaimagem|Um gráfico que ilustra as diferenças de rendimentos entre homens e mulheres do mesmo nível educacional (EUA 2006) [ precisa de atualização ]
Um teto de vidro (glass ceiling) é uma metáfora usada para representar uma barreira invisível que impede que um determinado grupo demográfico (geralmente aplicado a mulheres) ultrapasse um certo nível na hierarquia de instituições, sejam elas do setor privado, público ou mesmo movimentos sociais e políticos.Federal Glass Ceiling Commission. Solid Investments: Making Full Use of the Nation's Human Capital. Washington, D.C.: U.S. Department of Labor, November 1995, p. 13-15.
Essa metáfora foi cunhada por autoras feministas em referência às barreiras invisíveis nas carreiras de mulheres de alto desempenho.Federal Glass Ceiling Commission. Good for Business: Making Full Use of the Nation's Human Capital. Washington, D.C.: U.S. Department of Labor, March 1995. Nos EUA, o conceito às vezes é estendido para se referir a obstáculos que impedem o avanço tanto de mulheres, bem como de homens de minorias. Mulheres que também pertencem a minorias raciais em países de maioria branca geralmente encontram mais dificuldade ainda em "quebrar o teto de vidro" porque estão na interseção de dois grupos historicamente marginalizados: mulheres e afrodescendentes/latinos/indígenas/de descendência asiática."Demarginalising the Intersection of Race and Sex: A Black Feminist Critique of Anti-discrimination Doctrine, Feminist Theory, and Anti-racist Politics" by Kimberlé Crenshaw in Framing Intersectionality, edited by Helma Lutz et al. (Ashgate, 2011). Conceitos derivados foram criados sem relação com o movimento feminista. As agências de notícias do Leste Asiático cunharam o termo "teto de bambu" para se referir aos obstáculos que todos os americanos descendentes do Leste Asiático enfrentam no avanço de suas carreiras. Da mesma forma, uma infinidade de barreiras que refugiados e requerentes de asilo enfrentam na busca por um emprego significativo é chamada de "teto de lona".
Dentro dos conceitos dos demais termos que envolvem o local de trabalho, há termos semelhantes para restrições e barreiras relativas às mulheres e seus papéis dentro das organizações e como eles coincidem com seus deveres maternos. Essas "Barreiras Invisíveis" funcionam como metáforas para descrever as circunstâncias extras e não registradas pelas quais as mulheres passam, geralmente quando tentam avançar em áreas de suas carreiras para cargos de alta direção e muitas vezes enquanto tentam avançar em suas vidas fora de seus espaços de trabalho culminando com a saída delas do mercado ou opção por empreender sozinhas.
Um teto de vidro representa uma barreira que proíbe as mulheres de avançar para o topo de uma corporação hierárquica. Essas mulheres são impedidas de receber promoções, especialmente para cargos executivos, dentro de sua corporação. As regras sociais que provocam este impedimento não são explícitas ou escritas, mas fazem parte da cultura empresarial e regras internalizadas pela direção das instituições, que geralmente é composta por homens. Nos últimos vinte anos, as mulheres que se tornaram mais envolvidas e pertinentes em indústrias e organizações raramente ocuparam cargos executivos.
Definição A United States Federal Glass Ceiling Commission (Comissão Federal de Teto de Vidro dos Estados Unidos) define o teto de vidro como "a barreira invisível, mas intransponível, que impede que minorias, dentre elas as mulheres, subam aos degraus superiores da escada corporativa, independentemente de suas qualificações ou realizações".Federal Glass Ceiling Commission. Solid Investments: Making Full Use of the Nation's Human Capital. Washington, D.C.: U.S. Department of Labor, November 1995, p. 13-15.
David Cotter e colegas definiram quatro características distintas que devem ser atendidas para concluir que existe um teto de vidro . Uma desigualdade de teto de vidro representa:
"Uma diferença de gênero ou raça que não é explicada por outras características relevantes para o trabalho do funcionário." "Uma diferença de gênero ou raça que é maior em níveis mais altos de um resultado do que em níveis mais baixos de um resultado." “Uma desigualdade de gênero ou raça nas chances de avanço para níveis mais altos, não apenas as proporções de cada gênero ou raça atualmente nesses níveis mais altos”. "Uma desigualdade de gênero ou racial que aumenta ao longo de uma carreira."
Cotter e colegas descobriram que os tetos de vidro estão fortemente correlacionados com o gênero, com mulheres brancas e de minorias, enfrentando barreiras não explícitas no decorrer de suas carreiras. Em contraste, os pesquisadores não encontraram nesta pesquisa evidências de um teto de vidro para homens afro-americanos.
A metáfora do teto de vidro tem sido frequentemente usada para descrever barreiras invisíveis mas intransponíveis (transparência e solidez do "vidro") através das quais as mulheres podem ver posições de elite, mas não podem alcançá-las ("teto"). Essas barreiras impedem que um grande número de mulheres e minorias étnicas obtenham e garantam os empregos mais poderosos, prestigiosos e de maior lucratividade da força de trabalho. Como esses cargos tomam as decisões executivas principais das companhias, mulheres e minorias raciais ficariam então ausentes dos processos de decisão dos mercados.Hesse-Biber and Carter 2005, p. 77. Além disso, esse efeito impede que as mulheres ocupem cargos de alto escalão e as coloca em desvantagem como potenciais candidatas a promoções.Nevill, Ginny, Alice Pennicott, Joanna Williams, and Ann Worrall. Women in the Workforce: The Effect of Demographic Changes in the 1990s. London: The Industrial Society, 1990, p. 39, .
