O ORP Błyskawica é um contratorpedeiro que foi operado pela Marinha de Guerra Polonesa e a segunda e última embarcação da Classe Grom, depois do . Sua construção começou no início de outubro de 1935 nos estaleiros britânicos da J. Samuel White em East Cowes e foi lançado ao mar em outubro de 1936, sendo comissionado na frota polonesa em novembro do ano seguinte. Era inicialmente armado com uma bateria principal composta por sete canhões de 120 milímetros e seis tubos de torpedo de 533 milímetros, tinha um deslocamento carregado de mais de duas mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 39 nós (72 quilômetros por hora).

O Błyskawica passou sua curta carreira em tempos de paz se preparando para uma possível conflito contra a Alemanha. Dois dias antes do início da Segunda Guerra Mundial, o navio e outros contratorpedeiros poloneses fugiram para o Reino Unido para que não fossem tomados pelos alemães. Ele recebeu novos equipamentos e passou a atuar junto com a Marinha Real Britânica, participando de diversas operações relacionadas com as campanhas do Atlântico, Noruega, Mediterrâneo e Norte-Africana, além de várias outras ações. Nestas, o Błyskawica atuou principalmente na escolta de comboios e outros navios de guerra, tendo caçado e afundado ou ajudado a afundar muitos navios inimigos.

O contratorpedeiro foi devolvido para o controle da Polônia em 1947 e passou os anos seguintes na função de navio de treinamento. Ele foi modernizado entre 1951 e 1952 com tecnologia da União Soviética e no decorrer das décadas seguintes seu serviço consistiu principalmente em deveres de rotina e viagens diplomáticas para portos internacionais. O Błyskawica foi descomissionado em janeiro de 1975 e em maio do ano seguinte foi transformado em um navio-museu no porto de Gdynia, estando aberto para visitação pública até hoje. Em junho de 1987 recebeu a Ordem Virtuti Militari, a mais alta condecoração militar polonesa, tornando-se o único navio da história a receber essa distinção.

Antecedentes O Comando Naval da Marinha de Guerra Polonesa, na virada entre as décadas de 1920 e 1930, fez esforços para adquirir novos contratorpedeiros para sucederem os dois navios da Classe Wicher. O contra-almirante Jerzy Świrski, o chefe do Comando Naval, conversou em 24 de novembro de 1932 com o marechal Józef Piłsudski e conseguiu seu consentimento verbal para a expansão da frota polonesa. Consequentemente, uma licitação para a construção de dois navios foi anunciada em maio de 1933 para estaleiros franceses, porém isto foi um fracasso, assim outra licitação foi aberta em janeiro de 1934 para estaleiros suecos, que também não teve sucesso. Durante a mesma época foi estabelecido que as embarcações deveriam ser armadas com uma bateria principal de canhões Bofors de 120 milímetros.

Uma terceira licitação foi aberta em julho de 1934 para estaleiros britânicos. O comitê de escolha anunciou em 4 de setembro que a proposta vencedora tinha sido aquela da John I. Thornycroft & Company, com o segundo lugar ficando com a proposta da J. Samuel White. Entretanto, o custo do projeto da Thornycroft revelou-se ser muito elevado, assim foi decidido encomendar os navios com a J. Samuel White, porém os poloneses exigiram algumas alterações, como o fortalecimento do armamento principal. Um contrato para a construção e entrega de dois contratorpedeiros foi concluído em 29 de março de 1935, tendo sido assinado no lado polonês pelo engenheiro Mikołaj Berens. O contrato garantia que os britânicos entregassem os navios finalizados no prazo de 26 meses depois do batimento de quilha. O projeto final foi finalizado em maio do mesmo ano.

