A Classe Lion foi uma classe de couraçados planejados para a Marinha Real Britânica composta pelo Lion, Temeraire, Conqueror, Thunderer e outros dois navios nunca nomeados. As construções das duas primeiras embarcações começaram pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, com seus batimentos de quilha ocorrendo em junho e julho de 1939, porém suas construções foram suspensas logo em seguida. Nenhum outro couraçado teve suas obras iniciadas e a classe foi cancelada, com o pouco construído do Lion e o Temaraire sendo desmontado.

O projeto da Classe Lion era muito baseado na predecessora Classe King George V, porém armada com nove canhões de 406 milímetros. Seu projeto foi modificado em 1942 para levar em conta experiências adquiridas na guerra até então, enquanto uma nova revisão ocorreu em 1944 já com o pós-guerra em mente, porém ambas nunca foram levadas adiante. Trabalhos preliminares de projeto de uma possível conversão para um híbrido de couraçado e porta-aviões começaram em 1944 também, mas não ocorreram porque seriam inviáveis no ambiente financeiro britânico pós-guerra.

Antecedentes O projeto dos couraçados da Classe Lion foi influenciado pelos termos de tratados de controle armamentista assinados nas décadas de 1920 e 1930. O Tratado Naval de Washington de 1922 tinha proibido por dez anos a construção de novos couraçados, com apenas algumas exceções específicas. O Tratado Naval de Londres de 1930 ampliou a proibição por mais cinco anos, significando que, na época que este tratado deixasse de estar em vigor, quase todos os navios da época da Primeira Guerra Mundial estariam elegíveis para substituição sob os termos do Tratado Naval de Washington. O governo britânico queria que a Segunda Conferência de Desarmamento Naval de Londres de 1935 impedisse uma corrida armamentista que o Reino Unido não teria condições de pagar, porém a recusa do Japão em assinar o resultante Segundo Tratado Naval de Londres de 1936 ameaçou essa esperança. Reino Unido, Estados Unidos e França, os únicos três signatários, concordaram em limitar o tamanho das armas para os novos couraçados que seriam construídos. Eles ficaram restritos a um deslocamento padrão de 35,5 mil toneladas e armamento principal não poderia passar de canhões de 356 milímetros. Isto ditou a escolha deste canhão como o armamento para a Classe King George V da Marinha Real Britânica. O tratado também continha a chamada "Cláusula do Escalonamento", que permitiria um aumento do tamanho das armas caso o Japão e a Itália não assinassem o acordo; isto ocorreu em 1º de abril de 1937.

Era muito tarde para alterar a Classe King George V, mas o Conselho do Almirantado iniciou trabalhos de projeto preliminares para um couraçado de 35,5 mil toneladas com canhões de 406 milímetros, com estes estudos tendo sido promissores o bastante para que o Diretor de Construção Naval ordenasse um aprofundamento dos projetos. Muitos elementos da Classe King George V foram incorporados a fim de economizar tempo, porém o tamanho limitado da embarcação foi um desafio para os engenheiros. Provou-se impossível manter a mesma velocidade, proteção e armamento secundário dos navios antigos com um armamento principal de 406 milímetros e também permanecer dentro dos limites dos tratados. Em um esforço para continuar dentro dos limites, o peso geral da blindagem foi levemente reduzido, enquanto duas torres de artilharia secundárias e as instalações de aeronaves foram removidas.

Os problemas pelos limites de tratado tornaram-se irrelevantes depois de 31 de março de 1938, quando os signatários invocaram a cláusula de escalonamento de deslocamento, porque os japoneses tinham se recusado a revelar informações sobre seus couraçados, assim britânicos, norte-americanos e franceses temiam que seus navios seriam inferiores aos japoneses. O Almirantado Britânico esperava por um novo limite de 40,6 mil toneladas por limitações de custo e instalações portuárias, porém o limite ficou em 45,7 porque os norte-americanos só aceitariam esse limite e nada mais. O almirantado de qualquer forma se limitou a 40,6 mil toneladas e nove canhões de 406 milímetros, argumentando que embarcações maiores não poderiam atracar nos seus principais estaleiros em Rosyth e Portsmouth. Um novo projeto foi preparado com mais blindagem, maquinários mais potentes, as duas torres secundárias restauradas e quatro hidroaviões adicionados. Esse projeto foi aprovado pelo Almirantado em 15 de dezembro e licitações para construção abertas pouco depois.

Características Projeto de 1938 A Classe Lion teria 237,7 metros de comprimento da linha de flutuação e 239,3 metros de comprimento de fora a fora, boca de 32 metros e calado de 10,2 metros. Seu deslocamento padrão seria de 41,2 mil toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. A aparência das embarcações seria muito semelhante a Classe King George V, porém incluiria uma popa quadrada para melhorar a eficiência da navegação em velocidades elevadas. Estima-se que a tripulação seria de oficiais e marinheiros.

