Meu Coco é um álbum de estúdio do cantor, compositor e guitarrista brasileiro Caetano Veloso, lançado em 21 de outubro de 2021 pela Sony Music e Uns Produções. É seu primeiro álbum de estúdio com composições inteiramente originais desde Abraçaço (2012), após um hiato de nove anos sem trabalhos solo em estúdio. Meu Coco foi escrito e gravado durante a pandemia de COVID-19. A maior parte da produção ocorreu no estúdio caseiro do apartamento de Veloso no Rio de Janeiro, com a assistência do músico e produtor Lucas Nunes. "Anjos Tronchos" foi lançado como o primeiro e único single em 16 de setembro de 2021.

Musicalmente, Meu Coco é um álbum de MPB e tropicália com elementos de samba e influências religiosas. O álbum conta com a participação especial da artista portuguesa Carminho. Ao longo de suas 12 faixas, eles exploram temas como amor, identidade, profecia e memória cultural brasileira. Veloso faz referência a figuras como João Gilberto e Maria Bethânia, incorpora ritmos do Oriente Médio e afro-brasileiros e aborda comentários políticos, particularmente em resposta à presidência de Jair Bolsonaro. O álbum recebeu críticas geralmente positivas e foi indicado a Melhor Álbum de MPB no Grammy Latino de 2022. Também figurou em quatro listas de melhores do ano de publicações como El País Uruguay, Le Monde, NPR e The Washington Post.

Antecedentes e produção Em 2012, Caetano Veloso lançou Abraçaço, um álbum de estúdio vencedor do Grammy Latino que mostrou sua contínua experimentação com sons brasileiros ecléticos. Este projeto foi seguido por Dois Amigos, Um Século de Música: Multishow Live (2016), uma turnê e álbum colaborativo com seu parceiro de longa data, Gilberto Gil, que celebrou sua parceria de décadas. Em 2019, Veloso mudou o foco para um projeto minimalista ao vivo com o clarinetista brasileiro Ivan Sacerdote, realizando uma breve turnê pelo Brasil ao lado do guitarrista Felipe Geides. Os planos de expandir a turnê nacionalmente foram interrompidos no início de 2020 devido à pandemia de COVID-19. Simultaneamente, Veloso abandonou os preparativos para um novo álbum de estúdio com bailarinos do Ballet Folclórico da Bahia, já que os lockdowns impossibilitaram as sessões de colaboração.

O álbum, criado durante a pandemia, foi gravado em grande parte no estúdio caseiro do apartamento de Veloso no Rio de Janeiro, com a assistência de Lucas Nunes. O cantor e sua esposa, Paula Lavigne, mudaram-se para o apartamento durante os primeiros meses do confinamento. Ele começou a gravar demos de material inédito. Essas sessões evoluíram para Meu Coco, seu primeiro álbum solo com composições inteiramente novas desde Abraçaço. Com um espaço transformado em um "núcleo criativo", o ambiente de Veloso influenciou a natureza íntima e reflexiva da obra. O primeiro e único single, "Anjos Tronchos", que também serviu para anunciar o álbum, foi divulgado nas redes sociais do artista em 13 de setembro de 2021. O anúncio faz referência a um verso da letra da música. Foi lançado em plataformas de música digital em 16 de setembro de 2021. Meu Coco significa uma expressão coloquial que significa "minha cabeça". O álbum foi lançado em 21 de outubro de 2021 pelas gravadoras Sony Music e Uns Produções.

Estilo musical

Os críticos musicais classificaram Meu Coco como um disco de MPB e tropicália. O álbum é composto por 12 faixas que abordam temas como profecia, nomes, amor e interpretações da cultura brasileira e do mundo. O álbum começa com a faixa-título "Meu Coco", que mescla reflexões poéticas com referências culturais, incluindo menções a figuras como João Gilberto, Maria Bethânia e Nara Leão, incorporando elementos de samba e influências religiosas. "Ciclâmen do Líbano" apresenta um tema romântico do Oriente Médio com ritmos de darbuka, influenciado pela obra do compositor e maestro austríaco Anton Webern. "Anjos Tronchos" explora a desordem do mundo tecnológico no qual "palhaços macabros emergem, equipados com controles totais", com riffs de guitarra sombrios e batidas de zabumba que sustentam sua letra introspectiva. "Não Vou Deixar" faz referência à opressão política durante a presidência de Jair Bolsonaro, oferecendo um hino pop sobre resiliência em meio às lutas, que retoma o fluxo do funk carioca, criado a partir de uma base de rap sintetizada por Lucas Nunes e gravada com percussão tocada por Vinicius Cantuária.

"Autoacalanto" serve como canção de ninar para o neto de Veloso, na qual seu pai, Tom Veloso, toca violão, inspirado pelas vocalizações suaves da criança enquanto aprendia a cantar para dormir. "Enzo Gabriel" reflete sobre as gerações futuras, com uma melodia de acordeão adicionando um tom melancólico. Sobre a faixa mencionada, Veloso afirma: "Nunca conheci ninguém com esse nome, mas li no jornal que a maioria dos bebês brasileiros do sexo masculino nascidos entre 2018 e 2019 se chamavam Enzo Gabriel". "GilGal" aborda um ritmo de Candomblé criado e interpretado por Moreno Veloso. "Cobre" combina elementos orquestrais e de samba em uma narrativa ambientada na Bahia, com arranjos de Jaques Morelenbaum. "Pardo", originalmente interpretada por Céu, aborda temas homoeróticos com arranjos de metais. "Você-Você" é uma faixa colaborativa com a fadista português Carminho, brincando com a linguagem e os pronomes. "Sem Samba Não Dá" incorpora referências contemporâneas dentro de uma estrutura de samba. O álbum termina com "Noite de Cristal", uma peça que ele escreveu originalmente na década de 1990 para sua irmã Maria Bethânia, refletindo sobre paciência e esperança.