Características

O Błyskawica era um contratorpedeiro grande, chamado pelos britânicos de "líder de flotilha". Ele tinha 108,8 metros de comprimento entre perpendiculares, 114 metros de comprimento de fora a fora e boca de 11,3 metros. Seu deslocamento padrão era de 2 043 toneladas, enquanto o deslocamento carregado ficava em 2 560 toneladas, o que lhe deixava com um calado de 3,3 metros. Seu sistema de propulsão era composto por dois conjuntos de turbinas a vapor Parsons que giravam duas hélices de três lâminas cada. O vapor provinha de três caldeiras Admiralty de tubo de água de três cilindros que operavam a uma temperatura de 331 graus Celsius e uma pressão de 26,2 atmosferas. Esse sistema era capaz de produzir 54,5 mil cavalos-vapor (40,1 mil quilowatts) de potência, suficiente para impulsionar a embarcação a uma velocidade máxima de 39,6 nós (73,3 quilômetros por hora), o que era acima dos 39 nós contratuais. O Błyskawica podia carregar 350 toneladas de óleo combustível, o que lhe dava uma autonomia de duas mil milhas náuticas (3,7 mil quilômetros) a quinze nós (28 quilômetros por hora). Havia também uma caldeira White Forster adicional para alimentar sistemas auxiliares.

A bateria principal originalmente consistia em sete canhões Bofors calibre 36 de 120 milímetros. Estes foram montados em três torres de artilharia duplas e uma única; a torre única ficava na proa e era sobreposta por uma dupla, enquanto na popa ficavam as outras duas torres duplas, também com uma sobreposta à outra. A colocação de uma torre dupla acima de uma única na proa a protegia de ondas e permitia seu uso mesmo em mares agitados, porém causava problemas de instabilidade. O armamento antiaéreo tinha dois canhões automáticos Bofors calibre 60 de 40 milímetros em bases estabilizadas, colocadas em pedestais na linha central do casco entre a chaminé e o primeiro lançador de torpedo e entre o primeiro e o segundo lançadores. Também havia quatro metralhadoras Hotchkiss calibre 30 de 13,2 milímetros em montagens duplas instaladas em plataformas laterais na superestrutura traseira. O Błyskawica também foi equipado com seis tubos de torpedo de 533 milímetros divididos em dois lançadores triplos. Havia dois trilhos para lançamento de cargas de profundidade na popa a fim de combater submarinos. O navio também era capaz de carregar entre 44 e 60 minas navais.

Modificações Durante a guerra thumb|170px|esquerda|Um canhão antiaéreo de 76 milímetros a bordo do Błyskawica em 1940; atrás é possível ver dois dos canhões de 40 milímetros Durante uma inspeção de garantia realizada no final de 1938, dois relógios de controle de disparo foram instalados nas laterais dos canhões principais da popa, com um terceiro sendo colocado na proa para transmitir informações de disparo para o navio adjacente na formação. Modernizações posteriores do Błyskawica ocorreram no Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. Apenas um mês de serviço no Oceano Atlântico mostrou que a estabilidade do contratorpedeiro era insatisfatória, assim ele foi para um estaleiro em Plymouth em outubro de 1939 para que pesos desnecessários acima da linha d'água fossem removidos. Aproximadamente 56 toneladas foram retiradas, que incluíram a cobertura da chaminé, uma casa de convés com um holofote na popa, botes a remo que ficavam acima da sala de máquinas e os guindastes usados para manejá-los. O mastro tripé principal original foi removido e substituído por uma versão mais leve, com uma plataforma para um outro holofote acima da ponte de comando também sendo removida. Quatro metralhadoras Lewis de 7,7 milímetros foram instaladas. A passagem seguinte do Błyskawica por um estaleiro foi de 31 de janeiro a 9 de fevereiro de 1940 em Chatham, quando um fio desmagnetizador foi instalado. O navio passou por uma reforma em junho de 1940 em East Cowes para deixá-lo mais análogo a outros contratorpedeiros britânicos da época; seu lançado de torpedos de ré foi removido e no lugar foi instalado um canhão antiaéreo calibre 20 de 76 milímetros, que foi nomeado de "Berta" pelos tripulantes. Um ASDIC foi instalado no lugar do sonar passivo usado até então.

