thumb|300px|Sistema de radar do porta-aviões USS Lexington dos EUA A tecnologia durante a Segunda Guerra Mundial desempenhou um papel importante naquele conflito. Algumas dessas tecnologias usadas durante a guerra foram desenvolvidas durante as décadas de 1920 e 1930. Muitas guerras tiveram efeitos importantes nas tecnologias atuais, no entanto, em comparação às guerras anteriores, a II Guerra Mundial teve um maior impacto na tecnologia e nos dispositivos usados até hoje.
A Segunda Guerra Mundial foi a primeira guerra em que as operações militares visaram amplamente impedir os esforços inimigos de pesquisa. Alguns exemplos disso foram a "sabotagem norueguesa de água pesada" (Norwegian heavy water sabotage) e o Bombardeio de Peenemünde. Também ocorreram algumas operações militares para obter conhecimento sobre a tecnologia inimiga, como por exemplo a "Bruneval Raid" (Operação Biting), para o radar alemão (Freya e Wurzburg), e a "Operation Most III" para o V-2 alemão.
Entre as guerras Em agosto de 1919, após o Tratado de Versalhes, a lei britânica "Ten Year Rule" declarou que o governo não deveria esperar outra guerra dentro de dez anos e portanto, consequentemente, eles investiram muito pouco em pesquisa e desenvolvimento militar (P&D militar). Enquanto a Alemanha e a União Soviética cooperavam entre si em P&D. Os soviéticos ofereceram a Weimar, na Alemanha, instalações na URSS para a construção e testes de armas e treinamento militar, isso longe dos olhos dos inspetores do tratado. E em troca, eles pediram acesso aos desenvolvimentos técnicos alemães e assistência na criação do Estado-Maior do Exército Vermelho.
Em 1925, uma escola de aviação foi estabelecida perto de Lipetsk (Base Aérea de Lipetsk) para treinar os primeiros pilotos da futura Luftwaffe. E desde 1926, a Reichswehr começou a utilizar uma escola de tanques em Cazã (Kama Tank School) e uma instalação de armas químicas em Oblast de Saratov (Tomka gas test site). E o Exército Vermelho obteve acesso a essas instalações de treinamento, bem como à tecnologia e teoria militar de Weimar.
A fissão nuclear induzida foi descoberta na Alemanha em 1938 por Otto Hahn, porém muitos dos cientistas necessários para desenvolver a energia nuclear já haviam sido perdidos devido às políticas de antissemitismo e anti-intelectualismo.
Cooperação entre os Aliados Os Aliados cooperaram extensivamente no desenvolvimento e fabricação de tecnologias novas e existentes para apoiar operações militares e coleta de inteligência durante a Segunda Guerra Mundial. Existiram várias maneiras pelas quais os aliados cooperaram, incluindo o programa americano Lend-Lease e armas híbridas, como o tanque Sherman Firefly, bem como o projeto de pesquisa de armas nucleares britânico Tube Alloys, que foi absorvido pelo Projeto Manhattan, liderado pelos americanos. Várias tecnologias inventadas na Grã-Bretanha provaram ser críticas para os militares e foram amplamente fabricadas pelos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Consultado em 28 de maio de 2022Septimus H. Paul (2000). Nuclear Rivals: Anglo-American Atomic Relations, 1941–1952. Ohio State University Press, págs. 1–5. ISBN 9780814208526 Consultado em 28 de maio de 2022
A origem da cooperação resultou de uma visita em 1940 do presidente do Comitê de Pesquisa Aeronáutica, Henry Tizard, que providenciou a transferência de tecnologia militar do Reino Unido para os EUA no caso da invasão bem-sucedida do Reino Unido que Hitler estava planejando com a Operação Leão Marinho. Tizard liderou uma missão técnica britânica, conhecida como Missão Tizard, contendo detalhes e exemplos de desenvolvimentos tecnológicos britânicos em áreas como radar, propulsão a jato e também as primeiras pesquisas britânicas sobre a bomba atômica. Um dos dispositivos trazidos para os EUA pela Missão, o magnetron de cavidade ressonante, foi posteriormente descrito como "a carga mais valiosa já trazida para nossas costas".James Phinney Baxter III Official Historian of the Office of Scientific Research and Development (Historiador Oficial do Escritório de Pesquisa e Desenvolvimento Científico), Scientists Against Time. (Boston: Little, Brown, and Co., 1946), pág. 142, ISBN 9780598553881 Consultado em 28 de maio de 2022
Armamentos A tecnologia de armas militares sofreu diversos avanços durante a Segunda Guerra Mundial e, ao longo de seis anos, houve uma grande taxa de mudança no combate, sendo desde aeronaves a armas pequenas. Na verdade, a guerra começou com a maioria dos exércitos utilizando uma tecnologia que pouco mudou desde a Primeira Guerra Mundial e, em alguns casos, que permaneceram inalteradas desde o século XIX. A cavalaria, trincheiras e navios de guerra eram normais em 1940, no entanto, em apenas seis anos, os exércitos em todo o mundo desenvolveram aviões a jato, mísseis balísticos e, no caso dos Estados Unidos, até armas atômicas.
