direita|miniaturadaimagem||Zhao Lijian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China. O Ministério das Relações Exteriores é um dos muitos órgãos do governo chinês que cada vez mais emprega táticas diplomáticas agressivas.
Diplomacia do lobo guerreiro descreve um estilo agressivo de diplomacia adotada por diplomatas chineses no , sob a administração do líder chinês Xi Jinping. O termo foi cunhado a partir de um filme de ação chinês no estilo de Rambo, Wolf Warrior 2. Em contraste com a prática diplomática chinesa de Deng Xiaoping, que era caracterizada como "taoguang yanghui" (), em que enfatizou a necessidade de evitar polêmicas e o uso de retórica cooperativa, a diplomacia do lobo guerreiro é confrontadora e combativa, com seus defensores denunciando em voz alta qualquer crítica à China nas redes sociais e em entrevistas.
Embora a frase "diplomacia do lobo guerreiro" tenha sido popularizada apenas como uma descrição para essa filosofia diplomática durante a pandemia COVID-19, o aparecimento de diplomatas no estilo lobo guerreiro começou alguns anos antes. A política externa do líder chinês e secretário-geral do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, em sentido amplo, a percepção da hostilidade anti-China do Ocidente entre funcionários do governo chinês e as mudanças dentro da burocracia diplomática chinesa foram citados como fatores que levaram ao seu surgimento.
Visão geral A diplomacia do lobo guerreiro é caracterizada pelo uso da retórica de confronto pelos diplomatas chineses, bem como pela maior disposição dos diplomatas em rejeitar as críticas à China e participar de controvérsias em entrevistas e nas redes sociais. É um afastamento da antiga política externa chinesa, que se concentrava em trabalhar nos bastidores, evitando polêmicas e favorecendo uma retórica de cooperação internacional, exemplificada pela máxima de que a China "deve esconder sua força" na diplomacia internacional. Essa mudança reflete uma transformação maior em como o governo chinês e o PCC se relacionam e interagem com o mundo. Os esforços para incorporar a diáspora chinesa à política externa chinesa também se intensificaram, com ênfase na lealdade étnica em detrimento da lealdade nacional.
A diplomacia do lobo guerreiro começou a surgir em 2017, embora componentes dela já tivessem sido incorporados à diplomacia chinesa antes disso. Já em 2014, antes de uma visita do primeiro ministro Li Keqiang à Grã-Bretanha, os planificadores chineses fizeram uma queixa oficial a Downing Street: o tapete vermelho para a sua chegada a Heathrow era três metros demasiado curto. Quando o Comité Nobel em 2010 atribuiu o prémio da paz a Liu Xiaobo, uma figura proeminente da oposição, preso várias vezes, o governo da Noruega foi "castigado" com o cancelamento de todas as relações oficiais, e o embaixador norueguês em Pequim não foi convidado para eventos diplomáticos, durante bastante tempo. Um impulso diplomático assertivo semelhante à diplomacia do lobo guerreiro também foi observado após a crise financeira de 2008. O surgimento da diplomacia do lobo guerreiro está ligado às ambições políticas de Xi Jinping, bem como à hostilidade anti-China percebida do Ocidente entre os funcionários do governo chinês.
"Lobo guerreiro" começou a ser usado como uma palavra da moda durante a pandemia de COVID-19. Na Europa, os líderes expressaram surpresa com os chineses usando um tom diplomático com eles que antes só teriam usado com países pequenos ou fracos, com a mensagem mudando de um tom de colaboração para um de oposição.
Etimologia miniatura|320px|Wu Jing no set de Wolf Warrior 2 A frase é derivada do filme chinês Wolf Warrior 2, no estilo patriótico de Rambo. O slogan de Wolf Warrior 2 era "Quem atacar a China será morto, não importa a que distância o alvo esteja." No final do filme, a capa do passaporte chinês é exibida junto com o texto "Cidadãos da República Popular da China: Quando você encontrar perigo em um país estrangeiro, não desista! Por favor, lembre-se, atrás de você está uma forte pátria-mãe. "
Proponentes e praticantes da diplomacia do lobo guerreiro Além de Xi Jinping, Zhao Lijian, Hua Chunying, Wang Wenbin, Hu Xijin e Liu Xiaoming foram descritos como proeminentes defensores da diplomacia do lobo guerreiro.