História Em 1839, a feminista e autora francesa George Sand usou uma frase semelhante, une voûte de cristal impénétrable (uma abóbada de cristal impenetrável), em uma passagem de Gabriel, uma peça nunca apresentada: "Eu era uma mulher; pois repentinamente minhas asas colapsaram, éter envolveu minha cabeça como uma abóbada de cristal impenetrável, e eu caí...” [ênfase adicionada]. A declaração, uma descrição do sonho da heroína de voar com asas, foi interpretada como um conto feminino de Ícaro de uma mulher que tenta ascender acima de seu papel aceito na sociedade.
Uma das primeiras pessoas a usar o termo teto de vidro foi a escritora norte-americana e advogada pela diversidade Marilyn Loden durante um discurso de 1978. A autora é considerada a criadora do termo em um evento sobre liderança feminina De acordo com o Wall Street Journal de 3 de abril de 2015, o termo teto de vidro foi cunhado na primavera de 1978 por Maryanne Schriber e Katherine Lawrence na Hewlett-Packard. Lawrence esboçou o conceito no National Press Club na reunião nacional do Instituto das Mulheres para a Liberdade de Imprensa (Women´s Institute for the Freedom of the Press) em Washington -DC. O teto foi definido como padrões discriminatórios de promoção onde a política promocional escrita é não discriminatória, mas na prática nega promoção a mulheres qualificadas.
O termo foi usado mais tarde em março de 1984 por Gay Bryant . Ela era a ex-editora da revista Working Woman e estava mudando de emprego para ser a editora do Family Circle . Em um artigo da Adweek escrito por Nora Frenkel, Bryant foi reportada dizendo: "As mulheres chegaram a um certo ponto - eu chamo isso de teto de vidro. Elas estão no topo da gerência intermediária e estão parando e ficando presas. Não há espaço suficiente para todas aquelas mulheres no topo. Algumas estão entrando em negócios por conta própria. Outras estão saindo e criando famílias." Também em 1984, Bryant usou o termo em um capítulo do livro The Working Woman Report: Succeeding in Business in the 1980s (O relatório das Mulheres Trabalhadoras: tendo sucesso nos negócios nos anos de 1980). No mesmo livro, Basia Hellwig usou o termo em outro capítulo. A obra traz um apanhado das condições de trabalho feminina naquela década.
Em um artigo amplamente citado no Wall Street Journal em março de 1986, o termo foi usado no título do artigo: "O teto de vidro: por que as mulheres não conseguem quebrar a barreira invisível que as bloqueiam dos principais empregos". O artigo foi escrito por Carol Hymowitz e Timothy D. Schellhardt. Hymowitz e Schellhardt introduziram que o teto de vidro "não era algo que pudesse ser encontrado em qualquer manual corporativo ou mesmo discutido em uma reunião de negócios; foi originalmente apresentado como um fenômeno invisível, encoberto e tácito que existia para manter posições de liderança de nível executivo nas mãos de homens caucasianos."
À medida que o termo "teto de vidro" se tornou mais comum, o público respondeu com ideias e opiniões divergentes. Alguns argumentaram que o conceito é um mito porque as mulheres optam por si mesmas por ficar em casa e mostraram menos dedicação para avançar em cargos executivos. A opção de não avançar na carreira partiria então delas e não das instituições. Contribuindo com o contínuo debate público, a chefe do Departamento do Trabalho dos EUA, Lynn Morley Martin, apresentou os resultados de um projeto de pesquisa chamado "The Glass Ceiling Initiative" (A iniciativa Teto de Vidro), formado para investigar o baixo número de mulheres e minorias em cargos executivos nas companhias norte-americanas. Este relatório definiu o novo termo como "aquelas barreiras artificiais baseadas em preconceitos de atitude ou organizacionais que impedem que indivíduos qualificados avancem em sua organização para cargos de nível gerencial".
Em 1991, como parte do Título II da Lei de Direitos Civis de 1991, o Congresso dos Estados Unidos criou a Comissão de Teto de Vidro (Glass Ceiling Commission). Esta Comissão Presidencial de 21 membros foi presidida pelo Secretário do Trabalho Robert Reich, e foi criada para estudar as "barreiras ao avanço das minorias e das mulheres dentro das hierarquias corporativas[,] para emitir um relatório sobre suas descobertas e conclusões, e para fazer recomendações sobre maneiras de desmontar o teto de vidro."Federal Glass Ceiling Commission. Solid Investments: Making Full Use of the Nation's Human Capital. Washington, D.C.: U.S. Department of Labor, November 1995, p. 13-15. A comissão realizou um extenso trabalho por quatro anos, incluindo pesquisas, audiências públicas e entrevistas, e divulgou suas descobertas em um relatório em 1995.Federal Glass Ceiling Commission. Good for Business: Making Full Use of the Nation's Human Capital. Washington, D.C.: U.S. Department of Labor, March 1995. O relatório, "Good for Business" (Bom para os negócios), ofereceu "diretrizes e soluções tangíveis sobre como essas barreiras podem ser superadas e eliminadas". O objetivo da comissão era fornecer recomendações sobre como "quebrar" o teto de vidro, especificamente no mundo dos negócios. O relatório emitiu 12 recomendações sobre como melhorar o local de trabalho aumentando a diversidade nas organizações e reduzindo a discriminação por meio de políticas. Um dos principais argumentos do documento, como diz seu título, era que essa quebra era boa para os negócios: as empresas e o mercado recebiam ganhos significativos com diversidade nos cargos executivos.
O número de mulheres em cargos de CEOs nas listas da Fortune aumentou entre 1998 e 2020, apesar da taxa de participação das mulheres na força de trabalho ter diminuído globalmente de 52,4% para 49,6% entre 1995 e 2015. Apenas 19,2% dos assentos no conselho do S&P 500 eram ocupados por mulheres em 2014, 80,2% das quais eram consideradas brancas.