A NEP (), acrónimo de novaya ekonomiceskaya politika () foi a política econômica seguida na União Soviética entre o abandono do comunismo de guerra (praticado durante a guerra civil) em 1921 e a coletivização e renacionalização forçada dos meios de produção com a ascensão ao poder de Stalin em 1928. Em linhas gerais, passou pela reentrega das pequenas explorações agrícolas, industriais e comerciais à iniciativa privada, tentando, assim, desesperadamente, fazer a nascente União Soviética sair da grave crise em que se achava mergulhada.
A Nova Política Econômica (NEP) recuperou alguns traços de capitalismo para incentivar a nascente economia soviética. Desta forma, o Partido Comunista da União Soviética e o governo dos sovietes pretendiam reconstruir a economia russa. A NEP, segundo Lenin, consistia num recuo tático, caracterizado pelo restabelecimento da pequena propriedade privada, admitindo o apoio de financiamentos estrangeiros. Lenin teria dito: "Um passo atrás para dar dois à frente".
Momento Histórico Com o início da Guerra Civil Russa em fins de 1918 e a dificuldade de consolidação do poder soviético, o Partido Bolchevique decide que o governo dos Comissários do Povo aplique uma nova política econômica, que ficou conhecida como Comunismo de Guerra. O termo "comunismo de guerra" é, de certa forma, questionável, visto que não se tratava de um sistema comunista propriamente dito e sim de uma reforma no sistema capitalista a fim de estabilizar o país e solidificar o governo bolchevique, para a futura construção do Comunismo e permitir que a República Soviética Russa sobreviva até a vitória da revolução.
O Comunismo de Guerra pode ser entendido como controle estatal direto da economia, em vista que pela guerra o mercado havia praticamente desaparecido, havia uma severa escassez de mercadorias e de capitais e vários capitalistas haviam fugido. Essa política econômica, tendo, à frente, Preobrajenski e Bukharin, deu-se através de medidas como a estatização de fábricas que não haviam sido ainda coletivizadas ou que estavam apenas sob controle operário, a requisição forçadas de víveres agrícolas e matérias primas, o racionamento de alimentos e produtos industrializados, a distribuição de tíquetes no lugar de pagamentos em moeda e trocas diretas de produtos.
Depois da Guerra Civil Russa, a URSS estava devastada e a resposta para a rápida reconstrução do país foi a NEP. Ela foi criada logo após a rebelião dos marinheiros de Kronstadt, que clamavam pela derrubada dos bolcheviques e pela instauração da democracia proletária e da administração direta. Nessa situação, era impossível dar seguimento ao comunismo de guerra. Tornou-se necessário recuar na implantação imediata do comunismo. Voltar atrás não era uma medida fácil de ser tomada, e provavelmente, somente Lenin tinha condições morais e políticas para ordenar a retirada e não perder apoio dentro do partido.
Polêmica sobre o fim do Comunismo de Guerra thumb|esquerda|Rublo de Prata russo de 1924 Após a onda de protestos que culminou na Revolta de Kronstadt tornou-se claro que o Comunismo de Guerra não tinha mais utilidade para a estrutura produtiva da sociedade soviética. Os camponeses não aceitavam mais as requisições forçadas e os operários exigiam mais produtos, responsabilizando o governo bolchevique pela carestia e burocratização nas decisões econômicas. Uma grande parcela dos sindicatos ou havia participado da Revolta ou organizado greves durante o período, contribuindo para uma desconfiança do Partido e do governo para com eles. Inclusive, uma fração do Partido muito ligada aos sindicatos havia apoiado as reivindicações da revolta, a chamada Oposição Operária.
Os bolcheviques, após os graves eventos, consideraram a necessidade de reorganizar a produção e as políticas econômicas, assim como também reavaliar sua intervenção e a relação do Estado com os sindicatos. Contudo, havia diferenças quanto ao que fazer. A polêmica chegava ao auge. Até mesmo dirigentes como Preobrajenski, elaborador do "Comunismo de Guerra" com Bukharin, apontavam problemas e limitações numa série de artigos e discursos. A longa guerra, o esvaziamento de mão de obra no campo, a carência de insumos e implementos agrícolas além das requisições forçadas, levaram a uma profunda crise na produção agropecuária com uma total descapitalização. Preobrajenski concluíra que era preciso recapitalizar o setor agrário afetado pelas três Guerras (Primeira Guerra Mundial, Invasões de terras imperialistas e a Guerra Civil Russa) e o Comunismo de Guerra, pois isto geraria excedentes necessários aos capitais para a industrialização, condição imperiosa à jovem república socialista. Apesar de vencer as invasões das potências imperialistas e a guerra civil, a república socialista encontrava-se isolada no mercado mundial, sem parceiros comerciais, apoios externos e com o agravante de um setor industrial interno atrofiado à necessidade do desenvolvimento socialista.
A crise econômica após o fim da Guerra Civil e a crise política aberta com a Revolta de Kronstadt, abre um grande debate na URSS entre os anos de 1920 e 1921 no interior do Partido Comunista e Governo, discussão em torno da relação dos sindicatos com o Estado e sua relação com a organização e direção da produção. A questão estava em como reorganizar a produção nacional em substituição ao Comunismo de Guerra, à medida que esse regime econômico gozava de desprestígio junto às massas e um reconhecido fracasso em seus resultados, bem evidenciados na crise econômica, na recusa dos camponeses às requisições forçadas e nas violentas greves. Surge uma dupla polêmica interna ao Partido conhecida na época como "polêmica em torno a questão sobre os sindicatos".