Aeronaves miniatura|250px|Gloster Meteor (Reino Unido) miniatura|250px|Horten H IX (Gotha Go 229), a asa voadora dos irmãos Horten (Alemanha)
As aeronaves tiveram um rápido e amplo desenvolvimento durante a guerra para atender às demandas do combate aéreo e abordar as lições aprendidas com a experiência de combate. Do avião com cabine aberta ao elegante caça a jato, muitos tipos diferentes foram empregados, muitas vezes projetados para missões muito específicas. As aeronaves foram usadas na Guerra antissubmarina contra os submarinos alemães, pelos alemães para minerar rotas de navegação e pelos japoneses contra navios de guerra da Marinha Real.
Após a Primeira Guerra Mundial, o conceito de bombardeio aéreo em massa "O bombardeiro sempre passará" se tornou muito popular entre os políticos e líderes militares que buscavam uma alternativa para a carnificina da guerra de trincheiras e, com isso, as forças aéreas da Grã-Bretanha, a França e a Alemanha desenvolveram frotas de aviões bombardeiros para permitir isso (os bombardeiros da França foram severamente negligenciados, enquanto os bombardeiros alemães foram desenvolvidos em segredo por serem explicitamente proibidos pelo Tratado de Versalhes).
Consequentemente, no início de 1940, as aeronaves alemãs alcançaram superioridade aérea sobre a França, permitindo que a Luftwaffe iniciasse um bombardeio estratégico contra cidades britânicas. E utilizando os campos de aviação da França, perto do Canal da Mancha, os alemães lançaram ataques contra Londres e outras cidades durante a Blitz.
O bombardeio de Xangai pela Marinha Imperial Japonesa em 28 de janeiro de 1932 e em agosto de 1937 e os bombardeios durante a Guerra Civil Espanhola (1936–1939) demonstraram o poder do bombardeio estratégico e, portanto, as forças aéreas da Europa e dos Estados Unidos começaram a ver os aviões bombardeiros como armas extremamente poderosas que, em teoria, poderiam bombardear uma nação inimiga até sua submissão. E Como resultado, o medo de bombardeiros desencadeou grandes desenvolvimentos na tecnologia de aeronaves.
Os aviões bombardeiros britânicos de longo alcance, como o Short Stirling, foram projetados antes de 1939 para voos estratégicos e receberam um grande armamento, porém sua tecnologia ainda apresentava inúmeras falhas. O Bristol Blenheim de alcance menor e mais curto, sendo o bombardeiro mais usado da RAF, era defendido por uma torre de artilharia operada hidraulicamente, mas, embora parecesse suficiente, logo foi revelado que apenas a torre era insuficiente contra os esquadrões de aviões militares da Alemanha. Já o B-17 Flying Fortress, avião bombardeiro americano, foi construído antes da guerra e foi um dos únicos bombardeiros de longo alcance mais adequados do mundo, sendo projetados para patrulhar as costas americanas. Eles eram defendidos por até seis torres de artilharia fornecendo cobertura de 360°. Contudo, os B-17s ainda eram vulneráveis em guerra, mesmo quando usados em grandes formações.
