Juvenal de Holanda "Naná" Vasconcelos (Recife, 2 de agosto de 1944 – Recife, 9 de março de 2016) foi um músico brasileiro.

Eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana Down Beat e ganhador de oito prêmios Grammy (brasileiro com mais prêmios Grammy), era considerado uma autoridade mundial em percussão. Figura na posição 62 da Lista dos 100 maiores artistas da música brasileira pela Rolling Stone Brasil.

Dotado de uma curiosidade intensa, indo da música erudita do brasileiro Heitor Villa-Lobos ao roqueiro Jimi Hendrix, Naná aprendeu a tocar praticamente todos os instrumentos de percussão, embora nos anos 60 tenha se especializado no berimbau.

Biografia

Juventude O primeiro contato com instrumentos de percussão se deu cedo, aos 7 ou 8 anos, quando Naná foi admitido pelo próprio pai para tocar bongô e maracas em um conjunto do Recife. Assim, ainda na infância, aprendeu a tocar sozinho, usando os penicos e as panelas de casa.pernambuco.com/ Naná Vasconcelos: cinco vídeos para entender a genialidade do músico, morto aos 71 anos

Precoce, aos 12 anos já se apresentava com seu pai numa banda marcial em bares e participava de grupos de maracatu locais. Aprendeu primeiro a tocar bateria para então tocar berimbau.

Trajetória artística Durante toda sua carreira sempre teve preferência por instrumentos de percussão e nos anos 60 se notabilizou por seu talento com o berimbau.

Em 1967 mudou-se para o Rio de Janeiro onde gravou dois LPs com Milton Nascimento. No ano seguinte, junto com Geraldo Azevedo, viajou para São Paulo para participar do Quarteto Livre, que acompanhou Geraldo Vandré no III Festival Internacional da Canção.

No início da década de 1970, formou o Trio do Bagaço, com Nélson Angelo e Maurício Maestro, apresentando-se, com o grupo, no México, a convite de Luis Eça. Foi nesta mesma época que Gato Barbieri, saxofonista argentino, o convidou para fazer parte do seu grupo, ajudando o percussionista a ganhar projeção internacional, começando uma longa carreira fora do Brasil. Com o músico argentino, ele se apresentou em Nova York e Europa, com destaque para o festival de Montreaux, na Suíça, onde o percussionista encantou público e crítica.

Sua discografia é tão extensa quanto os projetos ligados à música nos quais ele esteve envolvido.tvbrasil.ebc.com.br/ O som do percussionista Naná Vasconcelos Ele atuou como percussionista ao lado de diversos artistas internacionais como B. B. King, Jean-Luc Ponty, David Byrne, Jon Hassell, Egberto Gismonti, Pat Metheny, Björk, Evelyn Glennie e Jan Garbarek. Formou, entre os anos de 1978 e 1982, ao lado de Don Cherry e Collin Walcott, o trio de jazz CoDoNa, com o qual lançou 3 álbuns, num estilo musical definido como world jazz. Em 1981, tocou no Woodstock Jazz Festival, em comemoração ao décimo aniversário do Creative Music Studio. Em 1998, Vasconcelos contribuiu com a música "Luz de Candeeiro" para o álbum Onda Sonora: Red Hot + Lisbon, compilação beneficente em prol do combate à AIDS, produzida pela Red Hot Organization.

Em 2013, o músico fez a trilha sonora da animação O Menino e o Mundo, que concorreu ao Oscar de melhor filme de animação em 2016.

Em 2015, Naná lançou um projeto com o cantor Zeca Baleiro e Paulo Lepetit chamado "Projeto Café no Bule".diariodepernambuco.com.br/ Naná Vasconcelos: relembre as parcerias famosas do percussionista pernambucano

No dia 9 de dezembro de 2015, Naná Vasconcelos recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) - sem nunca ter cursado nível superior. Esta honraria é concedida a pessoas que tenham se destacado em meios como artes, filosofia ou ciência, por exemplo.

Naná Vasconcelos ganhou, por oito anos consecutivos (1983-1990), o prêmio de Melhor Percussionista do Ano da conceituada revista Down Beat, considerada a "bíblia do jazz".

Com uma forte ligação com a cultura popular, nos seus últimos 15 anos de vida, Naná abriu o Carnaval do Recife, acompanhado pelo cortejo de nações de maracatu.

