Meu corpo, minhas regras (em inglês: my body, my choice) é um slogan feminista usado em vários países, na maioria das vezes em torno de questões de autonomia corporal e aborto.

As feministas geralmente defendem o direito individual sobre seus corpos para escolhas sexuais, matrimoniais e reprodutivas como direitos. O slogan tem sido usado em todo o mundo e traduzido em muitas línguas diferentes. O uso do slogan tem causado diferentes tipos de controvérsia em diferentes países e é frequentemente usado como um grito de guerra durante protestos e manifestações e/ou para chamar a atenção para diferentes questões feministas.

Autonomia e integridade corporal thumb|240px|"Meu corpo, minhas regras", na Marcha das Mulheres, em São Francisco, Califórnia, em janeiro de 2018. "Meu corpo, minhas regras" é um slogan que pretende representar a ideia de autonomia corporal pessoal, integridade corporal e liberdade de escolha. A autonomia corporal constitui a autodeterminação sobre o próprio corpo sem dominação ou coação externa. A integridade corporal é a inviolabilidade do corpo físico e enfatiza a importância da autonomia pessoal, autopropriedade e autodeterminação dos seres humanos sobre seus próprios corpos.The Limits of Bodily Integrity Ruth Austin Miller – 2007 No campo dos direitos humanos, a violação da integridade corporal de outrem é considerada uma violação antiética e/ou possivelmente criminosa.Civil Liberties and Human Rights Helen Fenwick, Kevin Kerrigan – 2011Xenotransplantation: Ethical, Legal, Economic, Social, Cultural Brigitte E.s. Jansen, Jürgen W. Simon, Ruth Chadwick, Hermann Nys, Ursula Weisenfeld – 2008Personal Autonomy, the Private Sphere and Criminal Law Peter Alldridge, Chrisje H. Brants - 2001, retrieved 29 May 2012Privacy law in Australia Carolyn Doyle, Mirko Bagaric – 2005 A liberdade de escolha descreve a oportunidade e a autonomia de um indivíduo para executar uma ação selecionada entre pelo menos duas opções disponíveis, sem restrições de terceiros.

De acordo com Suzannah Weiss, o slogan "Meu corpo, minhas regras" é uma ideia feminista que pode ser aplicável aos direitos reprodutivos das mulheres e outras questões de direitos das mulheres. Também é o oposto de tratar os corpos das mulheres como propriedade e afirma a importância de uma cultura de consentimento. Rameeza Ahmad descreve a versão paquistanesa de "Meu corpo, minhas regras" como "Mera Jism Meri Marzi ", ou seja, as feministas no Paquistão destacam a importância das mulheres terem controle sobre seus próprios corpos. Kristin Rowe-Finkbeiner afirma que, embora pareça simples que a liberdade feminina esteja ligada ao próprio controle e decisões das mulheres sobre seus próprios corpos, na prática o slogan "Meu corpo, minhas regras" é, muitas vezes, alterado para significar que "não é realmente seu corpo, não é realmente a sua escolha", mas sim, o direito das mulheres como acesso a métodos contraceptivos, aborto e saúde sexual que são atacados.

Documento assinado pela Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (ICPD25), realizada na cúpula de Nairóbi em 2019, definiu um 'estado de completo bem-estar físico, mental e social em todos os aspectos relacionados à sexualidade e ao sistema reprodutivo com boa saúde sexual, ou seja, para alcançar esse objetivo, é necessário que cada pessoa tenham o direito de tomar as decisões sobre seu próprio corpo, buscando os serviços que garantem ao apoio por esstes direitos.Background document for the International Conference on Population and Development (ICPD25) held at Nairobi summit in 2019 attributes to Starrs and others, 2018 and (United Nations Population Fund, 2014; WHO, 2004). O documento complementa ainda que todos têm o direito de fazer suas próprias escolhas sobre sua própria saúde sexual, o que significa que todos podem ter uma vida sexual satisfatória e segura, o direito à autodeterminação para se reproduzir e a liberdade de decidir quando e com que frequência fazê-lo.

Uso do slogan pelo mundo Áustria Em junho de 2019, o time de futebol feminino da Cidade do Vaticano decidiu se retirar de uma partida contra a equipe da casa na Áustria, num jogo realizado na capital Viena, uma vez que as mulheres austríacas usaram este momento para exibir o slogan "meu corpo, minhas regras" em seus corpos, junto com o logotipo do movimento LGBT como forma de protesto contra a posição da Igreja Católica sobre o aborto.

Hong Kong Em 2011, Hong Kong organizou um movimento contra a prática do slutshaming e da culpabilização da vítima, intitulado Marcha das Vadias. Sua 7.ª marcha anual em 2018 focou no slogan "meu corpo, minhas regras", para aumentar a conscientização contra a violência "sexual, de gênero e baseada no corpo", que é predominante em Hong Kong.

Índia Na Índia, o conceito de "meu corpo, minhas regras" foi discutido em um artigo publicado em março de 2003 na revista feminina indiana Femina.

Em março de 2015, a curta-metragem My Choice fez parte de uma iniciativa de conscientização social na Índia. A atriz indiana Deepika Padukone interpretou o papel principal e o filme foi dirigido por Homi Adajania. My Choice não se refere apenas aos direitos reprodutivos, mas também a uma série de questões de direitos das mulheres relacionadas às mulheres do Sul da Ásia, como liberdade de escolha de roupas, movimento, sexo amoroso e casamento.