Zhao e a imagem manipulada No final de 2020, Zhao Lijian usou sua conta no Twitter para divulgar uma imagem digitalmente manipulada de uma criança tendo a garganta cortada por um soldado australiano. Comentaristas globais chamaram o tweet de "uma forte escalada" na disputa entre a China e a Austrália. miniatura|320px|esquerda| A imagem manipulada Em poucas horas, descobriu-se que a imagem havia sido criada por Wuheqilin, um artista chinês que se autodenominava "lobo guerreiro". A Reuters relatou que o primeiro-ministro Scott Morrison descreveu o tweet de Zhao como "verdadeiramente repugnante" e que "o governo chinês deveria estar totalmente envergonhado com esta postagem. Isso os diminui aos olhos do mundo." No dia seguinte, o Ministério das Relações Exteriores da China rejeitou as exigências de desculpas australianas. O incidente foi prejudicial para as relações Austrália-China. O efeito do tweet de Zhao foi unificar os políticos australianos através das linhas partidárias na condenação do incidente e da China em geral. Por outro lado, o tweet de Zhao também atraiu uma forte onda de apoio nacionalista na China, com a conta Weibo de Wuheqilin dobrando de seguidores para 1,24 milhão. Mais tarde, o analista de segurança Anthony Galloway descreveu o evento como "um ataque de zona cinza, se é que já houve um".
Confronto de diplomatas em Fiji Em 8 de Outubro de 2020, em Suva, capital da República das Fiji, celebrava-se num hotel desta cidade o dia nacional de Taiwan. Segundo relatos, dois funcionários da embaixada chinesa chegaram sem serem convidados e começaram a assediar e a tentar fotografar os convidados, que incluíam ministros das Fiji, diplomatas estrangeiros, representantes de ONGs e membros da comunidade étnica chinesa das Fiji.
O pessoal taiwanês confrontou os funcionários e desencadeou-se uma luta, com um funcionário taiwanês a necessitar de tratamento no hospital por ferimentos na cabeça, segundo múltiplas fontes no local. A polícia foi chamada ao hotel, e os funcionários chineses reclamaram imunidade diplomática. Taiwan considerou o ocorrido uma seria violação das leis e das normas civilizadas.
Em Pequim, o ministro Zhao Lijian disse que os relatos eram "completamente inconsistentes” com os factos. Comparou Taiwan com um ladrão que grita "agarra que é ladrão". Afirmou que o evento no hotel era "uma séria violação da política da China única" e que Taiwan tinha abertamente exibido a bandeira de um "falso país" inclusive num bolo.
Resposta A diplomacia do lobo guerreiro muitas vezes obteve uma forte resposta e, em alguns casos, provocou uma reação contra a China e contra diplomatas específicos. Em 2020, o Wall Street Journal noticiava que a ascensão da diplomacia do lobo guerreiro havia deixado muitos políticos e empresários se sentindo alvos. Uma pesquisa da Pew Research descobriu que 78% das pessoas nos países ocidentais "não têm muita ou nenhuma confiança" na liderança da China para fazer a coisa certa em relação aos assuntos mundiais. Em dezembro de 2020, Nicolas Chapuis, embaixador da União Europeia na China, alertou: “O que aconteceu durante o ano passado… foi uma grande interrupção ou redução do apoio na Europa e em outras partes do mundo em relação à China. E estou dizendo isso a todos os meus amigos chineses, vocês precisam olhar seriamente para isso”.
Bibliografia Ringen, Stein (2016) - The Perfect Dictatorship China in the 21st Century - Hong Kong University Press
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