Última composição e morte

Em julho de 2015, noticiou-se que Naná estava com um câncer de pulmão. Após o diagnóstico, Naná iniciou o tratamento e manteve-se em atividade. Em setembro de 2015, logo após iniciar as sessões de quimioterapia, gravou um vídeo recitando poesias e divulgou pelas redes sociais.folhavitoria.com.br/ Percussionista de maior relevância do País morre aos 71 anos no Recife

No dia 29 de fevereiro de 2016, um dia depois de sentir-se mal após uma apresentação realizada em Salvador, Naná foi internado.virgula.uol.com.br/ Naná Vasconcelos recebe homenagem de cortejo de maracatus

Na manhã do dia 9 de março de 2016, Naná Vasconcelos veio a falecer, aos 71 anos de idade, após uma parada respiratória em decorrência de complicações da doença. No dia de sua morte, o estado de Pernambuco declarou luto oficial de três dias em memória do artista.musica.terra.com.br/ Naná Vasconcelos é enterrado ao som de grupos de maracatu

Ainda no leito do hospital em que estava internado, ele deixou uma obra concluída em seus últimos dias de vida. O material terá composições e arranjos de Naná, do pianista e violonista Egberto Gismonti e do maestro Gil Jardimparana-online.com.br/ Naná criou sua última obra no leito do hospital, ao lado de Gil Jardim Seus restos mortais foram sepultados no Cemitério de Santo Amaro, em Recife.

Legado

Segundo o site uol, "sua importância internacional (ao lado de Airto Moreira) foi ter bagunçado o coreto do jazz tradicional, que admitia até aquele momento apenas a percussão afro-cubana - que chegara aos Estados Unidos por intermédio de Dizzy Gillespie e outros exploradores".musica.uol.com.br/ Análise: Naná Vasconcelos foi um contrabandista da música brasileira

Além de dominar uma grande variedade de instrumentos de percussão, Naná Vasconcelos contribuiu para a divulgação internacional do berimbau.cliquemusic.uol.com.br/ Naná Vasconcelos O jornalista Ben-Hur Demeneck, assim descreveu o legado de Naná:revistas.uepg.br/ Naná Vasconcelos - o berimbau global, por Ben-Hur Demeneck

Estilo

Autodidata, Naná inovou ao tirar diferentes sonoridades de instrumentos de percussão, sua especialidade.

Considerado um virtuoso no berimbau, Naná era adepto de métricas pouco usuais no jazz - com levadas em 5/4 ou 7/4, mas que são muito tocados no nordeste brasileiro.batera.com.br/ Biografia de Naná Vasconcelos

Ao longo da carreira, uma das características da sua percussão era usar qualquer objeto que produzisse um som interessante para compor seus trabalhos.jb.com.br/ Batuque e tambor marcam velório de Naná Vasconcelos Antes de Naná, a percussão limitava-se aos tocadores de pandeiros, tambores, tumbadores, maracás e bangôs. Naná percebeu as possibilidades do berimbau (instrumento até então usado apenas na capoeira) e empenhou-se em explorar todas as potencialidades do instrumento.basilio.fundaj.gov.br/ Naná Vasconcelos

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, "o músico usava de forma não convencional o berimbau, uma de suas marcas. Ele sobrepunha sua voz ao som da corda vibrante e conseguia efeitos surpreendentes".

Hoto Júnior, percussionista brasileiro, acrescenta que "Naná usava muita percussão corporal, e isso pros gringos era uma coisa que não existia na década de 1970".opovo.com.br/ Naná Vasconcelos silencia seus tambores

Discografia Africadeus, 1973 Amazonas, 1973 Kundalini, 1978, com Perry Robinson e Badal Roy Saudades (concerto de berimbau e orquestra) (ECM, 1979) Zumbi, 1983 Nanatronics, 1985 Bush Dance, 1986, com Arto Lindsay Legend of the Seven Dreams, 1988, com Jan Garbarek Asian Journal, 1988, com Steve Gorn, Mike Richmond e Badal Roy Rain Dance - Naná Vasconcelos and The Bushdancers, 1989, com Don Cherry, Cyro Baptista, e Peter Scherer Lester - Naná Vasconcelos & Antonello Salis, 1990 Mejnoun, 1992, com Safy Boutella If You Look Far Enough, 1993, com Arild Andersen e Ralph Towner Contando Estórias, 1994 Storytelling, 1995 Contando Estorias, 1995 Inclassificable, 1995, com Andy Sheppard e Steve Lodder Fragments: Modern Tradition, 1997 Contaminação, 1999 Saravah compilation, 1999 Fragmentos, 2001, com Domínio Público Minha Lôa, 2002 Vasconcelos e Assumpção - isso vai dar repercussão, 2004, com Itamar Assumpção Vasconcelos, Salis, Consolmagno - Vasconcelos, Salis, Consolmagno, 2005 Chegada, 2005 Trilhas, 2006 Sementeira, 2010 (com Caito Marcondes, Marcos Suzano e Coração Quiáltera) Sinfonia & Batuques, 2011 Projeto Café no Bule, 2015 (com Zeca Baleiro e Paulo Lepetit)

