Rock gótico (por vezes conhecido simplesmente como gótico, música gótica, ou pelo anglicismo gothic rock ou goth rock) é um estilo de rock que emergiu do pós-punk e glam rock no final da década de 1970.

De acordo com ambos, Pitchfork e NME, os primeiros grupos pós-punk que adotaram uma abordagem niilista e temas góticos incluem as bandas britânicas Siouxsie and the Banshees, Joy Division, Bauhaus e The Cure.

É incerto definir qual foi o primeiro grupo ou trabalho que deu origem ao estilo, sendo que o mesmo é consequência de várias experimentações atmosféricas e de arte no rock desde a década de 1960. É notório que o disco The Scream de Siouxsie and the Banshees lançado em 1978 possui uma faixa intitulada "Switch" que já carregava uma atmosfera soturna e melancólica, Unknown Pleasures de Joy Division de 1979 também é frequentemente citado. A maioria dos críticos consideram o lançamento do single "Bela Lugosi's Dead" de Bauhaus em 1979 como o marco inicial do gênero. O estilo gótico no rock logo ganhou adeptos na década de 1980.

O rock gótico é definido pela instrumentação tipicamente associada ao rock, incluindo guitarra, baixo, bateria e teclado, mas que se destaca do rock convencional por sua sonoridade mais sombria, com acordes menores ou graves, reverbs, arranjos ou melodias dramáticas, agourentas e melancólicas, tendo inspirações na ficção gótica aliando-se a temas como tristeza, existencialismo, niilismo, romantismo sombrio, fantasia sombria, tragédia e melancolia, muitas vezes abordados de forma poética. As sensibilidades do estilo levaram à abordagens líricas profundas, frequentemente abordando o mal do século e a idealização romântica da morte e do imaginário sobrenatural. Muitas bandas do gênero (como Noctivagus,* "Marasmo a Cismar", Bulhosa books & Living (2008), Inkubus Sukkubus e Nosferatu) podem ainda incluir temas como paganismo e vampirismo em suas letras.

O rock gótico é associado a uma subcultura mais ampla que inclui estilo de vida, clubes, moda, fanzines, revistas e publicações desde a década de 1980.

Contexto O termo "gótico", que originalmente significa apenas relativo a godos ou proveniente deles, foi usado a partir do início da renascença, para designar de forma depreciativa a produção cultural ocorrida entre os séculos XII e XV e posteriormente de toda Idade Média, a qual foi associado o conceito de "idade das trevas", em oposição à nova idade da razão ou da Luz: o iluminismo (XVII e XVIII). Mas nos séculos XVIII e XIX, por exemplo, gótico foi associado ao período medieval e aplicado à literatura. Além disso, o termo goticismo tem origem inglesa, gothicism, e relaciona-se apenas à literatura.http://www.spectrumgothic.com.br/gothic.htm Gótico denota à arquitetura gótica, com grandes catedrais góticas.

Literatura gótica

A literatura gótica inicia-se no século XVIII, com uma de suas obras representativas, O Castelo de Otranto de 1764, de Horace Walpole. Características comuns incluem o medieval, o drama, a melancolia, o obscuro e o sombrio, que sempre esteve relacionado aos medos imaginários antigos da humanidade, fazendo surgir criaturas sobrenaturais, místicas e grotescas como fantasmas, bruxas, monstros e vampiros, localidades dramáticas, decadentes e remetentes a morte como castelos, ruínas, florestas e cemitérios, contos e simbolismos sombrios como o romance gótico, a névoa e a noite — autores como Edgar Allan Poe, Mary Shelley e Bram Stoker foram expoentes neste estilo. Obras como Frankenstein de Mary Shelley e Drácula de Bram Stoker são considerados entre os mais representativos do gótico na literatura. miniatura|esquerda|Esculturas tumulares podem simbolizar, além da morte, tristeza, lamento ou melancolia, temas líricos comumente encontrados em canções góticas.