Mesmo com as habilidades dos bombardeiros aliados, a Alemanha não foi rapidamente afetada pelos ataques aéreos. Isso porque, no início da guerra, a maioria das bombas caiam a quilômetros de seus alvos por conta da fraca tecnologia de navegação, que fazia com que os aviadores aliados frequentemente não conseguissem encontrar seus alvos à noite. Também, as bombas utilizadas pelos aliados eram dispositivos de alta tecnologia, e a produção em massa fazia com que as bombas de precisão fossem geralmente feitas de maneira descuidada e, por isso, não explodiam. Enquanto isso, apesar dos esforços das forças aéreas aliadas para paralisar a indústria, a produção industrial alemã aumentou continuamente de 1940 a 1945.
Com a ofensiva de bombardeiros, o revolucionário U-boat tipo XXI foi impedido de entrar em serviço durante a guerra. Além disso, os ataques aéreos aliados tiveram um forte impacto de propaganda no governo alemão, levando a Alemanha a iniciar um desenvolvimento sério da tecnologia de defesa aérea na forma de aviões de combate.
A era dos aviões a jato começou pouco antes do início da guerra com o desenvolvimento do Heinkel He 178, o primeiro turbojato. E no final da guerra, os alemães trouxeram o primeiro caça a jato operacional, o Messerschmitt Me 262. No entanto, apesar de sua aparente vantagem tecnológica, os jatos alemães eram muitas vezes prejudicados por problemas técnicos, como a vida útil curta do motor, com o Me 262 tendo uma vida útil operacional estimada de apenas dez horas antes de falhar. Os jatos alemães também foram oprimidos pela supremacia aérea dos Aliados, frequentemente sendo destruídos na pista de pouso ou perto dela. O primeiro e único caça a jato Aliado operacional da guerra, o britânico Gloster Meteor, lutou contra as bombas voadoras V-1 alemãs, mas não se diferenciou significativamente das aeronaves de última geração, movidas a pistão.
Combustível Os países do Eixo tinham uma séria escassez de petróleo para fazer combustível líquido. Enquanto os Aliados tinham uma maior produção de petróleo. A Alemanha, muito antes da guerra, desenvolveu um processo para fazer combustível sintético a partir do carvão. E as fábricas de síntese foram os principais alvos da Campanha do Petróleo na Segunda Guerra Mundial.
Os Estados Unidos adicionaram tetraetilchumbo ao seu combustível para aviação, com o qual abasteciam a Grã-Bretanha e outros Aliados. Este aditivo de aumento de octanagem permitiu taxas de compressão mais altas, permitindo maior eficiência, dando mais velocidade e alcance aos aviões, e reduzindo a carga de resfriamento.
Veículos miniatura|250px|Variantes do tanque T-34 (URSS) em 1941
Os veículos mais visíveis da guerra foram os tanques, formando a ponta de lança blindada da guerra mecanizada. Seu impressionante poder de fogo e armadura os tornavam a principal máquina de combate da guerra terrestre. No entanto, o grande número de caminhões e veículos mais leves que mantinham a infantaria, a artilharia e outros em movimento também eram empreendimentos gigantescos.
E embora a Alemanha reconhecesse o uso concentrado em forças mecanizadas, eles nunca tiveram essas unidades em quantidade suficiente para suplantar as unidades tradicionais. Contudo, os britânicos também viram o valor da mecanização, e para eles era uma forma de aumentar uma reserva de mão de obra limitada. A América também procurou criar um exército mecanizado, e para os Estados Unidos não se tratava tanto de tropas limitadas, mas de uma forte base industrial que pudesse pagar por esse equipamento em grande escala.
O Tratado de Versalhes impôs severas restrições à construção alemã de veículos para fins militares e, portanto, durante as décadas de 1920 e 1930, os fabricantes alemães de armas e a Wehrmacht começaram a desenvolver tanques secretamente. E como esses veículos foram produzidos em segredo, suas especificações técnicas e potenciais de campo de batalha eram em grande parte desconhecidos dos Aliados europeus até o início da guerra.