O Emden foi um cruzador rápido operado pela Reichsmarine e depois pela Kriegsmarine. Sua construção começou em dezembro de 1921 nos estaleiros da Reichsmarinewerft Wilhelmshaven e foi lançado ao mar em janeiro de 1925, sendo comissionado na frota alemã em outubro do mesmo ano. Era armado com uma bateria principal composta oito canhões de 149 milímetros montados em oito montagens únicas, tinha um deslocamento carregado de pouco mais de sete mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 29 nós (54 quilômetros por hora).
O Emden foi o primeiro grande navio de guerra construído pela Alemanha depois do fim da Primeira Guerra Mundial e seu projeto foi limitado pelos termos do Tratado de Versalhes. Ele passou a maior parte de sua carreira como navio-escola, realizando também várias visitas a portos estrangeiros ao redor do mundo. Participou de patrulhas de não-intervenção durante a Guerra Civil Espanhola em 1937 e 1938. Com o início da Segunda Guerra Mundial, o Emden estabeleceu campos minados próximos do litoral alemão e participou da invasão da Noruega em abril de 1940.
Durante a maior parte do conflito o navio voltou para seus deveres de treinamento no Mar Báltico, mas mesmo assim prestou apoio para a invasão da União Soviética em meados de 1941, de operações para criação de campos minados no Skagerrak no final de 1944 e na evacuação da Prússia Oriental em janeiro de 1945. O Emden foi atacado e danificado por bombardeiros britânicos enquanto estava sob reparos em Kiel, precisando ser encalhado para não afundar. Ele foi deliberadamente destruído em maio para não ser capturado e desmontado no local em 1950.
Desenvolvimento O Tratado de Versalhes de 1919, que havia encerrado a Primeira Guerra Mundial, permitiu que a Alemanha mantivesse na sua frota apenas seis cruzadores rápidos. O tratado também limitava novos cruzadores a 6,1 mil toneladas e proibia novas construções até que a embarcação a ser substituída completasse vinte anos. Tratado de Versalhes (1919) Parte V, Seção II: Cláusulas Navais. Artigos 180 e 181. Os seis cruzadores mantidos pelos alemães tinham sido lançados entre 1899 e 1902, assim os mais antigos poderiam ser substituídos imediatamente. Os trabalhos de projeto no primeiro cruzador rápido começou em 1921 sob o nome provisório Ersatz Niobe.
A Reichsmarine esperava finalizar o navio o mais rápido possível e manter os custos no mínimo, pedindo permissão aos Aliados para usar turbinas a vapor, caldeiras e torres de comando de navios desmontados. Este pedido foi rejeitado. Os alemães também esperavam usar um armamento de quatro torres de artilharia duplas. Isto foi novamente rejeitado, mas foi permitido o uso de canhões de 149 milímetros armazenados. A nova embarcação estava nominalmente dentro do limite de 6,1 mil toneladas, mas na realidade excedia esse valor em quase mil toneladas quando totalmente carregado. A Reichsmarine propôs em 1923 usar a definição de deslocamento padrão adotada pelo Tratado Naval de Washington, que era significativamente menor que deslocamento carregado. Isto foi aprovado, assim o cruzador ficou retroativamente legal, pois seu deslocamento padrão estava abaixo de 6,1 mil toneladas.
O navio foi baseado nas plantas do cruzador rápido SMS Karlsruhe da Marinha Imperial Alemã de meados da guerra, principalmente devido à escassez de pessoal na equipe de projeto, o fechamento do Instituto de Testes de Navios e o fato das plantas do Karlsruhe ainda estarem disponíveis. O Emden acabou mostrando-se uma decepção em serviço, principalmente por seu projeto datado e porque podia disparar apenas ao todo seis canhões em cada lateral. Mesmo assim, ele incorporou grandes avanços sobre projetos anteriores, incluindo uso em grande escala de soldagem durante a construção e um sistema de propulsão significativamente mais eficiente que lhe deu uma autonomia cinquenta por cento maior que embarcações anteriores, o que mostrou-se muito útil em cruzeiros de treinamentos estendidos nas décadas de 1920 e 1930.
