A frase "Pense nas criancinhas" (ou "Pense nas crianças") é um clichê que evoluiu para uma tática retórica.Meany 2002, p. 65.Marshall 2005Borschke 2011, p. 17 Literalmente, refere-se aos direitos da criança (como nas discussões sobre trabalho infantil).National Child Labor Committee 1914, pp. 39, 73.Boyce 2003Perry 2010, p. 498. Porém, ao entrar em qualquer outro debate, visa aprofundar a sensibilidade das pessoas em relação a estes e, assim, tentar convencer o contrário, por meio de argumentos enganosos, a fazer o que o emissor ou o grupo da frase realmente pretende, sempre com a intenção de "não prejudicar as crianças."
De acordo com o livro Art, Argument, and Advocacy (2002) argumentou que o apelo substitui a razão pela emoção no debate. O eticista Jack Marshall escreveu em 2005 que a popularidade da frase deriva de sua capacidade de prejudicar a racionalidade, particularmente o discurso sobre a moralidade. A frase também é usada por defensores da censura com o pretexto de defender as crianças de certas coisas, consideradas "perigosas".Beattie 2009, pp. 165–167.Keenan (October 1, 2014), p. GT4. Em Community, Space and Online Censorship (2009) é argumentado que classificar as crianças como bebês inocentes que precisam de proteção, é uma forma de obsessão sobre o conceito de pureza. Um artigo de 2011 no Journal for Cultural Research observou que a frase surgiu de um pânico moral.Coleman 2011, p. 99. Segundo o jornalista Jerônimo Teixeira, em artigo para a revista Veja, "a frase soa como um ramerrão demagógico, com notas de sentimentalismo hipócrita."
A frase foi dita por David Tomlinson interpretando Sr. Banks no filme Mary Poppins de 1964, onde ele pediu à personagem homônima interpretada por Julie Andrews para não desistir e "pensar nas crianças".Laity 2013, pp. 118–119, 128. No entanto, não foi até o início de 1996 na série Os Simpsons, quando a personagem Helen Lovejoy popularizou a frase.Ten Brink 2012, p. 789.Shotwell 2012, p. 141.Keenan (April 26, 2014), p. IN2. De acordo com o professor de direito Charles J. Ten Brink, da Universidade do Estado da Geórgia, o uso de Lovejoy de "pense nas crianças" é um bom exemplo de paródia. De fato, essa retórica foi chamada de "lei de Lovejoy", "argumento de Lovejoy" ou "síndrome de Helen Lovejoy".Hunt 2014, p. 27.
Bibliografia
Ligações externas
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