thumb|300px|Nave central da catedral
A Catedral da Assunção de Nossa Senhora é a sé da Diocese de Santander, situada na cidade homónima, a capital da comunidade autónoma da Cantábria, no norte de Espanha. É uma catedral cujo estilo predominante é gótico, embora tenha elementos de outros estilos, devido às ampliações e reformas de que foi alvo. Foi construída entre os os séculos XII e XIV, tendo sido ampliada no e em meados do . Além de catedral, o templo tem também o título de basílica.
História A catedral foi construída (também chamado cerro de São Pedro), sobre um antigo mosteiro, que inicialmente tinha sido uma abadia dedicada a e , conhecida como . Na altura da construção, o local era um monte rodeado de água, onde outrora se situava o assentamento romano de (ou simplesmente Portus Victoriae, "Porto da Vitória"), fundado durante as Guerras Cantábricas ou pouco depois.
Emetério e Celedónio foram mártires cristãos que foram decapitados em Calahorra na segunda metade do , durante as perseguições aos cristãos durante o reinado do imperador romano Diocleciano ou Valeriano, após terem sido presos e confrontados com a escolha entre renunciar à sua fé ou abandonar a carreira militar. Segundo a lenda, no , durante a invasão muçulmana, as cabeças dos santos foram transportadas pelo rio Ebro num barco de pedra até ao Mediterrâneo e depois deram a volta à Península Ibérica até embater na , na baía de Santander, a qual foi atravessada pelo barco, que depois chegou a Santander. As cabeças foram colocadas numa caverna por baixo duma igreja que existia no local da catedral. O mosteiro existente nesse lugar adotou-os como padroeiros e colocaram as suas efígies no escudo da igreja, que posteriormente se tornou o escudo de Santander.
A Abadia dos Corpos Santos é mencionada pela primeira vez num documento de 1068, redigido por ordem do rei das Astúrias, que a mandou fundar sobre a ermida já existente, onde estavam guardadas as cabeças dos santos.
A construção do piso inferior do que viria a ser a catedral data dos primeiros anos do . Em 1131 Afonso VII, o Imperador concedeu-lhe o estatuto de colegiada. As obras de construção do edifício atual começaram por iniciativa do rei de Castela, após a concessão do foral à vila de 1187. A construção da parte superior do edifício decorreu entre finais desse século e o início do . A última parte construída foi o claustro gótico. Posteriormente recebeu o título de "Igreja Colegial dos Corpos Santos".
A porta principal,erigida cerca de 1230, é especialmente interessante, por nela estarem esculpidos os primeiros escudos no qual aparecem juntos castelos e leões, após a unificação definitiva de Castela e de Leão em 1230, durante o reinado de , cujo filho Sancho foi abade local. A igreja foi ampliada nos séculos XVI e XVII, tendo-lhe sido adicionadas novas capelas.
Em 1754 foi criada a Diocese de Santander e o concedeu o estatuto de catedral à colegiada. Em 1893 foi seriamente danificada pela explosão de dinamite do navio . Não foi muito afetada pela Guerra Civil Espanhola, mas sofreu estragos consideráveis durante o , o que levou a que fosse reconstruída e ampliada entre 1942 e 1953. Os arquitetos responsáveis por estas obras foram José Manuel Bringas e Juan José Resines del Castillo, que respeitaram os elementos originais e por isso hoje ainda se pode apreciar as qualidades arquitetónicas do monumento original. Desde 2015 que funciona na catedral o "Centro de Interpretação da História de Santander".
Arquitetura A igreja tem dois pisos e um claustro com dependências anexas.
Igreja do Cristo A parte inferior, a mais antiga do edifício, chamada usualmente Igreja do Cristo ou cripta, é um espaço de 31 por 18 metros, com três naves e quatro tramos. A estrutura de arcos suporta todo o piso superior, pelo que tem uma grossura e robustez consideráveis. A decoração consiste principalmente em motivos vegetal. É na cripta que se encontram os bustos-relicários com as cabeças de e , os padroeiros de Santander.
Catedral-Basílica A chamada Igreja Alta foi construída durante o , no mesmo estilo gótico sóbrio usado na Igreja do Cristo. Grande parte dos seus tesouros desapareceram no incêndio de 1941, embora uma parte se tivesse conservado e outra parte tenha sido recuperada. Uma parte considerável da decoração dos arcos, colunas, entablamentos e portas, principalmente a principal, na qual se encontra uma das representações mais antigas dos escudos de Leão e Castela juntos. As janelas estão decoradas com vitrais, colocados no .
thumb|left|Claustro
A catedral tem várias capelas, dispostas ao longo das paredes das naves laterais nos lados sul e norte. Na nave meridional, a primeira capela, construída em 1624, é da autoria de Fernando Herrera Calderón; a segunda é do início do e da autoria de Juan Alvarado; a terceria, de 1622, é de Sebastián de la Puebla. Na nave norte, a primeira capela é de 1671 e estilo barroco; a segunda é a capela penitencial e tem uma pia batismal; a terceira contém o sepulcro de Marcelino Menéndez Pelayo , uma obra do escultor Victorio Macho. Durante a reconstrução levada a cabo em meados do , foram suprimidos diversos elementos barrocos importante, que tinham sido adicionados durante a ampliação da cabeceira realizada no , dirigida por José de Cereceda.
O templo foi ampliado, além de restaurado, em meados do , tendo sido construídos um novo presbitério, um novo deambulatório e um novo zimbório. Para levar a cabo as obras, o coro de pedra, a Porta dos Mártires e a escadaria monumental contígua foram desmontados, tendo-se numerado as suas pedras de silhar, para depois serem reconstruídos. Porém, o seu paradeiro é desconhecido desde então. O coro era da autoria de Francisco del Pontón Setien e Juan de la Sierra Bocerraiz. A porta e a escadaria eram uma obra do de Gregorio de la Roza.
O presbitério é rodeado pelo deambulatório, no qual se encontram dois altares dedicados a , o Santo (foi canonizado em 1671) e a São Matias. No flanco norte há um pilar de mármore que tem uma inscrição em , supostamente capturada na , na qual tropas santanderinas tiveram um papel importante. No flanco sul há uma tribuna decorada por José Cataluña. As abóbadas são de cruzaria simples, cuja esbelteza é evidenciada pela luz que entra pelas janelas do clerestório da nave central, mais ampla e mais alta do que as laterais.
A antiga colegiada tinha três naves, à qual foi adicionada uma quarta, no espaço antes oucpado pelos palácios do abade e outras capelas. Entre os séculos XV e XVII foram adicionadas várias capelas laterais. O "Conselho Geral da Vila de Santander" reunia-se em ocasiões especiais na sala do capítulo e na nave contígua.
O claustro, de planta trapezoidal, foi construído na primeira metade do , no estilo arquitetónico do resto do conjunto. As suas portas no lado ocidental davam acesso ao grande Hospital do Espírito Santo e à igreja dos peregrinos de Santiago.
Notas e fontes
Santander Santander Categoria:Igrejas góticas em Espanha Categoria:Construções da Cantábria Categoria:Bens de Interesse Cultural da Espanha Categoria:Museus da Espanha Categoria:Basílicas da Espanha