Projeto Características thumb|esquerda|240px|Desenho do Emden O Emden tinha 150,5 metros de comprimento da linha de flutuação e 155,1 metros de comprimento de fora a fora. Tinha uma boca de 14,2 metros e um calado projetado de 5,3 metros, mas este podia ser de 5,15 metros em deslocamento padrão e 5,93 metros em deslocamento carregado. Seu deslocamento projetado era de toneladas, o deslocamento padrão era de 5,4 mil toneladas e o deslocamento carregado de 7,1 mil toneladas. Seu casco tinha armações de aço longitudinais e incorporava dezessete compartimentos estanques e um fundo duplo que cobria 56 por cento do comprimento da quilha. Seu cinturão principal de blindagem tinha cinquenta milímetros de espessura, o convés blindado tinha vinte a quarenta milímetros e a torre de comando tinha laterais de cem milímetros.
Sua tripulação padrão ao entrar em serviço era composta por dezenove oficiais e 464 marinheiros. A tripulação passava a ser de 29 oficiais, 445 marinheiros, mais 162 cadetes quando era colocado para servir em cruzeiros de treinamento para cadetes navais. Sua tripulação padrão passou a ser de 26 oficiais e 556 marinheiros após 1940, crescendo para trinta oficiais e 653 marinheiros depois que foi transformado em um navio-escola. A Reichsmarine considerava o Emden uma boa embarcação, com leve leme a sotavento e movimento suave na janota. Era manobrável, mas lento durante uma curva. A direção era controlada por um único leme grande. Ele perdia pouca velocidade quando navegava contra as ondas, mas chegava a perder até sessenta por cento de sua velocidade durante viradas bruscas. Sua altura metacêntrica era de 79 centímetros.
Propulsão O sistema de propulsão do Emden tinha duas turbinas a vapor Brown, Boveri & Cie que giravam duas hélices de três lâminas com 3,75 metros de diâmetro. O vapor vinha de quatro caldeiras a carvão e seis caldeiras a óleo combustível produzidas pela Marine, estas divididas em quatro salas de caldeiras. Os motores tinham uma potência indicada de 47,2 mil cavalos-vapor (34,7 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 29 nós (54 quilômetros por hora). Seus motores alcançaram 46,5 mil cavalos-vapor (34,2 mil quilowatts) e 29,4 nós (54,4 quilômetros por hora) durante seus testes marítimos. O navio foi projetado para transportar até trezentas toneladas de carvão, porém com espaços adicionais ele podia levar até 875 toneladas. A capacidade de óleo combustível era de duzentas toneladas, mas que podia crescer para toneladas com espaços adicionais. Isto dava ao Emden uma autonomia de 6,7 mil milhas náuticas (12,4 mil quilômetros) a doze nós (22 quilômetros por hora). Esta diminuía para 5,2 mil milhas náuticas (9,6 mil quilômetros) a dezoito nós (33 quilômetros por hora). A energia elétrica era produzida por dois sistemas com três geradores cada, com uma produção total de 420 quilowatts a 220 volts.
Armamento A intenção original era que a bateria principal fosse de oito canhões calibre 55 de 149 milímetros em quatro torres de artilharia duplas, mas os Aliados proibiram esse armamento. Em vez disso, o Emden foi equipado com oito canhões calibre 45 de 149 milímetros em montagens únicas. Estes eram do modelo C/16 e disparavam um projétil de 45 quilogramas a uma velocidade de saída de 835 metros por segundo. Podiam elevar até quarenta graus e tinham um alcance máximo de 17,6 quilômetros. Cada canhão tinha à disposição 960 projéteis. O cruzador também era equipado com dois canhões antiaéreos calibre 45 de 88 milímetros, com um terceiro sendo adicionado posteriormente. Estas armas tinham um carregamento de munição de entre novecentos e 1,2 mil projéteis. O Emden foi projetado para ter oito tubos de torpedo de 500 milímetros em quatro lançadores duplos, porém apenas quatro tubos foram instalados. Estes foram substituídos em 1934 por tubos de 533 milímetros. O navio tinha um carregamento de doze torpedos.