Expressionismo alemão

Durante o século XX do período entreguerras, elementos da literatura gótica ressurgem na era do expressionismo alemão da década de 1920, uma nova forma de cinema com temas sombrios de suspense policial e mistério em um ambiente urbano surgiu, personagens bizarros e assustadores, a imagem de artistas pálidos com cabelos negros, uma distorção da imagem devido a uma excessiva dramaticidade, tanto na atuação quanto na maquiagem, na cenografia fantástica de recriação do imaginário humano. Filmes de terror do cinema mudo como The Sorrows of Satan (1926), Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens (1922) e Das Cabinet des Dr. Caligari (1920) de Robert Wiene, filme cujas imagens trouxeram novos sentidos para uma nova geração de espectadores. O imaginário gótico aliava-se a uma identidade visual, herdando ecos de uma literatura nascida no período romântico. O gótico então ganhava forma sob uma entusiasmante paleta de referências.

Influências do gótico no rock Desde a década de 1960, novas formas de música com teor artístico e experimental dentro do rock estavam em ascensão. Parte das raízes do rock gótico estavam no glam rock de David Bowie e Roxy Music e no rock experimental, krautrock e rock psicodélico do final da década de 1960 de Kraftwerk, Velvet Underground, Nico e The Doors. Na década de 1970, o glam rock foi marcado por roupas extravagantes, pela ambiguidade sexual e performances teatrais. Eram os tempos de androginia, suas músicas agitadas de rock n' roll esbanjavam energia sexual e preservava um certo lado noir. David Bowie foi considerado um marco no gênero. A ênfase lírica abordava a "revolução adolescente", assim como uma ampla notoriedade na direção de temas heterosexuais, sobre a decadência e fama. Por outro lado, parte dos jovens já não via o mundo de uma forma colorida e otimista, as subsociedades precisavam expressar essas novas percepções do mundo de diferentes maneiras e uma subcultura com predileção por temas românticos e sombrios surgiu.

Bandas pós-punk como Siouxsie & The Banshees, Joy Division, Bauhaus e The Cure misturavam efeitos eletrônicos, baixos graves com melodias e paisagens sonoras decadentes, uma repetitiva e onipresente bateria e vocais dramáticos para cantar sua visão pessimista do mundo.http://www.spectrumgothic.com.br/musica/estilos_musicais/rock_gotico.htmhttp://blitz.sapo.pt/principal/update/2017-12-03-Vampiros-sombras-e-rocknroll

O single de estreia da banda britânica Bauhaus, "Bela Lugosi's Dead", é considerado o precursor do rock gótico e tem sido imensamente influente na subcultura gótica contemporânea. Segundo um artigo do The Guardian intitulado "Bauhaus invent goth":

Características As principais características do rock gótico podem ter surgido de vários experimentos musicais dentro do rock no final da década de 1960 até meados da década de 1970, incluindo rock psicodélico, folk rock, art rock, krautrock, jangle pop, proto-punk e etc. As primeiras bandas góticas com essas influências vinham mais especificamente do Norte da Inglaterra. Elas induziram uma situação de tédio cultural e decadência social, no niilismo, e uma predileção por temas poéticos que misturam o gosto pelo simbolismo da morte, da decadência, da obscuridade e do romantismo.

O rock gótico, de acordo com o AllMusic, "pegou as baterias tribais e as guitarras processadas do pós-punk, bem como a teatralidade do glam rock, e usou para construir paisagens sonoras agourentas, tristes e de mal presságio". O estilo tinha letras introspectivas ou pessoais, mas de acordo com AllMusic, "sua sensibilidade poética logo levou a um gosto pelo romantismo literário, morbidez, simbolismo religioso ou misticismo sobrenatural". Muitos grupos de rock gótico caracteriza uma ênfase na atmosfera melancólica, sombria ou fúnebre – paisagens obscuras construídas através de teclados ou melodias mínimas e atmosféricas de guitarra (muitas vezes carregadas de efeitos como eco, delay, reverb ou jangly)https://guitarbomb.com/goth-guitar-tones-crafting-perfect-guitar-tone/ e efeitos de baixo excessivamente destacados, produzindo uma sonoridade "cavernosa" e grave. Vocalistas do gênero podem cantar em tons dramáticos, barítonos e ecoantes, ou vozes femininas poderosas e distintas como as de Siouxsie Sioux (Siouxsie and the Banshees) e Elizabeth Fraser (Cocteau Twins), todos servindo a temas sombrios, atmosféricos e poéticos, com influências de Leonard Cohen e Jim Morrison.https://www.thomann.de/blog/en/inspire/15-legendary-gothic-rock-bands-celebrating-darkness/#:~:text=The%20Sisters%20of%20Mercy%20are,drum%20machines%20and%20drop%20tunings.https://www.scheitan.se/goth-music-bands/#:~:text=Siouxsie%20and%20the%20Banshees.%20Siouxsie%20and%20the,atmospheric%20soundscapes%2C%20and%20Siouxsie's%20powerful%2C%20distinctive%20voice.