Os maquinários para quatro hélices da Classe King George V foram duplicados com salas de máquinas e caldeias alternadas a fim de economizar tempo. Os navios da Classe Lion teriam quatro conjuntos de turbinas a vapor Parsons acomodadas em salas de máquinas separadas, cada uma girando uma hélice. Elas foram projetadas para produzir um total de 130 mil cavalos-vapor (95,6 mil quilowatts) de potência e uma velocidade máxima de trinta nós (56 quilômetros por hora). A intenção era que as turbinas fossem alimentadas por oito caldeiras Admiralty em quatro salas de caldeiras a uma pressão de quatrocentas libras-força por polegada quadrada (28 quilogramas-força por centímetro quadrado) e temperatura de 371 graus Celsius. As turbinas e caldeiras poderiam ser interligadas em caso de emergência. As embarcações foram projetadas para carregar toneladas de óleo combustível. Sua autonomia máxima estimada era de catorze mil milhas náuticas (26 mil quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora). Os couraçados teriam sido equipados com seis turbogeradores de 330 quilowatts e dois geradores a diesel de 330 quilowatts que proporcionariam um circuito de 220 volts.

thumb|esquerda|240px|Uma torre de artilharia secundária Marco I de 133 milímetros a bordo do , idêntica a aquelas que seriam instaladas na Classe Lion O armamento principal dos couraçados da Classe Lion consistiria em nove canhões recém-projetados calibre 45 Marco II de 406 milímetros em três torres de artilharia hidráulicas triplas. Sua elevação máxima seria de quarenta graus, porém deveriam ser recarregadas a cinco graus. Ela disparariam projéteis de quilogramas a uma velocidade de saída de 757 metros por segundo, o que proporcionaria um alcance máximo de 37 quilômetros. Sua cadência de tiro seria de dois disparos por minuto, com cada navio tendo a disposição cem projéteis por canhão. O armamento secundário teria dezesseis canhões calibre 50 Marco I de 133 milímetros de duplo-propósito em oito torres de artilharia duplas. Eles podiam abaixar até cinco graus negativos e elevar até setenta graus. Disparavam um projétil explosivo de 36 quilogramas a uma velocidade de saída de 814 metros por segundo. Seu alcance máximo era de 22 quilômetros, com sua cadência de tiro normal sendo de sete a oito disparos por minuto. Cada arma receberia quatrocentos projéteis. A defesa antiaérea de curta-distância teria 48 canhões de 40 milímetros em seis montagens óctuplas. Estas disparavam projéteis de 76 gramas a uma velocidade de saída de 730 metros por segundo a uma distância de 6,2 quilômetros. A cadência de tiro era de aproximadamente 96 a 98 disparos por minuto, enquanto cada canhão teria 1,8 mil projéteis a disposição.

O esquema de blindagem era praticamente idêntico à Classe King George V. O cinturão na linha d'água seria feito de aço cimentado Krupp de 373 milímetros de espessura e 132 metros de comprimento. A parte principal do cinturão teria 4,6 metros de altura, porém uma camada inferior de 2,5 metros de altura tinha uma extensão extra de 12,2 metros além das extremidades da cidadela blindada. Ela se afinaria verticalmente para uma espessura de 140 milímetros na extremidade inferior do cinturão, enquanto as placas no final teriam 279 milímetros no topo. Anteparas transversais entre 254 e 305 milímetros de espessura fechariam cada extremidade da cidadela. Haveria uma antepara transversal de cem milímetros na extremidade de ré do compartimento de direção traseiro. As placas cimentadas Krupp da frente das torres de artilharia principais teriam 381 milímetros de espessura, enquanto os tetos ficariam com placas não-cimentadas de 152 milímetros. As laterais ficariam de 178 a 250 milímetros. As barbetas teriam laterais de 381 milímetros que depois se afinariam para 305 a 343 milímetros quando mais próximas da linha central do navio.

A proteção do convés seria idêntica à Classe King George V e tinha a intenção de resistir ao impacto de uma bomba perfurante de 450 quilogramas jogada de uma altura de 4,3 quilômetros. O convés teria 152 milímetros de espessura sobre os depósitos de munição e 127 milímetros sobre as salas de máquinas. A proteção continuaria adiante e a ré além da cidadela blindada no convés inferior. Ele terminaria na proa em degraus que diminuiriam para 64 milímetros. Na popa, protegeria os equipamentos de direção e os eixos das hélices com 114 a 127 milímetros. Os britânicos, diferentemente de alemães, franceses e norte-americanos, deixaram de acreditar que uma blindagem espessa para a torre de comando servia para algum propósito, pois a chance do local ser atingido era pequena; assim, a torre de comando teria proteção de apenas 76 a 114 milímetros.

A proteção subaquática também seria praticamente idêntica à Classe King George V e consistiria em um sistema de quatro metros com três camadas de compartimentos vazios e preenchidos com líquido que tinham a intenção de absorver a energia de uma explosão subaquática. Por dentro ficaria preso a uma antepara anti-torpedo de 44 milímetros. Os espaços vazios interior e exterior seriam equipados com bombas para inundá-los a fim de nivelar a embarcação em caso de adernamento. Testes demonstraram que o sistema na área da cidadela poderia aguentar a explosão de 450 quilogramas de TNT. Os couraçados também teriam um fundo duplo de 1,2 metro de profundidade.

Os historiadores navais William H. Garzke e Robert O. Dulin acreditaram que o projeto da Classe Lion corrigiria algumas deficiências da Classe King George V, com as principais exceções sendo o sistema de proteção contra torpedos muito raso, consequência de limitações na infraestrutura já existente, e uma autonomia máxima limitada, ambos problemas que foram abordados na revisão de projeto em 1942. Sua bateria principal de 406 milímetros não seria a mais poderosa do mundo, porém seria superior aos canhões usados anteriormente na Classe Nelson. Segundo Garzke e Dulin, os navios também "seriam os couraçados mais poderosos e rápidos a servirem na Marinha Real".

Projeto de 1942