Outra reforma ocorreu de dezembro de 1940 a fevereiro de 1941, após o navio ter sofrido danos durante uma tempestade no Atlântico. Foi quando o Błyskawica recebeu seu primeiro radar, um modelo britânico Tipo 281 de varredura de superfície com uma antena fixa no mastro. A embarcação retornou para East Cowes em 20 de junho de 1941 para que seu armamento principal fosse substituído: os canhões Bofors de 120 milímetros foram removidos em favor oito canhões Marco XVI de 101,6 milímetros instalados em quatro torres duplas Marco XIX. O canhão de 76 milímetros foi removido e seu lançador de torpedos reinstalado, com quatro lançadores de cargas de profundidade Thornycroft Marco IV também sendo adicionados. As metralhadoras Hotchkiss foram removidas e em seu lugar o contratorpedeiro recebeu quatro canhões automáticos Oerlikon de 20 milímetros, que foram instalados em plataformas na superestrutura da popa e nas asas da ponte de comando, um nível abaixo das plataformas já existentes, que foram removidas para melhorar os arcos de tiro. Foram acrescentados um radar de controle de disparo Tipo 285 acoplado a um diretório Marco V, enquanto o Tipo 281 foi substituído por um Tipo 291 no alto do mastro, que foi reforçado por dois suportes laterais. Essas alterações reduziram a velocidade máxima do navio em dois a três nós e pioraram sua estabilidade.

Os depósitos das cargas de profundidade sob o convés e suas portas de lançamento na popa foram removidos durante uma reforma ocorrida na segunda metade de 1943, enquanto seu equipamento eletrônico foi complementado com um sistema de identificação amigo ou inimigo Tipo 252. Uma nova passagem por East Cowes em fevereiro de 1945 trouxe, entre outras coisas, uma novo radar Tipo 293 e um sistema de identificação Tipo 242. Seu lançador de torpedos de ré foi removido para tentar melhorar sua estabilidade e seu outro lançador triplo foi substituído por um modelo quádruplo. As metralhadoras Lewis também foram removidas. Foi na configuração de oito canhões de 101,6 milímetros, quatro canhões de 40 milímetros, quatro canhões de 20 milímetros e quatro tubos de torpedo de 533 milímetros que o Błyskawica serviu até o fim da guerra.

O contratorpedeiro foi pintado no período pré-guerra de acordo com os regulamentos poloneses, inteiramente cinza claro, provavelmente com um tom de metal mais escuro. O indicativo visual "H34" foi pintado na lateral do casco próximo da superestrutura depois dele ter ido para o Reino Unido. O Błyskawica foi pintado durante sua primeira reforma no final de 1939 com o tom de cinza usado por todos os contratorpedeiros britânicos da época. Manchas esverdeadas foram pintadas na proa acima da linha d'água, imitando ondas quebrando no casco, durante a Campanha da Noruega para tentar enganar embarcações inimigas sobre sua real velocidade. O navio foi repintado na segunda metade de 1941 com um padrão de camuflagem de acordo com o esquema Admiralty Light Disruptive, em que todas as suas superfícies verticais foram pintadas com manchas geométricas nas cores cinza claro, cinza-azulado e cinza-verde claro. Os conveses foram pintados em tom azul-marinho acinzentado. O contratorpedeiro foi repintado novamente em 1942, desta vez de acordo com o esquema Admiralty Dark Disruptive, que tinha manchas nas cores cinza claro, azul-acinzentado e azul-acinzentado claro. O tom preciso das cores individuais mudaram ligeiramente no decorrer do serviço. O arranjo das manchas da camuflagem foi alterado em 1944, mas manteve cores semelhantes, enquanto em maio daquele ano o esquema Admiralty Light Disruptive voltou a ser aplicado. O Błyskawica foi pintado com uma cor cinza claro uniforme depois do fim da guerra.

Pós-guerra thumb|240px|Os quatro canhões soviéticos B-24 de 100 milímetros de popa instalados no Błyskawica na década de 1950