A bateria antiaérea foi fortalecida em 1938, recebendo dois e depois quatro canhões C/30 de 37 milímetros e até dezoito canhões Flak de 20 milímetros. Também recebeu 120 minas navais. Dois tubos de torpedo foram removidos em 1942, enquanto os canhões principais foram substituídos. Estes passaram a ser do modelo TbtsK C/36, originalmente projetado para uso em contratorpedeiros. Disparavam um projétil de quarenta quilogramas a uma velocidade de saída de 875 metros por segundo. Tinham uma elevação máxima de 47 graus para um alcance de 23,5 quilogramas. Sua bateria antiaérea em 1945 consistia em nove armas de 37 milímetros e seis de 20 milímetros.
História Início de serviço thumb|240px|O Emden em Kiel em 1928 O batimento de quilha do Emden ocorreu em 8 de dezembro de 1921 no Reichsmarinewerft Wilhelmshaven. Instabilidade política e a fragilidade da economia alemã no início da década de 1920 atrasaram a construção, com ele sendo lançado ao mar apenas em 7 de janeiro de 1925. O almirante Hans Zenker fez um discurso durante a cerimônia de lançamento, com a embarcação sendo batizada por Jutta von Müller, viúva do capitão de mar Karl von Müller, que comandou o cruzador durante a Primeira Guerra Mundial. O novo navio foi comissionado nove meses em 15 de outubro de 1925. A intenção era usá-lo como navio-escola para cadetes navais, assim foi designado para a Estação Naval do Mar do Norte. Ele realizou testes marítimos depois de entrar em serviço, com estes sendo interrompidos por alterações no estaleiro que incluíram a reconstrução de seu mastro de batalha. Estas foram finalizadas em 1926 e o Emden realizou treinamentos individuais e várias visitas para portos estrangeiros no norte da Europa. Entre agosto e setembro participou das manobras anuais da frota, enquanto em outubro foi novamente para o estaleiro a fim de ter a altura de sua segunda chaminé aumentada para igual da primeira. O navio nessa época estava designado para a Inspetoria de Treinamento da Marinha.
O Emden deixou Wilhelmshaven em 14 de novembro de 1926 para seu primeiro grande cruzeiro. O navio foi para o sul ao redor da África e cruzou o Oceano Índico, parando nas Ilhas Cocos, onde ainda estavam os destroços do Emden original. A tripulação realizou um serviço memorial no local em 15 de março de 1927, prosseguindo então para a Ásia Oriental. Visitou portos no Japão e então atravessou o Oceano Pacífico até o Alasca, nos Estados Unidos, navegando rumo sul pelo litoral oeste da América do Norte e fazendo várias paradas no caminho. O cruzador continuou pela América Central e Sul, passando para o Oceano Atlântico e parando no Rio de Janeiro, no Brasil, em 25 de dezembro. Partiu então de volta para a Alemanha, parando no caminho nos Açores, em Portugal, e em Vilagarcía, na Espanha, chegando em Wilhelmshaven em 14 de março de 1928.
A embarcação passou o resto do ano se preparando para seu próximo cruzeiro, que começou em 5 de dezembro, desta vez sob o comando do capitão de corveta Lothar von Arnauld de la Perière, que tinha assumido em setembro. Navegou para o Mar Mediterrâneo até Istambul, na Turquia, seguindo então para o sul pelo Canal de Suez ao Índico para as Índias Orientais Holandesas e depois Austrália. O Emden atravessou o Pacífico até o Havaí e em seguida foi para a Costa Oeste dos Estados Unidos. Navegou para o sul pelo Canal do Panamá até o Mar do Caribe. Cruzou o Atlântico até Las Palmas nas Ilhas Canárias, chegando de volta a Wilhelmshaven em 13 de dezembro de 1929.
thumb|esquerda|240px|O Emden em Xangai em 1931