Modulação de comportamento consiste na capacidade de orientação, modificação ou modulação comportamental que um indivíduo pode apresentar mediante a utilização de artefatos tecnológicos, sendo estes apresentando sugestões de assuntos, produtos e quaisquer outros interesses relacionados. Tal capacidade está relacionada diretamente a utilização de mídias sociais, implicando em manipulação por mídia (Media Manipulation). No entanto, existem outras formas de exercer tal influência, como por exemplo, conteúdo audiovisual e fonográfico.

É possível que outros indivíduos influenciem outros e o comportamento do influenciado seja modificado, porém o indivíduo influenciador provavelmente teve seu comportamento modificado por algum elemento com tal habilidade (livros, programa televisivo, experiência de vida, entre outros).

Contexto histórico

O comportamento humano é objeto de estudo do homem desde o século XIX e tornou-se assunto central do chamado behaviorismo, cujo termo foi inaugurado em 1913 pelo americano John B. Watson. A ideia central do behaviorismo é acreditar ser possível existir uma “ciência do comportamento” e, apesar de haver divergências entre behavioristas, muitos acreditam que essa ciência é a psicologia. Uma vez que a maioria dos behavioristas passam a chamar a ciência do comportamento de análise do comportamento, pode-se dizer que o behaviorismo é um conjunto de ideias sobre essa ciência, ou seja, a filosofia da ciência. E como filosofia do comportamento, ele busca explicar por que agimos conforme agimos, fazemos o que fazemos e o que devemos ou não fazer.BAUM, William M. Compreender o Behaviorismo: Comportamento, Cultura e Evolução. 3a edição - Porto Alegre: Artmed, 2019.BOCK, Ana; FURTADO, Odair e TEIXEIRA, Maria. Psicologias. Uma introdução ao estudo de Psicologia. São Paulo: Saraiva, 1992. pág. 38-47

Em tempos onde havia pouco acesso a informação, tratando-se dos primórdios do século XX, no qual os meios de obtenção de informação eram o rádio, jornais e livros, a modulação do comportamento não tinha necessariamente um viés de monetização, mas de forma política. Com o advento do que seria o computador em meados da segunda metade do século XX, instaurou-se o início da era da informação.

Com o avanço da tecnologia e o surgimento das mídias sociais, e o consequente aumento da adesão a elas, é possível observar uma série de vantagens e desvantagens em relação ao uso constante dessas ferramentas. Suas desvantagens, porém, podem trazer efeitos devastadores à sociedade, como por exemplo o vazamento de dados recente ocorrido no Brasil, onde mais de 220 milhões de brasileiros tiveram seus números de CPF divulgados.MELO, Vanessa. SOUSA, Jéffson. DE ARAÚJO JUNIOR, Luiz Ricardo. LEITE, Charles Albert. A manipulação da sociedade pela mídia e os efeitos devastadores sobre a democracia. Cadernos de Graduação. 2018, Centro Universitário de Brasília.

Percebeu-se, então, que a adesão e troca de informações era um número substancial e que se podia lucrar com tais mídias, modulando o comportamento do usuário mediante propaganda direcionada ao analisar os dados obtidos dos próprios usuários culminando em uma nova forma de alterar o comportamento de uma pessoa ao ponto de mantê-la "presa" ao seu dispositivo, o que significa mais lucro.BRADSHAW, Samantha; HOWARD, Philip N. . Challenging Truth and Trust: A Global Inventory of Organized Social Media Manipulation. Computational Propaganda Research. Oxford Internet Institute. University Of Oxford, 2018. De acordo com Machado (2019), os dados, em linhas gerais, se tornaram uma grande fonte de riqueza sendo até mesmo comparado ao petróleo, no ponto de vista de grandes empresas da área de tecnologia da informação, notado por volta de sete anos atrás. Já Aquino (2013) diz que não se pode celebrar que haja tanta informação se ainda não sabemos como lidar com elas. Uma característica marcante das mídias atuais é o vínculo com a política. É evidente que houve uma significativa participação delas nas últimas eleições pelo mundo, sendo capaz até de induzir o voto em determinado candidato. Essa manipulação política não é algo recente, porém ela alcançou seu auge nos últimos anos. Conforme Gragnani (2017, a., online), a estratégia de manipulação eleitoral e da opinião pública nas redes sociais seria similar à usada por russos nas eleições americanas, e já existiria no Brasil ao menos desde 2012.LEITE, A.D.O. Manipulação da Mídia: Informação ou desinformação? Curso de Direito. Faculdades Integradas de Ourinhos - FIO/FEMM.

Dessa forma, podemos dizer que a modulação do comportamento pode influenciar as pessoas no modo de agir, pensar e até no modo de se vestir. Cria-se as demandas e orienta-se os costumes e hábitos de uma sociedade. Pode-se também influenciar decisões, pensamentos, ideias e crenças, a fim de dar credibilidade à informação que se deseja passar, sendo ela verdadeira ou não.

Tipos de influências

Modulação por mídia social

Esse tipo de modulação consiste em aplicações que ressaltam a vida pessoal, sentimentos, popularidade, entre outros. Assim, deixando o indivíduo suscetível à influência e consequentemente a essa modulação, por exemplo, ao ver amigos realizando algo que a pessoa a ser influenciada goste, um amigo realize uma viagem que talvez o indivíduo queira também, tudo com intuito de monetizar, ou seja, ganhar dinheiro em cima dos dados que são fornecidos pela própria pessoa, no qual está a grande “galinha dos ovos de ouro” da empresas por trás dessas mídias.