Participações especiais

Com Gato Barbieri Fenix (Flying Dutchman, 1971) El Pampero (Flying Dutchman, 1971)

Com Walter Bishop, Jr. Illumination (1977)

Com Codona Codona (ECM, 1979) Codona 2 (ECM, 1981) Codona 3 (ECM, 1983)

Com Don Cherry Organic Music Society (Caprice, 1972) Multikuti (A&M, 1990)

Com Pierre Favre Singing Drums (ECM, 1984)

Com Jan Garbarek Eventyr (ECM, 1980) I Took Up the Runes (ECM, 1990) Legend of the Seven Dreams (1988)

Com Egberto Gismonti Dança Das Cabeças (ECM, 1977) Sol Do Meio Dia (ECM, 1978) Duas Vozes (ECM, 1984)

Com Danny Gottlieb Whirlwind (Atlantic, 1989)

Com Pat Metheny As Falls Wichita, So Falls Wichita Falls (ECM, 1981) Offramp (ECM, 1982) Travels (ECM 1983) Secret Story (Geffen 1992)

Com Jim Pepper Comin' and Goin' (Europa, 1983) Com Woody Shaw For Sure! (Columbia, 1979)

Com Gary Thomas By Any Means Necessary (JMT, 1989)

Com Talking Heads Little Creatures (1985)

Com Jon Hassell Fourth World, Vol. 1: Possible Musics (1981) Vernal Equinox (1977) Earthquake Island (1979) Sulla Strada Soundtrack (1995)

Com Ginger Baker Dust to Dust (2007) Horses & Trees (1986)

Com Paul Simon The Rhythm of the Saints (1990)

Com B. B. King Now Appearing at Ole Miss (1980)

Com Mauricio Maestro Upside Down

Com Arto Lindsay Noon Chill (1998) Subtle Body (1996)

Com Milton Nascimento Maria Maria/Último Trem (2005) Melhor de Milton Nascimento (1999) Angelus (1994) Miltons (1989) Journey to Dawn (1979) Geraes (1976) Milagre dos Peixes (1973)

Com Os Mutantes A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970)

Com Herb Alpert You Smile – The Song Begins (1974)

Com Ron Carter Patrao (1980)

Com Chaka Khan Naughty (1980)

Com Collin Walcott Works (1980)

Com Sergio Mendes Brasil '88 (1986)

Com Jack DeJohnette Invisible Forces (1987)

Com Ambitious Lovers Greed (1988) Lust (1991)

Com Laurie Anderson Strange Angels (1989)

Com Caetano Veloso Circuladô (1991) Estrangeiro (1989)

Com Deborah Harry Def, Dumb & Blonde (1989)

Com Carly Simon Have You Seen Me Lately? (1990)

Com Ryuichi Sakamoto Beauty (1990)

Com Trilok Gurtu Living Magic (1991)

Com Vienna Boys' Choir Around the World: Where Jazz Meets World Music (1991)

Com David Sanborn Upfront (1992)

Com John Zorn Filmworks 1986-1990 (1992)

Com Penguin Cafe Orchestra Union Café (1993)

Com vários artistas Baião de Viramundo - Tributo a Luiz Gonzaga (2000) </div>

Trilhas sonoras Procura-se Susan Desesperadamente, de Susan Seidelman, estrelado por Rosanna Arquette e Madonna Down By Law, de Jim Jarmusch Amazonas, de Mika Kaurismäki. Pindorama, de Arnaldo Jabor. O Menino e o Mundo

Prêmios e indicações Grammys e Grammys Latinos seção ainda incompleta