Recepção crítica

Meu Coco foi recebido com aclamação majoritariamente positiva por diversos críticos musicais. Lucas Brêda, escrevendo para a Folha de S.Paulo, descreveu Meu Coco como uma reafirmação da fé inabalável de Veloso na riqueza e no potencial cultural do Brasil, mesmo em tempos difíceis. Ele observou que o álbum reflete uma mistura de "magia apesar da miséria" e destaca a capacidade de Veloso de se inspirar tanto no legado de ícones como João Gilberto quanto nas inovações de novas gerações, como Djonga, Duda Beat, MC Cabelinho e Leo Santana. Faixas como "Não Vou Deixar" e "Sem Samba Não Dá" demonstram a "crença inabalável de Veloso no poder da música" como forma de resistência e esperança. Silvio Essinger, do O Globo, descreveu Meu Coco como uma obra de "quantidade e intensidade", onde "cada faixa tem sua própria vida". Essinger elogiou a capacidade de Veloso de mesclar temas contemporâneos com seu legado musical, destacando o diálogo do álbum com o cenário cultural e político do Brasil. O jornalista musical Mauro Ferreira, escrevendo para o G1, avaliou o álbum com cinco estrelas, elogiando-o como um álbum "rico e ambicioso" que equilibra a vibração artística do Brasil com suas dissonâncias sociais, concluindo que Meu Coco demonstra o "domínio da narrativa musical" de Veloso, reafirmando seu papel como um pilar da arte brasileira. Meu Coco recebeu uma indicação para Melhor Álbum de MPB no Grammy Latino de 2022.

Classificações +Classificações de final de ano para Meu CocoPublicaçãoListaPosiçãoEl País UruguayThe 10 Best International Albums of 2021Le MondeAureliano Tonet's Favorite Albums in 2021NPRSuraya Mohamed's Top 10 Albums of 2021The Washington PostBest Music of 2021

Faixas Todas as faixas foram escritas por Caetano Veloso e Lucas Nunes.

Créditos O processo de criação de Meu Coco atribui os seguintes créditos: Caetano Veloso – vocal principal (faixas 1–12), violão (faixas 1–12) Lucas Nunes – violão (faixas 1–12), baixo (faixas 1, 3), guitarra elétrica (faixa 3), piano de bolso (faixas 1, 5), sintetizador (faixas 2, 8), vocais de apoio (faixa 11) Márcio Victor – timbal (faixas 1, 4, 6, 9), tambor falante (faixa 6), timbales (faixa 6), atabaque (faixas 1, 6, 12), darbuka (faixa 2), chocalho (faixas 3, 7), bucket drum (faixa 6), pandeiro (faixa 11), rimshot (faixa 9), bumbo de marcha (faixas 6, 12) Vinicius Cantuária – caixa (faixas 1, 5, 7), bumbo (faixa 7), pandeiro (faixa 3), repinique (faixas 4, 9), bateria (faixas 2, 11, 12), caxixi (faixa 5), ​​chocalho (faixa 4) Marcelo Costa – bateria (faixas 4, 7, 9), brushes (faixa 7), repinique (faixa 8), caxixi (faixas 2, 6), prato-e-faca (faixas 8) Miguel Góes – baixo (faixa 5) Mestrinho – acordeão (faixa 10) Dora Morelenbaum – vocal principal (faixa 7), vocal de apoio (faixa 11) Carminho – vocal principal (faixa 10) Moreno Veloso – sino (faixa 7), bumbo (faixas 7, 9), agogô (faixas 6, 7), rum drum (faixa 7), vocais de apoio (faixas 1, 11) Tom Veloso – violão (faixa 5), ​​vocais de apoio (faixas 1, 11) Zé Ibarra – violão (faixa 4), vocais de apoio (faixa 11) Hamilton De Holanda – bandolim (faixa 10) Thiago Amud – arranjos de metais (faixa 1) Jaques Morelenbaum – violoncelo (faixas 2, 8, 12) Iura Ranevsky – violoncelo (faixas 2, 8, 12) Letieres Leite – flauta (faixa 9), arranjos de metais (faixa 9), regência (faixa 9) Pedro Sá – guitarra elétrica (faixa 3), baixo (faixa 3)

Produção Paula Lavigne – produção executiva Jaques Morelenbaum – arranjos para cordas (faixas 2, 8, 12) Iura Ranevsky – coordenação de cordas (faixas 2, 8, 12) Letieres Leite – arranjos de sopro (faixa 9), regência Emílio Souza Santos – coordenação de metais Pedro Sá – assistência de arranjamento

Paradas musicais + Desempenho nas paradas semanais de Meu CocoPaís — Tabela musical (2022)Posiçãode pico

Histórico de lançamento +Datas de lançamento e formatos de Meu Coco País Data Gravadora(s) Formato Várias 21 de outubro de 2021 Sony Music, Uns Produções Europa 17 de dezembro de 2021 Sony Music CD

Ligações externas

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