Modulação por experiência de vida

Já nesta modulação pode-se descrever várias situações, como por exemplo, a conquista de um emprego tão desejado que a pessoa fica com o comportamento disciplinado, feliz e realizado. Outro exemplo bastante comum é a traição, a pessoa fica tão frustrada que pode influenciar opiniões de outras pessoas e até mesmo ter ações diferenciadas, como por exemplo, consumo de bebidas alcoólicas, consumo de drogas ilícitas e assim por diante. É como se fosse o ligar de um interruptor dentro do cérebro da pessoa que passa a ter um comportamento diferenciado através da modulação ocasionada pelo trauma.

Modulação por crença religiosa

A modulação de comportamento também sofre influência de fatores culturais e institucionais, como a religião, que pode afetar características individuais diversas. Diante da valorização da religiosidade, ela pode influenciar a forma como o indivíduo se comporta, consome e se relaciona em sociedade. Além disso, as crenças religiosas podem moldar o comportamento das pessoas em relação à política e economia, além da motivação pró-social com o desenvolvimento do comportamento altruísta.

Modulação por mídia digital

As mídias digitais também podem exercer influência sobre aqueles que ao acessarem onde estão hospedados e se depararem com o mecanismo de interatividade construído, pode ter uma modificação em seu comportamento de alguma forma.

Modulação por convívio em sociedade

Nesta modulação o indivíduo pode aderir a uma mudança de comportamento através observação de eventos, características e ações de uma pessoa ou um grupo, onde podem levar a mudança do influenciado a realizar o mesmo comportamento ou divergir do comportamento comum do ambiente social em que está inserido. Influenciadores

Chat ou conversas

Existem aplicações de mensagens instantâneas (WhatsApp, Facebook Messenger, Telegram, entre outros) que permite a troca de informações por diversos formatos (textos, imagens, vídeos e assim por diante) no qual o conteúdo dessas mensagens pode implicar numa mudança comportamental mostrando que o indivíduo passou por uma modulação de comportamento.

Mensagens trocadas

Esse tipo de influenciador é como uma espécie de "fofoca digital", pela qual alguma informação de caráter privado ou um grupo restrito é disponibilizado a um terceiro que recebe a informação é pode ter seu comportamento orientado para um outro viés. Normalmente a informação é recebida por mídia digital ou social e repassada por algum outro veículo que utiliza internet ou pessoalmente.

Informações divulgadas

Diversos tipos de informações são divulgadas em variadas plataformas, como site de notícias por exemplo. O indivíduo ao acessar essas informações não procura saber a veracidade das mesmas, o que leva ao achismo e desinformação. As possibilidades de um indivíduo ter uma modulação comportamental deste influenciador é bem alta, no contexto da sociedade com muitas informações surgindo a cada instante de maneira extremamente acessível.

Influenciadores digitais

Influenciador Digital se tornou uma nova profissão. Usualmente essas pessoas costumam expor suas opiniões políticas, sobre um determinado assunto do cotidiano, seu dia a dia, entre outras atividades. O principal local de exposição são as mídias sociais ou digitais onde há um retorno financeiro. A modulação de comportamento começa acontecer quando acompanhar a rotina deste influenciador faz com determinada frequência, as mudanças podem ser várias, desde o consumo ou não de certos alimentos até pensamentos divergentes do senso comum.

Modulação de Comportamento e Algoritmos borda|miniaturadaimagem|Aplicação de Algoritmo

Após o ano 2000, tanto a capacidade dos computadores quanto a quantidade de dados armazenados na rede cresceram exponencialmente e são os algoritmos que definem quais informações e as que são relevantes e as que não precisam ser exibidas. Porém os algoritmos também possibilitam a coleta e análise massiva de dados, o que os tornou tecnologia essencial para o modelo de negócios das principais plataformas digitais utilizadas nos últimos anos. Como as mídias sociais já são principal fonte de informação de grande parte da população conectada as pesquisas da área de tecnologia e sociedade estão cada vez mais interessadas nos algoritmos que controlam o fluxo de informação.

O Facebook, plataforma digital mais utilizada por brasileiros, armazena mais de 300 petabytes de dados do usuário que são utilizados para, além de filtrar conteúdo, atingir os objetivos do mercado publicitário, responsável por 92% da receita da empresa em 2014.

Nesse contexto, surge a definição de capitalismo de vigilância, usando técnicas como data mining e profiling na sua centralidade, uma nova forma de capitalismo informacional que visa prever e modificar o comportamento humano como forma de produzir receita e controle de mercado. O Google é visto como pioneiro nessa forma de extrair valor da coleta e análise massiva de dados com intuito preditivo e performativo, e seu modelo de negócio é a base do sistema econômico definido como capitalismo de vigilância. O perfil do usuário pode ser descrito como “um conjunto de traços que não concerne a um indivíduo específico, mas sim expressa relações entre indivíduos, sendo mais interpessoal do que intrapessoal”, ou seja, os perfis são simulações de identidades e padrões estimativos que antecipam potencialidades – sejam elas de consumo, econômicas, comportamentais, entre outras. Assim o principal objetivo para a sua criação é “usar um conjunto de informações pessoais para agir sobre similares”. Com base na ideia foucaultiana de que o poder está diretamente ligado à produção de verdade e ao saber, é possível afirmar que as grandes plataformas de mídias sociais, como o Facebook, possuem um saber e um poder enorme sobre os usuários que interagem por meio delas. Esse poder só é possível a partir da coleta massiva de dados possibilitada pelas tecnologias cibernéticas utilizadas pela empresa, e o valioso saber que resulta dessas práticas é protegido em seus bancos de dados e em patentes registradas.