Além das já citadas características da literatura gótica, várias outras culturas "marginais" e movimentos artísticos literários influenciaram o rock gótico. Um dos mais importantes foi a tradição literária do romantismo e do mal do século que teve figuras expoentes como Lord Byron, bem como costumes da era Vitoriana, o romance sombrio de Edgar Allan Poe, elementos e símbolos da antiga cultura egípcia, a mitologia cristã, o simbolismo, o surrealismo e parte da filosofia pessimista de Friedrich Nietzsche compuseram uma colagem de referências culturais presentes em canções góticas.

Nick Kent revisou um concerto do Siouxsie & The Banshees em julho de 1978, dizendo: “paralelos e comparações podem agora ser desenhados com arquitetos do rock gótico como o Doors e, certamente, Velvet Underground”. O músico Bernard Sumner, integrante das bandas Joy Division e New Order, ao fazer um comentário sobre o filme da era expressionista, Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens, disse: “A atmosfera é realmente maléfica, mas você se sente à vontade dentro dela”.

História Raízes e influências O termo gothic rock foi cunhado pelo crítico de música John Stickney em 1967 para descrever um encontro que ele teve com Jim Morrison em uma adega mal iluminada, que ele chamou de "o quarto perfeito para honrar o rock gótico dos Doors". Postado em Nesse mesmo ano, a música do Velvet Underground "All Tomorrow's Parties" criou uma espécie de "obra-prima hipnotizante do rock gótico" de acordo com o historiador da música Kurt Loder. Incentivada por Jim Morrison, Nico gravou em 1969 o disco vanguardista The Marble Index de atmosfera sombria e radical que lançou as bases do gótico, vindo a influenciar diversas bandas surgidas na década seguinte.

No final dos anos 1970, o adjetivo gótico foi usado para descrever a atmosfera sombria que as vezes pairava no pós-punk exercido por bandas como Siouxsie and the Banshees, Magazine e Joy Division, por vezes sendo cunhado o termo "dark post-punk" para descrever sua sonoridade. Em março de 1979, em sua resenha do segundo álbum do Magazine Secondhand Daylight, Nick Kent observou que havia "um novo senso de autoridade austero", com um "som neo-gótico úmido". Mais tarde naquele ano, o termo também foi usado pelo gerente do Joy Division em 15 de setembro em uma entrevista para o programa de TV da BBC Something Else. Wilson descreveu o Joy Division como "gótico" em comparação com o pop mainstream, logo antes de uma apresentação ao vivo da banda. O termo foi posteriormente aplicado a "bandas mais novas" como Bauhaus, que havia chegado na esteira do Joy Division e Siouxsie and the Banshees. O primeiro single do Bauhaus lançado em agosto de 1979, "Bela Lugosi's Dead", é geralmente creditado como o ponto de partida do gênero.

Glam rock

Cheio de plataformas altas, maquiagem, brilhos e cílios postiços, o glam rock ganhou o território norte-americano, talvez graças ao The New York Dolls. A banda fazia um rock simples e básico, que posteriormente seria chamado de proto punk; porém sua estética feminina era o que chamava mais atenção: roupas de mulher, batom e maquiagem borrada. A diferença entre eles e os personagens de David Bowie eram bem vísiveis. Mas foi assim que o glam foi trazido da Inglaterra para os Estados Unidos.