Em meados de 1920, Trótski, após sua experiência na constituição do Exército Vermelho, passou a defender, também, a "militarização dos sindicatos" e a nomeação de seus dirigentes pelo governo. A ideia de Trótski era semelhante ao que ele mesmo havia feito com as milícias operárias da Revolução de 1917, transformando-as no Exército Vermelho, vencedora da Guerra Civil. Outro efeito dessa medida seria afastar agitadores irresponsáveis por sindicalistas preocupados com a produção. Essa proposta gozou de ampla antipatia entre os dirigentes sindicais e parte do Partido, e será usada anos mais tarde contra Trótski. Tal ideia surgiu porque Trótski, em 1920, havia sido encarregado de reorganizar o transporte ferroviário na Rússia. As estradas de ferro russas eram o setor da economia mais controlado pelos sindicatos. Trótski fez igualmente o que havia empreendido na constituição do Exército Vermelho. Colocou os ferroviários sob a lei marcial e intensificou o trabalho nas oficinas de reparos. Quando o sindicato protestou, afastou seus dirigentes e nomeou interventores. Agiu da mesma forma nos outros sindicatos de trabalhadores em transportes. Os resultados foram superiores às expectativas: as ferrovias e os transportes foram reabilitados muito antes do previsto. Entusiasmado pelo êxito, passou a defender no que ficou chamado de "militarização dos sindicatos".
Em novembro de 1920, Trótski reapresentou suas teses ao Comitê Central sobre a necessidade de reorganizar imediatamente os sindicatos através da escolha de seus dirigentes pelo governo. Paralelamente, Preobrajenski e Bukharin apresentavam um outra proposta que consistia no estabelecimento de conselhos gestores sob a participação direta dos sindicatos para administrar a economia nacional. A dupla defendeu a ampliação da democratização na gestão e planejamento da economia, a planificação centralizada imediata e o estímulo da industrialização, condições que permitiriam o jovem Estado socialista Soviético aguardar o eventual triunfo da revolução na Europa Ocidental, além da esperada e necessária parceria econômica e comercial. O desenvolvimento da indústria soviética em patamares ocidentais e o triunfo da revolução mundial, eram considerados, até então pela direção do PCUS, condição sine qua non para a sobrevivência da URSS.
No decorrer do debate, os grupos de Trótski e de Preobrajenski-Bukharin juntaram suas propostas. No X Congresso do Partido (março de 1921), apresentam a proposta, que consistia em colocar os sindicatos sob controle estatal, mas mantendo sua democracia interna, dotando-as de papel de organismos dirigentes da economia nacional, pondo, sob seu controle, a administração das empresas e os órgãos de planejamento. Essa proposição acabou minoritária, perdendo para a proposta apresentada por Lênin, de que o governo soviético adotasse um nova orientação de política econômica, que foi batizada de Nova Política Econômica ou NEP (em russo romanizado: Novaya Ekonomicheskaya Politika) - a reorientação da linha econômica do Partido iniciada na primavera de 1921.
Lênin sustentou que o Estado proletário não deveria nomear os dirigentes dos sindicatos, argumentando que, dessa forma, não estaria garantida automaticamente a unidade entre os interesses do Estado e os da classe operária. Lênin contra-argumentava que, sob o Estado, estão diversos outros interesses representados, como os do campesinato. Além disso, havia fatores desestabilizadores em detrimento da vontade dos trabalhadores, principalmente a "herança estatal" do Antigo Regime e as pressões pró-burocratização do novo regime. Por isso, Lênin defendia que se mantivesse que as direções sindicais fossem eleitas diretamente pelos operários como um meio de assegurar a defesa de seus interesses contra o Estado. Lênin foi contra a proposta de Trotski e Preobrajenski-Bukharin e a maioria do Comitê Central o acompanhou, em parte pela influência do próprio Lênin.
A alternativa aprovada foi a proposta de Lênin no X Congresso do Partido (março de 1921) de abandono do Comunismo de Guerra e de constituição de uma Nova Política Econômica pelo Estado Soviético, a chamada NEP, que assegurou a liberalização do mercado aos produtores agrícolas e urbanos e concessões e autorizações ao grande capital industrial internacional, que permitiriam recapitalizar o setor pequeno-burguês agrícola e artesanal além de reativar o setor fabril, permitindo uma acumulação de capitais necessário à industrialização e garantindo o funcionamento da economia soviética apesar do boicote comercial internacional.
Proposta Idealizada por Lenin, a NEP entrou em vigor em 1921/1922. Ela restabelecia as práticas capitalistas vigentes antes da revolução. Essa política econômica deu-se através de medidas que, em parte, revertiam as políticas econômicas adotadas no "Comunismo de Guerra", como a suspensão da estatização de fábricas que não haviam sido ainda coletivizadas ou que estavam apenas sob controle operário, o abandono da requisição forçada de víveres agrícolas e matérias-primas, a interrupção do racionamento de alimentos e produtos industrializados e o fim da distribuição de tíquetes e talões de racionamento no lugar de pagamentos em moeda e trocas diretas de produtos.
Os camponeses, agora, venderiam uma pequena parcela da sua produção para o Estado a preço fixo, sendo que o restante da produção poderia ser lançado no mercado, como em uma economia capitalista. Também permitiu-se a criação de empreendimentos capitalistas na pequena indústria e no comércio. O estímulo pelo ganho pessoal foi reintroduzido e o igualitarismo teve que ceder temporariamente à hierarquia e aos privilégios materiais.
A NEP deveria ser acompanhada pela formação de uma tecnocracia eficiente forjada nos quadros operários e ideologicamente ligada aos ideais da revolução.
Princípios da NEP Liberdade de comércio interno Liberdade de salário aos trabalhadores, Autorização para o funcionamento de empresas particulares Permissão de entrada de capitais estrangeiros para a reconstrução do país.
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