Malásia Em dezembro de 2019, o vice-ministro da Educação da Malásia, Teo Nie Ching, lançou um vídeo educacional intulado "Meu corpo é meu" para educar as crianças sobre 'toque seguro e toque inseguro' como parte da educação de segurança infantil, além de evitá-los do envolvimento com a corrupção de menores, o que resultou na inclusão do assunto nos livros escolares malaios na disciplina Pendidikan Jasmani dan Kesihatan (educação física e saúde).

África do Sul Em 2018, várias organizações sul-africanas de saúde e direitos sexuais e reprodutivos se uniram nas redes sociais para defender uma iniciativa comunitária chamada "#MeuCorpoMinhasRegras". O objetivo "convoca a proteção e a promoção dos direitos das mulheres de tomar decisões sobre sua saúde sexual, seus corpos e suas vidas". O princípio subjacente é que, se for o corpo de uma mulher, ela deve ser a pessoa a fazer escolhas e ter a agência para procurar um atendimento de saúde que precisa, além de tomar decisões bem informadas em relação ao seu próprio corpo, saúde e vida. Isso considerado um direito fundamental – independentemente de sua sexualidade, onde mora, quanto ganha ou sua etnia.

Paquistão Mera Jism Meri Marzi ( ; ) é um slogan feminista usado por feministas no Paquistão no contexto dos direitos das mulheres.

O termo Mera Jism Meri Marzi foi popularizado pela Marcha Aurat no Paquistão, que foi observada no Dia Internacional das Mulheres, no qual gerou muita controvérsia. De acordo com a reportagem de fim de março de 2022 pelo The Friday Times, um homem de Lahore, no Paquistão, matou sua esposa grávida pela quinta vez por cantar o slogan Mera Jism Meri Marzi.

Coreia do Sul Na Coreia do Sul, o slogan "meu corpo, minhas regras" significa escolher se pretende ou não casar, e ter filhos. É um impulso para a igualdade das mulheres solteiras no local de trabalho, onde há uma grande diferença salarial entre homens e mulheres.

Turquia Em 2012, uma manifestação pelo direito ao aborto no distrito de Kadiköy, em Istambul, atraiu mulheres. Os manifestantes carregavam faixas com o slogan "Meu corpo, minhas regras" em resposta aos planos do governo de limitar o acesso ao aborto no país.

Reino Unido Emma Watson usou camisetas com o slogan "meu corpo, minhas regras" para chamar a atenção devido a necessidade de financiamento para organizações comunitárias no combate ao estupro na Inglaterra e no País de Gales.

Estados Unidos Em 2015, nos Estados Unidos, o slogan foi usado como hashtag, para indicar apoio a Federação de Paternidade Planejada da América, que corria o risco de perder financiamento do governo. Em 2019, quando a lei de aborto mais restritiva dos Estados Unidos foi assinada pelo governador do Alabama, Kay Ivey, os manifestantes usaram o termo do lado de fora do Capitólio do Alabama como forma de protesto.

Zâmbia Em 2017, protestos em Lusaka em defesa do empoderamento feminino, as mulheres da Zâmbia marcharam com slogans como "Meu corpo, minha sexualidade. Meus direitos, minha escolha"; "Meu corpo, minha escolha"; "Temos o direito de ser ouvidos"; e "Antes de ser mulher, sou humana".

Contexto dos movimentos pelos direitos das mulheres As questões geralmente associadas às noções de direitos das mulheres incluem o direito à integridade corporal e autonomia; estar livre de violência sexual; o uso do direito ao voto; exercer cargo público; celebrar contratos legais; ter direitos iguais no direito de família; trabalhar; ter equidade salarial; ter direitos sexuais e reprodutivos; controle de bens e educação.Lockwood, Bert B. (ed.), Women's Rights: A "Human Rights Quarterly" Reader (Johns Hopkins University Press, 2006), . De acordo com Ursula Barry, ao longo da história humana, a autonomia corporal das mulheres tem sido contestada. A noção do corpo (mas não da mente) associada às mulheres serviu como justificativa para considerar as mulheres como propriedade, objetos e mercadorias trocáveis (entre os homens).Bordo, Unbearable Weight, p. 4 Por exemplo, os corpos das mulheres foram objetificados ao longo da história através da mudança de ideologias da moda, dieta, programas de exercícios, cirurgia plástica, gravidez, etc. Isso contrasta com o papel do homem como agente moral, responsável por trabalhar ou lutar em guerras sangrentas. A raça e a classe de uma mulher podem determinar se seu corpo será tratado como decoração e protegido, o que está associado aos corpos das mulheres de classe média ou alta. Por outro lado, o outro corpo é reconhecido por seu uso no trabalho e na exploração, geralmente associado aos corpos das mulheres da classe trabalhadora ou das mulheres de cor. O ativismo na segunda onda do feminismo defendeu os direitos reprodutivos e de escolha. O movimento pela saúde da mulher e o feminismo lésbico também estão associados a esse debate.Parágrafo importado do artigo teoria feminista e republiado em 14 de abril de 2022. De acordo com Barry, os desafios enfrentados pelas mulheres incluem objetificação sexual, assédio sexual e abuso e violência sexual baseados em gênero. Barry enfatiza que a liberdade das mulheres da violência é sobre o direito à integridade corporal. Ao discutir as escolhas em torno da reprodução, a autonomia corporal é sobre a liberdade das próprias escolhas. Por outro lado, os conservadores ligado aos costumes morais e religiosos divergem quanto a autonomia sobre a própria fertilidade, sendo oposição das diversas técnicas de reprodução medicamente assistida, uso dos métodos contraceptivos, esterilização e também ao aborto. Segundo Barry, o direito e o acesso ao aborto se manifesta como uma das últimas lutas pela conquista da autonomia corporal das mulheres.